[Cmi-brasil-editorial] Fwd: Intolerância na Parada GLBTT: 4 ativistas da Conlutas presos

grazi editorapressa em uol.com.br
Segunda Maio 26 14:21:09 PDT 2008


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> From: "Khaled"
> Date: May 26, 2008 3:44:42 PM GMT-03:00
> Subject: [mpl-sp] Intolerância na Parada GLBTT: 4 ativistas da  
> Conlutas presos
> Reply-To: passelivresp em lists.riseup.net
>
> Por mais que tenhamos sérias divergências políticas com o PSTU e a
> Conlutas, não dá pra aceitar o que aconteceu.
>
> Dos 4 presos, tive a oportunidade de conhecer 2 deles: o Altino,  
> quando
> ainda estava trabalhando no Metrô e mais recentemente o Barela,  
> durante o
> VIII Congresso do Sindicato dos Trabalhadores do IBGE.
>
> Abaixo, a notícia na íntegra.
>
> Beijos,
> Khaled
>
> ***
>
> Associação da Parada do Orgulho GLBT, Prefeitura e Governo do  
> Estado de
> são Paulo: intolerância na comemoração do Orgulho Gay
>
> Carro da Conlutas é impedido de participar do evento. Ativistas foram
> violentamente espancados e presos
>
>
>
> • A intolerância das autoridades paulistas foi exercida com toda a sua
> força na 12ª edição da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo neste  
> domingo,
> 25 de maio. Sem nenhum motivo concreto e convincente, a organização da
> Parada, encabeçada pela Associação da Parada do Orgulho GLBT  
> (APOGLBT),
> proibiu o carro de som e, conseqüentemente, o Bloco da Coordenação
> Nacional de Lutas (Conlutas) de entrar na Avenida Paulista. O Bloco da
> Conlutas foi organizado pelo grupo de trabalho GLBTT da entidade – que
> organiza mais de 700 entidades dos movimentos sindical, estudantil,
> popular e, também, de mulheres, negros e GLBTT.
>
> Diante da indignação e da resistência dos ativistas, a Polícia  
> Militar –
> bem mandada pelos organizadores do evento, pela Prefeitura e pelo  
> governo
> do Estado – partiu para a agressão. Com uma violência  
> desproporcional, os
> policiais, comandados pelo coronel PM Telhada e pelo major PM Pedro,
> espancaram os participantes. Uma militante do PSTU teve a mão  
> quebrada e
> terá de passar por uma cirurgia. Outros tantos ficaram feridos em
> diferentes graus.
>
> Quatro militantes foram presos: Zé Maria de Almeida, da Conlutas,  
> Paulo
> Barela, dirigente sindical e servidor do IBGE, Altino de Melo Prazeres
> Júnior, metroviário da Oposição, e Reinaldo Chagas, militante do  
> movimento
> estudantil e estudante de História da fundação Santo André. O  
> motivo das
> prisões não é conhecido até o momento.
>
> Ao ser perguntado, um policial informou que "eles resistiram à  
> prisão".
> Questionado por uma jornalista o motivo da prisão a qual resistiram, o
> mesmo policial não soube responder.
>
> Da delegacia, Zé Maria conversou com o Portal do PSTU. Ele informou  
> que
> ainda não foram ouvidos. A alegação para as prisões foi resistência ao
> comando policial e, posteriormente, resistência à prisão.
>
> "O que aconteceu foi uma manifestação de intolerância inacreditável  
> por
> parte da empresa que organiza a marcha", disse. "A marcha é uma
> manifestação contra a intolerância e, no entanto, foi proibida a
> participação da Conlutas mesmo tendo atendido a todos os  
> procedimentos e
> exigências da marcha", acrescentou.
>
> Ele defende que a APOGLBT atua como uma empresa, se apropriando de uma
> manifestação que é pública – o Dia do Orgulho Gay – demonstrando  
> que "sua
> luta contra a intolerância é bem relativa" e nem um pouco conseqüente.
>
> Zé Maria também condenou o papel da Polícia Militar que, segundo  
> ele, "se
> prestou a servir de 'bate-pau' pra uma empresa privada, seguiu  
> ordem de
> uma empresa privada que negocia e vende a luta contra a opressão".
>
> O que aconteceu de fato
> Ao contrário de certas versões já divulgadas, o carro da Conlutas  
> estava
> totalmente legalizado, o que, inclusive, fez com que, durante toda a
> semana, ele aparecesse, tanto no site da Associação quanto em toda a
> imprensa, como o 4º a sair pela Paulista.
>
> Douglas Borges, organizador do Bloco da Conlutas, contou que, no  
> horário
> marcado, o carro estava no estacionamento para a vistoria. A  
> organização
> alegou que o carro não poderia entrar na marcha porque não tinha a
> documentação necessária. A Conlutas, então, apresentou os  
> documentos, mas
> teve de esperar duas horas para que fossem analisados.
>
> Com os documentos aprovados, uma nova desculpa: a organização  
> continuou
> proibindo a entrada, alegando que faltava uma corda de isolamento do
> veículo. A Conlutas apresentou a tal corda e não havia mais o que  
> pudesse
> impedir a sua participação. O último recurso da organização da  
> Parada foi
> utilizar a força para proibir que o bloco se manifestasse. O carro da
> Conlutas, que seria o quarto de 14 carros, acabou ficando no final da
> marcha.
>
> Após longo período de impasse e tentativas de negociação com a  
> organização
