[Cmi-brasil-editorial] Movimentos urbanos lançam manifesto no dia nacional de lutas
uili em riseup.net
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Sexta Março 28 11:06:34 PDT 2008
Movimentos urbanos lançam manifesto no dia nacional de lutas
A Todos os Trabalhadores e Trabalhadoras que como nós estão cansados
de esperar.
A Todos os Governantes deste país, que há muito tempo estão nos cansando.
Hoje, o povo pobre de vários cantos do Brasil se levanta num único
gesto de resistência contra as condições de vida miseráveis que nos
afetam. São ações desenvolvidas por movimentos populares em nove
estados do país com o objetivo de fazer valer nossos direitos e fazer
ouvir nossa voz. São milhares de favelas, de cortiços, de áreas de
risco em que vivemos indignamente. São milhares de trabalhadores e
trabalhadoras desempregados, informais ou trabalhando em situação de
extrema precariedade, submetidos à grande exploração que lhe arranca o
sangue, o suor e, às vezes, a lágrima. São milhares, transportados no
caos da cidade como gado, de crianças sem creche, de jovens e adultos
sem educação pública com um mínimo de qualidade. Na cidade do lucro
não cabe o pobre, não cabe o negro, não cabe o nordestino, não cabe a
mulher, não cabem os trabalhadores e trabalhadoras que deram sua força
para construí-la. Somos milhões a quem tentam privar da esperança, mas
que, resistindo, mantivemos nossa dignidade. É essa dignidade que
transformamos hoje em ocupações de todos os tipos, exigindo e
reivindicando todos os direitos que ficaram esquecidos, mortos nas
leis e que faremos reviver nas lutas do povo pobre.
O modelo neoliberal nos sufoca. O dinheiro que vai para o bolso de
banqueiros e especuladores como pagamento de uma dívida impagável
seria mais que suficiente para resolver os problemas de habitação,
infra-estrutura urbana e serviços no país. Ao povo sobram migalhas,
apresentadas num jogo de ilusões como grandes políticas públicas. Os
vultuosos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tem
alegrado muito mais os empresários da construção civil e do ramo
imobiliário do que o povo que necessita de moradia. Uma Política de
Reforma Urbana que tenha como prioridade os interesses populares nunca
foi agenda de nenhum governo e Lula apenas aprofundou este caminho,
que mata pela violência, pela fome, pelo cansaço, pela enchente, pela
falta de habitação, etc. O Ministério das Cidades e seus “espaços de
participação”, apresentados como avanços na efetivação de uma política
urbana democrática, não representaram nenhum grande passo na solução
de nossos problemas. Ao contrário, reproduzem uma forma burocrática e
elitista de se tratar as questões urbanas.
Neste sentido, nossas ações de ocupação em todo o país são a única
forma de sermos ouvidos e atendidos. Os movimentos que assinam este
manifesto propõem:
- Uma política habitacional popular baseada em subsídios, com valor
adequado à realidade das metrópoles, sem o entrave burocrático e
elitista dos financiamentos bancários. Que o Governo Federal
desenvolva uma política nacional de desapropriações de terrenos e
edifícios urbanos que não cumprem função social, destinando-os às
demandas populares organizadas.
- Uma política nacional integrada de transporte urbano público
gratuito, de qualidade, priorizado em relação ao transporte
individual, que tem levado as metrópoles ao caos.
- Uma política de educação que crie creches financiadas pelo Estado
sob o controle dos trabalhadores, que valorize os professores e
profissionais da educação, que qualifique o ensino não visando o
mercado, mas a consciência crítica e social dos alunos.
-Controle restritivo das taxas cobradas por serviços públicos básicos
como água e energia elétrica, garantindo a aplicação de Tarifas
Sociais previstas na lei.
-Políticas de geração de trabalho e renda que dêem alternativas
sociais e não policiais aos trabalhadores informais.
Hoje, somos a voz de quem não tem voz. Hoje, não elegemos ninguém para
falar, pois falamos nós mesmos por meio de nossas ações. Hoje, cada
ocupação realizada neste país é a voz de milhares que foram calados e
se cansaram. A cidade que queremos vamos por de pé, por ela vamos
resistir e combater e por ela vamos nos organizar e mobilizar nossa
esperança. Porque aprendemos que a esperança de muitos hoje é a
realidade de amanhã, a que queremos deixar para os que virão.
ASSINAM ESTE MANIFESTO:
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) / Movimento Urbano dos Sem
Teto (MUST) / Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB) / Movimento dos
Conselhos Populares - Ceará (MCP) / Movimento Sem Teto de Luta –
Amazonas / Movimento de Luta Popular Comunitária (MLPC) – Pernambuco /
Movimento das Famílias Sem Teto (MFST) – Pernambuco / Movimento
Quilombo Urbano – Maranhão / Movimento das Mães Sem Creche / Fórum de
Moradia – Minas Gerais / MTL Democrático Independente – Minas Gerais.
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