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Terça Março 25 08:06:05 PDT 2008
Os frutos do Plano Colômbia
2008-03-14
Raúl Zibechi*
O operativo militar executado por militares colombianos em solo
equatoriano para matar o dirigente das FARC Raul Reyes, é parte da
estratégia dos EUA para alterar o equilíbrio militar da região. Na mira
está o petróleo da Venezuela e do Equador, porém também está em xeque o
Brasil como potência regional emergente.
Nas declarações, o objetivo são as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia), ou seja o narcoterrorismo. Porém, na realidade o operativo
militar colombo-estadunidense que vulnerabilizou a soberania do Equador
aponta diretamente para Hugo Chávez. Estamos vivendo o que podería ser a
primeira fase de uma vasta ofensiva para desestabilizar o processo
bolivariano e modificar a relação de forças na América do Sul.
A estratégia foi sendo implementada por etapas. Primeiro foi o Plano
Colômbia para fortalecer a capacidade militar do Estado colombiano e
coloca-lo entre os mais poderosos do continente. Depois, começou o derrame
da guerra interna colombiana sobre os países vizinhos. A terceira etapa
parece ser a guerra preventiva , que se converteu em uma destacada
estratégia militar do Pentágono logo depois dos atentados terroristas de
11 de setembro de 2001.
É a primeira vez em muito tempo que Washington toma a ofensiva na região e
é capaz de colocar uma porção importante dos países latino-americanos
atrás da sua estratégia. É também uma ostentação de força no momento que o
governo de Hugo Chávez atravessa sérias dificuldades internas e não
consegue apoios paraa sua estratégia de responder tensão com mais tensão.
Em primeiro lugar o que chama a atenção é a falta de pudores dos atores.
As FARC se apresentam como uma organização revolucionária e popular porém,
na realidade, são um grupo armado que viola os direitos humanos, recruta
menores à força, abusa das mulheres e dos reféns que mantém em seu poder e
se financia graças ao narcotráfico. Muitos países a consideram terrorista.
Por outro lado, o presidente Álvaro Uribe Vélez integrou o narcotráfico e
foi aliado dos paramilitares, como está registrado no Arquivo de Segurança
Nacional dos Estados Unidos revelado pela revista Newsweek em 2004. Ali,
aparece que Uribe fazia parte, no início dos anos 90, do Cartel de
Medelin, comandado pelo narcotraficante Pablo Escobar, de quem era amigo
íntimo [1]. Esse é o tipo de pessoa que George W. Bush definiu em 4 de
março deste ano como nosso aliado democrático . Uribe se converteu no
principal operador das políticas da casa branca na região.
Novo equilíbrio regional de forças
Em 2004 uma revista militar brasileira (Military Power Review) elaborou um
ranking das forças armadas sul-americanas incluindo todas as variáveis:
desde a quantidade de efetivos e a qualidade do equipamento até os planos
de defesa e a projeção estratégica. A análise estabeleceu uma pontuação a
cada nação de acordo com seu poderio militar. Em primeiro lugar aparecia o
Brasil com 653 pontos; em uma segunda colocação aparecia o Perú com 423
pontos, Argentina com 419 e Chile com 387. Logo vinha outro grupo em que
estava a Colômbia com 314, depois a Venezuela com 282 e o Equador com 254
pontos [2]. Naquele momento, há apenas 4 anos, a diferença a favor das
forças armadas do Brasil era considerável, enquanto era seguido por dois
grupos de países relativamente emparelhados entre si.
Em 2007 a mesma revista difundiu dados sobre a quantidade de efetivos das
diferentes forças armadas em cada país com cifras do ano anterior. Os
dados dos exércitos permitem concluir que a Colômbia (178.000 soldados) se
situou em segundo lugar no continente muito próxima do Brasil (190.000
soldados). Em poucos anos, o poderio militar desse país escalou posições
em forma geométrica. Nesse mesmo ano o exército da França tinha 137.000
efetivos e o de Israel 125.000. Para 2008 já são 210.000 os efetivos
terrestres da Colômbia, superando dessa forma o Brasil que tem uma
população 4 vezes maior e 7 vezes a superfície colombiana. O gasto militar
da Colômbia é o maior do continente: 6,5% do PIB, muito acima do gasto dos
EUA (4%), dos
países da OTAN (2%) e do resto da América do Sul (1,5 a 2%).
