[Cmi-brasil-editorial] Proposta okOK URGENTE: sugestão de editorial

Flecha flecha em riseup.net
Quarta Março 5 13:47:51 PST 2008


OK!
-- 
Flecha / CMI-SP / ((i))
www.midiaindependente.org


Citando alface <eric_v em riseup.net>:

> Mais sobre o caso no Brasil de fato;
>
> http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/mulheres-da-via-campesina-ocupam-area-ilegal-da-transnacional-stora-enso
>
>> Para mim, a reportagem sugerida (tirada da sugestão em baixo) está ótima.
>> Nem precisa mexer.
>>
>> OK, Alface
>>
>> Mulheres da Via Campesina ocupam área ilegal da Stora Enso no RS
>> .
>> Cerca de 900 mulheres da Via Campesina ocuparam a fazenda Tarumã, de 2.100
>> hectares, no município de Rosário do Sul, a aproximadamente 400 km de
>> Porto Alegre, na manhã desta terça-feira (04/03), quando iniciaram o corte
>> de eucaliptos e o plantio de árvores nativas em área que pertence à
>> empresa sueco finlandesa Stora Enso.
>>
>> A transnacional estrangeira, pela legislação brasileira (lei nº 6.634  de
>> 1979; e o artigo 20, parágrafo 2 da Constituição Federal), não pode
>> adquirir terras em uma faixa de 150 km da fronteira do Brasil com outros
>> países. No entanto, a transnacional vem comprando dezenas de áreas no Rio
>> Grande do Sul, próximo da fronteira com Uruguai onde a empresa também tem
>> plantios. A meta é formar uma base florestal de mais de 100 mil hectares e
>> implantar fábricas na região.
>>
>> Em nota distribuída à imprensa as mulheres declaram o seguinte: “Nossa
>> ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto verde
>> na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra o
>> bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada
>> vez mais sem terra para produzir alimentos. Estamos arrancando o que ruim
>> e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho”.
>>
>> [Leia matéria inteira]
>>
>> Multinacional age ilegalmente
>>
>> A Stora Enso adquiriu as terras em nome da empresa Derflin, que é o braço
>> da multinacional para produzir matérias-primas. Como a Derflin também é
>> estrangeira não conseguiu legalizar as áreas. Por isso, a Stora Enso criou
>> uma empresa laranja: a agropecuária Azenglever, de propriedade de dois
>> brasileiros: João Fernando Borges e Otávio Pontes (diretor florestal e
>> vice-presidente da Stora Enso para a América Latina, respectivamente).
>> Eles são atualmente os maiores latifundiários do RS.
>>
>> Cerca de 50 fazendas, totalizando mais de 45 mil hectares, já estão
>> registradas em nome da Agropecuária Azenglever. Entre essas áreas, está a
>> Tarumã, ocupada pelas mulheres camponesas. Há um inquérito na Polícia
>> Federal responsável para investigar o crime, mas a empresa continua agindo
>> livremente.
>>
>> A seguir, leia a pauta de reivindicações das mulheres no manifesto das
>> mulheres da Via Campesina.
>> .
>> Manifesto das Mulheres da Via Campesina
>> .
>> Nós mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul estamos mais uma vez
>> mobilizadas, nesta semana do 8 de março, para intensificar nossa luta
>> contra o agronegócio e em defesa da soberania alimentar da população
>> brasileira.
>>
>> A soberania alimentar é o direito dos povos de produzir sua comida
>> respeitando a biodiversidade e os hábitos culturais de cada região. Hoje
>> em nosso país as riquezas naturais estão sob domínio das empresas
>> multinacionais do agronegócio e a população tem cada vez menos acesso à
>> terra, à água e aos alimentos.
>>
>> Nós mulheres somos as primeiras a serem expulsas das atividades agrícolas
>> nas áreas onde avança o agronegócio. Nosso trabalho é importante em uma
>> agricultura camponesa porque sabemos produzir alimentos. Mas as empresas
>> do agronegócio não estão preocupadas em produzir comida, só em produzir
>> lucro transformando o campo em desertos verdes (de eucalipto, de soja, de
>> cana). Um dos desertos que mais cresce em nosso Estado é o de eucalipto
>> para celulose.
