[gt-processo] [Fwd: Elaboração das discussões e das pautas construídas pra reunião nacional]

jupagul em riseup.net jupagul em riseup.net
Sábado Agosto 21 06:59:37 PDT 2004




Elaboração das discussões e das pautas construídas pra reunião nacional:

Gente,
eu e a juliana desenvolvemos um pouco mais as discussões da reunião
nacional. Esse é só o começo de um trabalho megalomaniaco ;) que vai ser
feito até a reunião nacional, hehe. Muito útil pra quem não tem idéia do
que se está querendo desenvolver com as pautas da reunião nacional. Jamais
esquecendo q são análises pessoais e que já tem muitos pressupostos
envolvidos, desenvolvermos essa discussão aí.
Eu fiz "Política editorial", "Rede cmi-brasil" e "Cmi fora da internet". A
juliana corrigiu tudo (hehe) complementou cmi fora da internet  e fez
"Liberdade individual, Liberdade coletiva".
É isso aí
Abraços
Paíque

* Política Editorial - organização do site/ divisão em seções

O site do centro de mídia independente Brasil não teve sempre tantos
acessos como tem hoje em dia (recorde de 7 milhões em um mês, média de 5
milhões mensais). O site foi conquistando cada vez mais pessoas que
participavam e o liam à medida dos anos, enquanto desenvolvia-se. E mais
acessos ao site ocasionam, obviamente, mais visibilidade e também mais
publicações.

Essa maior visibilidade ao site possibilitou que ele hmm... digamos..
incomodasse mais pessoas. Foi aí que começaram os ataques. Alguns de
pessoas democratistas e indignadas com alguma vírgula errada em um artigo,
já outros, de maneira ordenada -  inicialmente Mídia sem máscara (ou Olavo
de carvalho) com os olavetes e, posteriormente, o nosso queridíssimo
Leandro Teles Rocha, o socialista caviar. Essas pessoas se utilizam da
estrutura central do site (publicação aberta) para sabotá-lo. 20, 30, 50
artigos diários publicados no cmi por pessoas descontentes com ele, por
pessoas que divulgam textos e idéias de extrema direita e com artigos sem
conteúdo tornaram-se frequentes no site. E isso incomodou muitos
voluntários =) Ponto pra direita.

Não podemos esquecer também dos partidos políticos, empresas e outras
organizações mais que, apropriando-se da estrutura de publicação aberta e
da visibilidade do site começaram a publicar artigos fazendo
auto-propaganda velada ou descarada. E não são poucas... ;/ Ponto pras
instituições.

E tem também aquele pessoal  que utiliza-se da publicação aberta pra
vomitar em teclados as brigas que acabou de ter na escola, em casa, no
bairro. Essas pessoas publicam artigos intitulados "Pra que servem os
políticos", "Maldito bush filha da puta invadiu o iraque", "Vai se fuder
mcdonalds filha da puta", "Estive pensando...". Esses artigos transformam
a coluna da direita do site do cmi muito mais em um fórum de debates
infundados e de achismos do que em um veículo de comunicação radical da
esquerda libertária. Ponto pra puberdade. =P

E o grande número de publicações do cmi fez com que se perdesse também boa
parte do foco que as publicações deveriam dar às lutas anticapitalistas.
Com um sistema de buscas falido (hehe, funciona, verdade, mas é meio
zoado) e publicações estupidamente desorganizadas, a diversidade existente
da coluna da direita não possibilitava que certas lutas se fortalecessem e
tivessem interlocução entre si. Ponto pro Kaos! \o/

Essas e outras coisas levaram voluntários e voluntárias do centro de mídia
independente a repensarem seriamente a estrutura do site e a tentar ver
melhoras possíveis pra melhoria do site. Algumas coisas já foram
realizadas e, de certo modo, mantém algum norte nas publicações. Uma delas
é a política editorial do site que, aliáda à sessão de artigos escondidos,
permite que publicações contrárias aos valores e princípios do indymedia
fossem reencaminhadas a uma sessão própria e com menor visibilidade.

