[Cmi-brasil-editorial] Proposta OK URGENTE: sugestão de editorial

alface eric_v em riseup.net
Terça Março 4 15:26:36 PST 2008


Mais sobre o caso no Brasil de fato;

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/mulheres-da-via-campesina-ocupam-area-ilegal-da-transnacional-stora-enso

> Para mim, a reportagem sugerida (tirada da sugestão em baixo) está ótima.
> Nem precisa mexer.
>
> OK, Alface
>
> Mulheres da Via Campesina ocupam área ilegal da Stora Enso no RS
> .
> Cerca de 900 mulheres da Via Campesina ocuparam a fazenda Tarumã, de 2.100
> hectares, no município de Rosário do Sul, a aproximadamente 400 km de
> Porto Alegre, na manhã desta terça-feira (04/03), quando iniciaram o corte
> de eucaliptos e o plantio de árvores nativas em área que pertence à
> empresa sueco finlandesa Stora Enso.
>
> A transnacional estrangeira, pela legislação brasileira (lei nº 6.634  de
> 1979; e o artigo 20, parágrafo 2 da Constituição Federal), não pode
> adquirir terras em uma faixa de 150 km da fronteira do Brasil com outros
> países. No entanto, a transnacional vem comprando dezenas de áreas no Rio
> Grande do Sul, próximo da fronteira com Uruguai onde a empresa também tem
> plantios. A meta é formar uma base florestal de mais de 100 mil hectares e
> implantar fábricas na região.
>
> Em nota distribuída à imprensa as mulheres declaram o seguinte: “Nossa
> ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto verde
> na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra o
> bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada
> vez mais sem terra para produzir alimentos. Estamos arrancando o que ruim
> e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho”.
>
> [Leia matéria inteira]
>
> Multinacional age ilegalmente
>
> A Stora Enso adquiriu as terras em nome da empresa Derflin, que é o braço
> da multinacional para produzir matérias-primas. Como a Derflin também é
> estrangeira não conseguiu legalizar as áreas. Por isso, a Stora Enso criou
> uma empresa laranja: a agropecuária Azenglever, de propriedade de dois
> brasileiros: João Fernando Borges e Otávio Pontes (diretor florestal e
> vice-presidente da Stora Enso para a América Latina, respectivamente).
> Eles são atualmente os maiores latifundiários do RS.
>
> Cerca de 50 fazendas, totalizando mais de 45 mil hectares, já estão
> registradas em nome da Agropecuária Azenglever. Entre essas áreas, está a
> Tarumã, ocupada pelas mulheres camponesas. Há um inquérito na Polícia
> Federal responsável para investigar o crime, mas a empresa continua agindo
> livremente.
>
> A seguir, leia a pauta de reivindicações das mulheres no manifesto das
> mulheres da Via Campesina.
> .
> Manifesto das Mulheres da Via Campesina
> .
> Nós mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul estamos mais uma vez
> mobilizadas, nesta semana do 8 de março, para intensificar nossa luta
> contra o agronegócio e em defesa da soberania alimentar da população
> brasileira.
>
> A soberania alimentar é o direito dos povos de produzir sua comida
> respeitando a biodiversidade e os hábitos culturais de cada região. Hoje
> em nosso país as riquezas naturais estão sob domínio das empresas
> multinacionais do agronegócio e a população tem cada vez menos acesso à
> terra, à água e aos alimentos.
>
> Nós mulheres somos as primeiras a serem expulsas das atividades agrícolas
> nas áreas onde avança o agronegócio. Nosso trabalho é importante em uma
> agricultura camponesa porque sabemos produzir alimentos. Mas as empresas
> do agronegócio não estão preocupadas em produzir comida, só em produzir
> lucro transformando o campo em desertos verdes (de eucalipto, de soja, de
> cana). Um dos desertos que mais cresce em nosso Estado é o de eucalipto
> para celulose.