>>
>> As empresas de celulose estão fechando fábricas nos Estados Unidos e na
>> Europa e vindo para a América Latina. Aqui encontram muita terra, água,
>> clima favorável e governos dispostos a atender seus interesses. Mais de
>> 90% da produção de celulose do Brasil é para exportação. Assim, reduzimos
>> a produção de comida, destruímos a biodiversidade, aumentamos a pobreza e
>> a desigualdade para atender a demanda de lucro das empresas e um estilo de
>> vida consumista nos países ricos. Esse é o papel horroroso que o Brasil
>> cumpre hoje no mundo.
>>
>> Uma das empresas responsáveis pelo avanço do deserto verde no Rio Grande
>> do Sul é a Stora Enso, multinacional sueco-finlandesa. Pela lei brasileira
>> estrangeiros não podem ter terra em uma faixa de 150 km da fronteira do
>> Brasil com outros países. Acontece que a Stora Enso já tem milhares de
>> hectares plantados no Uruguai e é exatamente próximo da fronteira gaúcha
>> com este país que essa gigante do ramo de papel e celulose quer formar uma
>> base florestal de mais de 100 mil hectares.
>>
>> Inicialmente a Stora Enso tentou comprar as terras em nome da empresa
>> Derflin, o braço da multinacional para produção de matéria prima, que por
>> ser estrangeira não conseguiu legalizar as áreas.
>>
>> Para viabilizar sua implantação a multinacional criou uma empresa laranja
>> que está comprando as terras em seu nome: a agropecuária Azenglever Ltda,
>> cujos donos são dois importantes funcionários da Stora Enso. Eles se
>> tornaram os maiores latifundiários do estado, sendo “proprietários” de
>> mais de 45 mil hectares. Essa operação ilegal é de conhecimento dos
>> Ministérios Públicos Estadual e Federal, do Incra, da Polícia Federal, mas
>> nada de concreto foi feito para impedir o avanço do deserto verde.
>> Decidimos então romper o silêncio que paira sobre esse crime.
>>
>> Nossa ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto
>> verde na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra
>> o bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada
>> vez mais sem terras para produzir alimentos. Estamos arrancando o que é
>> ruim e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho.
>>
>> Alguns parlamentares gaúchos ao invés de combaterem a invasão dos
>> estrangeiros estão propondo reduzir a Faixa de Fronteira para legalizar o
>> crime. Usam o argumento de que a faixa de 150 km impede o desenvolvimento
>> econômico dos municípios. Mas isso é uma grande mentira. Todos sabem que a
>> Metade Sul não se desenvolve por causa do latifúndio e das monoculturas.
>> Tanto que a faixa de fronteira também vigora na metade norte do estado e
>> nessa região a economia é dinâmica.
>>
>> As empresas de celulose prometem gerar emprego e desenvolvimento. Mas onde
>> elas se instalam só aumenta o êxodo rural e a pobreza. Os trabalhos que
>> geram são temporários, sem direitos trabalhistas, em condições precárias.
>> Um exemplo é a Fazenda Tarumã em Rosário do Sul, de 2,1 mil hectares onde
>> a Stora Enso gera somente dois empregos permanentes e alguns empregos
>> temporários.
>>
>> Se essa área for destinada para a reforma agrária podem ser assentadas 100
>> famílias gerando no mínimo 300 empregos diretos permanentes. Portanto, a
>> Reforma Agrária e a Agricultura Camponesa é que são a melhor alternativa
>> para preservar a biodiversidade, gerar trabalho e renda para a população
>> do campo e alimentos saudáveis e mais baratos para quem mora nas cidades.
>>
>> O projeto que tramita no Senado propondo reduzir a Faixa de Fronteira
>> brasileira não inclui a Amazônia porque entende que isso seria uma ameaça
>> para a floresta. Ou seja, admite que a redução da Faixa de Fronteira irá
>> aumentar a destruição ambiental. Para nós todos os biomas brasileiros são
>> importantes e entendemos que o Cerrado e o Pampa também precisam ser
>> preservados.
