[Cmi-bh] Ocupação Caracol: famílias negam-se a deixar prédio ocupado
Brian Matos
brianemaisfacil em riseup.net
Sexta Dezembro 22 09:25:25 PST 2006
Matéria do Portal Uai (estado de minas?) sobre a operação de despejo de
ontem foi republicada no CMI:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/12/369486.shtml
*
*Sem-teto se negam a deixar prédio ocupado na região Centro-Sul de BH *
Moradores da Ocupação Caracol conseguem adiar cumprimento da ordem de
despejo
(Portal Uai)
Moradores da Ocupação Caracol, prédio invadido por famílias sem-teto no
dia 24 de novembro e que está localizado na Rua do Ouro, na Serra, região
Centro-Sul de Belo Horizonte, viveram momentos de apreensão. Um oficial de
Justiça foi até o local na tarde desta quinta-feira com uma ordem de
despejo.
Um caminhão de mudança parou na porta da construção e a angústia tomou
conta das cerca de 40 pessoas que vivem no local, entre as quais cinco
crianças. Mas, vendo que seria impossível fazer a retirada nesta tarde, em
função da própria estrutura do prédio e também por causa das crianças, que
não teriam para onde ir, o oficial de Justiça adiou a desocupação para a
próxima terça-feira. Alívio para as famílias que ao menos não vão passar o
Natal ao relento.
Marta Etelvino, de 35 anos, é uma das moradoras que vivem no prédio. Ela e
os filhos foram parar no Caracol depois de serem despejados da casa onde
moravam no mesmo bairro. ?A situação estava difícil. Eu era feirante, mas
tive que desmontar minha barraca e aí os aluguéis foram acumulando?, conta
a mulher, que, desesperada, diz não ter para onde ir.
Marta tem um filha de 19 anos que, assim como ela, está desempregada. O
filho de 17 anos, único que trabalha, abandonou os estudos para conseguir
trazer algum dinheiro para casa. De acordo com Sarah Otoni, integrante das
Brigadas Populares, movimento que apóia as famílias de sem tetos, há seis
anos, o prédio de três andares e seis apartamentos está abandonado.
?Ele não tem portas nem janelas. A construção foi abandonada no meio?,
explica. Sarah conta que a maioria das pessoas que moram na ocupação
viviam em barracos na Vila Cafezal, também na Serra, ou em casas no
bairro, e foram despejadas por não pagarem o aluguel. Há também o caso de
estudantes universitários que, sem condições de arcarem com as despesas de
uma casa, passaram a viver na ocupação. Os donos do prédio, revoltados com
a decisão, recusaram-se a conversar com a reportagem.
Manifestação
Nesta quarta-feira, representantes de movimentos de luta pela moradia da
capital fizeram uma manifestação em frente à sede da Prefeitura de Belo
Horizonte (PBH), na Avenida Afonso Pena, região Central da cidade. O
protesto acabou em confusão: acusações contra a guarda municipal de
agressão e quatro pessoas detidas que acabaram liberadas logo depois.
Os manifestantes conseguiram ser recebidos pelo Secretário de Habitação da
PBH, Carlos Medeiros, que marcou outra reunião para a próxima semana, no
dia 27. Entre as reivindicações do grupo estão a redução do Imposto
Predial e Territorial Urbano (IPTU), a construção de mais moradias
populares pela prefeitura, a desapropriação de construções abandonadas e a
aproximação das mensalidades dos projetos de habitação à realidade dos
moradores.
A Secretaria Municipal Adjunta de Habitação informou que os
empreendimentos construídos com recursos da Política Municipal de
Habitação são isentos de IPTU. O órgão ainda esclareceu que 6.068 unidades
habitacionais foram aprovadas em assembléias do Orçamento Participativo da
Habitação nos últimos quatro anos. Dessas, 3.155 foram entregues, 1.357
estão em fase final de produção e outras 1.556 estão previstas. Os
manifestantes consideram o número muito inferior à real necessidade da
cidade.
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