>
> As empresas de celulose estão fechando fábricas nos Estados Unidos e na
> Europa e vindo para a América Latina. Aqui encontram muita terra, água,
> clima favorável e governos dispostos a atender seus interesses. Mais de
> 90% da produção de celulose do Brasil é para exportação. Assim, reduzimos
> a produção de comida, destruímos a biodiversidade, aumentamos a pobreza e
> a desigualdade para atender a demanda de lucro das empresas e um estilo de
> vida consumista nos países ricos. Esse é o papel horroroso que o Brasil
> cumpre hoje no mundo.
>
> Uma das empresas responsáveis pelo avanço do deserto verde no Rio Grande
> do Sul é a Stora Enso, multinacional sueco-finlandesa. Pela lei brasileira
> estrangeiros não podem ter terra em uma faixa de 150 km da fronteira do
> Brasil com outros países. Acontece que a Stora Enso já tem milhares de
> hectares plantados no Uruguai e é exatamente próximo da fronteira gaúcha
> com este país que essa gigante do ramo de papel e celulose quer formar uma
> base florestal de mais de 100 mil hectares.
>
> Inicialmente a Stora Enso tentou comprar as terras em nome da empresa
> Derflin, o braço da multinacional para produção de matéria prima, que por
> ser estrangeira não conseguiu legalizar as áreas.
>
> Para viabilizar sua implantação a multinacional criou uma empresa laranja
> que está comprando as terras em seu nome: a agropecuária Azenglever Ltda,
> cujos donos são dois importantes funcionários da Stora Enso. Eles se
> tornaram os maiores latifundiários do estado, sendo “proprietários” de
> mais de 45 mil hectares. Essa operação ilegal é de conhecimento dos
> Ministérios Públicos Estadual e Federal, do Incra, da Polícia Federal, mas
> nada de concreto foi feito para impedir o avanço do deserto verde.
> Decidimos então romper o silêncio que paira sobre esse crime.
>
> Nossa ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto
> verde na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra
> o bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada
> vez mais sem terras para produzir alimentos. Estamos arrancando o que é
> ruim e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho.
>
> Alguns parlamentares gaúchos ao invés de combaterem a invasão dos
> estrangeiros estão propondo reduzir a Faixa de Fronteira para legalizar o
> crime. Usam o argumento de que a faixa de 150 km impede o desenvolvimento
> econômico dos municípios. Mas isso é uma grande mentira. Todos sabem que a
> Metade Sul não se desenvolve por causa do latifúndio e das monoculturas.
> Tanto que a faixa de fronteira também vigora na metade norte do estado e
> nessa região a economia é dinâmica.
>
> As empresas de celulose prometem gerar emprego e desenvolvimento. Mas onde
> elas se instalam só aumenta o êxodo rural e a pobreza. Os trabalhos que
> geram são temporários, sem direitos trabalhistas, em condições precárias.
> Um exemplo é a Fazenda Tarumã em Rosário do Sul, de 2,1 mil hectares onde
> a Stora Enso gera somente dois empregos permanentes e alguns empregos
> temporários.
>
> Se essa área for destinada para a reforma agrária podem ser assentadas 100
> famílias gerando no mínimo 300 empregos diretos permanentes. Portanto, a
> Reforma Agrária e a Agricultura Camponesa é que são a melhor alternativa
> para preservar a biodiversidade, gerar trabalho e renda para a população
> do campo e alimentos saudáveis e mais baratos para quem mora nas cidades.
>
> O projeto que tramita no Senado propondo reduzir a Faixa de Fronteira
> brasileira não inclui a Amazônia porque entende que isso seria uma ameaça
> para a floresta. Ou seja, admite que a redução da Faixa de Fronteira irá
> aumentar a destruição ambiental. Para nós todos os biomas brasileiros são
> importantes e entendemos que o Cerrado e o Pampa também precisam ser
> preservados.
