[Cmi-brasil-editorial] [Fwd: no Pará trabalhador escravo é marcado no rosto com ferro quente]

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Sexta Fevereiro 22 07:28:05 PST 2008


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Subject: no Pará trabalhador escravo é marcado no rosto com ferro quente
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Date:    Fri, February 22, 2008 11:30 am
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18/02/2008
Trabalhador escravo é torturado com ferro quente no Pará
Fiscalização encontrou 35 pessoas em situação análoga à escravidão em área
de fazendeiro reincidente no crime. Denúncia partiu de trabalhador que diz
ter sido marcado com ferro quente quando reclamou de salários atrasados
Por Iberê Thenório
Mais de sessenta cicatrizes recentes de ferro quente marcam o trabalhador
de cerca de 30 anos que denunciou trabalho escravo em uma fazenda de
Paragominas, no Leste do Pará. De acordo com seu relato, foi torturado
pelo patrão e mais dois capangas quando reclamou das más condições de
alimentação e do salário atrasado. Fugiu da fazenda no início de janeiro
e, depois de dezenas de quilômetros a pé e de muitas caronas, conseguiu
contar sua história à Superintendência do Trabalho e Emprego (SRTE) do
Pará.

Trabalhador denunciante afirma ter sido marcado a ferro quente pelo patrão
e dois capangas quando exigiu pagamento de salários atrasados (Foto:
SRTE-PA / Divulgação)
Na última terça-feira, a fiscalização rural da SRTE esteve na fazenda
denunciada, e comprovou parte das informações passadas pelo trabalhador.
Foram encontradas 35 pessoas em situação análoga à escravidão, que dormiam
em um curral abandonado, junto com esterco de boi, e eram alimentadas com
restos de carne: pulmões e tetas de vaca.
A propriedade, que fica a 75km de Paragominas, chama-se Bonsucesso e
pertence a Gilberto Andrade. O fazendeiro já está na Lista Suja do
trabalho escravo por manter 18 pessoas em condições semelhantes no
município de Centro Novo do Maranhão (MA). Essa lista, publicada desde
2003 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), traz uma relação de
pessoas e empresas flagradas cometendo esse tipo de crime.

Cicatrizes da tortura se espalham pelo rosto, braços e abdome (Foto:
SRTE-PA / Divulgação)
Fezes e roupas
"Fezes de animais estavam misturadas com roupas. Nesse período de chuvas
ainda é muito pior, pois se mistura a água com esterco. Além do cheiro
horrível, há problemas infecto-contagiosos. O curral não servia mais ao
gado, mas servia aos empregados.", relata o auditor fiscal Raimundo
Barbosa da Silva, que liderou a operação na Bonsucesso.
De acordo com o auditor, as provas recolhidas na fazenda são coerentes com
o relato de tortura feito pelo trabalhador fugitivo, cujo nome permanece
em sigilo. Os trabalhadores resgatados confirmam que ele deixou o
alojamento para ir reclamar dos salários e nunca mais apareceu. Além
disso, informam que nessa época não havia cicatrizes em seu corpo.
Nenhum dos 35 libertados em Paragominas tinha carteira assinada. A maior
parte deles havia chegado em dezembro para fazer a limpeza do pasto para o
gado, mas ainda não havia recebido salário. Em uma cantina mantida pela
fazenda, eram vendidos fumo, sabonetes e equipamentos de proteção
individual que, pela lei, devem ser fornecidos gratuitamente pelo
empregador. Todo o gasto dos trabalhadores estava anotado em um caderno.
"Como não havia pagamento de salário, ainda não havia desconto [no
salário]. Mas, pela nossa experiência, sabemos que essas anotações seriam
usadas para cobrar do trabalhador", explica Raimundo Barbosa.
A rescisão do contrato com os peões custou R$ 45 mil a Gilberto Andrade.
De acordo com o procurador Ministério Público do Trabalho (MPT) Francisco
Cruz, que acompanhou a fiscalização, o órgão ajuizará uma ação civil
pública pedindo uma indenização por danos morais coletivos. Além disso, o
fazendeiro também poderá responder na Justiça comum por outros crimes,
caso seja comprovado que participou da tortura ao trabalhador denunciante.
A Repórter Brasil tentou localizar o fazendeiro para comentar o caso, mas
ele não foi encontrado até o fechamento desta matéria.

Reporter Brasil



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