[Cmi-brasil-editorial] [Proposta] 1 de Maio em SP
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flecha em indymedia.org
Sexta Maio 23 21:22:33 PDT 2008
---------- Forwarded message ----------
From: Miryam Hess <miryamhessATnetjudaica.com.br>
Date: 2008/5/12
Subject: [cmi-saopaulo] CMI - Pauta: 1 de maio
To: cmi-saopauloATlists.indymedia.org
Cc: latuffATuninet.com.br, israelraimundoramaATgmail.com
Pina, Foz, Flexa, Compas:
Segue uma sugestão de Editorial para a repressão ao Bloco Libertário no 1o
de maio em sampa, abaixo repasso também o texto como o recebi na íntegra.
Peço que vocês melhorem o texto e enviem ao Editorial do CMI, pode ser ?
Abraços de Luz,
Miryám Hess.
PROPOSTA DE EDITORIAL PARA O CMI BRASIL
Imagem: tem bastante fotos do Ato que já enviei o link prá vocês. Tem também
o cartun do Latuff sobre o "INSETICIDA SOCIAL".
Matérias relacionadas:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/05/419298.shtml
Texto:
A manifestação de 1º de maio, chamada pela Federação Operária de São Paulo,
deu início às 12h00 na Ladeira da Memória, antigo mercado de homens e
mulheres escravizad em s. Enquanto a FOSP se
concentrava ali, os punks estavam na Praça Ramos de Azevedo, para onde o
Bloco Libertário
partiu por volta das 13h00. Punks e Libertári em s realizaram assembléia para
decidir o itinerário da passeata, que foi até a Praça
da Sé, onde foram proferidas palavras de ordem alusivas à luta
d em strabalhadoras/res; e, pessoas que
estavam na Praça começaram a acompanhar a manifestação e participar. Foi
aberto espaço para que outras pessoas falassem até as 15h00,
quando em nova assembléia decidiu-se ir até a Praça da República e lá
finalizar o Ato, porém, passando antes na sede da Prefeitura da Cidade de
São Paulo de Piratininga,
onde teria mais um protesto.
Após a marcha dos partidários passar,
o Bloco Libertário tenta seguir para a Praça da República, mas a polícia
impediu com o cordão e veio seguindo atrás com viaturas, alguns a pé,
bicicletas e motocicletas. A repressão policial na manifestação de 1º de
maio deu inicio aí, com motocicletas atropelando os manifestantes. Policiais
derrubaram algumas motos que estavam estacionadas, os PM usaram
o "INSETICIDA SOCIAL (gás pimenta)" nas pessoas. A
brutalidade não deixou escapar nem os transeuntes e moradores de rua, que
também apanharam da polícia.
Foram acusadas cinco pessoas como sendo os lideres da manifestação.
Encaminhados para a 1ª DP da Sé, na Rua da Glória. Todos em viaturas
comuns, inclusive os menores. Lá, após fotografarem o rosto de todos, que
foram presos sob a acusação de chefiar a manifestação, enquanto o restante
era
mantido sentado no chão no lado de fora da Delegacia. Os menores foram
exibidos a
imprensa, o que, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente é
proibido. Do lado de fora os policiais conversavam entre si sobre o que
fariam se
encontrasse com punk na "calada da noite" (madrugada) – "meto bala", diziam.
A tortura psicológica não parou por aí, um dos policiais que se identificou
como sendo Skin Head, liga para uma pessoa, suposto policial, dizendo por
celular: "trouxemos alguns punks para o DP que você trabalha, venha pra cá".
Alguns minutos depois chegaram dois policiais civis, rindo e agradecendo,
"obrigado pelo presentinho" disse um dos policiais civis à PM.
------------- Segue mensagem encaminhada -------------
Data: Mon, 12 May 2008 18:51:26 -0300
De: "Israel Raimundo \"Sassá\" dos Santos" <israelraimundorama em gmail.com>
Para: "Miryam Hess" <miryamhess em netjudaica.com.br>
Assunto: relato 1 de maio
A manifestação de 1º de maio, chamada pela Federação Operária de São Paulo,
deu início às 12h00 na Ladeira da Memória, antigo mercado de homens e
mulheres escravizados. Enquanto os membros e simpatizantes da FOSP se
concentravam ali, os punks estavam na Praça Ramos de Azevedo, para onde nós
partimos por volta das 13h00. Juntos aos punks realizaram assembléia para
decidir o itinerário da passeata, que foi acertado para seguir até a Praça
da Sé. Seguimos então para lá, onde novamente foram proferidas algumas
palavras de ordem alusivas à luta dos trabalhadores, inclusive pessoas, que
estavam na praça começaram a acompanhar a manifestação e participar. Foi
aberto espaço para que outras pessoas falassem. Ficamos ali até umas 15h00,
quando novamente em assembléia decidiu ir até a Praça da República e lá
finalizarmos a atividade, mas antes passaríamos pela sede da prefeitura,
onde teria mais um protesto.