>
> Nós mulheres da Via Campesina reivindicamos das autoridades brasileiras:
>
> - Anulação das compras de terra feitas ilegalmente pela Stora Enso na
> faixa de fronteira e expropriação dessas áreas para a reforma agrária.
> Somente nos 45 mil hectares que estão em nome da empresa laranja, a
> Agropecuária Azenglever daria para assentar cerca de 2 mil famílias,
> gerando 6 mil empregos diretos. Atualmente 2.500 famílias estão acampadas
> no Rio Grande do Sul e o Incra alega não ter terras para fazer
> assentamento.
>
> - Retirada dos projetos no Senado e na Câmara Federal que propõem a
> redução da Faixa de Fronteira. Essa medida só vai beneficiar empresas como
> a Stora Enso que querem se apropriar das terras para transformá-las em
> deserto verde, destruir nossas riquezas naturais como o aqüífero guarani e
> o bioma Pampa. Para o povo gaúcho essa redução da faixa de fronteira só
> vai provocar aumento do êxodo rural, do desemprego, da destruição
> ambiental e o fim soberania alimentar pois vai faltar terra para produzir
> alimentos.
>
> Sabemos que por lutar contra o deserto verde podemos sofrer a repressão do
> governo gaúcho. É prática desse governo tratar os movimentos sociais como
> criminosos e proteger empresas que cometem crimes contra a sociedade.
> Vamos resistir. Nossa luta é em defesa da vida das pessoas e do meio
> ambiente. Estamos aqui em 900 mulheres, mas carregamos conosco a energia e
> a coragem das milhares de camponesas que em todo o mundo lutam contra a
> mercantilização das riquezas naturais e da vida. Como dizia a companheira
> sem terra Roseli Nunes, assassinada covardemente em março de 1987 aqui no
> Rio Grande do Sul, “preferimos morrer lutando do que morrer de fome!”.
>
> Mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul,
>
> Brasil, 04 de março de 2008.
> .
> Assessoria de Comunicação da Via Campesina
> Porto Alegre: 51 9994-6156
> Rosário do Sul: 51 9992-7674
> #
> --------------------------
> Igor Felippe Santos
> Assessoria de Imprensa do MST
> Secretaria Nacional - SP
> Tel/fax: (11) 3361-3866
> Correio - imprensa em mst.org.br
> Página -  www.mst.org.br
>
> +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
>
>> Pessoal,
>> gostaria de sugerir uma pauta para o editorial!
>>
>> esta semana, que antecede o 8 de março, diversas ações nos estados
>> brasileiros estão sendo programadas por mulheres de diversos movimentos,
>> uma dessas ações aconteceu hoje pela manhã, no município de Rosário do
>> Sul/RS, onde 900 mulheres da VIA CAMPESINA ocuparam uma fazenda da
>> empresa
>> filandesa Stora Enso, que faz plantio de mudas de eucaliptos e arvores
>> nativas.
>>
>> Neste momento a brigada militar ocupa o lugar, já agrediu diversas
>> mulheres e expulsou jornalistas do local, sendo assim, acho de extrema
>> importância dar visibilidade para esta ação do sul. Aproveito para
>> mandar
>> as notícias que estão circulando:
>>
>>
>> ____________________
>> NOTA: Brigada Militar agride mulheres e retira jornalistas da área Stora
>> Enso
>> .
>> Camponesas foram agredidas pelo Comandante Binsel; jornalistas tiveram
>> equipamentos apreendidos
>>  .
>> A situação na fazenda Tarumã, em Rosário do Sul – ocupada por 900
>> mulheres
>> da Via Campesina na manhã de hoje (04/03) – é de tensionamento no início
>> desta tarde. Um efetivo de 50 homens da Brigada Militar agrediu
>> fisicamente algumas das mulheres que se encontravam na entrada da área.
>> O
>> próprio Comandante Binsel desferiu socos e pontapés contra as
>> manifestantes.