Mas essas medidas não mudaram a estrutura inicial do site (que não se
deparava com os problemas futuros que o site iria sofrer, obviamente), e
sim repararam algumas arestas possíveis sem que o site precisasse ser
reestruturado como um todo. Porém chegamos em um ponto onde somente estas
alterações não se fazem suficientes pra manter a função do site para a
rede cmi-brasil. Iniciaram-se então discussões de como melhor estruturar o
site.


Destas, destaco duas propostas que foram até agora melhor elaboradas. A
primeira sobre as sessões da coluna da direita (já documentada na web,
leiam o link na wiki da reunião nacional). A segunda sobre uma
reestruturação da política editorial para que ela não fale somente do que
não se pode fazer, mas também do que deve ser feito e sobre o que queremos
que se faça no site a partir do sistema de publicação aberta de
oferecemos. Vale destacar o carater diferencial dessas duas propostas em
relação às duas medidas anteriores tomadas, no sentido de que elas não são
punitivas, mas sim incentivadoras de novas possibilidades de expressão.

Links úteis:
Política editorial:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/static/policy.shtml
Artigos escondidos:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/opentrash/archive.shtml
Organização em sessões:
http://docs.indymedia.org/view/Local/RedeCMIBrasilPropostasDeSecoes



* Rede CMI-Brasil - finanças, autogestão, novos coletivos

A rede do cmi-brasil é, sem dúvidas do pablo(hehe), uma das que mais
desenvolveu-se internamente dentro da rede cmi, no que diz respeito às
discussões acumuladas e organização de consenso, relações entre os
coletivos e etc. Temos um mérito organizativo a se reconhecer. Mas não um
mérito completo. Pode-se pegar cada um dos três pontos acima citados e
desenvolvê-los de forma posivita e negativa. Vou tentar fazer dos dois.

Finanças: O centro de mídia independente brasil tem o mérito de NUNCA ter
recebido (apesar das propostas) dinheiro algum de pessoas ou entidades com
interesses duvidosos. Ou seja: mantemo-nos em nossa integridade de
independência e sem vínculo algum com grandes instituições, empresas ou
qualquer grupo político institucionalizado. Por outro lado, nunca soubemos
arcar bem com as nossas despesas. Não construimos ainda estruturas de
autogestão realmente eficientes. As propostas que temos para conseguir
dinheiro já consensuadas são a venda de cd's, camisetas e fazermos festas.
  O que essa pauta deve levantar é também (justamente com a proposta de
liberdades e organização) a nossa relação com o dinheiro para um
crescimento maduro e coerente da rede.

Autogestão: Enquanto a força do cmi-brasil se funda na sua estrutura em
rede, seu potencial existe a partir de suas estruturas de organização
interna. São estas estruturas que garantem que a rede se mantenha sempre
em luta de maneira não cooptável/aparelhável.
  Porém, problematizações positivas (sempre construtivas, nunca destrutivas
=P ) dessa estrutura devem ser feitas a todo momento. Atualmente a rede,
por exemplo, tem 10 coletivos formados e já começa a apresentar problemas
de comunicação interna. Está sendo muito dificil, por exemplo, formar
consensos na atual estrutura de consensuação entre coletivos. Temos
propostas apresentadas há mais de um ano e que ainda não chegaram a um
ponto comum que satisfaça a todos os coletivos.
  Há também o problema da desarticulação local de alguns coletivos. Como o
cmi-brasil existe a partir do trabalho voluntário (ou seja, NÃO PAGO), a
rede fica dependente dos "tempos livres", da boa vontade ou do empenho de
voluntários. Nesse sentido falta discussão e amadurecimento dos coletivos
para que se construam estruturas que mesclem os princípios básicos dos
coletivos (horizontalidade, descentralização, autogestão, não pago) a
formas de atuação que se mantenham constantes e verdadeiramente
desafiadoras do poder estabelecido.
  Devemos discutir nossas estruturas de organização e autogestão a fim de
que elaboremos propostas locais e gerais para fortificarmos nossas
atividades e possibilidades de transformação social.

