[Cmi-brasil-editorial] HOJE - Militante da Via Campesina é executado por milícia no Paraná

tatarana tatarana em bastardi.net
Domingo Outubro 21 18:45:08 PDT 2007


Militante da Via Campesina é executado por milícia no Paraná
21/10/2007

Durante um ataque de uma milícia ao acampamento do campo de experimento
da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste, às 13h30 de
hoje, dia 21, o militante da Via Campesina, Valmir Mota, foi executado à
queima roupa com dois tiros no peito. Outros seis trabalhadores ficaram
gravemente feridos. A milícia contava com cerca de 40 pistoleiros.

Os feridos Gentil Couto Viera, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos
Barretos, Izabel Nascimento de Souza e Hudson Cardin, foram encaminhados
para os hospitais da região. Izabel está em coma e sua vida corre risco.
Há suspeitas de que um dos pistoleiros tenha sido morto.

A área da Syngenta foi reocupada na manhã de hoje por cerca 150
trabalhadores da Via Campesina. O campo de experimento da empresa havia
sido ocupado pelos camponeses em março de 2006, para denunciar o cultivo
ilegal de reprodução de sementes transgênicas de soja e milho.

A ocupação tornou os crimes da transnacional conhecidos em todo o mundo.
Após dezesseis meses de resistência, no dia 18 de julho deste ano, as 70
famílias desocuparam a área, se deslocando para um local provisório no
assentamento Olga Benário, também em Santa Tereza do Oeste.

Na reocupação os trabalhadores rurais soltaram fogos de artifício e os
seguranças, que estavam na fazenda abandonaram o local. Por volta da
13h30 um micro ônibus parou em frente ao portão de entrada. Uma milícia
armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados desceu
atirando em direção às pessoas que se encontravam no local.

Arrombaram o portão, executaram o militante Valmir Mota com dois tiros,
balearam outros cinco agricultores e espancaram Isabel do Nascimento de
Souza, que se encontra hospitalizada e gravemente ferida.

A Syngenta contratava serviços de segurança que atuavam de forma
irregular na região, articulados com a Sociedade Rural da Região Oeste
(SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR). Uma das diretoras da
empresa de segurança NF, foi presa e o proprietário fugiu durante uma
operação da Polícia Federal no mês de outubro, quando foram apreendidas
munições e armas ilegais.

Há indícios de que a empresa funciona como fachada e que na hora das
operações são contratados mais seguranças de forma ilegal, formando uma
milícia armada que atua praticando despejos violentos e ataques a
acampamentos.

Na última quinta-feira, dia 18, a denúncia da atuação de milícias
armadas ligadas a SRO e ao MPR e Syngenta na região Oeste foi reforçada
durante uma audiência pública, com a coordenação da Comissão de Direitos
Humanos e Minorias da Câmara Federal dos Deputados (CDHM), em Curitiba.

A Via Campesina cobra da Justiça a apuração do ataque contra os
trabalhadores do acampamento, que juntamente com os trabalhadores do
assentamento Olga Benário, continuam lutando para transformar a área num
Centro de Agroecologia e de reprodução de sementes crioulas para a
agricultura familiar e para a Reforma Agrária.

Os moradores do assentamento Olga Benário, que faz divisa com a área de
experimento da Syngenta, também são contrários aos experimentos
transgênicos no local. Isso porque o a produção transgênica vai
contaminar a produção de sementes crioulas do assentamento, e trazer
prejuízos para a alimentação, a saúde e o meio ambiente.


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