[Cmi-brasil-editorial] Proposta OK URGENTE: sugestão de editorial

alface eric_v em riseup.net
Terça Março 4 15:14:40 PST 2008


Para mim, a reportagem sugerida (tirada da sugestão em baixo) está ótima.
Nem precisa mexer.

OK, Alface

Mulheres da Via Campesina ocupam área ilegal da Stora Enso no RS
.
Cerca de 900 mulheres da Via Campesina ocuparam a fazenda Tarumã, de 2.100
hectares, no município de Rosário do Sul, a aproximadamente 400 km de
Porto Alegre, na manhã desta terça-feira (04/03), quando iniciaram o corte
de eucaliptos e o plantio de árvores nativas em área que pertence à
empresa sueco finlandesa Stora Enso.

A transnacional estrangeira, pela legislação brasileira (lei nº 6.634  de
1979; e o artigo 20, parágrafo 2 da Constituição Federal), não pode
adquirir terras em uma faixa de 150 km da fronteira do Brasil com outros
países. No entanto, a transnacional vem comprando dezenas de áreas no Rio
Grande do Sul, próximo da fronteira com Uruguai onde a empresa também tem
plantios. A meta é formar uma base florestal de mais de 100 mil hectares e
implantar fábricas na região.

Em nota distribuída à imprensa as mulheres declaram o seguinte: “Nossa
ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto verde
na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra o
bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada
vez mais sem terra para produzir alimentos. Estamos arrancando o que ruim
e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho”.

[Leia matéria inteira]

Multinacional age ilegalmente

A Stora Enso adquiriu as terras em nome da empresa Derflin, que é o braço
da multinacional para produzir matérias-primas. Como a Derflin também é
estrangeira não conseguiu legalizar as áreas. Por isso, a Stora Enso criou
uma empresa laranja: a agropecuária Azenglever, de propriedade de dois
brasileiros: João Fernando Borges e Otávio Pontes (diretor florestal e
vice-presidente da Stora Enso para a América Latina, respectivamente).
Eles são atualmente os maiores latifundiários do RS.

Cerca de 50 fazendas, totalizando mais de 45 mil hectares, já estão
registradas em nome da Agropecuária Azenglever. Entre essas áreas, está a
Tarumã, ocupada pelas mulheres camponesas. Há um inquérito na Polícia
Federal responsável para investigar o crime, mas a empresa continua agindo
livremente.

A seguir, leia a pauta de reivindicações das mulheres no manifesto das
mulheres da Via Campesina.
.
Manifesto das Mulheres da Via Campesina
.
Nós mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul estamos mais uma vez
mobilizadas, nesta semana do 8 de março, para intensificar nossa luta
contra o agronegócio e em defesa da soberania alimentar da população
brasileira.

A soberania alimentar é o direito dos povos de produzir sua comida
respeitando a biodiversidade e os hábitos culturais de cada região. Hoje
em nosso país as riquezas naturais estão sob domínio das empresas
multinacionais do agronegócio e a população tem cada vez menos acesso à
terra, à água e aos alimentos.

Nós mulheres somos as primeiras a serem expulsas das atividades agrícolas
nas áreas onde avança o agronegócio. Nosso trabalho é importante em uma
agricultura camponesa porque sabemos produzir alimentos. Mas as empresas
do agronegócio não estão preocupadas em produzir comida, só em produzir
lucro transformando o campo em desertos verdes (de eucalipto, de soja, de
cana). Um dos desertos que mais cresce em nosso Estado é o de eucalipto
para celulose.

As empresas de celulose estão fechando fábricas nos Estados Unidos e na
Europa e vindo para a América Latina. Aqui encontram muita terra, água,
clima favorável e governos dispostos a atender seus interesses. Mais de
90% da produção de celulose do Brasil é para exportação. Assim, reduzimos
a produção de comida, destruímos a biodiversidade, aumentamos a pobreza e
a desigualdade para atender a demanda de lucro das empresas e um estilo de
vida consumista nos países ricos. Esse é o papel horroroso que o Brasil
cumpre hoje no mundo.

Uma das empresas responsáveis pelo avanço do deserto verde no Rio Grande
do Sul é a Stora Enso, multinacional sueco-finlandesa. Pela lei brasileira
estrangeiros não podem ter terra em uma faixa de 150 km da fronteira do
Brasil com outros países. Acontece que a Stora Enso já tem milhares de
hectares plantados no Uruguai e é exatamente próximo da fronteira gaúcha
com este país que essa gigante do ramo de papel e celulose quer formar uma
base florestal de mais de 100 mil hectares.

