[Cmi-brasil-editorial] OKokOKProposta - Declaração dos participantes da I Pedalada Pelada de São Paulo
Flecha
flecha em indymedia.org
Quinta Junho 19 20:37:37 PDT 2008
Quando acho que a foto pode gerar algum transtorno para quem aparece
prefiro ocultar a identidade das pessoas. Por isso que a maioria das
fotos que tirei na pedalada dos pelados não são frontais.
abraços
--
Flecha / CMI-SP / ((i))
www.midiaindependente.org
Citando alface <eric_v em riseup.net>:
> Pequena correção no texto, já fiz.
>
> Sugestão foto (hehe, é deles! Problema?):
> http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2008/06/422674.shtml
>
> Agora, eu ainda não sei publicar. Sorry. Alguem publica?
>
> Brjs, alface
>
>> ok - Ze.
>>
>>
>>
>>> ok
>>> toya
>>>
>>> aneleh em riseup.net wrote:
>>>>> Pessoal,
>>>>>
>>>>> É a 'nota oficial' do pessoal - pra mim vai assim mesmo.
>>>>>
>>>>> Quebra depois do terceiro parágrafo. Fotos tem montes: Flecha tem
>>>>> sugestão?
>>>>>
>>>>> Brjs, Alface
>>>>>
>>>>>
>>>>> Date: 2008/6/19
>>>>>
>>>>> Transporte / liberdade de expressão
>>>>>
>>>>> Declaração dos participantes da I Pedalada Pelada de São Paulo
>>>>>
>>>>> Motivações
>>>>>
>>>>> A I Pedalada Pelada de São Paulo, ou World Naked Bike Ride (WNBR),
>>>>> ocorreu
>>>>> no dia 14 de junho de 2008. Esta foi a primeira edição do evento
>>>>> realizada
>>>>> no Brasil, nos mesmos moldes das ações que acontecem em diversas
>>>>> cidades
>>>>> do mundo com o apoio da população em geral e do poder público.
>>>>>
>>>>> Nus é como nos sentimos por ter que disputar espaço nas ruas de São
>>>>> Paulo,
>>>>> em meio à violência gerada pelo stress dos motoristas parados em
>>>>> congestionamentos, confinados em máquinas poluentes de vidros escuros.
>>>>> Diariamente essa situação coloca em risco a vida de ciclistas, de
>>>>> pedestres e até de outros motoristas.
>>>>>
>>>>> Pelados, os ciclistas pretendem chamar a atenção para a exposição
>>>>> indecente à poluição dos carros, para a morte dos espaços públicos
>>>>> tomados
>>>>> por esses veículos e principalmente, para sua fragilidade diante das
>>>>> poderosas máquinas motorizadas, muitas vezes guiadas por pessoas
>>>>> agressivas que não respeitam a bicicleta como o veículo que é,
>>>>> previsto
>>>>> no
>>>>> artigo 96 do Código de Trânsito Brasileiro.
>>>>>
>>>>> Continuação
>>>>>
>>>>> Nota: para ver notícias, relatos, fotos e vídeos da WNBR 2008 em São
>>>>> Paulo
>>>>> acesse a página wiki
>>>>> (http://nakedwiki.org/index.php?title=S%C3%A3o_Paulo)
>>>>> do evento
>>>>>
>>>>> O CTB ainda prevê que, na ausência de local específico para o
>>>>> deslocamento, a bicicleta deve ocupar os bordos da via (direita ou
> esquerda) com
>>>>> preferência sobre os veículos automotores (artigo 58) e obriga os
>>>>> veículos
>>>>> a guardarem uma distância lateral de um metro e meio ao ultrapassarem
>>>>> uma
>>>>> bicicleta (artigo 201).
>>>>>
>>>>> Mas a maioria dos motoristas desconhece ou simplesmente desrespeita
>>>>> essas
>>>>> regras, e se recusa a compartilhar as ruas com os ciclistas. E isto
>>>>> acontece com a conivência do poder público, que não pune as infrações
>>>>> cometidas por esses motoristas contra nós.
>>>>>
>>>>> Somos constantemente ignorados, somente nus somos vistos?
>>>>>
>>>>> A concentração na praça e o assédio da mídia
>>>>>
>>>>> Na Pedalada Pelada cada ciclista poderia participar vestido (ou não)
>>>>> da
>>>>> maneira como se sentisse mais confortável. O lema era "tão nu quanto
>>>>> você
>>>>> ousar". A nudez nunca foi uma imposição nem uma obrigatoriedade, mas a
>>>>> expectativa gerada durante a semana levou à concentração na Praça do
>>>>> Ciclista um número enorme de curiosos, dezenas de policiais,
>>>>> jornalistas,
>>>>> cinegrafistas e fotógrafos da grande imprensa.
>>>>>
>>>>> Mais de quatrocentas pessoas estavam lá para pedalar. Os demais
>>>>> queriam
>>>>> ver e registrar a nudez prometida. Especialmente a nudez feminina. Foi
>>>>> Renata Falzoni, ciclista de longa data e avó, quem ousou primeiro e
>>>>> logo
>>>>> na largada da pedalada ficou completamente nua.
>>>>>
>>>>> Como ela, outras mulheres tiveram que corajosamente suportar o assédio
>>>>> invasivo de muitos "jornalistas", ávidos por erotizar e tornar
>>>>> públicos
>>>>> seus corpos em busca de audiência. As câmeras saltaram sobre elas,
>>>>> acompanhadas muitas vezes por comentários machistas de conotação
>>>>> sexual.
>>>>> Esse comportamento lamentável fez com que muitas deixassem de se
>>>>> despir.
