[Cmi-brasil-impressos] Campanha VEJA que mentira
Sarah Nery
sarahnery em yahoo.com.br
Segunda Outubro 31 13:50:47 PST 2005
Veja
Maringoni
Em http://www.consciencia.net/midia/revistaveja.html
Campanha VEJA QUE MENTIRA
Foi lançada sábado, dia 8 de novembro de 2003, às 14 horas, no Mineirinho, em Belo Horizonte, durante a realização do Fórum Social Brasileiro, a Campanha VEJA QUE MENTIRA, que tem por objetivo conscientizar a sociedade brasileira sobre os danos causados pela mídia.
A revista VEJA, da Editora Abril, simboliza a expressão mais atrasada e reacionária do jornalismo praticado pela "grande" imprensa, que distorce a realidade, criminaliza os movimentos sociais e tenta desmoralizar quem defende a democracia e os interesses do povo brasileiro.
A campanha VEJA QUE MENTIRA defende o posicionamento crítico diante das mentiras e das distorções divulgadas pela revista VEJA; pede a denúncia da revista por sua falta de ética e falta de respeito com o leitor e com a cidadania; pede que se deixe de ler e de assinar a revista até que ela mude de postura e assuma compromisso com a democracia e com a liberdade de expressão, de organização e de manifestação.
Ajude a divulgar essa campanha. Adote uma posição crítica e politicamente correta.
A defesa de uma comunicação democrática, que expresse as várias posições existentes na sociedade brasileira, é fundamental para consolidar a democracia política, social e cultural no Brasil.
Participe. Essa luta é nossa. Abraços.
Hamilton Octavio de Souza. Jornalista, Professor da PUC-SP e Editor da Revista Sem Terra.
http://www.consciencia.net/midia/revistaveja.html
O MUNDO PELO AVESSO
Por que a Veja mente, mente, mente, desesperadamente?
Veja é a pior revista do Brasil. Não é um título fácil de obter, porque ela tem duros competidores. Mas ela se esmera na arte da vulgaridade, da mentira, do sensacionalismo, no clima de "guerra fria" com que defende as cores do bushismo no Brasil. Por EMIR SADER, 30/10/2005
http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?id=1534&coluna=boletim
Esse artigo foi escrito para a edição de novembro da revista Caros Amigos
Veja é a pior revista do Brasil. Não é um título fácil de obter, porque ela tem duros competidores –Isto É, Época, Caras, Isto é Dinheiro, Quem?, etc., etc. Mas Veja se esmera na arte da vulgaridade, da mentira, do sensacionalismo, no clima de "guerra fria", em que a revista defende as cores do bushismo no Brasil. A revista, propriedade privada da família Civita, merece o galardão.
Todo país tem esse tipo de publicação extremista, que defende hoje prioritariamente os ideais dos novos conservadores estadunidenses. Herdam os ideais da guerra fria, se especializam em atacar a esquerda, reproduzem as mesmas matérias internacionais e as bobagens supostamente científicas sobre medicamentos, tratamentos de pele, de problemas psicológicos, de educação, para tentar passar por uma revista que atende a necessidades da família.
Seus colunistas são o melhor exemplo da vulgaridade e da falsa cultura na imprensa brasileira. Uma lista de propagandistas do bushismo, escolhidos seletivamente, reunindo a escritores fracassados, a ex-jornalistas aposentados, a autores de auto-ajuda, a profissionais mercantis da educação, misturando-se e mesclando esses temas em cada uma das colunas e nos editoriais do dono da revista. Uma equipe editorial de nomes desconhecidos cumpre a função de "cães de guarda" dos interesses dos ricos e poderosos – que, em troca, anunciam amplamente na revista – de plantão.
O MST, o PT, a CUT, os intelectuais críticos - são seus alvos prioritários no Brasil. Para isso tem que desqualificar o socialismo, Cuba, a Venezuela, assim como tudo o que desminta o Consenso de Washington, do qual é o Diário Oficial no Brasil.