Inicialmente a Stora Enso tentou comprar as terras em nome da empresa
Derflin, o braço da multinacional para produção de matéria prima, que por
ser estrangeira não conseguiu legalizar as áreas.

Para viabilizar sua implantação a multinacional criou uma empresa laranja
que está comprando as terras em seu nome: a agropecuária Azenglever Ltda,
cujos donos são dois importantes funcionários da Stora Enso. Eles se
tornaram os maiores latifundiários do estado, sendo “proprietários” de
mais de 45 mil hectares. Essa operação ilegal é de conhecimento dos
Ministérios Públicos Estadual e Federal, do Incra, da Polícia Federal, mas
nada de concreto foi feito para impedir o avanço do deserto verde.
Decidimos então romper o silêncio que paira sobre esse crime.

Nossa ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto
verde na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra
o bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada
vez mais sem terras para produzir alimentos. Estamos arrancando o que é
ruim e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho.

Alguns parlamentares gaúchos ao invés de combaterem a invasão dos
estrangeiros estão propondo reduzir a Faixa de Fronteira para legalizar o
crime. Usam o argumento de que a faixa de 150 km impede o desenvolvimento
econômico dos municípios. Mas isso é uma grande mentira. Todos sabem que a
Metade Sul não se desenvolve por causa do latifúndio e das monoculturas.
Tanto que a faixa de fronteira também vigora na metade norte do estado e
nessa região a economia é dinâmica.

As empresas de celulose prometem gerar emprego e desenvolvimento. Mas onde
elas se instalam só aumenta o êxodo rural e a pobreza. Os trabalhos que
geram são temporários, sem direitos trabalhistas, em condições precárias.
Um exemplo é a Fazenda Tarumã em Rosário do Sul, de 2,1 mil hectares onde
a Stora Enso gera somente dois empregos permanentes e alguns empregos
temporários.

Se essa área for destinada para a reforma agrária podem ser assentadas 100
famílias gerando no mínimo 300 empregos diretos permanentes. Portanto, a
Reforma Agrária e a Agricultura Camponesa é que são a melhor alternativa
para preservar a biodiversidade, gerar trabalho e renda para a população
do campo e alimentos saudáveis e mais baratos para quem mora nas cidades.

O projeto que tramita no Senado propondo reduzir a Faixa de Fronteira
brasileira não inclui a Amazônia porque entende que isso seria uma ameaça
para a floresta. Ou seja, admite que a redução da Faixa de Fronteira irá
aumentar a destruição ambiental. Para nós todos os biomas brasileiros são
importantes e entendemos que o Cerrado e o Pampa também precisam ser
preservados.

Nós mulheres da Via Campesina reivindicamos das autoridades brasileiras:

- Anulação das compras de terra feitas ilegalmente pela Stora Enso na
faixa de fronteira e expropriação dessas áreas para a reforma agrária.
Somente nos 45 mil hectares que estão em nome da empresa laranja, a
Agropecuária Azenglever daria para assentar cerca de 2 mil famílias,
gerando 6 mil empregos diretos. Atualmente 2.500 famílias estão acampadas
no Rio Grande do Sul e o Incra alega não ter terras para fazer
assentamento.

- Retirada dos projetos no Senado e na Câmara Federal que propõem a
redução da Faixa de Fronteira. Essa medida só vai beneficiar empresas como
a Stora Enso que querem se apropriar das terras para transformá-las em
deserto verde, destruir nossas riquezas naturais como o aqüífero guarani e
o bioma Pampa. Para o povo gaúcho essa redução da faixa de fronteira só
vai provocar aumento do êxodo rural, do desemprego, da destruição
ambiental e o fim soberania alimentar pois vai faltar terra para produzir
alimentos.

Sabemos que por lutar contra o deserto verde podemos sofrer a repressão do
governo gaúcho. É prática desse governo tratar os movimentos sociais como
criminosos e proteger empresas que cometem crimes contra a sociedade.
Vamos resistir. Nossa luta é em defesa da vida das pessoas e do meio
ambiente. Estamos aqui em 900 mulheres, mas carregamos conosco a energia e
a coragem das milhares de camponesas que em todo o mundo lutam contra a
mercantilização das riquezas naturais e da vida. Como dizia a companheira
sem terra Roseli Nunes, assassinada covardemente em março de 1987 aqui no
Rio Grande do Sul, “preferimos morrer lutando do que morrer de fome!”.

Mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul,

Brasil, 04 de março de 2008.
.
Assessoria de Comunicação da Via Campesina
Porto Alegre: 51 9994-6156
Rosário do Sul: 51 9992-7674
#
--------------------------
Igor Felippe Santos
Assessoria de Imprensa do MST
Secretaria Nacional - SP
Tel/fax: (11) 3361-3866
Correio - imprensa em mst.org.br
Página -  www.mst.org.br

+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

> Pessoal,
> gostaria de sugerir uma pauta para o editorial!
>
> esta semana, que antecede o 8 de março, diversas ações nos estados
> brasileiros estão sendo programadas por mulheres de diversos movimentos,
> uma dessas ações aconteceu hoje pela manhã, no município de Rosário do
> Sul/RS, onde 900 mulheres da VIA CAMPESINA ocuparam uma fazenda da empresa
> filandesa Stora Enso, que faz plantio de mudas de eucaliptos e arvores
> nativas.
>
> Neste momento a brigada militar ocupa o lugar, já agrediu diversas
> mulheres e expulsou jornalistas do local, sendo assim, acho de extrema
> importância dar visibilidade para esta ação do sul. Aproveito para mandar
> as notícias que estão circulando:
>
>
> ____________________
> NOTA: Brigada Militar agride mulheres e retira jornalistas da área Stora
> Enso
> .
> Camponesas foram agredidas pelo Comandante Binsel; jornalistas tiveram
> equipamentos apreendidos
>  .
> A situação na fazenda Tarumã, em Rosário do Sul – ocupada por 900 mulheres
> da Via Campesina na manhã de hoje (04/03) – é de tensionamento no início
> desta tarde. Um efetivo de 50 homens da Brigada Militar agrediu
> fisicamente algumas das mulheres que se encontravam na entrada da área. O
> próprio Comandante Binsel desferiu socos e pontapés contra as
> manifestantes.
>
> Os jornalistas gaúchos também estão sendo impedidos de exercer sua
> atividade. Todos os jornalistas que se encontravam na área foram
> revistados e retirados com violência. Equipamentos e telefones celulares
> foram retirados dos jornalistas. Um cinegrafista, que registrou a agressão
> às camponesas, teve a fita apreendida e foi mantido algemado em um veículo
> da Brigada Militar por mais de uma hora.
>
> A Via Campesina condena a postura de omissão sobre as denúncias de compra
> ilegal de terras na faixa da fronteira e o comportamento do Governo Yeda
> Crusius de intransigência e repressão aos movimentos sociais. Além das 900
> mulheres, estão presentes 250 crianças na ocupação.
>
> Leia mais informações em www.mst.org.br .
> .
> Assessoria de Comunicação da Via Campesina
> Porto Alegre: 51 9994-6156
> Rosário do Sul: 51 9992-7674
> .
> --------------------------
> Caros amigos,
>
> as mulheres da Via Campesina ocuparam área ilegal que pertence à empresa
> sueco finlandesa Stora Enso para denunciar que a transnacional estrangeira
> não pode adquirir terras em uma faixa de 150 km da fronteira do Brasil com
> outros países, de acordo com a legislação brasileira.
>
> Pedimos que vocês e suas entidades mandem declarações de apoio para
> colocar na nossa página e mandar para imprensa para evitar que fiquemos no
> isolamento, sem apoio de setores da sociedade.
>
> Saudações,
>
> Igor Felippe Santos
> Assessoria de Imprensa do MST
> Secretaria Nacional - SP
> Tel/fax: (11) 3361-3866
> Correio - imprensa em mst.org.br
> Página -  www.mst.org.br
>
> ___________________________________
> PAUTA
> Mulheres da Via Campesina ocupam área ilegal da Stora Enso no RS
> .
> Cerca de 900 mulheres da Via Campesina ocuparam a fazenda Tarumã, de 2.100
> hectares, no município de Rosário do Sul, a aproximadamente 400 km de
> Porto Alegre, na manhã desta terça-feira (04/03), quando iniciaram o corte
> de eucaliptos e o plantio de árvores nativas em área que pertence à
> empresa sueco finlandesa Stora Enso.
>
> A transnacional estrangeira, pela legislação brasileira (lei nº 6.634  de
> 1979; e o artigo 20, parágrafo 2 da Constituição Federal), não pode
> adquirir terras em uma faixa de 150 km da fronteira do Brasil com outros
> países. No entanto, a transnacional vem comprando dezenas de áreas no Rio
> Grande do Sul, próximo da fronteira com Uruguai onde a empresa também tem
