[Cmi-aracaju] clipping sobre aumento de ônibus em Salvador (17/09)
Manoel
manoel em riseup.net
Sexta Setembro 16 22:09:13 PDT 2005
17/09/2005 - 01:34
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Transportes
Reunião acaba em impasse
Sem nenhum avanço, as negociações foram suspensas à meia-noite de ontem e recomeçam hoje à tarde
Regina de Sá
Terminou sem definição a reunião realizada ontem na Câmara Municipal para discutir a proposta de aumento da tarifa dos ônibus de Salvador. A proposta de R$ 2,20 foi totalmente descartada pelos líderes estudantis, que já batizaram o movimento de "Setembro do Buzu" e vão voltar às ruas se não houver uma negociação que atenda aos interesses da população.
Até a meia-noite de ontem, estudantes, empresários do setor de transporte público e vereadores esperavam um posicionamento oficial do prefeito João Henrique.
Porém, depois de mais de uma hora de espera, o presidente da câmara, Valdenor Cardoso, disse que "o prefeito não foi encontrado". Para dar continuidade às negociações, ficou marcada para hoje, às 15 horas, no mesmo local, uma nova reunião com os representantes do movimento, prefeito e vereadores.
"Se não conseguirmos chegar a um acordo e esgotar todas as possibilidades, a mobilização estudantil continuará na próxima semana". Disse o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta, no final da rodada da reunião.
Os estudantes esperam um pronunciamento oficial do prefeito e não aceitam também o aumento para R$ 2, proposta considerada inviável. Chegou-se a discutir tarifas intermediárias – entre R$ 1,80 a R$ 1,90, sem nenhum acordo.
Apesar da indefinição, foram trazidas à mesa algumas propostas, como fechar com a tarifa de R$ 1,80, mas com a promessa de acelerar na Câmara o projeto de pôr fim à gratuidade de acesso ao transporte público.
Além disso, a reunião levantou ainda questões importantes que há muito são cobradas pela população e que, diante da pressão pública, poderão ganhar força a partir do movimento, tais como a modernização do setor de transporte público, com a ampliação, renovação, melhoria e acessibilidade da frota de ônibus, dentre outras reivindicações.
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17/09/2005
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Transportes
Depois da liminar, tarifa de ônibus entra na pauta
Na contramão da ordem natural dos fatos, empresários abrem a discussão sobre a necessidade de aumentar preço das passagens um dia depois de forçar o reajuste de R$ 1,50 para R$ 2,20 por meio de instrumento jurídico. Atentos e diretamente interessados na manutenção do atual valor da passagem, os estudantes foram às ruas e, depois de começar o dia "arrastando" colegas de escolas do centro, se espalharam por outros pontos da cidade no turno da tarde. Tentaram tirar a Estação da Lapa da sua rotina, mas foram dispersados pela força policial. Um estudante foi detido e, de acordo com estimativa da Polícia Militar, 2.500 participaram de passeata pela Avenida Sete durante a manhã de ontem.
GILSON JORGE
Em uma concorrida reunião no gabinete da presidência da Câmara Municipal do Salvador, vereadores, empresários de ônibus, estudantes e secretários do governo municipal tentavam chegar a um acordo sobre o valor do reajuste a ser aplicado nas tarifas. O encontro foi agendado às pressas depois que a Justiça concedeu às empresas do setor o direito de aumentar em 46% o valor da passagem, um pouco mais de dois anos após o último reajuste.
Com uma liminar nas mãos que garantia a cobrança de uma tarifa de R$ 2,20, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Salvador (Setps) assumiu a postura de que se não houvesse avanços na negociação, a passagem de ônibus aumentaria ainda hoje. Os avanços, para os empresários de ônibus, seriam uma garantia efetiva da prefeitura de que se reduziriam as gratuidades e, principalmente, o compromisso de combate às fraudes nos smart cards
"Se houver negociação, essa tarifa abaixa", argumentava o presidente do Setps, Horácio Brasil, que deixou clara a sua disposição de forçar a prefeitura a rever sua posição. Até ontem, o governo municipal tinha um discurso dúbio em relação ao aumento de ônibus. Ao mesmo tempo em que o prefeito João Henrique (PDT) afirmava categoricamente que sua posição era de não haver reajuste, o governo municipal delegou aos vereadores a negociação com os empresários, com o compromisso de que aceitaria o resultado de um acordo fechado ontem.
