[Cmi-brasil-editorial] En:Urgente: Morte de Companheiros

Pablo Ortellado paort em uol.com.br
Quinta Julho 19 18:17:11 UTC 2007


Car em s:

Alguém pode ajudar? Cf. abaixo notícias de Pernanbuco sobre assassinatos já realizados e outros em vias de ocorrer.

Abraços de LUZ!
                            Miryám.

------------- Segue mensagem encaminhada -------------

Data: Wed, 18 Jul 2007 14:31:47 -0300
De: "Ivone Mello" <windzen em gmail.com>
Para: "Literatura Indígena" <literaturaindigena em yahoogrupos.com.br>, 	Ocara <ocara em yahoogrupos.com.br>, 	filosofenix <filosofenix em yahoogroups.com>, ueeipe em yahoogrupos.com.br, 	"Teia Trans" <teia_transdisciplinar em yahoogrupos.com.br>, 	culturaspopularesBR em yahoogrupos.com.br
Assunto: Literatura Indígena Urgente: Morte de Companheiros


Repasso a mensagem. Conheço algumas das pessoas que vivem no referido
assentamento.
Vamos apoiar e mobilizar autoridades  e companheiros que possam tomar
providências.
Também não estou em Pernambuco neste momento.
Ivone Mello.

Galera,

Como alguns sabem, frequento um assentamento chamado Chico Mendes II, o qual
se localiza no Complexo Prado em Tracunhaém - PE.
Infelizmente devido a vários processos tive que dar uma parada nas visitas.
Venho aqui  apresentar um texto o qual recebi por emaio, de uma pessoa que
frequenta o mesmo assentamento.

O que trago aqui é a denúncia de assassinatos que estão ocorrendo aos
moradores deste complexo de assentamentos.
O texto se chama Guerra de Baixa Intensidade porque assim foi chamado o
movimento em que a polícia militar reprimiu os acampados a poucos anos
passados.
Neste momento não estou em Pernambuco para poder acompanhar mais de perto o
que realmente está acontecendo, mas assim que obter mais notícia jogarei por
aqui.

Há braços sempre na luta

Rodrigo gato-véi

**
*Guerra de Baixa Intensidade – parte III:*
*Situação do Complexo Prado*
* *
*Mais um assassinato político cometido contra o povo lutador assentado no
Complexo Prado, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. *

Ontem (13/07/2007) pela manhã, por volta das 6h mais um trabalhador
assentado foi vítima de emboscada quando se dirigia à feira para vender o
fruto do seu trabalho.   De vinte dias pra cá, já foram dois com as mesmas
características. Quem será a próxima vítima?


*Eldorado, Camarazal e Prado...?*
Há onze anos foi realizado o Massacre de Eldorado dos Carajás.  Na tarde de
17 de abril de 1996, mais de cem policiais assassinaram 19 trabalhadores
rurais no Pará. Ninguém foi punido. Um ano depois, na madrugada de 9 de
junho de 1997, aqui na Zona da Mata Norte de PE, dois trabalhadores rurais
foram brutalmente torturados e assassinados. Pra variar, os assassinos, dos
quais se sabem os nomes e a mando de quem cometeram tais crimes políticos,
estão na impunidade. Também podem ser citados inúmeros outros casos de
ataques impunes à Luta Pela Terra, como o assassinato da Irmã Doroty, também
no Pará, e mais uma vez aqui próximo há dez anos, o extermínio de Luiz
Carlos da Silva, trabalhador da palha da cana que encabeçava Campanha
Salarial por sua categoria.

Só pra ressaltar, este segundo caso, ocorreu bem aqui perto geograficamente
dos recentes fatos que nos levam mais imediatamente a divulgar este texto.
Será que estamos à beira de um novo massacre? Quantos mais serão absurda e
impunemente tombad em s para que tomemos medidas necessárias ao enfrentamento
do grande latifúndio matador?