> plantios. A meta é formar uma base florestal de mais de 100 mil hectares e
> implantar fábricas na região.
>
> Em nota distribuída à imprensa as mulheres declaram o seguinte: “Nossa
> ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto verde
> na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra o
> bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada
> vez mais sem terra para produzir alimentos. Estamos arrancando o que ruim
> e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho”.
>
> Multinacional age ilegalmente
>
> A Stora Enso adquiriu as terras em nome da empresa Derflin, que é o braço
> da multinacional para produzir matérias-primas. Como a Derflin também é
> estrangeira não conseguiu legalizar as áreas. Por isso, a Stora Enso criou
> uma empresa laranja: a agropecuária Azenglever, de propriedade de dois
> brasileiros: João Fernando Borges e Otávio Pontes (diretor florestal e
> vice-presidente da Stora Enso para a América Latina, respectivamente).
> Eles são atualmente os maiores latifundiários do RS.
>
> Cerca de 50 fazendas, totalizando mais de 45 mil hectares, já estão
> registradas em nome da Agropecuária Azenglever. Entre essas áreas, está a
> Tarumã, ocupada pelas mulheres camponesas. Há um inquérito na Polícia
> Federal responsável para investigar o crime, mas a empresa continua agindo
> livremente.
>
> A seguir, leia a pauta de reivindicações das mulheres no manifesto das
> mulheres da Via Campesina.
> .
> Manifesto das Mulheres da Via Campesina
> .
> Nós mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul estamos mais uma vez
> mobilizadas, nesta semana do 8 de março, para intensificar nossa luta
> contra o agronegócio e em defesa da soberania alimentar da população
> brasileira.
>
> A soberania alimentar é o direito dos povos de produzir sua comida
> respeitando a biodiversidade e os hábitos culturais de cada região. Hoje
> em nosso país as riquezas naturais estão sob domínio das empresas
> multinacionais do agronegócio e a população tem cada vez menos acesso à
> terra, à água e aos alimentos.
>
> Nós mulheres somos as primeiras a serem expulsas das atividades agrícolas
> nas áreas onde avança o agronegócio. Nosso trabalho é importante em uma
> agricultura camponesa porque sabemos produzir alimentos. Mas as empresas
> do agronegócio não estão preocupadas em produzir comida, só em produzir
> lucro transformando o campo em desertos verdes (de eucalipto, de soja, de
> cana). Um dos desertos que mais cresce em nosso Estado é o de eucalipto
> para celulose.
>
> As empresas de celulose estão fechando fábricas nos Estados Unidos e na
> Europa e vindo para a América Latina. Aqui encontram muita terra, água,
> clima favorável e governos dispostos a atender seus interesses. Mais de
> 90% da produção de celulose do Brasil é para exportação. Assim, reduzimos
> a produção de comida, destruímos a biodiversidade, aumentamos a pobreza e
> a desigualdade para atender a demanda de lucro das empresas e um estilo de
> vida consumista nos países ricos. Esse é o papel horroroso que o Brasil
> cumpre hoje no mundo.
>
> Uma das empresas responsáveis pelo avanço do deserto verde no Rio Grande
> do Sul é a Stora Enso, multinacional sueco-finlandesa. Pela lei brasileira
> estrangeiros não podem ter terra em uma faixa de 150 km da fronteira do
> Brasil com outros países. Acontece que a Stora Enso já tem milhares de
> hectares plantados no Uruguai e é exatamente próximo da fronteira gaúcha
> com este país que essa gigante do ramo de papel e celulose quer formar uma
> base florestal de mais de 100 mil hectares.
>
> Inicialmente a Stora Enso tentou comprar as terras em nome da empresa
> Derflin, o braço da multinacional para produção de matéria prima, que por
> ser estrangeira não conseguiu legalizar as áreas.
>
> Para viabilizar sua implantação a multinacional criou uma empresa laranja
> que está comprando as terras em seu nome: a agropecuária Azenglever Ltda,
> cujos donos são dois importantes funcionários da Stora Enso. Eles se
> tornaram os maiores latifundiários do estado, sendo “proprietários” de
> mais de 45 mil hectares. Essa operação ilegal é de conhecimento dos