"Vamos tentar derrubar a liminar", declarou o secretário municipal dos Transportes, Nestor Duarte, que no dia anterior havia ameaçado cancelar a licença de operação das empresas que eventualmente reajustassem. O líder da oposição na Câmara, João Carlos Bacelar (PTN), acusou o governo municipal de armar uma situação que favorecesse a imagem do prefeito João Henrique. "Eles querem que o prefeito apareça como bonzinho. Ele (João Henrique) só se preocupa com a mídia", afirmou Bacelar, que declarou ter ouvido, antes de a reunião começar, membros do governo admitindo uma tarifa em torno de R$ 1,80. "Eles colocaram o bode na sala", completou o vereador José Carlos Fernandes (PMN), sugerindo que, de antemão, a prefeitura sabia que haveria um reajuste menor e que a tarifa não iria a R$ 2,20.
Após uma rápida reunião a portas fechadas em uma sala da presidência da Câmara com um dos líderes estudantis e com o empresário de ônibus Marcelo Santana, o superintendente do Setps, Horácio Brasil, voltou ao salão principal reafirmando a A TARDE a sua posição de que, se a prefeitura não avançasse nas negociações, as tarifas subiriam hoje para R$ 2,20.
O procurador-geral do município, João Carlos Cavalcanti, deu ontem entrada, no Tribunal de Justiça do Estado, no pedido de suspensão da liminar concedida pelo juiz Waldemar Ferreira Martins, da 4ª Vara da Fazenda Pública, que autoriza o aumento tarifário das passagens de ônibus de Salvador em 46%, que faria o valor atual de R$ 1,50 saltar para R$ 2,20. Até o início da noite de ontem, o procurador ainda não havia sido informado pelo TJ-BA se seu pedido havia sido acatado ou não.
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17/09/2005
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Transportes
Estudantes nas ruas
Bastou a Justiça conceder a liminar que garante o aumento da tarifa para eles mudarem a rotina da cidade com diversas manifestações
ADILSON FONSÊCA
Os estudantes foram rápidos em mostrar as armas que têm para impedir o aumento de 46% das passagens de ônibus de R$ 1,50 para R$ 2,20. Foram para as principais ruas do centro em protesto, com a quantidade de jovens que conseguiram reunir depois de um arrastão que começou pelo Colégio Severino Vieira, Nazaré, às 9 horas, passando pelos vizinhos Teixeira de Freitas e Central e chegando aos colégios Senhor do Bonfim (Barris), Manoel Novais (Canela), Odorico Tavares (Corredor da Vitória) e Mercês e São Bento (Avenida Sete).
Do ponto de concentração, Campo Grande, seguiram em direção à Praça Municipal. De acordo com a Polícia Militar, 2.500 estudantes foram às ruas pela manhã. A trégua foi rápida e, logo no começo da tarde, eles voltaram ao centro, marcharam da Piedade à Praça Municipal. No final da tarde, mais estudantes nas ruas, dessa vez no bairro do Costa Azul e São Cristóvão. Os que estavam concentrados em frente à Câmara Municipal seguiram em passeata pela Baixa dos Sapateiros em direção à Estação da Lapa, via Dique do Tororó.
Líderes da UNE (União Nacional dos Estudantes), UEB (União dos Estudantes do Estado da Bahia), Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e a Abes (Associação Baiana de Estudantes Secundaristas) estavam lá na condução do protesto. No Forte de São Pedro, um incidente envolvendo um grupo de estudantes e uma viatura do 18º Batalhão da Polícia Militar (Centro Histórico) terminou na prisão de um estudante, de nome Jucymar, que foi liberado logo depois.
