[Cmi-brasil-editorial] [pauta] Concessões de redes de TV vencem em 5 de outubro
Douglas
dbt em uol.com.br
Sábado Setembro 15 06:20:16 PDT 2007
http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2007-09-09_2007-09-15.html#2007_09-15_03_03_11-10045644-27
Concessões de redes de TV vencem em 5 de outubro
*CUT, UNE e MST querem que Lula imponha ‘controle social’*
As grandes redes de televisão do Brasil têm encontro marcado com o
governo Lula no mês que vem. Depois de dez anos de vigência, expiram em
5 de outubro de 2007 as concessões das quatro maiores emissoras do país:
Globo, Bandeirantes, SBT e Record.
Em administrações anteriores, essas outorgas, que vencem a cada dez
anos, vinham sendo renovadas automaticamente. Sob Lula, os aliados do
petismo no movimento social e sindical querem subverter a praxe.
Entidades como CUT, UNE e MST pressionam o governo para que, antes de
restabelecer as concessões, verifique se as emissoras estão cumprindo o
seu papel. Querem que o Estado imponha aos meios de comunicação
eletrônicos um efetivo “controle social”. E reivindicam o “direito” de
participar do debate.
Reunidas sob o guarda-chuva da CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais),
essas organizações programaram para o fatídico 5 de outubro o lançamento
de uma campanha
<http://www.direitoacomunicacao.org.br/novo/content.php?option=com_content&task=view&id=1385>
nacional “por democracia e transparência nas concessões de rádio e
televisão do país”. Farão atos públicos nas principais capitais,
incluindo Brasília.
A mobilização se estenderá por todo o mês. Pretende-se realizar
“julgamentos populares das programações de rádio e TV”. Entre 15 e 21 de
outubro, as entidades farão o que chamam de “Semana pela Democratização
da Comunicação”.
Reza o artigo 221 da Constituição, que a programação das rádios e das
TVs deve atender aos seguintes princípios: “preferência a finalidades
educativas, artísticas, culturais e informativas; promoção da cultura
nacional e regional e estímulo à produção independente; regionalização
da produção cultural, artística e jornalística; e respeito aos valores
éticos e sociais da pessoa e da família”.
Para os aliados de Lula no movimento social, esses princípios têm sido
desrespeitados. Acham que os concessionários tratam os canais como se
fossem seus “proprietários”. Avaliam que o interesse privado prevalece
sobre a função social dos meios. Reclamam, de resto, que vários canais
são controlados por políticos, o que é vedado pela legislação.
O poder do governo sobre as emissoras está previsto no artigo 223 da
Constituição. Anota que “compete ao Poder Executivo outorgar e renovar
concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora
e de sons e imagens”. Estabelece também que, nessa matéria, as decisões
do presidente terão de ser submetidas ao Congresso.
A renovação ou a cassação de uma outorga para a exploração de canal de
rádio ou de TV só será efetivada se for aprovada por, no mínimo, dois
quintos da Câmara e do Senado, em votação nominal. Diferentemente do que
ocorre com as TVs, cujo prazo de outorga é de uma década, no caso das
rádios a concessão tem validade de 15 anos.
Até o final de 2007, vão expirar em todo país as concessões de 78 canais
de TV, 80 emissoras de rádio FM e 73 AM (veja aqui
<http://www.fndc.org.br/arquivos/Outorgas2007.pdf> a lista). Por um
desses caprichos do acaso, Lula se encontra na próxima quinta-feira
(20), em Manaus, com Hugo Chaves, o presidente venezuelano que cassou a
concessão da RCTV, uma espécie de Globo da Venezuela. A depender de
parte do PT e dos braços do partido no movimento social, Lula
dispensaria às redes de TV do Brasil um tratamento à Chavez.
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