Só podem fazer isso, mentindo. Mentindo sobre o trabalho do MST com os trabalhadores do campo, nas centenas de assentamentos que acolhem a centenas de milhares de pessoas, famílias que viveram secularmente marginalizadas no Brasil. Têm que esconder o funcionamento do sistema escolar nacional que o MST organizou, responsável, entre outras tantas façanhas, de ter feito mais pela alfabetização no Brasil do que todos os programas governamentais. A Veja não sabe o que é agricultura familiar, com sua mentalidade empresarial se soma ao agronegócio, aos transgênicos e à agricultura de exportação. Ao desconhecer tanta coisa, a Veja tem que mentir para esconder tudo isso dos leitores, passando uma imagem bushiana do MST.
Mentem sobre Cuba, porque escondem que nesse país se produziu a melhor saúde pública do mundo, que ali não há analfabetos – funcionais ou não -, que por lá todos tem acesso – além de saúde, educação, casa própria, a cultura, esporte, lazer. Que o IDH de Cuba é bastante superior ao brasileiro.
A Veja tem que mentir sobre a Venezuela, país em que se promove a prioridade do social, com ¼ dos recursos obtidos com o petróleo irrigando os programas sociais. Que o governo de Hugo Chavez triunfou sobre a mídia privada golpista – as Vejas de lá -, pelo apoio popular que granjeou, quando a Veja, defasada – como sempre – já noticiava na sua capa a queda de Chavez. Depois o governo venezuelano derrotou a oposição em referendo previsto na Constituição daquele país, em que os eleitores, no meio do mandato, se pronunciam sobre a continuidade ou não do governo, em um sistema mais democrático que em qualquer outro lugar do mundo.
A Veja mente sobre os efeitos da globalização neoliberal, que concentrou renda como nunca na história da humanidade, que canaliza recursos do setor produtivo para o especulativo, que cassa os direitos básicos da grande maioria da população, que não retomou o crescimento econômico, como havia prometido.
A Veja mente quando anunciou a morte do PT, no mesmo momento em que mais de 300 mil membros do partido, demonstrando vigor inigualável em qualquer outro partido, foram às urnas escolher, por eleição direta, seus novos dirigentes, apesar da ruidosa e sistemática campanha da mídia bushista brasileira.
A Veja mente para tentar demonstrar que a política externa brasileira é um fracasso, quando ninguém, dentre os comentaristas internacionais, daqui ou de fato, acha isso. Ao contrário, a formação do Grupo dos 20 na última reunião da OMC, o bloqueio ao inicio de funcionamento da ALCA – lamentado pela revista bushista.
A Veja mente, mente, mente, desesperadamente, porque suas verdades são mentiras, porque representa o conservadorismo, a discriminação, a mentalidade mercantil, a repressão, a violência, a falsa cultura, a vulgaridade – enfim, o que de pior o capitalismo brasileiro já produziu. Choca-se com o humanismo, a democracia, a socialização, os interesses públicos. Por isso, para "fabricar consensos" – conforme a expressão de Chomsky, a Veja mente, mente, mente, desesperadamente.
Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de "A vingança da História".
DEBATE ABERTO
Abril parceira do capital especulativo
É notável a profunda relação entre a revista Veja e o capital especulativo nacional e internacional. Já em 1995, a Editora Abril S.A. realizou uma parceria com as Organizações Cisneros da Venezuela, comandada por Gustavo Cisneros, um dos maiores adversários de Hugo Chávez. Por GUSTAVO BARRETO, 29/10/2005
http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?id=1532&coluna=boletim
Seja por breve observação ou utilizando o suporte de extensos estudos acadêmicos, é notável a profunda relação entre a revista Veja - principal produto jornalístico da Editora Abril - e o capital especulativo nacional e internacional. Além disso, destaca-se o ódio que Veja nutre pelos movimentos e governos populares, como o MST, no Brasil ou o governo Chávez, da Venezuela. Esta fina sintonia com os preceitos neoliberais, conservadores e até golpistas é, no entanto, mais do que ideológica.
