[Cmi-Brasilia] Voluntário

Paíque paique em riseup.net
Quinta Setembro 2 09:49:21 PDT 2004


Olá henrique!
Muito legal seu interesse pelo indymedia. Vou comentar sua carta e explicar
um pouco mais como funciona o cmi.

Antes de tudo vale a pena deixar claro que o cmi não se constitui como ong.
Aliás, uma das grandes virtudes da "independência" do cmi é o fato de que
ele não está registrado legalmente em nenhum órgão publico/estatal. A
existência do cmi, então, não é reconhecida através de algum carimbo que
atesta a sua existência, mas sim a partir da sua prática. E é isso que
mantém o indymedia atuante: sua prática. Seja nas ruas ou na internet, sua
prática.

A prática do cmi pode ser entendida a partir do princípio de que uma
sociedade só pode se organizar de maneira verdadeiramente justa se, entre
outras coisas, a informação puder circular livremente. Para isso seus meios
devem ser acessíveis a toda população. A partir dessa prática de
democratização radical dos meios de comunicação aliada a uma perspectiva
de
atuação conjunta com os movimentos sociais (ou grupos organizados a partir
do novo anticapitalismo batizado pela mídia corporativa de
"antiglobalização") se formou e se constrói o cmi. 

O coletivo de brasília do centro de mídia independente é um dentro de uma
rede mundial que atualmente congrega mais de 100 coletivos em todos os
continentes do globo. Todos esses coletivos estão organizados em rede
(relação direta de solidariedade e trabalhos conjuntos, tudo sem hierarquia
e tendo como princípio básico a autonomia local do coletivo, desde que esse
atue pela justiça global, hehe) em uma estrutura autogestionária e não
hierárquica. As redes de coletivos do Indymedia se estruturam através da
internet, mas é nas ruas de sua localidade que o coletivo tem que manter
sua atuação. 

No brasil temos uma "rede dentro da rede". A rede cmi-brasil da rede
indymedia global hoje tem coletivos organizados em 10 cidades do país e
mais alguns outros se formando. Nosso contato direto é a organização do
site do indymedia brasil ( www.midiaindependente.org ), mas normalmente
desenvolvemos outros trabalhos conjuntos a partir dessa rede. 

O coletivo de brasília é um, no meio desses 10. Nos formamos como coletivo
em fevereiro do ano passado e entramos pra rede brasil em julho de 2003.
Somos um coletivo novo na rede e ainda estamos em processo de consolidação
das nossas atividades. Bom lembrar que o coletivo está sempre aberto a
novas voluntárias e novos voluntários, desde que essas pessoas concordem
com os princípios do indymedia.

Atualmente estamos nos organizando a partir de grupos de trabalho que, à
sua maneira, estão mantendo(ou tentando manter) um trabalho razoavelmente
constante em diversas frentes no df. Temos gt's de áudio/rádio, foto/vídeo,
contatos, oficinas e etc. Se você quiser, depois posso te mandar um segundo
e-mail explicando detalhadamente como funciona o coletivo de brasília.

Temos reuniões quinzenais (no mínimo) e a partir dela tiramos indicações
gerais de nossas atividades. Mas como a autonomia de voluntários e
voluntárias é principio de nossa convivência diversos projetos (mesmo q
pequenos) estão sendo propostos/desenvolvidos a todo instante. Para
mantermos essa nossa organização temos uma lista de e-mails. Se vc quiser
se inscrever, o endereço é: 
http://lists.indymedia.org/mailman/listinfo/cmi-brasilia 

Bom lembrar também que no cmi-brasil todo o trabalho realizado é voluntário.
E bom deixar claro que o cmi tem, como alicerce da sua independência, o
princípio de não estar ligado ou apoiar qualquer partido, candidato
político ou estar "refém" de alguma instituição.

Por fim, reafirmo o convite do seu amigo para que você participe do
indymedia brasilia.  Inscreva-se na lista e mantemos contato. Estamos
organizando, também, no DF, um encontro de grupos autônomos da região
(grupos autônomos são grupos apartidários, não hierárquicos e que atuam
politicamente por um viés não institucional/parlamentar). Se vc quiser ter
mais informações, pode acessar o site (desatualizado) do encontro
http://encontrodf.linefeed.org e se informar um pouco mais sobre o evento.

Henrique, no mais é isso. Depois nos falamos mais
Um abraço, 
Paíque - voluntário do cmi-brasilia

Citando henrique melo siqueira <henriquems em hotmail.com>:

>             Tudo começou em uma conversa de bar. Eu conversava sobre o
> meu 
> curso de jornalismo, sobre minha tristeza para o modo que ele é feito
> hoje, 
> fazia críticas às pessoas da minha sala que, só por fazerem esse curso, 
> ficam posando de intelectuais. Apontava contradições, argumentava. E por
> 
> fim, com um certo ar de tristeza, disse que gostaria de ir além de apenas
> 
> ter consciência, que eu gostaria de "pôr a mão na massa" por aquilo que
> eu 
> acredito. E foi aí que um amigo meu interviu e disse: "Por que você não 
> trabalha para o CMI?"  me explicou brevemente do que se tratava e disse
> que 
> para maiores informações eu deveria visitar o site. Assim o fiz. E, 
> navegando pela página, vi que realmente me identificava muito com as
> causas 
> da ONG. Gostaria de começar a ajudar vocês como voluntário da maneira que
> 
> vocês precisarem. Uma pessoa para ficar tirando xerox, lendo email, 
> escrevendo matérias, fazendo "leads", organizando pautas, aquilo que for
> 
> necessário... Um verdadeiro "pau pra toda obra".
>                Meu nome é Henrique de Melo Siqueira e completo vinte anos
> em 
> 30/10, estou no quarto semestre de Administração de Empresas na UNB e 
> segundo de jornalismo no IESB. Na Unb estou em processo de transferência
> 
> para o curso de antropologia. Me formei em inglês intermediário pela
> cultura 
> inglesa. Fui vice-presidente de imprensa do gremio estudantil do colégio
> 
> leonardo da vinci na gestão 2002. Meu pai é diretor de uma ação
> afirmativa 
> do governo Lula que se chama "Banco Popular", um projeto que atua na área
> de 
> micro-crédito para pessoas carentes afim de amenizar as desigualdades 
> sociais. Minha mãe trabalha como voluntária na área de psiquiatria do 
> Hospital de Base de Brasília. Meus pais são pessoas que trabalham e lutam
> 
> muito mais por aquilo que eles acreditam do que pelo dinheiro, e assim me
> 
> educaram. Gostaria de me juntar a vocês nesse trabalho não só pela 
> experiência, mas por essa causa que também é minha: "uma sociedade livre,
> 
> igualitária e que respeite o meio ambiente."
> Aguardo, ansiosamente, resposta
> Henrique de Melo Siqueira
> (61)322-9036
> (61)8124-4701
> 
> 
> “En la lucha del classes Todas las armas son buenas Piedras Noches
> Poemas” 
> Paulo Leminski
> 
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