Se observarmos a progressão das forças armadas da Colômbia, seu
crescimento é assombroso. Em 1948, quando aconteceu o assassinato de Jorge
Eliécer Gaitán que deu início à La Violência, haviam 10.000 militares. Em
1974 já eram 50.675 para subir até 85.900 em 1984, no período que
começaram as negociações de paz para a desmobilização de várias
organizações armadas. Para 1994 havia 120.000 efetivos que se elevaram a
160.000 nas primeiras fases do Plano Colômbia. Neste momento, as três
armas das formas armadas colombianas têm 270.000 uniformizados aos quais
se somam 142.000 policiais. No total, mais de 400.000 pessoas em armas em
sete divisões, com uma Força de Deslocamento Rápido e uma agrupação de
Forças Especiais Anti-terroristas [3].
Só em 2007 o exército criou 52 novas unidades. Recebeu doações de
helicópteros Black Hawk dos Estados Unidos, comprou 13 aviões de caça de
Israel e 25 aviões de combate Super Tucano do Brasil em 2006. As forças
armadas da Colômbia são muito superiores às de seus vizinhos. A relação
de efetivos é de seis pra um com a Venezuela e de onze a um com o Equador.
Porém, a principal diferença é que se trata de tropas treinadas em combate
de selva e que contam com respaldo logístico de Washington [4].
Em pouquíssimos anos, se produziu na América do Sul uma virada espetacular
do poderio militar. É resultado do Plano Colômbia. Com a desculpa de
combate às FARC e ao Narcotráfico, desde agosto de 2000, quando o
Congresso dos EUA aprovou o Plano Colômbia, este país recebeu U$ 5,225
bilhões de ajuda militar. A isso se soma a aplicação do governo de Uribe
de impostos especiais aos setores de maior rendimento econômico para
equipar as forças armadas. Helicópteros de transporte e ataque, armamento
leve, óculos infra-vermelhos, proteção de oleodutos, lanchas rápidas,
aviões turbohélice de ataque à terra, aviões de inteligência, controle e
radares para seguir vôos ilegais, são as principais aquisições [5].
Envolver os vizinhos
Em 2003, o sociólogo James Petras apontava que a verdadeira preocupaçao do
Comando Sul dos Estados Unidos, quem realmente desenha a política
regional, é que os países vizinhos da Colômbia (Equador, Venezuela, Brasil
e Panamá), que estão sofrendo os mesmos efeitos adversos das políticas
neoliberais, se mobilizem politicamente contra a política militar e os
interesses econômicos dos Estados Unidos [6].
Por isso a estratégia contemplada pelo Plano Colômbia não consiste tanto
em ganhar a guerra interna mas espalhar-la pelos países visinhos como
forma de neutralizar sua crescente autonomia em relação à Washington.
Militarizar as relações inter-estados sempre é um bom negócio para quem
apóia sua hegemonia na superioridade militar. Nesse sentido, a existência
das FARC é funcional aos planos belicistas de Washington.
Rafael Correa mencionou que o custo de controlar a fronteira com a
Colômbia, aonde tinha destacados 10.000 efetivos antes da incursão de 1o
de março, supera os cem milhões de dólares anuais. A Colômbia não controla
essa fronteira e empurra a guerrilha até o solo equatoriano, como forma de
produzir desestabilização. Nos últimos anos, o Equador desmantelou em
torno de 40 acampamentos das FARC na sua fronteira e apresentou dezenas de
queixas pela fulmigação de supostos cultivos de coca que terminam afetando
a população equatoriana fronteiriça. O Brasil decidiu impermeabilizar sua
fronteira já nos tempos de Fernando Henrique Cardozo. Em resposta à
intenção da administração Clinton de implicar-lo nos objetivos do Plano
Colômbia, já em 2000 colocou em marcha o Plano Cobra (das iniciais de
Colômbia e Brasil) para evitar que a guerra nesse país se desdobrasse
sobre a Amazônia brasileira, e o Plano Calha Norte para evitar que
guerrilheiros e narcotraficantes cruzem a fronteira [7].