>>
>> Nós mulheres da Via Campesina reivindicamos das autoridades brasileiras:
>>
>> - Anulação das compras de terra feitas ilegalmente pela Stora Enso na
>> faixa de fronteira e expropriação dessas áreas para a reforma agrária.
>> Somente nos 45 mil hectares que estão em nome da empresa laranja, a
>> Agropecuária Azenglever daria para assentar cerca de 2 mil famílias,
>> gerando 6 mil empregos diretos. Atualmente 2.500 famílias estão acampadas
>> no Rio Grande do Sul e o Incra alega não ter terras para fazer
>> assentamento.
>>
>> - Retirada dos projetos no Senado e na Câmara Federal que propõem a
>> redução da Faixa de Fronteira. Essa medida só vai beneficiar empresas como
>> a Stora Enso que querem se apropriar das terras para transformá-las em
>> deserto verde, destruir nossas riquezas naturais como o aqüífero guarani e
>> o bioma Pampa. Para o povo gaúcho essa redução da faixa de fronteira só
>> vai provocar aumento do êxodo rural, do desemprego, da destruição
>> ambiental e o fim soberania alimentar pois vai faltar terra para produzir
>> alimentos.
>>
>> Sabemos que por lutar contra o deserto verde podemos sofrer a repressão do
>> governo gaúcho. É prática desse governo tratar os movimentos sociais como
>> criminosos e proteger empresas que cometem crimes contra a sociedade.
>> Vamos resistir. Nossa luta é em defesa da vida das pessoas e do meio
>> ambiente. Estamos aqui em 900 mulheres, mas carregamos conosco a energia e
>> a coragem das milhares de camponesas que em todo o mundo lutam contra a
>> mercantilização das riquezas naturais e da vida. Como dizia a companheira
>> sem terra Roseli Nunes, assassinada covardemente em março de 1987 aqui no
>> Rio Grande do Sul, “preferimos morrer lutando do que morrer de fome!”.
>>
>> Mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul,
>>
>> Brasil, 04 de março de 2008.
>> .
>> Assessoria de Comunicação da Via Campesina
>> Porto Alegre: 51 9994-6156
>> Rosário do Sul: 51 9992-7674
>> #
>> --------------------------
>> Igor Felippe Santos
>> Assessoria de Imprensa do MST
>> Secretaria Nacional - SP
>> Tel/fax: (11) 3361-3866
>> Correio - imprensa em mst.org.br
>> Página -  www.mst.org.br
>>
>> +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
>>
>>> Pessoal,
>>> gostaria de sugerir uma pauta para o editorial!
>>>
>>> esta semana, que antecede o 8 de março, diversas ações nos estados
>>> brasileiros estão sendo programadas por mulheres de diversos movimentos,
>>> uma dessas ações aconteceu hoje pela manhã, no município de Rosário do
>>> Sul/RS, onde 900 mulheres da VIA CAMPESINA ocuparam uma fazenda da
>>> empresa
>>> filandesa Stora Enso, que faz plantio de mudas de eucaliptos e arvores
>>> nativas.
>>>
>>> Neste momento a brigada militar ocupa o lugar, já agrediu diversas
>>> mulheres e expulsou jornalistas do local, sendo assim, acho de extrema
>>> importância dar visibilidade para esta ação do sul. Aproveito para
>>> mandar
>>> as notícias que estão circulando:
>>>
>>>
>>> ____________________
>>> NOTA: Brigada Militar agride mulheres e retira jornalistas da área Stora
>>> Enso
>>> .
>>> Camponesas foram agredidas pelo Comandante Binsel; jornalistas tiveram
>>> equipamentos apreendidos
>>>  .
>>> A situação na fazenda Tarumã, em Rosário do Sul – ocupada por 900
>>> mulheres
>>> da Via Campesina na manhã de hoje (04/03) – é de tensionamento no início
>>> desta tarde. Um efetivo de 50 homens da Brigada Militar agrediu
>>> fisicamente algumas das mulheres que se encontravam na entrada da área.
>>> O
>>> próprio Comandante Binsel desferiu socos e pontapés contra as
>>> manifestantes.