Aos gritos de "se aumentar para R$ 2,20, o bicho vai pegar", os estudantes atraíram a atenção dos comerciantes e pessoas que estavam pelo centro da cidade ontem de manhã. Houve manifestações de apoio de várias partes. "Não dá para pagar R$ 2,20 por um serviço que é ruim e numa cidade onde o desemprego tem a maior taxa do Brasil", disse Lúcia Maria Gonçalves, 27 anos, funcionária de uma loja de confecções na Avenida Sete.
"Dessa vez, não vamos permitir qualquer reajuste na tarifa e vamos barrar nas ruas qualquer tentativa nesse sentido", desafiou o presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Marcelo Gavião, à frente das manifestações. O presidente nacional da UNE, Gustavo Petta, que chegou de São Paulo na quinta-feira, disse que a reação dos estudantes em Salvador foi rápida.
Segundo Gavião, a saída é a criação de um conselho popular para dialogar com os empresários e a prefeitura e se chegar a um acordo. Os manifestantes condenaram a postura dos empresários que buscaram aplicar o reajuste através de uma liminar da Justiça.
O secretário municipal de Infra-Estrutura e Transportes Urbanos de Salvador, Nestor Duarte, disse que qualquer que venha a ser a decisão sobre o reajuste das tarifas de ônibus terá que ser fruto de uma ampla negociação envolvendo a prefeitura, as empresas e os setores representativos da sociedade: "Não há serviço de transporte que se sustente com uma tarifa congelada há dois anos e com 11 reajustes no preço do óleo diesel. Mas não há como manter um reajuste de R$ 2,20, como querem as empresas, se a população não pode pagar", disse.
Ontem pela manhã, em audiência na Câmara dos Vereadores, onde foi discutir o futuro do metrô e do sistema de trens suburbanos, Nestor Duarte explicou que a idéia é buscar uma solução intermediária entre o que as empresas querem (R$ 2,20) e o que a população exige (a manutenção dos R$ 1,50). "Vamos debater o assunto e encontrar uma tarifa justa, que atenda aos pleitos dos empresários e às necessidades da população", explicou.
Esta é a segunda vez que os empresários de ônibus de Salvador tentam ganhar na Justiça o direito de reajustar o valor da tarifa do transporte urbano. No final do ano passado, depois de uma ação na Justiça, os empresários resolveram aumentar o valor da tarifa de R$ 1,50 para R$ 1,70. Mas a reação da prefeitura com a ameaça de cassação das concessões pelo então prefeito Antonio Imbassahy fez o Setps recuar.
Revolta do buzu
O centro da cidade parou por quase três horas, ontem pela manhã, com a manifestação dos estudantes contra o anúncio de reajuste das tarifas garantido por uma liminar e com ação ainda na Justiça. Foi uma manifestação em menor escala que as registradas em agosto de 2003, que ficou conhecida como a "Revolta do buzu" e paralisou a cidade em diversos pontos por vários dias.
O movimento teve início no dia 14 de agosto de 2003, com a primeira paralisação de ônibus na Lapa, e foi retomada, com força, por volta do dia 22 do mesmo mês, tendo atingido seu auge nos primeiros dias de setembro, quando se espalhou por vários pontos da cidade. Os pontos principais do movimento eram a região do Iguatemi (gargalo de trânsito em Salvador) e a Estação da Lapa. Houve confronto com PMs, gente voltando a pé para casa, ônibus quebrado, estudantes presos e até feridos em confronto com polícia. Para os estudantes, foi um marco histórico.
Os estudantes queriam a redução no valor da tarifa, de R$ 1,50 para R$ 1,30. A passagem não baixou, mas eles saíram vitoriosos não apenas por causa da grande mobilização, mas também porque conseguiram o uso do smart card durante 365 dias no ano.
Na época, foram reativados e criados, respectivamente, o Conselho de Transporte e a Comissão de Desoneração do Transporte Público. O primeiro, em linhas gerais, seria o órgão encarregado de fiscalizar toda a política de transportes da cidade. Já a Comissão de Desoneração, encarregada de estudar e repensar o valor/percentual dos tributos que incidem sobre os insumos do transporte público, com a finalidade de reduzir a tarifa para o passageiro. Esse estudo seria em âmbitos municipal, estadual e federal.