O controle da região andina é considerada chave para a hegemonia
estadunidense no continente, tanto por razões políticas como pela riqueza
mineral que ela contém. Permite que as multinacionais estadunidenses
recuperem o terreno perdido desde que na década de 90 foram parcialmente
substituídas pelas européias; asseguraria por outros meios o que se
pretendia através da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) ; impede
que outras potências emergentes (Brasil, China e
Índia) se posicionem na região.
Porém, existe também a vertente petróleo. Em 1973, os Estados Unidos
importou 36% das suas necessidades petroleiras. Hoje em dia os Estados
Unidos importa 56% do petróleo que consome. A Venezuela é o quarto
provedor, que abastece 15% das suas necessidades, e a Colômbia o quinto
provedor [8]. Assegurar o fluxo do recurso energético requer um controle
territorial de enclave com presença militar sobre o terreno.
A desestabilização da Venezuela
Desde a derrota do governo Chávez no referendo para a reforma da
Constituição, o 4 de dezembro de 2007, a tensão interna e regional deu
vários passos adiante. Como prognisticaram vários analistas, a crise
econômica parece fora de controle e está gerando problemas nas relações
entre o governo e a população [9]. Parece ser uma boa ocasião para tentar
a desestabilização.
Efetivamente tudo indica que Raul Reyes, a cara mais visível das FARC por
causa de seu caráter negociador, havia sido localizado em ocasiões
anteriores mas nunca se decidiu atacá-lo. A decisão de desencadear uma
ação desse tipo, neste momento, teria várias leituras. Por um lado,
aproveitar a situação interna da Venezuela, mas também abalar a
governabilidade de Rafael Correa que está no começo de um programa de
transformações que têm no controle estatal do petróleo um dos seus eixos
principais, e em uma sólida aliança com o Brasil um ponto de apoio
essencial.
Porém, uma desestabilização da região também teria efeitos muito nocivos
para o Brasil, a potencia regional emergente que está saindo fortalecida
da crise econômica mundial em curso. Em 2007 o Brasil teve um aumento de
84% de investimentos estrangeiros diretos em relação a 2006 e em janeiro
de 2008 o dobro que o mesmo mês do ano anterior. Com razão, a revista
Exame publica um informe que assinala que o país vive o melhor momento
econômico em três décadas e que tem a oportunidade de entrar na elite do
capitalismo mundial [10].
Ocupar esse lugar pressupõe substituir outros. Ou seja, Brasil está
preenchendo o vazio que a crescente debilidade de Washington está
deixando. Por isso sua diplomacia joga pela paz: para promover os negócios
e para podar o militarismo que sempre é o melhor negócio para uma
superpotência em decadência. Clovis Brigagao, diretor do Centro de Estudos
Americanos da Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro, assinalou que
o momento atual é uma oportunidade única para estabelecer uma mediação
coletiva similar ao Grupo de Contadora que nos anos 80 promoveu a
pacificação da América Central [11].
Por último, a Venezuela está sofrendo um tipo de desestabilização que pode
ser um modelo para aplicar-se em outros países. Júlio Garcia Jarpa,
deputado do estado de Táchira, fronteira com a Colômbia, observa a
extensão na Venezuela do fenômeno paramilitar. Diante do plano de
desmobilização do paramilitarismo na Colômbia, alguns grupos se
concentraram na fronteira com os estados venezuelanos Apure, Zulia,
Mérida, Táchira e Trujillo [12]. De lá contrabandeam gasolina, monopolizan
alimentos e contribuem para gerar insegurança, corrompendo funcionários e
gerando um clima de violência.
