[Cmi-Brasilia] Sonhos fora das urnas

Hilan Bensusan hilanb em unb.br
Quinta Agosto 24 15:48:20 PDT 2006


Perdi o balaio ontem mas viva a campanha nossos sonhos não cabem nas urnas.

Um poeminha para a campanha:





o barulho das portas rangendo



Saio de casa esbarrando em portas trancadas e ruas escuras;

nunca votei nisto.

Meninos pardos querem me engraxar, eu tenho os sapatos e o troco;

nunca votei nisto

Passo por uma esplanada feita de pompa, sem árvores, com autoridades em 
linha reta;

nunca votei nisto

Cruzo edifícios de gabinetes militares, bem nutridos e pensando pólvora,

deslizando por entre as escolhas de cativeiro.



Em toda parte, carros, blocos e carros invadem minhas retinas.

Uma solidão maior que o sistema solar órbita meus olhos.

Minha pátria, minha pátria!

e não tenho pátria e para mim

o barulho das portas rangendo, é estrangeiro;

a necessidade de suplicar para não morrer de fome, é invasão;

os sapatos que pisam pés e não chão, são alienígenas;

as armas cheias de certezas, são forasteiras.

Solidão. Solidão.



Estas ditaduras diárias são impostas com um tremor de ombros.

Quero reinventar minha personalidade a cada manhã

dentro da minha única cúpula, a cúpula do céu.

Com meus horizontes, do mesmo tamanho

que os horizontes de todo mundo.

Sem estas ruas, estas ruas - ásperas.



com afeto por vocês, hilan




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