Já em 1995, a Editora Abril S.A. realizou uma parceria com as Organizações Cisneros da Venezuela, comandada por Gustavo Cisneros, e a Multivision do México, objetivando criar um "serviço de televisão com transmissão direta via satélite, para a casa do assinante". Conforme consta no histórico da própria Abril, esse satélite - o "Galaxy 3R" - foi lançado no dia 14/12/1995. A Abril acrescenta que está "inaugurando uma nova era para a televisão brasileira". No mesmo ano, constitui a empresa Galaxy Latin América, em parceria com a "Hughes", companhia americana subsidiária da General Motors. Também em 1995, a Abril entrou em uma sociedade com a Sony e Time Warner para desenvolver a HBO Brasil, a versão nacional do maior canal de entretenimento do mundo. A TVA, empresa de TV por assinatura, é uma das marcas que a Abril detém.
Gustavo Cisneros é dono absoluto de um dos maiores holdings de comunicação da América Latina - a Cisneros Group of Companies, que, além da Venevisión e Univisión, congrega 72 empresas nas áreas de mídia, entretenimento, internet e telecomunicações, instaladas no Canadá, nos Estados Unidos, na América do Sul, na Espanha e em Portugal. Detém, por exemplo, a Univisión Communications, principal canal espanhol nos Estados Unidos, o que inclui tevê aberta e por assinatura. Na Venezuela, Cisneros é um dos principais inimigos de Hugo Chávez, presidente eleito democraticamente e que possui amplo apoio popular por realizar reformas sociais profundas que combatem fortemente a desigualdade daquele país. Foi Cisneros um dos principais apoiadores do golpe contra Chávez em 2002, o famoso golpe midiático, por meio de suas redes de televisão e seu poder financeiro.
Cisneros é sócio da DirecTV, agora associada e controlada pela concorrente Sky, do multimilionário australiano da mídia Huppert Murdoch. Algumas das empresas de Cisneros são conhecidas dos brasileiros, como a AOL Latin América, a já mencionada DirectTV e a Panamco, engarrafadora da Coca-Cola. Segundo a revista Isto É Dinheiro, Cisneros anunciou em junho de 2004 a criação de um fundo de US$ 200 milhões para investir no Brasil e disse que está conduzindo outros negócios. Em janeiro de 2000, a AOL e a Time Warner passaram por um processo de fusão das duas empresas. Na nova empresa, Cisneros e a Abril são parceiros comerciais.
Veja é tucana. Oficialmente
Uma pesquisa acionária na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) trouxe resultados interessantes. É possível constatar, por exemplo, que o ex-presidente da Caixa Econômica Federal em parte da gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Emílio Carazzai, é um dos diretores financeiros da Editora Abril. Carazzai é tratado por FHC e por Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda, com especial carinho, como demonstram vários discursos da época e até mesmo no momento da saída de Carazzai, por pressão do PFL. Além disso, a gestão de Carazzai à frente da Caixa foi marcada por demissões, flexibilização da jornada de trabalho, congelamento de salários e terceirização dos serviços. Os que mais perderam, de novo, foram os trabalhadores.
Além disso, como muitas empresas, a Editora Abril possui dívidas, que precisam ser quitadas ou renegocisadas ao final de um ano fiscal. Para isso, as empresas emitem debêntures - títulos de renda fixa que são oferecidos pela empresa endividada a investidores, que por sua vez recebem uma porcentagem fixa (25%, por exemplo) de lucro em relação ao que investiram.