Esses estados conformam um terço do país e são os que contam com os
recursos de hidrocarbonetos mais importantes e estão incluídos, segundo
denuncia o deputado venezuelano, em um plano de secessão como o que
promovem os departamentos de Santa Cruz e Tarija na Bolívia. Depois do
ocorrido no Kossovo, aonde a independência promovida pelo ocidente parece
ligada ao negócio petroleiro, a tese de que a direita venezuelana, apoiada
pelos interesses estadounidenses, promovam a secessão da região ocidental
não parece um disparate.
Em paralelo, os dados que estão saindo à luz permitem concluir que boa
parte das denúncias de Chávez sobre uma conspiração contra seu governo não
são fruto da sua imaginação. O assunto é como conter as tendências à
guerra e como cortar a polarização. Nesse sentido, a diplomacia brasileira
segue dando mostras de sentido comum e de saber fazer. Não deixou de tomar
partido pelo agredido, mas colocou o norte em construir uma paz estável na
região, assentada na integração regional. Para isso, a construção da
Comunidade Sul-americana de Nações é mais urgente do que nunca.
O negócio da guerra
A origem das FARCs é diferente da de outros grupos combatentes. Em 1948
foi assassinado o líder liberal Jorge Eliécer Gaitán, caudilho popular
detestado pela intranssigente oligarquia colombiana. O magnicídio provocou
uma grande revolta popular, o Bogotazo, e um longo período de guerras
entre Liberais e Conservadores conhecido como La Violencia, onde morreram
umas 200.000 pessoas.
Liberais e comunistas, perseguidos ferozmente pelo Estado, se refugiaram
em regiões remotas e inacessíveis e resistiram durante mais de uma década,
até que boa parte deles se reagruparam no que posteriormente seriam as
FARC. Em 5 de maio de 1966 nascem as Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia (FARC) como braço armado do Partido Comunista.
A origem Liberal de boa parte dos seus efetivos, entre eles Manuel
Marulanda Vélez, Tirofijo (Tirocerto), seu principal dirigente, marcam
diferenças com a maior parte das guerrilhas do continente. Por volta dos
anos 60, as guerrilhas liberais e comunistas foram confluindo em zonas
liberadas nas quais fundaram repúblicas independentes como a de
Marquetália.
A segunda vertente, mais importante ainda, defende a necessidade dos
camponeses se defenderem dos latifundiários, que marginalizaram e
expropriaram as maiorias camponesas as empurrando até as margens da
fronteira agrícola. A guerrilha colombiana se conforma, na prática, como
grupos de autodefesa camponesa diante das violência extrema dos poderosos.
Até começos da década de 1980 as FARC contavam com mil à três mil
combatentes. Em maio de 1984 estabelecem um cessar-fogo como parte dos
acordos de paz assinados com o presidente Belisario Betancourt, e criam a
Unidade Patriótica (UP) para participar nas eleições e na vida política
legal. Porém, a UP foi aniquilada pela ação conjunta dos narcotraficantes,
os paramilitares e o Estado. Em poucos anos foram assassinados entre dois
e quatro mil simpatizantes e dirigentes da UP.
A partir de 1986, sob o governo Virgilio Barco, começaram processo de paz
com o M-19, o EPL, o PRT e o Movimento Armado Quintín Lame, que formavam
junto com as FARC e o ELN a Coordenadora Símon Bolívar. Como parte dos
acordos de paz com esses grupos figurava a convocatória de uma Assembléia
Constituinte. Em 9 de dezembro de 1990, no mesmo dia em qua se elegiam os
constituintes e enquanto ainda se negociava a paz com as FARC, o exército
sem aviso prévio lançou uma ofensiva contra a mítica Casa Verde, sede do
Secretariado do grupo guerrilheiro.
Em 1998 se abre um novo processo de paz com o presidente Andrés Pastrana e
a criação de uma Zona de Distenção Desmilitarizada de 40.000 kilômetros
quadrados. Em 2002 se pôs fim à experiência no meio das acusações de que
as FARC participam do negócio do narcotráfico e praticam o recrutamento
forçado de menores, enquanto o governo de Pastrana negociava o Plano
Colômbia para se fortalecer e ganhar o conflito.