Do Conselho de Transportes, integrado por representantes dos estudantes, das empresas de ônibus, da prefeitura, Câmara dos Vereadores e entidades civis, pouco se sabe de resultados práticos. O mesmo se pode dizer da Comissão de Desoneração, criada com a participação da prefeitura, empresários de ônibus e Câmara dos Vereadores, que ainda luta para acabar com os benefícios da gratuidade no sistema de transporte concedidos a diversas categorias.
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17/09/2005
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Transportes
Fôlego jovem ganha força durante a tarde
CLÁUDIA OLIVEIRA
A sexta-feira de mobilização dos estudantes em Salvador foi apenas uma prévia do que virá. Esta é a promessa dos manifestantes ao encerrarem às 18h45 de ontem, na rotatória dos Barris, o ato público contra o reajuste da tarifa de ônibus. Os estudantes mostraram que estão dispostos a repetir a mobilização de agosto de 2003 e garantem voltar às ruas na próxima segunda.
Repetindo palavras de ordem muitas vezes cantadas em 2003, como "sou, estudante, eu sou, eu quero estudar, o Setps não quer deixar...", os estudantes se concentraram, ontem à tarde, em frente ao Colégio Central e, depois de filarem as aulas, seguiram em direção à Praça da Piedade. Eram 14h31 quando ocuparam a praça fazendo um apitaço. Muitos deles subiram no chafariz e empunharam a faixa "2,20 não dá!".
Com mochilas nas costas, cara pintada ou simplesmente com a farda de colégios como Severino Vieira, Central, Salesiano, Estadual Senhor do Bonfim, Mário Augusto Teixeira, os estudantes rumaram, às 14h54, para a Praça Municipal. O comércio parou na Avenida Sete, onde foram distribuídas bandeiras das entidades estudantis. O despachante Vanderlison Franga Nobre, 45 anos, esboçou um sorriso em solidariedade aos estudantes. "Eu acho ótimo isso aí. Pago R$ 10 todo dia para meus filhos irem para o colégio. Não dá pra engolir esse aumento. Vai ter gente aí que vai morrer de fome", comentou.
A opinião do despachante é partilhada pela comerciária Alzira Alves, 47 anos. Ela trabalha na Avenida Sete e mora no Engenho Velho de Brotas. Disse que, se houver o reajuste, vai ter de ir para o trabalho a pé. "Ganho o piso de R$ 400, tá apertado, tenho dois filhos. Os estudantes estão certos, têm de reivindicar".
Depois de passar pela Praça Castro Alves, os cerca de 400 estudantes, segundo estimativas da Polícia Militar, chegaram à Praça Municipal. Em frente à Câmara de Vereadores, às 15h27, um grupo tentou invadir a Câmara; somente algumas lideranças conseguiram entrar para acompanhar a negociação entre representantes do poder público e o Setps. A reação de quem estava ao microfone do carro de som foi imediata: "Fecharam a casa do povo. Terroristas!", dizia um manifestante. Assessores da prefeitura se encarregaram de distribuir um informativo atestando que o prefeito João Henrique era contra o aumento. Os estudantes também reagiram: "Não adianta o prefeito João Henrique mandar cartinha, recado, queremos uma resposta definitiva!", comentou uma das lideranças. Mais estudantes foram chegando ao longo da tarde, de colégios como o Estadual Landulfo Alves e o Hamilton de Jesus Lopes. Concentrados na praça, eles dançaram reggae, cantaram o Hino Nacional, alguns jogaram dominó, outros tomaram cachaça com refrigerante. E às 17h40, saíram em direção ao Dique do Tororó. Ao passar pela Avenida J.J. Seabra, bloquearam o trânsito, bateram nos ônibus e, com disposição, seguiram para o Dique até a rotatória da Lapa, onde pararam o trânsito por volta de 15 minutos. A PM chegou, uma policial militar mais exaltada empunhou uma espingarda calibre 12 e partiu pra cima de um grupo, sendo acalmada pelos colegas. "Ele me chamou de abestalhada", retrucou a PM.