O que chama a atenção no caso de Veja, principalmente quando se observa a linha editorial neoliberal da revista, são exatamente seus investidores. Para renegociar suas dívidas, a editora Abril cedeu, por exemplo, ações para o Unibanco, em decisão tomada em 14/5/2005, como consta em ata assinada pelo Conselho de Administração da empresa. Cedeu também, conforme a mesma ata, o capital adquirido na venda de espaços publicitários das publicações da empresa para o Bradesco e o Banco do Brasil.
A Editora Abril possui, ainda, relações com instituições financeiras como o Banco Safra e a norte-americana JP Morgan - a mesma que calcula o chamado "risco-país", índice que designa o risco que os investidores correm, empregados e protegidos em Nova Iorque, quando investem no Brasil. Em outras palavras, expressa a percepção do investidor estrangeiro sobre a capacidade desse país "honrar" seus compromissos.
Esta e outras instituições financeiras de peso são os debenturistas - detentores das debêntures - da Editora Abril e de seu principal produto jornalístico. Em suma, responsáveis pela reestruturação da editora que publica a revista com linha editorial fortemente pró-mercado financeiro e anti-movimentos sociais.
13,8% para o Capital Group
No início de julho de 2004, o grupo Abril anunciou a venda de 13,8% de seu capital para o administrador de fundos Capital Group International ( www.capgroup.com), por R$ 150 milhões, de acordo com o balanço anual da Veja que consta na CVM. A mudança constitucional aprovada em maio de 2002 que permitiu o ingresso de 30% de capital estrangeiro nas empresas de comunicação permitiu tal transação. Mudança promovida exatamente pela gestão de FHC (1995-2002).
O deputado Fernando Ferro (PT-PE) confirmou que a Editora Abril possui íntima relação com o grupo de Gustavo Cisneros. "Consultamos os procedimentos de aquisição das aquisições da revista Veja e constatamos que hoje cerca de 30% das suas ações são do empresário venezuelano Gustavo Cisneros, que participou do processo de conspiração para derrubar o presidente Chávez, juntamente com Pedro Carmona [que ocupou a presidência por algumas horas, durante o golpe fracassado]", sustentou.
De acordo com o jornal Valor Econômico de 10/8/2004, o fundo de investimentos Capital Group já tem outras participações no país. O mesmo Capital Group adquiriu, em 19 de maio do mesmo ano, lote de recibos de ações nos EUA (ADRs) da Tele Centro-Oeste Celular (TCO), com o qual passou a controlar 14,37% das ações preferenciais da companhia. No mesmo mês, o fundo adquiriu ações da TIM Sul, passando a controlar 5% do capital da empresa, com direito a voto na operadora móvel. Em janeiro, havia comprado 135,8 milhões de ordinárias da Embratel Participações, controlando cerca de 6 bilhões de papéis, ou 5,05% dos papéis com direito a voto. Em abril de 2003, o Capital Group adquiriu na bolsa de valores 13,659 bilhões de ações preferenciais da Tele Norte Leste (holding da Telemar), passando a controlar 5,25% dos papéis sem direito a voto.
Já a Editora Abril S.A. atua na atividade editorial e gráfica, compreendendo a edição, impressão, distribuição e venda de revistas, publicações técnicas, na comercialização de propaganda e publicidade, bem como a participação no capital de outras sociedades. No ramo editorial e gráfico é a maior empresa da América Latina, líder no mercado de revistas. A Abril e suas parceiras são responsáveis por mais de 165 publicações, entre revistas, edições especiais e anuários.
Gustavo Barreto é editor da revista Consciência.Net, colaborador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e pesquisador na Escola de Comunicação da UFRJ.
"GUERRA TOTAL" Revista Veja tornou-se um panfleto do PSDB e do PFL, diz Berzoini Dirigentes petistas reagiram indignados à nova denúncia da revista, segundo a qual, campanha de Lula teria recebido dinheiro de Cuba. O presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse que Veja tornou-se um panfleto da oposição. "Daqui a pouco vai se voltar a falar do ouro de Moscou", ironizou o secretário-geral Raul Pont. PT vai acionar judicialmente a revista.
Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior 29/10/2005
http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?id=3675&cd_editoria=003&coluna=reportagens
O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, rechaçou neste sábado (29) as acusações da revista Veja de que o partido teria recebido dinheiro de Cuba na campanha eleitoral de 2002. Segundo a matéria de capa da revista, a campanha de Lula recebeu US$ 3 milhões de Cuba. A publicação não apresenta provas das denúncias, que se baseiam em depoimentos de dois ex-auxiliares do ministro da Fazenda, Antonio Palocci : Rogério Buratti e Vladimir Poleto. Os dois por sua vez teriam ouvido falar na história através de Ralf Barquete, morto em 2004. Apesar de não apresentar nenhuma prova da denúncia, a revista afirma categoricamente que a campanha de Lula recebeu tal dinheiro. "A revista virou um panfleto de segunda linha do PSDB e do PFL", disse Berzoini ao discursar na abertura oficial dos Encontros Setoriais Nacionais, no plenário da Câmara de Vereadores de São Paulo.
Segundo o presidente do PT, a revista não tem autoridade para fazer esse tipo de denúncia enquanto não provar acusações que tem feito contra o partido, sem apresentar provas. "A Veja já disse que o PT recebeu dinheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e até agora não provou nada", acrescentou Berzoini. A proposta de criação de uma CPI do Caixa 2, defendida por PSDB e PFL, também foi criticada pelo dirigente petista. "Não somos contra investigações, mas não podemos deixar que as CPIs se transformem em manobras para paralisar o país", afirmou, lembrando que há uma tentativa da oposição de abafar a denúncia de Caixa 2 contra o ex-presidente do PSDB, Eduardo Azeredo. E emendou: "A oposição gosta de bater, mas não gosta de apanhar. Não gosta que lembremos dos problemas no Proer (Programa de Ajuda Financeira aos Bancos durante o governo FHC) e na reeleição".
PT entrará na Justiça contra revista
Berzoini anunciou que o PT entrará na Justiça contra a revista por tentar causar danos sucessivos à imagem do partido. Segundo ele, o processo incluirá outras reportagens da revista, como as denúncias sobre um suposto repasse financeiro da guerrilha colombiana e as declarações não confirmadas do doleiro Toninho da Barcelona. "É tudo absolutamente infundado. A Veja age como uma frente de ataque ao governo e não como um órgão de imprensa. Isso não é jornalismo e sim oposição. Vamos processar a revista por causar danos à imagem do partido", desabafou Berzoini.
Direto de Paris, o secretário de Relações Internacionais do PT na época do suposto repasse cubano, Marco Aurélio Garcia, falou por telefone ao jornal Globo, classificando a matéria como "o relato de uma fábula". "Trata-se de uma fabulação. Como também foi a história da ligação do PT com as Farc. É mais uma campanha da revista contra o governo, sem fundamento real", disse Garcia.
O secretário-geral do PT, Raul Pont, disse que a reportagem de Veja é "leviana e infundada" e ironizou: "daqui a pouco vai se voltar a falar do ouro de Moscou". Pont também lembrou as denúncias divulgadas pela revista sobre o suposto envolvimento do doleiro Toninho da Barcelona contra o PT, sem nenhuma prova. O deputado gaúcho criticou o denuncismo reinante no país. "Estamos vivendo no país um momento em que os fundamentos não são abordados, são só denúncias, sem provas. É um negócio absurdo".
Ao tomar conhecimento do conteúdo da publicação, Pont criticou duramente o comportamento editorial de Veja: "Não tem pior informação hoje no país do que essa revista. Toda semana, ela inventa algo infundado". Os dirigentes petistas, em sua totalidade, reagiram de modo indignado às novas denúncias de Veja, lembrando que não haveria porque o partido adotar tal prática, uma vez que perderia o registro eleitoral.