*Dois assassinatos em vinte dias*
Zé da Graviola, cerca de 40 anos, trabalhador rural assentado no Complexo
Prado, foi executado do último dia 23 de junho de 2007. Por volta das 3h30
da madrugada, quando ia à feira trabalhar, foi surpreendido por dois
assassinos que lhe tiraram a vida brutal e humilhantemente. Com inúmeras
marcas de tiros espalhadas pelo corpo, principalmente cabeça e costa, o
corpo deste trabalhador estava estirado de bruços na terra encharcada de
suor e o sangue derramado na Luta Pela Terra e da chuva da noite anterior.
Já aqui, a companheirada trabalhadora indagava-se, indignada e
angustiadamente, se haveria próxima vítima. Será?

Vinte dias depois, 13 de julho de 2007, outro trabalhador foi executado.
Severino Guilherme Lúcio, conhecido por Bio Jacaré, de 71 anos, foi
emboscado por volta das 6h, também pela manhã, quando se destinava à feira
para trabalhar. Na noite anterior, as 18h, houve uma perseguição feita por
uma moto a uma moto-táxi em que seguia uma assentada. Esta perseguição
ocorreu no mesmo trecho onde aconteceu o assassinato, doze horas depois.

Estes dois trabalhadores assassinados não exerciam grande papel de
liderança. No entanto, ambos compuseram a comissão coordenadora do processo
de luta pela terra durante estes dez anos, ressaltando que este segundo,
inclusive, foi preso no primeiro despejo contra @s trabalhadores/ as do
Complexo Prado, e prestou depoimento contra o latifúndio e a polícia. Será
que estes dados nos ajudam a supor alguma coisa? Então quem será a próxima
vítima? Precisamos de mais vítimas? O que vocês propõem?

*Perseguições tornaram-se constantes neste primeiro semestre*
Já foram muitos os casos de assentad em s que sofreram perseguições. Os relatos
dizem que elementos sempre acompanhados (duplas, quartetos) em motos e/ou
carros costumam abordar pessoas assentadas até mesmo acompanhadas de
crianças, quando estão no caminho indo ou vindo do assentamento. Nestas
abordagens elas sofrem ameaças de morte por elementos de arma em punho.

Acontece que a partir do início deste ano, intensificaram- se estas
abordagens. Suas características são muito peculiares, o que se leva
logicamente a levantar suspeitas do caráter sistemático destas ações.
Geralmente constata-se que é uma moto grande branca e os mesmos três carros
(um *Fiat* vermelho, um Gol branco e um outro de cor preta). Detalhes: os
três carros possuem placa fria e durante o dia filmam e fotografam as
moradias, trabalhadores/ as e seus roçados às margens da estrada da estrada.


Costumam fazer paradas estratégicas em suas investidas em três assentamentos
mais comumente:
*Ismael Filipe* – em frente às casas de Zinha, Paula e Biba, que já teve sua
casa arrombada e foi arrastado por policiais, sendo depois encontrado no
presídio; ele e elas compõem a Diretoria da Associação deste assentamento;
*Chico Mendes I* – além circular pela região, a moto pára especificamente em
frente à parcela de Zé Carlos (presidente da Associação deste assentamento)
e das parcelas de Zeza e "Antônio Seda" que dá acesso aos quatro
assentamentos e é ponto de ônibus;
*Chico Mendes II* – por ser agrovila, costumam parar em frente à placa da
entrada. E a Presidente desta Associação sofre permanentemente ameaças.

Precisamos de mais detalhes? De mais FATOS para tomar atitudes que garantam
a vida destas famílias assentadas, após dez longos anos de lutas, sangue,
suor e truculências do latifúndio, governo, da policia militar, do poder
judiciário, enfim, desta estrutura política aí (im)posta, que nunca
implantou uma política agrária neste País, e brincam de REFORMAR o que não
tem, criando o instituto de COLONIZAÇÃO e REFORMA AGRÁRIA.

Precisamos de mais detalhes?

Precisamos fazer alguma coisa. Estamos nos mobilizando das mais diversas
maneiras possíveis. Integremo-nos. O inimigo está no caminho pronto para
acabar com nossas vidas.

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