>>
>> Os jornalistas gaúchos também estão sendo impedidos de exercer sua
>> atividade. Todos os jornalistas que se encontravam na área foram
>> revistados e retirados com violência. Equipamentos e telefones celulares
>> foram retirados dos jornalistas. Um cinegrafista, que registrou a
>> agressão
>> às camponesas, teve a fita apreendida e foi mantido algemado em um
>> veículo
>> da Brigada Militar por mais de uma hora.
>>
>> A Via Campesina condena a postura de omissão sobre as denúncias de
>> compra
>> ilegal de terras na faixa da fronteira e o comportamento do Governo Yeda
>> Crusius de intransigência e repressão aos movimentos sociais. Além das
>> 900
>> mulheres, estão presentes 250 crianças na ocupação.
>>
>> Leia mais informações em www.mst.org.br .
>> .
>> Assessoria de Comunicação da Via Campesina
>> Porto Alegre: 51 9994-6156
>> Rosário do Sul: 51 9992-7674
>> .
>> --------------------------
>> Caros amigos,
>>
>> as mulheres da Via Campesina ocuparam área ilegal que pertence à empresa
>> sueco finlandesa Stora Enso para denunciar que a transnacional
>> estrangeira
>> não pode adquirir terras em uma faixa de 150 km da fronteira do Brasil
>> com
>> outros países, de acordo com a legislação brasileira.
>>
>> Pedimos que vocês e suas entidades mandem declarações de apoio para
>> colocar na nossa página e mandar para imprensa para evitar que fiquemos
>> no
>> isolamento, sem apoio de setores da sociedade.
>>
>> Saudações,
>>
>> Igor Felippe Santos
>> Assessoria de Imprensa do MST
>> Secretaria Nacional - SP
>> Tel/fax: (11) 3361-3866
>> Correio - imprensa em mst.org.br
>> Página -  www.mst.org.br
>>
>> ___________________________________
>> PAUTA
>> Mulheres da Via Campesina ocupam área ilegal da Stora Enso no RS
>> .
>> Cerca de 900 mulheres da Via Campesina ocuparam a fazenda Tarumã, de
>> 2.100
>> hectares, no município de Rosário do Sul, a aproximadamente 400 km de
>> Porto Alegre, na manhã desta terça-feira (04/03), quando iniciaram o
>> corte
>> de eucaliptos e o plantio de árvores nativas em área que pertence à
>> empresa sueco finlandesa Stora Enso.
>>
>> A transnacional estrangeira, pela legislação brasileira (lei nº 6.634
>> de
>> 1979; e o artigo 20, parágrafo 2 da Constituição Federal), não pode
>> adquirir terras em uma faixa de 150 km da fronteira do Brasil com outros
>> países. No entanto, a transnacional vem comprando dezenas de áreas no
>> Rio
>> Grande do Sul, próximo da fronteira com Uruguai onde a empresa também
>> tem
>> plantios. A meta é formar uma base florestal de mais de 100 mil hectares
>> e
>> implantar fábricas na região.
>>
>> Em nota distribuída à imprensa as mulheres declaram o seguinte: “Nossa
>> ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto verde
>> na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra o
>> bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada
>> vez mais sem terra para produzir alimentos. Estamos arrancando o que
>> ruim
>> e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho”.
>>
>> Multinacional age ilegalmente
>>
>> A Stora Enso adquiriu as terras em nome da empresa Derflin, que é o
>> braço
>> da multinacional para produzir matérias-primas. Como a Derflin também é
>> estrangeira não conseguiu legalizar as áreas. Por isso, a Stora Enso
>> criou
>> uma empresa laranja: a agropecuária Azenglever, de propriedade de dois
>> brasileiros: João Fernando Borges e Otávio Pontes (diretor florestal e
>> vice-presidente da Stora Enso para a América Latina, respectivamente).
>> Eles são atualmente os maiores latifundiários do RS.