"Guerra total"
O governo também reagiu às denúncias de Veja. O chefe de gabinete da presidência da República, Gilberto Carvalho, classificou-as como "absurdas". "Nunca foi hábito nosso obter financiamento do exterior, nem isso é permitido", resumiu. O deputado federal Maurício Rands (PT-PE), integrante da CPI dos Correios, disse que a acusação não tem fundamento. "Nunca tive conhecimento desse dinheiro e acho isso pouquíssimo provável", disse o parlamentar.
Na mesma linha, Luciano Zica (PT-SP) protestou contra a prática do denuncismo: "agora, qualquer um que é acusado faz uma denúncia para se defender". Nesta semana, após assistir ao afastamento do senador Eduardo Azeredo (MG) da presidência do PSDB, em função de seu envolvimento com o empresário Marcos Valério, dirigentes tucanos prometeram "guerra total" contra o PT e o governo Lula. A matéria de capa de Veja sinaliza essa guerra e chega a pedir a cassação do registro do PT.
Uma das coisas que mais causou indignação entre os dirigentes petistas foi o reconhecimento, na própria matéria de Veja, de que a suposta principal testemunha do caso não pode ser ouvida, pois já morreu. A reportagem afirma: "Buratti e Poleto apresentam depoimentos fortes e comprometedores, mas embasam-nos no que ouviram falar de Ralf Barquete – uma testemunha que não pode mais ser ouvida. Em 8 de junho de 2004, Barquete morreu vítima de câncer, aos 51 anos". Esse fato não impediu, porém, que a revista optasse por uma afirmação categórica na capa.
No final da reportagem, segundo a avaliação desses dirigentes, aparece o verdadeiro objetivo da denúncia: "Caso as investigações oficiais confirme que o PT recebeu dinheiro de Cuba, e o partido venha a ter o registro cancelado, o cenário político brasileiro será varrido por um Katrina: isso porque os petistas, sem partido, não poderiam se candidatar na eleição de 2006. Nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva".
Reportagem é caluniosa, diz governo cubano O governo cubano negou categoricamente ter enviado US$ 3 milhões para a campanha de Lula. Em nota divulgada sábado, em Havana, o governo cubano chama a reportagem de caluniosa e afirma que jamais interferiu em assuntos internos brasileiros. "O governo cubano responsabiliza essa manobra de propaganda aos agressivos planos do imperialismo contra Cuba e Lula".
Ainda segundo a nota, as acusações "foram feitas próximas à chegada do presidente norte-americano George W. Bush ao Brasil. O objetivo é desviar a atenção dos problemas cada vez maiores pelos quais ele está passando, acossado por investigações de corrupção a importantes líderes de seu próprio partido e em seu círculo mais estreito de colaboradores".
O embaixador de Cuba no Brasil, Pedro Nuñez Mosquera, também rechaçou o conteúdo da matéria, dizendo que "os que orquestram essa campanha de mentiras contra Cuba e o governo brasileiro buscam afetar as relações bilaterais entre os dois países, caracterizadas pelo diálogo fraternal, o respeito mútuo, e a não interferência em assuntos internos de nossas nações".
"OURO DE MOSCOU" Cuba rechaça acusação: Veja faz propaganda para Bush Nota oficial divulgada pela embaixada de Cuba no Brasil diz que denúncias de Veja são caluniosas e lembra coincidência delas ocorrerem às vésperas da visita de Bush ao Brasil, justamente no momento em que presidente dos EUA enfrenta queda de popularidade e uma grave crise política.
Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior 30/10/2005
http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?id=3676&cd_editoria=003&coluna=reportagens
O governo cubano negou categoricamente ter enviado US$ 3 milhões para a campanha de Lula. Em nota divulgada sábado, em Havana, o governo cubano chama a reportagem de caluniosa e afirma que jamais interferiu em assuntos internos brasileiros. "O governo cubano responsabiliza essa manobra de propaganda aos agressivos planos do imperialismo contra Cuba e Lula".