> Ministérios Públicos Estadual e Federal, do Incra, da Polícia Federal, mas
> nada de concreto foi feito para impedir o avanço do deserto verde.
> Decidimos então romper o silêncio que paira sobre esse crime.
>
> Nossa ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto
> verde na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra
> o bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada
> vez mais sem terras para produzir alimentos. Estamos arrancando o que é
> ruim e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho.
>
> Alguns parlamentares gaúchos ao invés de combaterem a invasão dos
> estrangeiros estão propondo reduzir a Faixa de Fronteira para legalizar o
> crime. Usam o argumento de que a faixa de 150 km impede o desenvolvimento
> econômico dos municípios. Mas isso é uma grande mentira. Todos sabem que a
> Metade Sul não se desenvolve por causa do latifúndio e das monoculturas.
> Tanto que a faixa de fronteira também vigora na metade norte do estado e
> nessa região a economia é dinâmica.
>
> As empresas de celulose prometem gerar emprego e desenvolvimento. Mas onde
> elas se instalam só aumenta o êxodo rural e a pobreza. Os trabalhos que
> geram são temporários, sem direitos trabalhistas, em condições precárias.
> Um exemplo é a Fazenda Tarumã em Rosário do Sul, de 2,1 mil hectares onde
> a Stora Enso gera somente dois empregos permanentes e alguns empregos
> temporários.
>
> Se essa área for destinada para a reforma agrária podem ser assentadas 100
> famílias gerando no mínimo 300 empregos diretos permanentes. Portanto, a
> Reforma Agrária e a Agricultura Camponesa é que são a melhor alternativa
> para preservar a biodiversidade, gerar trabalho e renda para a população
> do campo e alimentos saudáveis e mais baratos para quem mora nas cidades.
>
> O projeto que tramita no Senado propondo reduzir a Faixa de Fronteira
> brasileira não inclui a Amazônia porque entende que isso seria uma ameaça
> para a floresta. Ou seja, admite que a redução da Faixa de Fronteira irá
> aumentar a destruição ambiental. Para nós todos os biomas brasileiros são
> importantes e entendemos que o Cerrado e o Pampa também precisam ser
> preservados.
>
> Nós mulheres da Via Campesina reivindicamos das autoridades brasileiras:
>
> - Anulação das compras de terra feitas ilegalmente pela Stora Enso na
> faixa de fronteira e expropriação dessas áreas para a reforma agrária.
> Somente nos 45 mil hectares que estão em nome da empresa laranja, a
> Agropecuária Azenglever daria para assentar cerca de 2 mil famílias,
> gerando 6 mil empregos diretos. Atualmente 2.500 famílias estão acampadas
> no Rio Grande do Sul e o Incra alega não ter terras para fazer
> assentamento.
>
> - Retirada dos projetos no Senado e na Câmara Federal que propõem a
> redução da Faixa de Fronteira. Essa medida só vai beneficiar empresas como
> a Stora Enso que querem se apropriar das terras para transformá-las em
> deserto verde, destruir nossas riquezas naturais como o aqüífero guarani e
> o bioma Pampa. Para o povo gaúcho essa redução da faixa de fronteira só
> vai provocar aumento do êxodo rural, do desemprego, da destruição
> ambiental e o fim soberania alimentar pois vai faltar terra para produzir
> alimentos.
>
> Sabemos que por lutar contra o deserto verde podemos sofrer a repressão do
> governo gaúcho. É prática desse governo tratar os movimentos sociais como
> criminosos e proteger empresas que cometem crimes contra a sociedade.
> Vamos resistir. Nossa luta é em defesa da vida das pessoas e do meio
> ambiente. Estamos aqui em 900 mulheres, mas carregamos conosco a energia e
> a coragem das milhares de camponesas que em todo o mundo lutam contra a
> mercantilização das riquezas naturais e da vida. Como dizia a companheira
> sem terra Roseli Nunes, assassinada covardemente em março de 1987 aqui no
> Rio Grande do Sul, “preferimos morrer lutando do que morrer de fome!”.
>
> Mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul,
>
> Brasil, 04 de março de 2008.
> .
> Assessoria de Comunicação da Via Campesina
> Porto Alegre: 51 9994-6156
> Rosário do Sul: 51 9992-7674
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