[Cmi-brasil-editorial] Vale Editorial assim mesmo???? por mim publicamos...

`´é`´ sersi em riseup.net
Segunda Fevereiro 18 13:18:47 PST 2008


Fica aquela coisa de parecer que a mídia (independente ou não) dá mais
atençao, ou faz mais barulho quando dos demandos da policia são em relação
a pessoas de status quo elevado.
Penso que se incluirmos algum trecho no texto dizendo que situaçoes como
essa acontecem todos os dias com pessoas comuns e ninguem fica sabendo,
seria indispensável nesse caso. A carta do Juiz já está circulando em
outros espaços. É importante que nosso editorial, caso o façamos, e penso
que devemos fazer, não pareça sensacionalismo
e que o tema central seja a violência policial e esse caso do juiz seja
apenas uma ilustração para que as pessoas possam imaginar o que não deve
acontecer com moradores de rua, moradores do morro e do suburbio.

Essa parte do texto do Juiz que diz: "Certamente constituem-se excecao
dentro do seio policial." é totalmente coorporativa, a final o cara é da
Justiça neh, rs Acho que um editorial sobre qualquer noticia em relaçao a
violencia policial não deve conter uma frase dessa.
A carta do cara é válida, mas acho que deve ser publicada na coluna da
direita e linkada ao editorial.


goolguei o cara e abaixo vao alguns links sobre o caso

http://conjur.estadao.com.br/static/text/63607,1
http://www.blacknews.com.br/o%20juiz%20a%20policia%20e%20o%20malandro.htm
http://www.amaerj.org.br/index.php?option=content&task=view&id=1806