Enquanto estávamos na frente da prefeitura, passou a marcha da Liga Operária
e alguns partidos, os trabalhadores libertários iniciam gritos de palavras
de ordem contra a organização partidária, a polícia se organiza entre os
dois blocos em cordão de isolamento. Após a marcha dos vermelhos passarem,
tentamos seguir para a Praça da República, mas a polícia, negando nosso
direito de manifestarmos impediu com o cordão, então nos restou darmos a
volta pela praça da bandeira. Seguimos pela Rua Libero Badaró. Andamos cerca
de 50 metros, a polícia veio seguindo atrás com viaturas, alguns a pé,
bicicletas e motocicletas. A repressão policial na manifestação de 1º de
maio deu inicio aí, com motocicletas atropelando os manifestantes. Policiais
derrubaram algumas motos que estavam estacionadas, jogaram gás pimenta. A
brutalidade não deixou escapar nem os transeuntes e moradores de rua, que
também apanharam da polícia.
No corre-corre prenderam alguns manifestantes e até quem não estava
participando da manifestação. Vi alguns sangrando, tentei ajudar um rapaz
caído no chão com a cabeça sangrando, mas fui impediu por um policial que me
espancava com cassetetes, corremos para o lado do Largo São Francisco, onde
fomos cercados e mais uma vez vitimas da voracidade cruel dos militares,
nesse momento também participou a guarda cível metropolitana. Levaram todos
para frente da Secretaria de Segurança Pública, onde o Secretário já estava
aguardando, com fotografias da manifestação. O próprio secretário interrogou
alguns manifestantes, perguntando onde moravam e quem estava na liderança.
Neste momento, um dos oficiais militares recebe telefonema, supostamente de
um superior e comunica que "esta tudo bem, o secretário está acompanhando e
parabenizou pela ação da polícia em reprimir a manifestação".
Nesse momento, me preocupei em ver quem estava ali e tentar identificar os
companheiros retidos. Separaram os menores e as mulheres. Mantiveram os
menores ali na rua. Os policiais deram voz de prisão aos manifestantes,
disseram que os menores iriam ser dispensados após a presença dos pais e os
maiores iriam responder processo.
Na rua pediram aos retidos que tirassem os adornos, cintos, correntes,
pingentes, etc. Em dos cintos estava costurado um soco-inglês, que foi
arrancado pelo policial e colocado como arma.
Foram acusadas cinco pessoas como sendo os lideres da manifestação.
Encaminharam-nos para a 1ª DP da Sé, na Rua da Glória. Todos em viaturas
comuns, inclusive os menores. Lá, após fotografarem o rosto de todos nós,
entraram com acusados de chefiar a manifestação, enquanto o restante era
mantido sentado no chão no lado de fora da delegacia. Varias vezes foram
pedidos para irmos ao sanitário, mas negaram. Após mais de 3 horas de
cárcere, nos permitiram ir ao banheiro. Os menores foram exibidos a
imprensa, o que, de acordo com o estatuto da criança e adolescente é
proibido.
Não sabíamos o que se passava dentro da delegacia com os cinco primeiros. Do
lado de fora os policiais conversavam entre si sobre o que fariam se
encontrasse com punk na "calada da noite" (madrugada) – "meto bala", diziam.
A tortura psicológica não parou por aí, um dos policiais que se identificou
como sendo Skin Head, liga para uma pessoa, suposto policial, dizendo por
celular: "trouxemos alguns punks para o dp que você trabalha, venha pra cá".
Alguns minutos depois chegaram dois policiais civis, rindo e agradecendo,
"obrigado pelo presentinho" disse um dos civis a PM.
Alguns detidos reclamaram de dores e os PM's falaram que os que estavam ali
tiveram sorte, pior ficou quem eles não quiseram levar para o DP: os
feridos.
Quando fui ao interrogatório, vi um professor e outro manifestante sendo
agredidos por um policial civil.
Os menores foram liberados sem que precisasse a presença de responsáveis e
as mulheres entraram na delegacia, foram revistadas por policiais
masculinos.
--
Israel Sassá
CENTRO DE CULTURA SOCIAL ANTONIO MARTINEZ
www.ccsam.blogspot.com
GERA - Grupo de Estudos e Resistencia Anarquista
CAIXA POSTA 52552
CEP 08010-971
SÃO MIGUEL PAULISTA
SÃO PAULO - SP - BR
COB/AIT
www.cob-ait.org
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