[Cmi-brasil-editorial] Editorial Greve dos professores

pina em riseup.net pina em riseup.net
Terça Junho 17 08:59:01 PDT 2008


agora faz mais sentido, por mim ok publicar o editoral dessa forma usando
o dialogo conforme está abaixo.

pina

> Oi Foz,
>
> O texto do pdf
>
> Estamos em GREVE. E agora?
> (Uma conversa sobre o PORQUÊ, o PARA QUÊ e o COMO fazer GREVE)
> – Professor, sexta-feira eu passei pela Praça da República e
> vi como estava cheia. Você também estava lá?
> – Estava.
> – E o que vocês decidiram?
> – Decidimos que estamos em GREVE.
> – Nossa! Mas por que uma decisão tão radical?
> – Vamos começar pelo começo. Não sei se você já reparou,
> mas a escola pública não anda muito bem das pernas. O
> governo e os jornais dizem a torto e a direito que a culpa é
> dos professores. Incompetentes, faltosos, atrasados... estes
> entre outros adjetivos são usados para qualificar os
> professores e, por extensão, para culpá-los pelo péssimo
> desempenho dos alunos. Mas será que é tudo culpa dos
> professores?
> – Se os alunos não aprendem direito deve ser por que os
> professores não ensinam direito, né?
> – É exatamente nisso que querem que vocês acreditem. Mas
> pense bem: por que será que os professores não estão
> conseguindo ensinar direito? Você acha que é a mesma coisa
> dar aulas pra 35 e pra 50 alunos?
> – Obviamente não.
> – Pois os professores geralmente têm que lidar com salas
> super-lotadas, em que faltam até carteiras pra alguns alunos.
> Agora pense em mais outra coisa. Será a mesma coisa dar 20
> aulas ou 30 numa semana? Ou 50?
> – Novamente: não.
> – Pois os professores muitos deles têm uma jornada de
> trabalho super-carregada, em mais de uma escola, durante
> os três períodos, nos cinco dias da semana. Isso porque o
> salário anda lá em baixo. A gente começa a achar que é
> normal que um professor tenha uma jornada diária de
> trabalho de mais de 8 horas. E faça as contas: para quantos
> alunos um professor dá aula? Quantos trabalhos e provas ele
> tem para corrigir?
> – É de um batalhão de gente, né não?
> – Pois é! Agora imagine que este professor, por mais
> dedicado que seja, não pode acompanhar a aprendizagem
> de seus alunos, um por um. Com o tanto de coisas para
> corrigir, fica tudo meio apressado. A parte mais fácil de tudo
> é corrigir as provas; o difícil mesmo é conseguir corrigir os
> alunos, fazer com que eles não errem mais naquele ponto. E
> uns ficam sem aprender quase nada mesmo.
> – Azar desses alunos...
> – Não. Azar do professor! Porque essa coisa dos alunos não
> aprenderem é bem frustrante, sabe? E veja bem: não é por
> causa do aluno ser ruim, ou do professor ser ruim. Mas é
> porque as condições de trabalho que enfrentamos é que são
> ruins, muito ruins, para garantir uma educação de qualidade.
> – Ixi, não tinha pensado nisso...
> – Então! Junte essa frustração com a sobrecarga de trabalho.
> Não temos aumento há mais de 3 anos e temos que colocar
> a comida na mesa. Para isso trabalhamos mais do que
> agüentamos, nos desgastamos e adoecemos com freqüência.
> – Então é por isso que há tantas faltas de professores na
> escola pública?
> – Provavelmente é uma das razões, aliás bem razoável, não?
> Imagine também que essa vida de correria muitas vezes
> impede que possamos preparar nossas aulas como
> gostaríamos, estudar coisas novas sobre nossas matérias.
> Mas mesmo assim estamos na batalha. Agora pense no seu
> material.
> – Aquele jornal?
> – Isso. Assim como ele chegou do nada para você, ele chegou
> do nada para mim, na véspera. E recebi também uma
> “Revista do Professor” em que se pretendia ensinar a mim
> como ensinar com aquele jornal, aula a aula. Depois do
> jornal, veio um outro “Caderno do Professor”, com várias
> sugestões de seqüências de aulas que podemos dar.
> – E isso é ruim, professor?
> – Se fossem só sugestões, vá lá! Tem uma história no ar de
> que vocês alunos seriam avaliados por aquilo que está lá no
> tal Caderno. Aí, já não é sugestão, é imposição; se eu não
> seguir a cartilha, vocês dançam.
> – Entendi... puts!
> – E tem outro lado isso aí. Eu já dou aula há algum tempo,
> sobre assuntos até semelhantes àqueles do jornal ou do
> Caderno... teria simplesmente que deixar de lado a minha
> experiência para seguir uma cartilha que é completamente
> estranha àquilo que aprendi durante esses anos todos? E
> tudo aquilo em que acredito, o que sei fazer, pela minha
> experiência, os caminhos que escolho para as aulas, as
> questões que privilegio, como eu concebo a educação e o
> ensino – tudo isto fica de lado? É o que a Secretaria da
> Educação nos mandou fazer. Ela desprezou nossa
> experiência, retirou uma conquista nossa: “a liberdade de
> cátedra”. É uma situação humilhante, você não acha?
> – Eu ficaria bem bravo se fizessem isso comigo.
> – E tudo isto tem sido apresentado como a revolução do
> ensino público paulista. Isso não parece uma grande farsa,
> quando as condições de trabalho permanecem inalteradas?
> – Para dizer o mínimo.
> – Se parássemos por aqui a situação já se mostraria
> revoltante, você não concorda? Mas isso não é tudo. Além
> de difamar os professores na imprensa, sucatear as escolas,