>>
>> Cerca de 50 fazendas, totalizando mais de 45 mil hectares, já estão
>> registradas em nome da Agropecuária Azenglever. Entre essas áreas, está
>> a
>> Tarumã, ocupada pelas mulheres camponesas. Há um inquérito na Polícia
>> Federal responsável para investigar o crime, mas a empresa continua
>> agindo
>> livremente.
>>
>> A seguir, leia a pauta de reivindicações das mulheres no manifesto das
>> mulheres da Via Campesina.
>> .
>> Manifesto das Mulheres da Via Campesina
>> .
>> Nós mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul estamos mais uma vez
>> mobilizadas, nesta semana do 8 de março, para intensificar nossa luta
>> contra o agronegócio e em defesa da soberania alimentar da população
>> brasileira.
>>
>> A soberania alimentar é o direito dos povos de produzir sua comida
>> respeitando a biodiversidade e os hábitos culturais de cada região. Hoje
>> em nosso país as riquezas naturais estão sob domínio das empresas
>> multinacionais do agronegócio e a população tem cada vez menos acesso à
>> terra, à água e aos alimentos.
>>
>> Nós mulheres somos as primeiras a serem expulsas das atividades
>> agrícolas
>> nas áreas onde avança o agronegócio. Nosso trabalho é importante em uma
>> agricultura camponesa porque sabemos produzir alimentos. Mas as empresas
>> do agronegócio não estão preocupadas em produzir comida, só em produzir
>> lucro transformando o campo em desertos verdes (de eucalipto, de soja,
>> de
>> cana). Um dos desertos que mais cresce em nosso Estado é o de eucalipto
>> para celulose.
>>
>> As empresas de celulose estão fechando fábricas nos Estados Unidos e na
>> Europa e vindo para a América Latina. Aqui encontram muita terra, água,
>> clima favorável e governos dispostos a atender seus interesses. Mais de
>> 90% da produção de celulose do Brasil é para exportação. Assim,
>> reduzimos
>> a produção de comida, destruímos a biodiversidade, aumentamos a pobreza
>> e
>> a desigualdade para atender a demanda de lucro das empresas e um estilo
>> de
>> vida consumista nos países ricos. Esse é o papel horroroso que o Brasil
>> cumpre hoje no mundo.
>>
>> Uma das empresas responsáveis pelo avanço do deserto verde no Rio Grande
>> do Sul é a Stora Enso, multinacional sueco-finlandesa. Pela lei
>> brasileira
>> estrangeiros não podem ter terra em uma faixa de 150 km da fronteira do
>> Brasil com outros países. Acontece que a Stora Enso já tem milhares de
>> hectares plantados no Uruguai e é exatamente próximo da fronteira gaúcha
>> com este país que essa gigante do ramo de papel e celulose quer formar
>> uma
>> base florestal de mais de 100 mil hectares.
>>
>> Inicialmente a Stora Enso tentou comprar as terras em nome da empresa
>> Derflin, o braço da multinacional para produção de matéria prima, que
>> por
>> ser estrangeira não conseguiu legalizar as áreas.
>>
>> Para viabilizar sua implantação a multinacional criou uma empresa
>> laranja
>> que está comprando as terras em seu nome: a agropecuária Azenglever
>> Ltda,
>> cujos donos são dois importantes funcionários da Stora Enso. Eles se
>> tornaram os maiores latifundiários do estado, sendo “proprietários” de
>> mais de 45 mil hectares. Essa operação ilegal é de conhecimento dos
>> Ministérios Públicos Estadual e Federal, do Incra, da Polícia Federal,
>> mas
>> nada de concreto foi feito para impedir o avanço do deserto verde.
>> Decidimos então romper o silêncio que paira sobre esse crime.
>>
>> Nossa ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto
>> verde na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país,
>> contra
>> o bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está
>> cada
>> vez mais sem terras para produzir alimentos. Estamos arrancando o que é
>> ruim e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho.