>>>
>>> Os jornalistas gaúchos também estão sendo impedidos de exercer sua
>>> atividade. Todos os jornalistas que se encontravam na área foram
>>> revistados e retirados com violência. Equipamentos e telefones celulares
>>> foram retirados dos jornalistas. Um cinegrafista, que registrou a
>>> agressão
>>> às camponesas, teve a fita apreendida e foi mantido algemado em um
>>> veículo
>>> da Brigada Militar por mais de uma hora.
>>>
>>> A Via Campesina condena a postura de omissão sobre as denúncias de
>>> compra
>>> ilegal de terras na faixa da fronteira e o comportamento do Governo Yeda
>>> Crusius de intransigência e repressão aos movimentos sociais. Além das
>>> 900
>>> mulheres, estão presentes 250 crianças na ocupação.
>>>
>>> Leia mais informações em www.mst.org.br .
>>> .
>>> Assessoria de Comunicação da Via Campesina
>>> Porto Alegre: 51 9994-6156
>>> Rosário do Sul: 51 9992-7674
>>> .
>>> --------------------------
>>> Caros amigos,
>>>
>>> as mulheres da Via Campesina ocuparam área ilegal que pertence à empresa
>>> sueco finlandesa Stora Enso para denunciar que a transnacional
>>> estrangeira
>>> não pode adquirir terras em uma faixa de 150 km da fronteira do Brasil
>>> com
>>> outros países, de acordo com a legislação brasileira.
>>>
>>> Pedimos que vocês e suas entidades mandem declarações de apoio para
>>> colocar na nossa página e mandar para imprensa para evitar que fiquemos
>>> no
>>> isolamento, sem apoio de setores da sociedade.
>>>
>>> Saudações,
>>>
>>> Igor Felippe Santos
>>> Assessoria de Imprensa do MST
>>> Secretaria Nacional - SP
>>> Tel/fax: (11) 3361-3866
>>> Correio - imprensa em mst.org.br
>>> Página -  www.mst.org.br
>>>
>>> ___________________________________
>>> PAUTA
>>> Mulheres da Via Campesina ocupam área ilegal da Stora Enso no RS
>>> .
>>> Cerca de 900 mulheres da Via Campesina ocuparam a fazenda Tarumã, de
>>> 2.100
>>> hectares, no município de Rosário do Sul, a aproximadamente 400 km de
>>> Porto Alegre, na manhã desta terça-feira (04/03), quando iniciaram o
>>> corte
>>> de eucaliptos e o plantio de árvores nativas em área que pertence à
>>> empresa sueco finlandesa Stora Enso.
>>>
>>> A transnacional estrangeira, pela legislação brasileira (lei nº 6.634
>>> de
>>> 1979; e o artigo 20, parágrafo 2 da Constituição Federal), não pode
>>> adquirir terras em uma faixa de 150 km da fronteira do Brasil com outros
>>> países. No entanto, a transnacional vem comprando dezenas de áreas no
>>> Rio
>>> Grande do Sul, próximo da fronteira com Uruguai onde a empresa também
>>> tem
>>> plantios. A meta é formar uma base florestal de mais de 100 mil hectares
>>> e
>>> implantar fábricas na região.
>>>
>>> Em nota distribuída à imprensa as mulheres declaram o seguinte: “Nossa
>>> ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto verde
>>> na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra o
>>> bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada
>>> vez mais sem terra para produzir alimentos. Estamos arrancando o que
>>> ruim
>>> e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho”.
>>>
>>> Multinacional age ilegalmente
>>>
>>> A Stora Enso adquiriu as terras em nome da empresa Derflin, que é o
>>> braço
>>> da multinacional para produzir matérias-primas. Como a Derflin também é
>>> estrangeira não conseguiu legalizar as áreas. Por isso, a Stora Enso
>>> criou
>>> uma empresa laranja: a agropecuária Azenglever, de propriedade de dois
>>> brasileiros: João Fernando Borges e Otávio Pontes (diretor florestal e
>>> vice-presidente da Stora Enso para a América Latina, respectivamente).
>>> Eles são atualmente os maiores latifundiários do RS.