>>>>>
>>>>> Apesar disso, no meio da confusão, ciclistas pintaram os corpos uns
>>>>> dos
>>>>> outros com tintas coloridas. Frases divertidas ou de protesto,
>>>>> desenhos
>>>>> surgindo na pele, todos se enfeitavam para a pedalada, e para trazer
>>>>> um
>>>>> pouco de alegria para a cidade cinza coberta de asfalto.
>>>>>
>>>>>
>>>>> Celebração da nudez não sexualizada e não comercializada
>>>>> Liberdade de expressão e manifestação
>>>>>
>>>>> Iniciada a pedalada na Avenida Paulista, à medida que os ciclistas se
>>>>> distanciavam da praça foram tomando coragem de expor mais seus corpos.
>>>>> Seguindo o lema naturista, puderam celebrar sua nudez não sexualizada
>>>>> e
>>>>> não comercializada, muito diferente da exposição sexual dos corpos
>>>>> padronizados tão comum nas emissoras de TV e revistas.
>>>>>
>>>>> Centenas de pessoas puderam expor por alguns instantes seus corpos
>>>>> "imperfeitos", gorduras a mais ou a menos, celulites e estrias livres
>>>>> da
>>>>> ditadura estética vigente que causa distúrbios alimentares, complexos
>>>>> e
>>>>> depressões.
>>>>>
>>>>> A alegria desse momento foi tão contagiante que provocou aplausos da
>>>>> "platéia". Pessoas que caminhavam pelas ruas, passavam dentro de
>>>>> ônibus
>>>>> ou
>>>>> automóveis, riam, assobiavam, apontavam a massa de pelados que
>>>>> pedalava.
>>>>> Câmeras e mais câmeras de celulares foram apontadas para a avenida.
>>>>>
>>>>> E a prova máxima de civilidade foi dada pelos próprios ciclistas nus
>>>>> (ou
>>>>> seminus), que abriram mão de assédios e piadas de mau gosto para
>>>>> compartilhar respeitosamente um momento de pura liberdade de expressão
>>>>> e
>>>>> manifestação.
>>>>>
>>>>> Criminalização da nudez, neutralização da massa e violência policial
>>>>>
>>>>> Infelizmente, aprendemos com nossa ação que a nudez que se manifesta
>>>>> livremente a favor da vida é criminalizada, enquanto a nudez
>>>>> explorada,
>>>>> sexualizada e comercializada nos carnavais, novelas e revistas é
>>>>> permitida.
>>>>>
>>>>> Durante o trajeto, um comandante da polícia militar deixou claro a
>>>>> quem
>>>>> ele pensou ser o organizador da ação, que o nu frontal não seria
>>>>> tolerado,
>>>>> somente corpos pintados como no carnaval. Apesar das dezenas de
>>>>> ciclistas
>>>>> completamente nus, André Pasqualini acabou sendo escolhido como o
>>>>> "bode
>>>>> expiatório" e foi levado nu para a delegacia, como forma de
>>>>> neutralizar
>>>>> nossa ação.
>>>>>
>>>>> Alguns ciclistas tentaram se manifestar contra a prisão e foram
>>>>> agredidos
>>>>> com pontapés e gás de pimenta, como mostra diversas fotos e vídeos
>>>>> publicados pela grande mídia (matéria no Estadão -
>>>>> http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid189448,0.htm) e pela mídia
>>>>> independente. Como sempre é feito em manifestações ciclo ativistas, os
>>>>> ciclistas ergueram suas bicicletas no ar. Foram absurdamente acusados
>>>>> de
>>>>> usá-las como arma.
>>>>>
>>>>> O comandante da operação declarou diante das câmeras que fez o que
>>>>> estava
>>>>> planejado, prendeu o "líder" da ação para acabar com a manifestação. A
>>>>> lógica estava errada, já que não existem líderes ou organizadores da
>>>>> Pedalada dos Pelados, mas a tática deu certo, porque seja lá quem
>>>>> tivesse
>>>>> sido detido, nós não deixaríamos de apoiá-lo.
>>>>>
>>>>> Com a prisão de um dos seus participantes, a massa perdeu um pouco em
>>>>> alegria e parte dela seguiu escoltada pela CET rumo ao 78º DP na Rua
>>>>> Estados Unidos. A festa continuou ali, aos gritos de "Ô seu delegado,
>>>>> libera o pelado!".
>>>>>
>>>>> A massa segue feliz e orgulhosa
>>>>>
>>>>> Confirmado que o participante preso seria liberado, a massa seguiu de
>>>>> volta a Praça do Ciclista. Cruzou a Oscar Freire e subiu a Rua Augusta
>>>>> em
>>>>> ritmo de festa, feliz e orgulhosa, humanizando o engarrafamento de
>>>>> quem
>>>>> descia num coro bem-humorado de "Não fique aí parado! Vem pedalar
>>>>> pelado!"
>>>>> ou "Carro parado é coisa do passado! A moda agora é pedalar pelado!".
>>>>>
>>>>> A população nas ruas de São Paulo saudou a massa em festa durante todo
>>>>> o
>>>>> trajeto. A cidade, a Avenida Paulista, já acostumadas com a gigantesca
>>>>> parada do Orgulho GLBT, sentiram a alegria de ver o desfile das
>>>>> bicicletas
>>>>> e seus ciclistas nus e seminus, a despeito das leis antiquadas que
>>>>> (ainda)
>>>>> vigoram nesse país.
>>>>>
>>>>> Mas podem se preparar, a festa será ainda maior em 2009.
>>>>>
>>>>>
>>>>> Assinado,
>>>>>
>>>>> Participantes da I Pedalada Pelada de São Paulo 2008
>>>>>
>>>>> (World Naked Bike Ride São Paulo 2008)
>>>>>
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