Com o governo Uribe, desde 2000, tudo foi piorando. As FARC tiveram que se
recolher e perderam numerosos efetivos e, sobretudo, a iniciativa militar
e política. Entretanto, a política de Washington e de Uribe não são
suficientes para explicar o brutal isolamento das FARC, o que representa
sua derrota política e, provavelmente, sua futura desaparição como grupo
significativo.
A forma como se financiam é um dado relevante. Aproximadamente 78% de sua
renda, ou seja em torno de um bilhão de dólares anuais, se obtém por sua
participação no narcotráfico, segundo o governo da Colômbia. Uma parte
substancial é o chamado 'impuesto al gramaje', pago por cada grama
produzida por camponeses e traficantes. Outros 600 milhões de dólares se
obtém, segundo as mesmas fontes, das vacunas (vacinas) ou extorsões e
sequestros. O resto da sua renda provém do roubo de gado dos
latifundiários.
Um segundo elemento que deslegitimou as FARC é que entre 20-30% de seus
efetivos são menores, muitos deles recrutados à força segundo denúncia da
Humans Rights Watch. Em terceiro lugar, estão seus métodos, com frequência
muito similares aos que empregam os paramilitares e as forças armadas. As
FARC têm cometido massacres contra camponeses e grupos indígenas e a
Anistia Internacional considera que eles violam os Direitos Humanos. Por
último, a divulgação de imagens e testemunhos sobre os reféns e
prisioneiros, presos com correntes há cinco, seis ou mais anos, terminaram
de sepultar a sua credibilidade.
Pior que ainda tem mais. As pessoas comuns percebem que a guerra a
prejudica e beneficia os poderosos. Dessa forma os paramilitares se
posicionam como um projeto de refundação e de organização das novas formas
de acumulação, onde a mineração ao céu aberto e os biocombustíveis se
posicionam como os carro-chefes.
*Raúl Zibechi é editor de Política Internacional do Semanário Brecha de
Uruguay ; é autor de vários livros como La Mirada Horizontal , La Revuelta
Juvenil De Los 90 , Los Arroyos Cuando Bajan e Genealogia De La Revuelta ;
além de ser o ganhador do Prêmio Latino- americano de Jornalismo José
Marti 2003. Seus textos podem ser encontrados em:
http://zibechi.sincensura.org.ar/
http://alainet.org/
notas:
1) Newsweek, 4 de agosto de 2004 en www.newsweek.com/id/54793
2) Ver www.militarypower.com.br/frame4-ranking.htm.
3) José Fernando Isaza Delgado y Diógenes Campos Romero, 'Algunas
consideraciones
cuantitativas sobre la evolución del conflicto en Colombia', Bogotá,
diciembre de 2007.
4) 'Uribe listo para ir a la guerra', Página 12, 5 de marzo de 2008.
5) Fabián Calle, 'La crisis Venezuela-Colombia: las capacidades militares
que esconden las
palabras', 4 de marzo de 2008, www.nuevamyoria.com.
6) James Petras, 'La estrategia militar de Estados Unidos en América
Latina', en América Libre, No.
20, enero 2003.
7) 'Os militares, o governo neoliberal e o pé americano na Amazonia', en
revista Reportagem,
www.oficinainforma.com.br.
8) Raúl Zibechi, 'El nuevo militarismo en América del Sur', Programa de
las Américas, mayo de
2006.
9) Raúl Zibechi, 'Venezuela: Debates a raíz de la reforma de la
Constitución', Programa de las
Américas, diciembre de 2007.
10) 'O Brasil que acelera', Exame, 6 de marzo de 2008 en
http://portalexame.abril.com.br.
11) Mario Osava, 'Brasil se resiste a mediar en conflicto andino', IPS, 4
de marzo de 2008.
12) Miguel Lozano, 'Paramilitarismo, punta de lanza del separatismo en
Venezuela', Prensa Latina,7 de marzo de 2008.
fonte: http://www.alainet.org/active/22794
tradução: André Takahashi em 23/03/2008 Taka @ riseup.net
revisão: Rafael Xavier em 25/03/2008
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