[Cmi-Brasilia] En: Re: Liberdade para os 42 presos do MLST
MLST BSB
mlstbsb em yahoo.com.br
Quinta Junho 15 15:02:45 PDT 2006
MLST BSB <mlstbsb em yahoo.com.br> escreveu: Data: Thu, 15 Jun 2006 16:45:48 -0300 (ART)
De: MLST BSB <mlstbsb em yahoo.com.br>
Assunto: Re: Liberdade para os 42 presos do MLST
Para: Coletivo Contra Tortura <contratortura em ovp-sp.org>
Companheiros,
Gostariamos que se possivel enviar um telefone para contato, pois temos muito a falar a respeito dos ultimos acontecimentos.
Forte Abraço!!!
Glades Rossi
Coletivo Contra Tortura <contratortura em ovp-sp.org> escreveu:
São Paulo, 14 de junho de 2006
Exmo Sr. Aldo Rebelo
Presidente da Câmara de Deputados
A imprensa e os parlamentares têm classificado a manifestação do MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra) na Câmara dos Deputados como um “ataque ao Estado democrático de Direito”. Todo o poderio da imprensa tem se dedicado a demonizar a ação deste movimento, deixando de lado o objetivo político dela, que era o de protestar contra a inoperância do governo na execução da reforma agrária.
Nas semanas anteriores a esse “ataque”, policiais de São Paulo, em resposta aos ataques do PCC, mataram um número ainda indeterminado de pessoas, todas pobres, moradores das periferias, e muitos negros. Num primeiro momento o Secretário de Segurança Pública afirmou que eram 109 os mortos por ele qualificados de “suspeitos”. Depois baixou o número, depois subiu e agora fala de 123. Nas nossa contas são ao menos 200. O CREMESP (Conselho Regional de Medicina de SP) fala de 492 mortos por armas de fogo. O que fizeram os parlamentares diante desta situação?
Consideram os senhores parlamentares que num país onde não existe pena de morte, é legal matar inocentes, suspeitos e culpados sem julgamento?
Consideram que uma manifestação que degenerou em conflito, com violências da parte dos manifestantes e dos agentes de segurança da Câmara, fere mais o Estado democrático de Direito que a morte de centenas de pessoas pobres das periferias de São Paulo, sem julgamento, em execuções sumárias praticadas por policiais e por grupos de mascarados que todos sabem serem policiais?
Que fizeram os senhores parlamentares para denunciar estas violações ao Estado democrático de Direito além de formar uma inócua comissão de quatro senadores?
O COLETIVO CONTRA TORTURA considera que tudo isso é um processo de criminalização dos movimentos sociais e da pobreza, no qual a maior parte da imprensa joga o papel fundamental. Morador de favela e de periferia é visto como “bandido” antes de abrir a boca. E o ato mal sucedido do MLST está servindo para criminalizar todos os movimentos sociais que lutam por terra, moradia e outros direitos, enfim, os pobres organizados.
O COLETIVO CONTRA A TORTURA exige a libertação dos 42 militantes do MLST ainda presos e que eles possam responder a seus processos em liberdade. Considera que o Congresso Nacional não tem autoridade moral para impor a criminalização destes lutadores.
O ESTADO NÃO PODE MATAR NEM INOCENTES, NEM SUSPEITOS, NEM CULPADOS
NÃO À CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA
NÃO À CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS
COLETIVO CONTRA A TORTURA
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