[Cmi-brasil-editorial] Reitoria da USP cede e alunos aprovam proposta de saída de prédio

Douglas dbt em uol.com.br
Sexta Junho 22 04:01:33 UTC 2007


http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u306343.shtml


  Reitoria da USP cede e alunos aprovam proposta de saída de prédio

CLAYTON FREITAS
da Folha Online

Os estudantes da (Universidade de São Paulo), que ocupam o prédio da 
reitoria desde o dia 3 de maio, decidiram durante assembléia realizada 
na noite de quinta-feira (21) pôr fim à ocupação do prédio. Eles 
aprovaram uma proposta enviada pela direção da universidade formulada 
com base nas reivindicações feitas por eles e devem sair do prédio até 
as 16h desta sexta-feira (22).

A assembléia realizada pelos alunos teve início às 19h20 desta 
quinta-feira, com a presença de cerca de 300 estudantes.

A decisão foi tomada após a direção da universidade enviar uma carta aos 
alunos por intermédio de um grupo de notáveis da USP, aceitando 
praticamente todos os pontos estipulados por eles para a desocupação do 
prédio e que já estava em discussão havia mais de uma semana.

No entanto, os alunos colocaram duas condições para cumprir o documento: 
que ele seja assinado pela reitora da USP, Suely Vilela, e após o 
resultado da assembléia do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), 
marcada para esta hoje, às 11h.

Assim como os alunos, os servidores receberão uma carta com as propostas 
da reitora. A tendência, segundo a *Folha Online* apurou, é que os 
servidores aceitem a carta e indiquem o fim da greve da categoria e 
aceitem a proposta a ser enviada a eles. A reitora também não deverá 
colocar obstáculos para assinar o documento pois já teria dado aval para 
o mesmo, apesar de não tê-lo assinado previamente.

*Facilitadores*

O documento foi enviado aos alunos por um grupo de cinco professores que 
se intitularam "facilitadores" de uma solução negociada entre a reitoria 
e os alunos. O grupo foi composto pelos professores Istevan Jancso, do 
IEB (Instituto de Estudos Brasileiros); João Adolfo Hansen, Paulo 
Arantes e Francisco de Oliveira, da FFLCH (Faculdade de Filosofia, 
Letras e Ciências Humanas da USP); e o professor Luis Renato Martins da 
ECA (Escola de Comunicação e Artes da USP).

Os cinco docentes, segundo eles, foram convidados pela direção da 
universidade. Eles se reuniram com a reitora e mantiveram conversas com 
integrantes da direção da universidade desde a última terça-feira, e, em 
paralelo, mantiveram conversas constantes entre alunos e servidores. 
Jancson afirmou que o cada linha do documento foi escrito de forma 
praticamente conjunta entre o grupo e a direção da universidade.

Eles chegaram por volta das 21h à reitoria ocupada. Impedidos de dar 
entrevistas ou revelar o teor do documento pelos alunos antes e depois 
da assembléia, eles apenas disseram que atuaram como "facilitadores" e 
que seria razoável que os estudantes apreciassem o documento.

A proposta recebeu o título Termo de Compromisso entre a Reitoria da USP 
e os Alunos. Antes de ler o documento, Jancson alertou aos alunos que 
nenhum dos docentes ali representava a reitoria, mas sim buscavam 
auxiliar para que houvesse um avanço diante do que denominou "paralisia 
dos entendimentos" entre a direção da universidade e os ocupantes. "Ela 
[a carta] não representa nem os 100% dos estudantes e funcionários, nem 
os 100% do que quer a reitoria. É um processo de aproximação bastante 
sólida para construção de um acordo", afirmou o Jancson.

Ele alertou, entretanto, que a não aceitação aceitação dos termos 
constantes no texto significaria a anulação total das propostas feitas 
pela reitoria até então.

A reportagem apurou que o recuo da reitoria em aceitar praticamente 
todas as imposições dos alunos para deixar o prédio foi um ultimativo 
para não acionar a tropa de choque da Polícia Militar para acompanhar o 
pedido de reintegração de posse, já expedido pela Justiça desde o dia 16 
de maio.