bjos

éveri



> Ei gente isso aqui chegou em outra lista, embaixo o proprio cara escreveu
> o artigo para ser publicado vejam la
>
> se acharem que rola de publicar eu preparo o textos direitinho,
>
> bjs
>
> foz
>
>
>>
>>
>>   Roberto Schuman (Juiz Federal preso pelo CORE)
>>
>>
>>  Date: Fri, 8 Feb 2008 15:09:11 +0000
>>
>> Primeiramente aviso que estou em um computador com problemas no
>> teclado, logo, nao ha pontuacao na mensagem.
>>
>> Amigos:
>>
>> Acho que nem e preciso dizer a situacao vexatoria pela qual passei, como
>> ser
>> humano e magistrado.
>>
>> O mais importante e que mesmo algemado na mala do camburao, apos os
>> policiais estarem com minha identificacao do TRF e dizendo que talvez
>> pudessem nao me levar para a DP, aos risos e chacotas, consegui ligar
>> para
>> os setores de seguranca do TRF e do TJ/RJ, pedindo o rastreamento da
>> viatura
>> do CORE na qual eu estava para evitarem um mal maior.
>>
>> Felizmente os danos fisicos se limitaram aos meus pulsos, quando, apos
>> ter
>> me identificado como juiz federal o policial cujo link segue abaixo, bem
>> novo, diga-se, apertou as algemas ate os meus ossos, rindo. Tenho
>> certeza
>> que se tratavam de pesssoas sem qualquer equilibrio para o convivio em
>> sociedade, mais ainda trajando fardas pretas da elite da Policia
>> Civil/RJ
>> com pistolas automaticas apontadas para mim. Certamente constituem-se
>> excecao dentro do seio policial.
>>
>> http://www.policiacivil.rj.gov.br/noticia.asp?id=2886<http://email.terra.com.br/cgi-bin/vlink.exe?Id=wpQVJdtnJNix9GQ4syN4GMdygbyXi3f0AyUfYofjim5nLwyUSYHIrQ%3D%3D&Link=http%3A//www.policiacivil.rj.gov.br/noticia.asp%3Fid%3D2886>
>>
>> A historia foi escrita por mim visando a publicacao em jornais, ate
>> mesmo
>> para se propor um debate serio sobre o atual estado de coisas, pois no
>> mesmo
>> jornal que noticiou um juiz federal algemado no camburao pela suposta
>> pratica de um delito de menor potencial
>> ofensivo havia um bicheiro - reu em processo criminal - em cima de um
>> caminhao oficial do corpo de bombeiros fluminense, logo, aparelho do
>> Estado.
>>
>> Ressalto que nao tenho palavras para agradecer os varios telefonemas de
>> apoio recebidos e mensagens de colegas e amigos de todas as carreiras do
>> meio juridico e de outras diversas, todos, resumidamente, com a seguinte
>> preocapacao: se aconteceu isso com um juiz, o que vira em seguida. E o
>> cidadao comum?
>>
>> Bom, agradeco o apoio imediato da AJUFE, que no dia seguinte ja estava
>> ao
>> meu lado, e, novamente, de todos os amigos. Segue abaixo a minha
>> manifestacao, que esta livre para a mais ampla divulgacao possivel, bem
>> como
>> este email, para que isso nunca mais volte a
>> ocorrer, com quem quer que seja.
>>
>> Havera uma sessao de desagravo provavelmente as 17:00 horas do proximo
>> dia
>> 13, quarta-feira, no auditorio do foro da justica federal da Av. Rio
>> Branco,
>> no centro do Rio de Janeiro.
>>
>> Por ultimo, confesso que sai do camburao algemado me sentindo como um
>> trapo,
>> um lixo, em relacao a minha cidadania e minha condicao funcional,
>> contudo,
>> apos esses dias saio um cidadao e um magistrado ainda mais forte, e isso
>> eu
>> devo a todos voces.
>>
>> Atenciosamente,
>>
>> Roberto Schuman
>
>
> SUGEST'AO PARA EDITORIAL O TEXTO ABAIXO
>
>>
>> Segue a carta:
>>
>> O Juiz, a Polícia e o Malandro.
>>
>> Segunda-feira de carnaval, saio de casa perto das 22:00 horas para
>> encontrar
>> a namorada na porta do Circo Voador, na Lapa. Lá chegando, saio do táxi
>> falando ao celular para encontrá-la. Mas não é só. Além de tênis,
>> bermuda
>> e
>> camisa, usava um chapéu, desses vendidos em todos os cantos da cidade a
>> R$
>> 5,00. Presente da namorada. Coisa de mulher.
>>
>> Então, atravesso a rua e quase sou atropelado por um camburão com luzes
>> e
>> lanternas apagadas com a inscrição CORE no carro. No mesmo momento o
>> motorista grita " *Ô malandro*" e eu, assustado, dou um pulo para a
>> calçada,
>> peço desculpas e viro as costas, continuando ao celular e andando, já na
>> calçada.
>>
>> Ai, percebo que a viatura andava ao meu lado, com três policiais de
>> preto,
>> ao que escuto, em alto e bom som: "*Saia da rua, seu malandro e
>> bêbado*".
>> Nesse momento, pensei: Isto não é jeito de tratar as pessoas na rua e
>> respondi: "*Não sou bêbado nem malandro; se vocês não estiverem em
>> operação,
>> está errado andarem com essa viatura preta e apagada, pois quase me
>> atropelaram e vão acabar atropelando alguém!"*