Novos coletivos: Histórico: O coletivo de São Paulo foi o primeiro
coletivo do Indymedia a se formar no Brasil. Foram elxs que passaram pelo
processo de aprovação global e inciaram o cmi-brasil. Logo em seguida Rio
de Janeiro, Porto Alegre, Belo horizonte e Fortaleza formaram-se e
apresentaram-se para a "rede" cmi-brasil e... pow! Tornaram-se coletivos
do cmi.
 Mas com o crescimento da rede elaborou-se um processo não só de entrada,
mas de reconhecimento e recepção de novos coletivos no cmi-brasil. Um
primeiro processo foi elaborado em março de 2002 e por ele passaram
Goiânia, Salvador, Caxias do Sul e Brasília. Um novo processo foi
elaborado no início de 2004 e por ele passou, por enquanto, somente o
cmi-campinas. Atualmente passam por ese novo processo de entrada no
cmi-brasil vários coletivos, dentre eles floripa, são luis do maranhão,
cuiabá, curitiba e recife, como pré-coletivos mais desenvolvidos.
 O que ocorre é que o CMI-brasil ainda não estrutura-se de maneira que possa
aliar sua dinâmica interna à uma dinâmica externa de entrada e chamada de
novos coletivos para o seu interior. Ainda não temos uma dinâmica que seja
suficiente para auxiliarmos verdadeiramente a entrada de novos coletivos
na rede cmi-brasil. O novo processo é o que temos de mais avançado. Mas
ainda é pouco...


1 -Processo de decisões:
http://docs.indymedia.org/view/Local/RedeCMIBrasil#5_Processo_para_tomarmos_decis_e
2 - Ferramentas de organização: Listas e Chat
http://docs.indymedia.org/view/Local/RedeCMIBrasil#2_Ferramentas_utilizadas_para_no
3 - Funcionamento dos Grupos de Trabalho:
http://docs.indymedia.org/view/Local/RedeCMIBrasil#4_Funcionamento_dos_grupos_de_tr
4 - Antigo Processo de entrada de coletivos:
http://docs.indymedia.org/view/Local/RedeCMIBrasil#1_Processo_para_a_entrada_de_nov
5 - Novo Processo de entrada de coletivos:
http://docs.indymedia.org/view/Local/NovosColetivos

- Podemos incluir aqui a questao das listas abertas e fechadas e sua
necessidade no processo de organizacao da rede.


* CMI fora da internet - metodologia para oficinas, propostas populares de
atuação, ações estrategicas e suas consequências - inclusives jurídicas

A internet é certamente uma ferramenta fundamental pra articulação do CMI
(ou IMC) no Brasil e no mundo. O cmi existe e se formou a partir dela.
Disso não podemos fugir. (imaginem se as listas de e-mails fossem
correspondências ou telefonemas)
Porém, a organização do CMI no Brasil deve respeitar às suas dimensões,
características e peculiaridades. Devemos estruturar um cmi sabendo que no
Brasil cerca de 17 milhões de pessoas (de 170 milhões) tem acesso à
internet. Devemos pensar formas de democratização radical dos meios de
comunicação sabendo que mais de 90% de todos aparelhos de tv acordam e
dormem ouvindo "plin-plin".
Entendendo a missão do cmi no brasil como democratizadora radical dos
meios de comunicação e como procura de voz dos movimentos sociais sob uma
perspectiva não institucional, está mais que na hora de debatermos a fundo
as nossas formas de atuação. Como diriam, "Get off the internet, I'll see
you in the streets". E será que nos vemos nas ruas, voluntarixs do cmi?
Quais são os projetos e quais são as perspectivas midiaticamente
subersivas que desenvolvemos no "mundo real"?
Os projetos até hoje desenvolvidos nesse sentido foram:
1 - Cmi-na-rua: Jornais poste colados nas ruas ou então entregues de mão
em mão.
2 - Jornal Ação direta: Duas edições impressas de um jornal muito maior
legal produzido pelo cmi-sp
3 - Cmi no ar: programas de rádio gravados ou feitos ao vivo pra
circularem pelas rádios comunitárias (alguns cmis até tem suas próprias
rádios) 4 - Cybercafés: montagem de telecentros do cmi ou com
participação. Nesses telecentros desenvolvem-se vez ou outra oficinas
5 - Participação em organização de eventos libertários ou mobilizações
anticapitalistas
6 - Oficinas de repórteres populares do cmi-poa e do cmi-brasilia
7 - Experiência do cmi-goiânia com bairros populares: (não vou descrever
pq não conheço bem, deixo q o pessoal de gyn o faça. digo desde já que são
esses os caminhos que eu espero pro cmi. muito respeito e admiração ao
cmi-gyn e à rádio grilo =P )
8 - Exibições de vídeos, palestras, rodas de debate, etc.
obs: o cmi-impressos se formou e elaborou uma proposta muitíssimo
interessante de um jornal impresso distribuido e elaborado nacionalmente
por todos os coletivos do cmi. A proposta, quando estava no seu ápice,
misteriosamente murchou.