>>
>> Alguns parlamentares gaúchos ao invés de combaterem a invasão dos
>> estrangeiros estão propondo reduzir a Faixa de Fronteira para legalizar
>> o
>> crime. Usam o argumento de que a faixa de 150 km impede o
>> desenvolvimento
>> econômico dos municípios. Mas isso é uma grande mentira. Todos sabem que
>> a
>> Metade Sul não se desenvolve por causa do latifúndio e das monoculturas.
>> Tanto que a faixa de fronteira também vigora na metade norte do estado e
>> nessa região a economia é dinâmica.
>>
>> As empresas de celulose prometem gerar emprego e desenvolvimento. Mas
>> onde
>> elas se instalam só aumenta o êxodo rural e a pobreza. Os trabalhos que
>> geram são temporários, sem direitos trabalhistas, em condições
>> precárias.
>> Um exemplo é a Fazenda Tarumã em Rosário do Sul, de 2,1 mil hectares
>> onde
>> a Stora Enso gera somente dois empregos permanentes e alguns empregos
>> temporários.
>>
>> Se essa área for destinada para a reforma agrária podem ser assentadas
>> 100
>> famílias gerando no mínimo 300 empregos diretos permanentes. Portanto, a
>> Reforma Agrária e a Agricultura Camponesa é que são a melhor alternativa
>> para preservar a biodiversidade, gerar trabalho e renda para a população
>> do campo e alimentos saudáveis e mais baratos para quem mora nas
>> cidades.
>>
>> O projeto que tramita no Senado propondo reduzir a Faixa de Fronteira
>> brasileira não inclui a Amazônia porque entende que isso seria uma
>> ameaça
>> para a floresta. Ou seja, admite que a redução da Faixa de Fronteira irá
>> aumentar a destruição ambiental. Para nós todos os biomas brasileiros
>> são
>> importantes e entendemos que o Cerrado e o Pampa também precisam ser
>> preservados.
>>
>> Nós mulheres da Via Campesina reivindicamos das autoridades brasileiras:
>>
>> - Anulação das compras de terra feitas ilegalmente pela Stora Enso na
>> faixa de fronteira e expropriação dessas áreas para a reforma agrária.
>> Somente nos 45 mil hectares que estão em nome da empresa laranja, a
>> Agropecuária Azenglever daria para assentar cerca de 2 mil famílias,
>> gerando 6 mil empregos diretos. Atualmente 2.500 famílias estão
>> acampadas
>> no Rio Grande do Sul e o Incra alega não ter terras para fazer
>> assentamento.
>>
>> - Retirada dos projetos no Senado e na Câmara Federal que propõem a
>> redução da Faixa de Fronteira. Essa medida só vai beneficiar empresas
>> como
>> a Stora Enso que querem se apropriar das terras para transformá-las em
>> deserto verde, destruir nossas riquezas naturais como o aqüífero guarani
>> e
>> o bioma Pampa. Para o povo gaúcho essa redução da faixa de fronteira só
>> vai provocar aumento do êxodo rural, do desemprego, da destruição
>> ambiental e o fim soberania alimentar pois vai faltar terra para
>> produzir
>> alimentos.
>>
>> Sabemos que por lutar contra o deserto verde podemos sofrer a repressão
>> do
>> governo gaúcho. É prática desse governo tratar os movimentos sociais
>> como
>> criminosos e proteger empresas que cometem crimes contra a sociedade.
>> Vamos resistir. Nossa luta é em defesa da vida das pessoas e do meio
>> ambiente. Estamos aqui em 900 mulheres, mas carregamos conosco a energia
>> e
>> a coragem das milhares de camponesas que em todo o mundo lutam contra a
>> mercantilização das riquezas naturais e da vida. Como dizia a
>> companheira
>> sem terra Roseli Nunes, assassinada covardemente em março de 1987 aqui
>> no
>> Rio Grande do Sul, “preferimos morrer lutando do que morrer de fome!”.
>>
>> Mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul,
>>
>> Brasil, 04 de março de 2008.
>> .
>> Assessoria de Comunicação da Via Campesina
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