>>>
>>> Cerca de 50 fazendas, totalizando mais de 45 mil hectares, já estão
>>> registradas em nome da Agropecuária Azenglever. Entre essas áreas, está
>>> a
>>> Tarumã, ocupada pelas mulheres camponesas. Há um inquérito na Polícia
>>> Federal responsável para investigar o crime, mas a empresa continua
>>> agindo
>>> livremente.
>>>
>>> A seguir, leia a pauta de reivindicações das mulheres no manifesto das
>>> mulheres da Via Campesina.
>>> .
>>> Manifesto das Mulheres da Via Campesina
>>> .
>>> Nós mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul estamos mais uma vez
>>> mobilizadas, nesta semana do 8 de março, para intensificar nossa luta
>>> contra o agronegócio e em defesa da soberania alimentar da população
>>> brasileira.
>>>
>>> A soberania alimentar é o direito dos povos de produzir sua comida
>>> respeitando a biodiversidade e os hábitos culturais de cada região. Hoje
>>> em nosso país as riquezas naturais estão sob domínio das empresas
>>> multinacionais do agronegócio e a população tem cada vez menos acesso à
>>> terra, à água e aos alimentos.
>>>
>>> Nós mulheres somos as primeiras a serem expulsas das atividades
>>> agrícolas
>>> nas áreas onde avança o agronegócio. Nosso trabalho é importante em uma
>>> agricultura camponesa porque sabemos produzir alimentos. Mas as empresas
>>> do agronegócio não estão preocupadas em produzir comida, só em produzir
>>> lucro transformando o campo em desertos verdes (de eucalipto, de soja,
>>> de
>>> cana). Um dos desertos que mais cresce em nosso Estado é o de eucalipto
>>> para celulose.
>>>
>>> As empresas de celulose estão fechando fábricas nos Estados Unidos e na
>>> Europa e vindo para a América Latina. Aqui encontram muita terra, água,
>>> clima favorável e governos dispostos a atender seus interesses. Mais de
>>> 90% da produção de celulose do Brasil é para exportação. Assim,
>>> reduzimos
>>> a produção de comida, destruímos a biodiversidade, aumentamos a pobreza
>>> e
>>> a desigualdade para atender a demanda de lucro das empresas e um estilo
>>> de
>>> vida consumista nos países ricos. Esse é o papel horroroso que o Brasil
>>> cumpre hoje no mundo.
>>>
>>> Uma das empresas responsáveis pelo avanço do deserto verde no Rio Grande
>>> do Sul é a Stora Enso, multinacional sueco-finlandesa. Pela lei
>>> brasileira
>>> estrangeiros não podem ter terra em uma faixa de 150 km da fronteira do
>>> Brasil com outros países. Acontece que a Stora Enso já tem milhares de
>>> hectares plantados no Uruguai e é exatamente próximo da fronteira gaúcha
>>> com este país que essa gigante do ramo de papel e celulose quer formar
>>> uma
>>> base florestal de mais de 100 mil hectares.
>>>
>>> Inicialmente a Stora Enso tentou comprar as terras em nome da empresa
>>> Derflin, o braço da multinacional para produção de matéria prima, que
>>> por
>>> ser estrangeira não conseguiu legalizar as áreas.
>>>
>>> Para viabilizar sua implantação a multinacional criou uma empresa
>>> laranja
>>> que está comprando as terras em seu nome: a agropecuária Azenglever
>>> Ltda,
>>> cujos donos são dois importantes funcionários da Stora Enso. Eles se
>>> tornaram os maiores latifundiários do estado, sendo “proprietários” de
>>> mais de 45 mil hectares. Essa operação ilegal é de conhecimento dos
>>> Ministérios Públicos Estadual e Federal, do Incra, da Polícia Federal,
>>> mas
>>> nada de concreto foi feito para impedir o avanço do deserto verde.
>>> Decidimos então romper o silêncio que paira sobre esse crime.
>>>
>>> Nossa ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto
>>> verde na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país,
>>> contra
>>> o bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está
>>> cada
>>> vez mais sem terras para produzir alimentos. Estamos arrancando o que é
>>> ruim e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho.