> super-explorar nosso trabalho e destruir nossa identidade
> profissional, o governo agora quer retirar nossos direitos,
> nossas conquistas históricas através de decretos que
> restringem nosso direito de faltar quando ficamos doentes e
> de nos removermos de unidade escolar quando precisamos
> mudar de bairro, cidade ou região.
> – Como assim, professor?
> – É que, ao invés de melhorar as condições de trabalho que
> adoecem os professores e os fazem faltar – o que é um
> problemão –, o governo decreta que podemos apenas faltar
> 6 vezes por ano por conta de doença.
> – Ah, então quer dizer que se o professor ficar doente em
> mais de 6 dias por ano ele ganhará ainda menos?
> – Isso mesmo.
> – Se o cara estiver na pindaíba ele que venha dar aulas
> doente?
> – Parece ser este o recado.
> – E o outro decreto, o da tal remoção?
> – Se fulano tirar qualquer tipo de licença ou tiver mais de 10
> faltas, ele não pode pedir transferência para dar aula em
> outra escola. Se ele estiver entrando agora na carreira, só
> poderá se remover daqui a três anos, mesmo se na escola
> em que foi designado não tenha aulas o suficiente para ele
> completar sua jornada. Fica condenado a dar aulas em mais
> de uma escola, mesmo sendo efetivo.
> – O sujeito tá lascado então, né?
> – Calma, porque não é só isso. Pelo decreto, fica também
> definido que os concursos para ingresso na carreira serão por
> diretoria de ensino, e não mais para o Estado todo. Pode
> acontecer de um candidato obter uma pontuação em que,
> em uma região estaria classificado, e na outra não. Afora o
> receio de que o processo e sua impessoalidade fiquem
> comprometidas. Pior ainda é a situação dos professores que
> não são efetivos, os “OFAs”. Muitos deles que já dão aula no
> Estado há muito tempo. Agora, como se a experiência deles
> não valesse muita coisa, terão que prestar uma prova, uma
> seleção.
> – Uma avaliação, né?
> – É. Mas veja só, que coisa! Os OFAs já não têm garantias de
> que haja aulas para eles no ano seguinte. São temporários,
> com relações precárias de emprego. Então, se o sujeito não
> passa na prova, ou perde a prova por causa de qualquer
> motivo, ele não poderá assumir aula nenhuma enquanto
> valer o processo de seleção – um ano, dois? Ninguém sabe.
> Então, ele de repente pode ficar sem emprego. E, de novo:
> não é fazendo avaliação e mais avaliação que a educação vai
> mudar, se não se mexer nas condições de trabalho.
> – Faz sentido...
> – É uma medida que não tem impacto na educação, mas sim
> na precarização da vida dos professores. O Estado não quer
> assumir os vínculos e suas responsabilidades com estes
> professores. São descartáveis e muitos serão descartados.
> – Nossa professor! Como dizia meu avô: “A situação tá
> cínica, os pior vai pras clínica”.
> – Pois é. Antes de ir pras clínica resolvemos fazer uma
> GREVE pra tentar reverter esta situação.
> –Agora me diga o seguinte: e amanhã, vai ter aula?
> – Em primeiro lugar, greve não significa ficar parado. É um
> tipo curioso de paralisação, pois no fundo é uma grande
> movimentação. Quando se está paralisado, em estado de
> greve, é que se tem noção de como o cotidiano é que estava
> em estado de paralisia. Portanto, ao invés de falarmos de
> paralisação, deveríamos falar de suspensão das atividades
> cotidianas, uma maneira de colocar em discussão aquilo
> sobre o que quase não temos condições nem tempo de
> discutir.
> –Poxa! Legal isso! Mas discutir o que, hein?
> – Temos bastante coisa pra discutir, não? Entre nós
> professores, sabemos que o problema não está só no
> decreto, mas tem a ver também com nosso Plano de
> Carreira, com definição de uma jornada de trabalho que
> possa garantir de fato a permanência do professor em uma
> só escola, apontando para uma política de reajuste salarial.
> Mas temos também muito a discutir com os alunos. Por isso,
> pelo menos durante essa semana, poderíamos fazer algumas
> atividades de greve: reuniões, debates, conversas entre os
> professores, alunos e pais de alunos. Discutir o que todos
> queremos, que é uma educação de qualidade para todos.
> –É isso aí!
> – Ah... e sexta-feira, 20 de junho, às
> 14:00hs, temos nova Assembléia lá
> no vão do MASP. Vê se aparece. A
> gente continua o papo por lá também
> e tenta dar um jeito nessa situação.
> – Até lá então!
>
>
>
>> sugestao de editorial do prof. fernando(texto dele), a sugestão é para
>> ser
>> assim mesmo:
>>
>> Títlo: Estamos em GREVE. E agora?
>>
>>  – Professor, sexta-feira eu passei pela Praça da República e – Azar
>>  desses alunos...
>>  vi como estava cheia. Você também estava lá?
>>
>>  – Estava.
>>
>>  – E o que vocês decidiram?
>>
>>  – Decidimos que estamos em GREVE.
>>
>>  – Nossa! Mas por que uma decisão tão radical?
>>
>>  SAIBA MAIS:
>>
>>  (Uma conversa sobre o PORQUÊ, o PARA QUÊ e o COMO fazer GREVE)
>> http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2008/06/422425.shtml
>>
>>
>> (também poderimos disponibilizar ele em texto, mas nao consigo extrair
>> direito desse pdf, se alguem souber por favor fique a vontade)
>>
>>
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