Ainda segundo a nota, as acusações "foram feitas próximas à chegada do presidente norte-americano George W. Bush ao Brasil. O objetivo é desviar a atenção dos problemas cada vez maiores pelos quais ele está passando, acossado por investigações de corrupção a importantes líderes de seu próprio partido e em seu círculo mais estreito de colaboradores".
O embaixador de Cuba no Brasil, Pedro Nuñez Mosquera, também rechaçou o conteúdo da matéria, dizendo que "os que orquestram essa campanha de mentiras contra Cuba e o governo brasileiro buscam afetar as relações bilaterais entre os dois países, caracterizadas pelo diálogo fraternal, o respeito mútuo, e a não interferência em assuntos internos de nossas nações".
Ainda no sábado, o embaixador cubano no Brasil divulgou a seguinte nota sobre as denúncias de Veja:
"A revista Veja, em sua edição de domingo que já circula pela internet, publica um amplo e injurioso artigo sobre a suposta ajuda de Cuba à campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. O governo de Cuba rechaça categoricamente estas calúnias, confirma que jamais interferiu nos assuntos internos desta nação irmã e responsabiliza totalmente esta manobra propagandística aos agressivos planos do imperialismo contra Cuba e contra Lula.
Aqueles que orquestram esta campanha de mentiras contra Cuba e contra o governo brasileiro buscam afetar as relações bilaterais entre nossos dois países, caracterizadas pelo diálogo fraterno, o respeito mútuo e a não ingerência nos assuntos internos de nossas nações.
Fica evidente que os que hoje mentem descaradamente, pretendem obstaculizar os planos cada vez mais amplos de cooperação entre nossos dois países e, especialmente, tentam afetar a implementação da Operação Milagro no Brasil, a qual permitirá que dezenas de milhares de brasileiros de escassos recursos sejam operados e recuperem a visão.
O que Cuba ofereceu ao governo do Brasil de maneira totalmente gratuita, e que o realmente molesta aos inimigos de ambos países é que temos proposto de forma solidária e desinteressada a possibilidade de operar diariamente não menos do que 100 pacientes brasileiros com problemas de visão, cujo tratamento, hospedagem e transporte aéreo não teriam custo algum para o governo do Brasil nem para os pacientes.
A proposta de Cuba, além de cursos de especialização em oftalmologia a médicos brasileiros recém-graduados na Escola Latino-americana de Ciências Médicas, e o aporte de especialistas cubanos caso necessário, inclui também decisão de doar um centro oftalmológico equipado com a mais alta tecnologia que se conhece no mundo, que permitiria ao Brasil realizar até 100 mil operações gratuitas anualmente.
Para o governo cubano está claro que estas acusações, no contexto de uma próxima visita do presidente dos Estados Unidos ao Brasil tentam desviar a atenção da cada vez mais complexa realidade que enfrenta o senhor George W. Bush, acusado por investigações de corrupção a importantes líderes de seu próprio partido e em seu círculo mais estreito de colaboradores; sufocado pela insustentável e universalmente repudiada presença militar norte-americana no Iraque, que já custou a vida de mais de dois mil soldados norte-americanos, perseguido por índices de popularidade cada vez mais deprimidos e assediado e criticado inclusive pelos setores mais conservadores dentro do Partido Republicano, inconformados com os desacertos de seu governo.
Com essas mentiras, tenta-se também desviar a atenção ao crescente rechaço dos povos do continente às agressivas, hegemônicas e intervencionistas políticas da atual administração norte-americana e ao retumbante fracasso da ALCA como projeto de dominação regional.
O governo de Cuba reitera seu rechaço às mentiras publicadas pela revista Veja e confirma seu respeito e amizade ao povo brasileiro e ao governo encabeçado pelo presidente Lula".
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