Sem querer esgotar os milhares de projetos que o cmi já elaborou (teve até
cmi-crianças), acredito que construir um panorama de algumas das mais
duradouras (ou recorrentes) das atividades nas ruas que o cmi já elaborou

Essa pauta deve levantar, de maneira estrutural, como o cmi pode atuar
daqui pra frente,efetivando a missão a que se firmou. Devemos trocar
esperiências e elaborar propostas e sairmos de fato encaminhadxs pra
termos uma atuação radical. Inclusive em espaços socio-economicamente
menos privilegiados.



* Liberdade(s) e Organização - liberdade individual e coletiva, ética,
trabalho em rede

* Liberdade(s) e Organização - liberdade individual e coletiva,
ética,trabalho em rede


O cmi é uma rede que se organiza de forma horizontal, ou seja sem
hierarquia, autogestionada e autonoma.  As decisoes sao tomadas por
consenso e a solidariedade com a organização coletiva, e as voluntárias e
voluntários, também fazem parte dos nossos princípios. Nossas ações têm
como “macro”  objetivo a superação da sociedade capitalista, por um modelo
social justo, livre, igualitário e que respeite o meio ambiente.

O fato de contarmos com a solidariedade e digamos “lealdade” entre as
voluntarias e voluntarios, é enriquecedor pois assim, não necessitamos
controlar ou comandar o que a outra pessoa está fazendo, ou como está
fazendo. Como os níveis de poder de decisão não estão concentrados, todas
as pessoas voluntárias têm o mesmo poder de decisão. E decidem em
coletividade , isso tmbém pressupõe uma responsabilidade coletiva na
realizaçào dos nossos objetivos

Ao construirmos essas ações em coletividade pressupomos que serão
produzidas com um viés social e solidário. Sem que individualmente a
pessoa perca sua autonomia, sua liberdade. Temos um fim comum e
necessitamos de um esforço individual de cada pessoa envolvida para que
ele se efetive. Para isso construimos nossos principios, que podem ,e
devem, ser questionados .

No entanto a liberdade individual está inserida num contexto social. E
muitas vezes em nome da liberdade individual de cada voluntária ou
voluntário, ocorrem casos de “desconsideração” com as outras
individualidades e com a rede em si. Um exemplo prático  são alguns
projetos em que voluntarias e voluntarios recebem pagamento para
realizá-los. Como o caso do livro do cmi que acompanhamos recentemente. Ou
o desrespeito a diversidade de esquerda, em especial para com a rede
Brasil , durante a cobertura do plebiscito sobre a permanencia de Hugo
Chavez n0 governo.

Consideramos importante debater essa questão durante a reuniào nacional,
pelo fato de estarmos fisicamente presentes discutindo, o que possibilita
melhor e maior entendimento.


- essas são as questões que nos lembramos, por favor comentem, recomendem
e debatamos !

em solidariedade,

cmi-brasilia























Mais detalhes sobre a lista de discussão CMI-Brasil-Processo