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17/09/2005
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Transportes
Galera mostra a cara
CARLA BITTENCOURT
Assim que souberam do aumento da tarifa, anteontem à noite, alguns estudantes começaram a convocar, por telefone, colegas e amigos para a manifestação. Ontem pela manhã, também não faltou quem fosse dar o recado nas salas de aula. O argumento, defendido pela presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Maiara Oliveira, 22, era ganhar a rua para garantir o direito de continuar em sala.
A manifestação começou quando estudantes da Escola de Engenharia Eletromecânica da Bahia (Nazaré) interromperam o trânsito na Piedade, foram para o Campo Grande e se juntaram a secundaristas e universitários. Às 14 horas, eles partiram da Praça da Piedade em uma passeata até a Praça Municipal. A idéia era forçar a prefeitura a derrubar a liminar que autoriza o reajuste, obtida pelos empresários.
Com os rostos pintados de verde e amarelo, munidos de bandeiras, microfones e carros de apoio, eles organizaram a passeata com palavras de ordem como "Olê, olê, olê, olá, se aumentar para R$ 2,20, o bicho vai pegar", "Salário de peão, tarifa de ladrão", "Ih, f.... ! Estudante apareceu" e o clássico "Estudante na rua, a luta continua". A promessa, feita em frente à sede da prefeitura e à Câmara de Vereadores, é parar a cidade, a partir de segunda-feira, caso o aumento de R$ 2,20 vingue.
OS ENGAJADOS
"Não podemos admitir que a maioria das pessoas que usa o sistema público de transporte, que mal recebe um salário, pague esse preço"
Marcelo Gavião, 22, presidente da União Baiana dos Estudantes Secundaristas (Ubes).
"O Conselho Municipal dos Transportes foi uma promessa não cumprida da prefeitura anterior. Também é inaceitável que o smart card seja emitido pelo sindicato patronal"
Juliana Cunha, 17, presidente da Associação Baiana dos Estudantes Secundaristas (Abes).
"Tem gente que vai ficar sem ter como ir para a escola ou trabalhar com esse valor de tarifa. É por isso que estamos nas ruas"
Antoniel Santos, 23, diretor do grêmio do Colégio Central.
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17/09/2005
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Transportes
Passagens reajustadas em 87,50% desde 2001
MARJORIE MOURA
A reação dos estudantes e da população de Salvador ao reajuste das tarifas solicitado à Justiça pela empresas de ônibus é respaldada por um dado contundente: segundo a Fundação Getúlio Vargas, o preço das passagens na cidade foi reajustado em 87,50% entre janeiro de 2001 e julho de 2005, contra uma inflação de 48,50% no mesmo período. E, mais grave, como o último aumento (15,38%) foi praticado em 31 de agosto de 2003, o acumulado dos reajustes corresponde a apenas três anos, em comparação aos cinco anos da pesquisa de inflação.
A economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV), Geovana Pinheiro, avalia que o reajuste solicitado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Salvador (Setps) não corresponde à evolução dos índices inflacionários da cidade e muito menos da renda da maior parte da população. O cálculo do IPC-SSA é feito com dados obtidos junto a famílias que recebem entre um e 33 salários mínimos. Um reajuste de 46,7% num serviço utilizado diariamente por pessoas que integram esta faixa tem um peso muito grande.
Geovana Pinheiro explica que, segundo a metodologia adotada pelo Ibre-FGV, o impacto deste aumento sobre o cálculo inflacionário seria de 4,03%, com base nos resultados obtidos em julho último. Isso significa dizer que, para cada 1% de aumento, o peso sobre a inflação seria de 0,04 ponto percentual. Mas, para a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), que calcula mensalmente o IPC-SEI, o peso do transporte público no cálculo da inflação seria de 5,3%.
A economista diz que a iniciativa do empresário de transporte corresponde a um tendência do mercado de criar índices setoriais onde são incluídos todos os custos de um serviço. A avaliação é que essa medida resulte em reajustes mais sensatos.
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