> da parada, o carro foi retirado da avenida sob protestos e vaias. Os
> ativistas que estavam no chão, contudo, permaneceram no local. O  
> carro que
> vinha atrás do Bloco da Conlutas recebeu ordem direta da PM para  
> avançar,
> segundo presenciou uma repórter. Ao ver que os ativistas da  
> Conlutas não
> deixavam a rua, a polícia iniciou a pancadaria.
>
> Os policiais estavam armados com cacetetes, armas de fogo e de  
> borracha e
> bombas de efeito moral. Os manifestantes, com suas bandeiras,
> palavras-de-ordem e indignação.
>
> Zé Maria, da Coordenação Nacional da Conlutas, foi brutalmente  
> espancado.
> Reinaldo recebeu um "mata-leão", técnica de esganadura que pode  
> levar à
> asfixia. Paulo Barela teve o olho esquerdo gravemente ferido. Altino
> também foi bastante espancado e ficou ferido. Todos foram levados à  
> 78ª
> delegacia.
>
> Censura e autoritarismo
> As causas dessa arbitrariedade estão longe de ser meramente  
> burocráticas.
> O que aconteceu neste domingo foi, vergonhosamente, um ato de censura
> política.
>
> Em nota de divulgação do Bloco, anterior à Parada, a Conlutas dizia  
> que
> seu objetivo era "rejeitar a mercantilização do movimento e as  
> políticas
> demagógicas dos governos federal, estaduais e municipais, que longe de
> acabarem com a homofobia e a violência contra nós, a mascaram" e  
> pedia o
> "fim de toda a violência que os GLBTs trabalhadores sofrem no seu
> dia-a-dia".
>
> Para a Conlutas, "é impossível acabar com toda a homofobia sob o
> capitalismo, porque o capitalismo é o reino da desigualdade, onde  
> imperam
> e são fomentados todos os preconceitos para aumentar a exploração dos
> trabalhadores e dar lucro para os burgueses".
>
> O Bloco Classista, Independente e Combativo na Parada do Orgulho  
> Gay de
> São Paulo, como estava sendo chamado, pretendia resgatar o espírito de
> luta contra a homofobia, não sendo apenas uma megafesta patrocinada  
> por
> empresas. A origem do Dia do Orgulho Gay vem sendo desvirtuada pela
> APOGLBT que, sistematicamente, tenta impedir manifestações políticas
> durante o evento, esvaziando seu caráter reivindicatório e,
> conseqüentemente, transformando-o num evento submetido à lógica do  
> mercado
> e vinculado aos governos e grandes empresas, incentivando,  
> inclusive, a
> mercantilização da sexualidade.
>
> A Conlutas se opõe a isso. Hoje, a Parada do Orgulho Gay de São  
> Paulo é a
> maior do mundo e transformou-se numa verdadeira atração turística. Os
> donos de empresas, lojas e hotéis faturam alto com toda essa  
> movimentação.
> A APOGLBT tem acordo com isso e não interessa a ela que ninguém faça
> críticas, pois tem muito a perder.
>
> Nesse sentido, a Conlutas alertava para o fato de que "a política  
> de ter
> lucro com uma parcela dos gays, através do 'mercado rosa', criando
> caríssimos guetos gays para gays e lésbicas da classe dominante, não
> resolvem o preconceito e a violência contra a maioria".
>
> A data surgiu na revolta de gays, lésbicas e travestis de Stonewall  
> contra
> a repressão policial, nos Estados Unidos e é assim que deve ser  
> lembrada.
> Ainda hoje, há muito pelo que lutar.
>
> A partir deste episódio lamentável, fica questionada de cima a baixo a
> autoridade da Associação da Parada GLBT de SP. Quem pratica a
> intolerância, não pode lutar contra ela em nenhuma circunstância.
>
> Como disse Zé Maria, "essas pessoas não têm condições morais de seguir
> organizando esta atividade, não têm autoridade para representar a luta
> contra a opressão". A Conlutas vai lançar uma ampla campanha contra o
> ocorrido na Parada e questionando a Associação como organizadora do
> evento. "Vamos denunciá-los amplamente e acioná-los juridicamente  
> também,
> a eles e ao comando da polícia", informou Zé Maria.
>
> Agora, é preciso que todas as organizações combativas dos movimentos
> sindical, popular e estudantil e todos aqueles que defendem a  
> liberdade de
> manifestação denunciem a repressão e o cerceamento político à  
> Conlutas. E,
> mais do que isso, questionem a autoridade política da APOGLBT, que se
> declarou proprietária do Dia do Orgulho Gay, decidindo quem  
> participa ou
> não de uma manifestação que é mundialmente pública.
>
> Neste exato momento, a grande festa da APOGLBT, com a participação dos
> governos municipal e estadual e da polícia, continua. Entretanto,  
> lá não
> estão aqueles que têm críticas, que fazem oposição e que acreditam  
> que o
> único caminho para acabar com a homofobia e com qualquer forma de
> opressão, porque foram censurados, proibidos de participar. Porém esta
> será uma mancha que ficará na história da Parada do Orgulho GLBT de  
> São
> Paulo e que dificilmente as autoridades oficiais do evento apagarão.
>
>
> Não à homofobia!
> Não à repressão!
> Pela livre manifestação!
> Liberdade imediata aos presos da Parada do Orgulho GLBT!
>
>

-------------- Próxima Parte ----------
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