*Propostas*

O texto contempla os principais pontos elencados pelos alunos nas 
condicionantes impostas por eles para deixarem o prédio e formulada no 
dia 12 de junho.

Os alunos não queriam ser punidos --assim como os funcionários-- pelo 
que consideram atividades políticas e de greve na ocupação; manutenção 
de todos os pontos da última contraproposta apresentada pela reitora; 
audiência pública para discutir o Inclusp (Programa de Inclusão Social 
da USP), já aprovado pelo CO (Conselho Universitário), e, por fim, eles 
querem o reconhecimento da legitimidade do 5º Congresso Geral da USP 
para discutir a estatuinte --alusivo à Constituinte, só que no caso da 
USP a intenção é reformular o estatuto vigente.

A carta lida pelos professores aprova todos os pontos elencados pelos 
alunos. No caso do 5º Congresso, a reitoria se compromete a dar todo o 
apoio logístico para que ele ocorra e incluirá a data no calendário de 
atividades oficiais da universidade. Isso permitiria, por exemplo, que 
as aulas pudessem ser suspensas sem prejuízo a alunos, professores e 
servidores.

A reitora voltou a afirmar os pontos que havia sugerido desde o dia 8 de 
maio.

A proposta cita a construção de 334 moradias, sendo 198 no campus 
Butantã (zona oeste de São Paulo), 68 em Ribeirão Preto (314 km a norte 
de SP) e 68 vagas em São Carlos (231 km a noroeste). Os alunos exigiam 
quase o dobro: 594 moradias. O documento cita ainda a previsão 
financeira de R$ 500 mil para reformas nas moradias já existentes.

Em relação às reformas nos prédios da FFLCH (Faculdade de Filosofia, 
Letras e Ciências Humanas) e Fofito (Departamento de Fisioterapia, 
Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional), o texto informa que as definições 
a respeito desse assunto devem ser debatidas em uma reunião.

O texto cita ainda a provisão de café da manhã e alimentação aos 
domingos, a ampliação do horário de funcionamento dos ônibus internos do 
campus e a realização de um debate a respeito do prazo de júbilo 
--período máximo que o aluno tem para concluir as matérias.

O documento ainda cita o prazo de 120 dias para que as unidades 
apresentem a necessidade de docentes e seu plano de metas. O Termo de 
Compromisso volta a confirmar o que Suely já havia dito em reunião aos 
alunos: de que uma comissão composta por 16 integrantes --sendo oito 
professores e oito alunos e/ou servidores-- teria 90 dias para avaliar 
as demais propostas (eram 18 itens no total, que em parte foram 
suprimidos pelas novas propostas).

*Assembléia*

Desde o início a assembléia realizada na quinta-feira foi tumultuada e 
tensa. As discussões entre as várias tendências diferentes de 
estudantes, entre eles alguns ligados aos partidos políticos PSTU, PSOL 
e PCO, chegaram até a um empurra-empurra a respeito do uso do microfone. 
Panfletos acusando o uso político foram distribuídos aos alunos presentes.

Durante a apresentação por parte dos professores --que durou quase uma 
hora-- alguns alunos chegaram a gritar "pelegos". Os docentes não se 
importaram e continuaram a ler a carta. Eles saíram sem dar entrevistas 
a pedido dos alunos.

Depois de muito tumulto e bate-boca sobre como seria votado o texto 
enviado pela reitoria, os alunos fizeram votação do documento às 23h04 
desta quinta-feira. Logo após a decisão de saída do prédio, alguns 
alunos já começaram a entrar no prédio e pegar seus pertences para ir 
embora.

Um grupo de cerca de 100 alunos insistiu em continuar a assembléia e 
tentar reverter o resultado até às 23h30, no entanto, como já havia sido 
votada a aceitação do documento, até o equipamento de som chegou a ser 
desligado.

Alguns alunos favoráveis à desocupação, se abraçaram e sorriam. Outros 
gritavam "pelegos" e perguntavam aos demais quanto haviam recebido da 
reitoria da USP para votar a favor do documento, o que significou na 
prática, a desocupação que já completava 50 dias.




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