[Cmi-brasil-editorial] okRe: Proposta : 30 anos da invasão da PUC
guile em riseup.net
guile em riseup.net
Quinta Setembro 20 23:10:16 PDT 2007
> Olá pessoas,
>
> Sábado agora faz 30 anos que o Erasmo Dias invadiu a PUC. O Contraponto,
> jornal-laboratório do curso de jornalismo, soltou uma edção especial do
> jornal só sobre a quebra de autonomia universitária. Ficou bem legal,
> eles linkam a invasão da PUC em 77 com as invasões desse ano.
>
> Fiz uma pequena introdução e digitei o editorial deles, feito pelo
> Arbex, queria achar os links pras matérias sobre a invasão da Unesp em
> Araraquara, da São Francisco e da Repressão em Sto André, mas a minha
> internet nao quer colaborar, só consigo mandar email e ver a pagina
> inicial do CMI :/ se alguém puder colaborar ;)
>
> ---
>
>
> 30 anos da invasão à PUC-SP
>
> “Não se cala a consciência de um povo”
> A frase estampada na placa oferecida pelo Centro Acadêmico 22 de Agosto
> à PUC, após um ano da invasão da PUC-SP pela polícia militar da
> ditadura, comandada pelo então secretário de Segurança Pública, Erasmo
> Dias, se faz presente mais do que nunca em dias como estes, em que tudo
> o que entrou para a história tende a ser esquecido com certa freqüência
> por aqueles/as que que um dia fizeram parte desta história.
> 30 anos após a fatídica noite de 22 de setembro de 1977, em que cerca
> de 2000 estudantes se reuniram nas imediações do Tuca -- teatro da
> PUC-SP --, para tanto protestar em repúdio ao cerco policial que
> impedira a realização do III Encontro Nacional dos Estudantes no dia
> anterior quanto para comemorar a realização clandestina do evento nas
> dependências da PUC-SP naquele dia, vemos novamente a autonomia
> universitária ser quebrada e sob o comando de alguém que já esteve do
> lado dos estudantes e hoje parece que se esqueceu disso.
>
> Leia mais:
>
> Um réquiem para os ditadores e seus filhotes
>
> Editorial do Contraponto, jornal-laboratório do curso de Jornalismo da
> PUC-SP – Editor José Arbex Júnior.
>
> Apenas uma ditadura militar retrógrada, violenta, anacrônica e
> obscurantista poderia ter ordenado a invasão da universidade por
> soldados armados, como aconteceu na Pontifícia Universidade Católica de
> São Paulo, em setembro de 1977. Unicamente generais arrogantes,
> habituados a tratar como criminosos aqueles que manifestam opiniões
> divergentes, autorizariam a mobilização da tropa de choque e o uso de
> bombas contra estudantes armados unicamente de consciência crítica.
> Certo?
> Errado.
> O governo democrático de José Serra, presidente da União Nacional dos
> Estudantes (UNE) em 1964, ordenou a invasão militar da USP – mais
> precisamente, da Faculdade de Direito São Francisco -, três décadas
> depois que os macacos amestrados e fardados do coronel Erasmo Dias
> promoveram a barbárie nas dependências da PUC. E – justiça seja feita
> -
> a USP não foi a primeira a sofrer os efeitos da repressão democrática
> de José Serra. Antes dela, também o campus da Unesp em Araraquara foi
> agredido pela PM.
> A invasão da universidade por tropas tem muito a revelar sobre a
> natureza do Estado brasileiro. Trata-se de um Estado autoritário, cujas
> instituições são incompatíveis com a existência de uma sociedade
> civil
> dinâmica, complexa, contestadora. Basta, para demonstrá-lo, uma
> constatação óbvia: fosse o Estado brasileiro tão ágil para responder
> ao
> quadro de catástrofe social diariamente sentido pela população pobre
> como é para reprimir os movimentos sociais, incluindo o estudantil,
> viveríamos todos num bucólico paraíso social.
> Iludem-se os que acreditam ser o Estado brasileiro uma democracia. Não
> poderia, de fato, haver maior piada. Democracia que condena os
> miseráveis a morrer em filas intermináveis diante de hospitais públicos
> quebrados, mas que arma e mobiliza imediatamente os milicos contra
> aqueles que querem mudar o país. Democracia que preserva a desigualdade
> extrema e garante impunidade aos corruptos, mas condena a anos de prisão
> uma senhora que “rouba” um litro de leite para dar ao filho faminto.
> A invasão da universidade por tropas tem muito a revelar sobre a
> natureza dos governantes brasileiros. Salvo raras – raríssimas!- e
> honrosas exceções, são grupos que, para se manter no poder, fazem todo
> tipo de acordo e aceitam quaisquer compromissos, vendem a alma a Belzebu
> e a quem mais der trinta moedas. Rifam os próprios princípios, se algum
> dia os tiveram, imolam a consciência no altar da ambição.
> E nem é de hoje, sabemos, que isso acontece na história do país: “De
> tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de
> tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar os poderes nas
> mãos dos maus...”, denunciava, a propósito, o tribuno baiano Rui
> Barbosa.
> Más há diferenças entre os atuais governos democráticos e a antiga
> ditadura militar. Enquanto os generais diziam que tudo era proibido, os
> atuais governantes afirmam tudo ser permitido... exceto a luta pela real
> democratização do Brasil. Enquanto uns são, ao menos, explícitos e
> transparentes, outros se fantasiam daquilo que estão longe de ser.
> O jogo de fantasias produz seus efeitos: enquanto os militares eram
> criticados por todos os que se afirmavam democráticos, os seus
> sucessores travestidos de democráticos recebem apoio da mídia e até de
> reitores, contra os estudantes. E ambos, no fim, utilizam as mesmas
> bombas e os mesmos tanques contra o mesmo inimigo – o povo brasileiro.
> Arrogante e pretensioso, o governador José Serra, aparentemente,
> desconsidera algo que o ex-presidente da UNE José Serra tinha obrigação
> de saber: nunca, na história universal, as demonstrações de força
> bruta
> prevaleceram sobre os argumentos da razão. O governador parece ter
> levado a sério a recomendação do guru de seu partido quanto à
> conveniência de cultivar a amnésia para quem quiser galgar degraus na
> carreira política.
> Mas nós cultivamos a memória – esse implacável tribunal dos tiranos.
> Fazemos da memória o alimento de nossa luta, que não esmoreceu há três
> décadas e que tampouco se deterá frente aos milicos de hoje. A luta vai
> continuar, precisamente porque democracia não há. Ela vai manter todo o
> vigor, ao passo que José Serra, em pouco tempo, não passará de um
> episódio tragicômico da vida pública nacional, como já hoje é o caso
> de
> um certo coronel Erasmo Dias.
> A ambos, obscuras criaturas do Estado Frankenstein brasileiro,
> dedicamos, por misericórdia, o nosso mais profundo e sentido epitáfio:
> que descansem em paz.
>
>
> _______________________________________________
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