>>>
>>> Alguns parlamentares gaúchos ao invés de combaterem a invasão dos
>>> estrangeiros estão propondo reduzir a Faixa de Fronteira para legalizar
>>> o
>>> crime. Usam o argumento de que a faixa de 150 km impede o
>>> desenvolvimento
>>> econômico dos municípios. Mas isso é uma grande mentira. Todos sabem que
>>> a
>>> Metade Sul não se desenvolve por causa do latifúndio e das monoculturas.
>>> Tanto que a faixa de fronteira também vigora na metade norte do estado e
>>> nessa região a economia é dinâmica.
>>>
>>> As empresas de celulose prometem gerar emprego e desenvolvimento. Mas
>>> onde
>>> elas se instalam só aumenta o êxodo rural e a pobreza. Os trabalhos que
>>> geram são temporários, sem direitos trabalhistas, em condições
>>> precárias.
>>> Um exemplo é a Fazenda Tarumã em Rosário do Sul, de 2,1 mil hectares
>>> onde
>>> a Stora Enso gera somente dois empregos permanentes e alguns empregos
>>> temporários.
>>>
>>> Se essa área for destinada para a reforma agrária podem ser assentadas
>>> 100
>>> famílias gerando no mínimo 300 empregos diretos permanentes. Portanto, a
>>> Reforma Agrária e a Agricultura Camponesa é que são a melhor alternativa
>>> para preservar a biodiversidade, gerar trabalho e renda para a população
>>> do campo e alimentos saudáveis e mais baratos para quem mora nas
>>> cidades.
>>>
>>> O projeto que tramita no Senado propondo reduzir a Faixa de Fronteira
>>> brasileira não inclui a Amazônia porque entende que isso seria uma
>>> ameaça
>>> para a floresta. Ou seja, admite que a redução da Faixa de Fronteira irá
>>> aumentar a destruição ambiental. Para nós todos os biomas brasileiros
>>> são
>>> importantes e entendemos que o Cerrado e o Pampa também precisam ser
>>> preservados.
>>>
>>> Nós mulheres da Via Campesina reivindicamos das autoridades brasileiras:
>>>
>>> - Anulação das compras de terra feitas ilegalmente pela Stora Enso na
>>> faixa de fronteira e expropriação dessas áreas para a reforma agrária.
>>> Somente nos 45 mil hectares que estão em nome da empresa laranja, a
>>> Agropecuária Azenglever daria para assentar cerca de 2 mil famílias,
>>> gerando 6 mil empregos diretos. Atualmente 2.500 famílias estão
>>> acampadas
>>> no Rio Grande do Sul e o Incra alega não ter terras para fazer
>>> assentamento.
>>>
>>> - Retirada dos projetos no Senado e na Câmara Federal que propõem a
>>> redução da Faixa de Fronteira. Essa medida só vai beneficiar empresas
>>> como
>>> a Stora Enso que querem se apropriar das terras para transformá-las em
>>> deserto verde, destruir nossas riquezas naturais como o aqüífero guarani
>>> e
>>> o bioma Pampa. Para o povo gaúcho essa redução da faixa de fronteira só
>>> vai provocar aumento do êxodo rural, do desemprego, da destruição
>>> ambiental e o fim soberania alimentar pois vai faltar terra para
>>> produzir
>>> alimentos.
>>>
>>> Sabemos que por lutar contra o deserto verde podemos sofrer a repressão
>>> do
>>> governo gaúcho. É prática desse governo tratar os movimentos sociais
>>> como
>>> criminosos e proteger empresas que cometem crimes contra a sociedade.
>>> Vamos resistir. Nossa luta é em defesa da vida das pessoas e do meio
>>> ambiente. Estamos aqui em 900 mulheres, mas carregamos conosco a energia
>>> e
>>> a coragem das milhares de camponesas que em todo o mundo lutam contra a
>>> mercantilização das riquezas naturais e da vida. Como dizia a
>>> companheira
>>> sem terra Roseli Nunes, assassinada covardemente em março de 1987 aqui
>>> no
>>> Rio Grande do Sul, “preferimos morrer lutando do que morrer de fome!”.
>>>
>>> Mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul,
>>>
>>> Brasil, 04 de março de 2008.
>>> .
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>>> Porto Alegre: 51 9994-6156
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