>>
>> Oportunidade em que os homens de preto descem da viatura dizendo: "*Ô
>> malandro, tu é abusado, tá preso*". Ato contínuo, diante da voz de
>> prisão,
>> estendo os dois braços para ser algemado. Pergunto ao mais novo dos
>> três,
>> que estava completamente alterado: "*Qual o
>> motivo da prisão?*" Resposta: "*Desacato*". Pergunto novamente: "*O que
>> os
>> senhores entendem como desacato?*" Resposta: "*Até a DP a gente inventa,
>> se
>> a gente te levar pra lá*". Neste exato momento, percebendo a gravidade
>> da
>> situação, disse: Estou me identificando
>> como juiz federal e minha identificação funcional está dentro da minha
>> carteira, no bolso da bermuda. Imediatamente o policial novinho, que se
>> identificou como André e na DP disse se chamar Cristiano meteu a mão no
>> meu
>> bolso, pegou a minha carteira e a colocou em um dos bolsos de sua farda
>> preta. Então o impensável aconteceu! Disseram: "*Juiz Federal é o c...,
>> tu
>> é
>> malandro e vai para a caçapa do camburão."*
>> Fui atirado na mala do camburão como bandido, algemado, porém, com o
>> celular
>> no bolso e os três policiais do CORE da Policia Civil do Estado do Rio
>> de
>> Janeiro, dizendo que no máximo eu deveria ser "*juiz arbitral ou de
>> futebol*".
>> Temendo pela vida, por incrível que pareça me veio aquela frase de
>> Dante,
>> da
>> sua obra "Divina Comédia": "*Abandonai toda a esperança, vóis que
>> entrais
>> aqui*".
>> Então, sem perder as esperanças, peguei o celular do bolso mesmo
>> algemado
>> e
>> liguei para a assessoria de segurança da Justiça Federal informando a
>> situação, bem baixinho, e que não sabia se seria levado para DP, pedindo
>> para acionar a PM e localizar a viatura do CORE que
>> estava circulando pela Lapa comigo jogado algemado na mala.
>>
>> Após a ligação, disse-lhes uma única coisa, ainda na viatura. "*Vocês
>> estão
>> cometendo crime"*, ao que escutei dos três, aos risos: "*juiz federal
>> andando com esse chapéu igual a malandro*. *Até parece. Se você for
>> mesmo
>> juiz, a gente vai chamar a imprensa, pois juiz não pode andar como
>> malandro*
>> ."
>>
>> Na delegacia, as gracinhas dos policiais continuaram: "*Olha o chapéu do
>> malandro*". Então eu disse, já me sentindo em segurança: "*Vocês querem
>> que
>> eu tire o chapéu e vista terno e gravata?"*
>>
>> O fato é que já na presença do delegado as algemas foram retiradas e,
>> vinte
>> minutos depois, um dos policiais de preto vem ao meu encontro e me
>> pede: "*Excelência,
>> desculpas, nos agimos mal, podemos deixar por isso mesmo?*" Respondi:
>> "*Primeiro.
>> Não me chame de Excelência, pois até há pouco vocês me chamavam de
>> malandro.
>> Segundo. Não, não pode ficar por isso mesmo. Como é que vocês tratam
>> assim
>> as pessoas na rua, como se fossem bandidos. Terceiro.
>> Vocês três não honram a farda que estão vestindo. Quarto. Desde a
>> abordagem
>> policial agi apenas como cidadão, no que fui desrespeitado e, depois de
>> ter
>> me identificado como juiz federal, fui mais ainda, logo, um crime de
>> abuso
>> de autoridade seguido de outro de desacato."
>> *
>> Depois do circo montado pelo próprio agente do CORE Cristiano, que
>> ligara
>> do
>> interior da DP para os repórteres, de forma incessante, talvez temendo
>> que
>> ele e seus dois colegas de farda
>> preta fossem presos por mim no interior da DP, decidi não fazê-lo porque
>> em
>> nada prejudica a instauração de procedimento administrativo na
>> Corregedoria
>> da Policia Civil, bem como a ação
>> penal por abuso de autoridade e desacato, sendo desnecessário mencionar
>> o
>> dano à minha pessoa, como cidadão e magistrado.
>>
>> Pensei, por fim: "*Se como juiz federal fui ameaçado por três homens de
>> fardas pretas com pistolas automáticas, algemado e jogado como um
>> bandido
>> na
>> mala de um camburão, simplesmente por tê-los repreendido, de forma
>> educada,
>> como convém a qualquer pessoa de
>> bem, o que aconteceria a um cidadão desprovido de autoridade e de
>> conhecimento dos seus direitos?*" Duas coisas são certas, de minha
>> parte:
>> Não permitirei nada "passar" em branco, pois são fatos sérios e graves
>> que
>> partiram daqueles que têm o dever de zelar pela
>> segurança da sociedade e, no próximo carnaval, não usarei o presente da
>> namorada, o tal "chapéu". É perigoso. Pode ser coisa de malandro.
>>
>> Roberto Schuman - Cidadão e Juiz Federal no Estado do Rio de Janeiro
>>
>>
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