[Cmi-Brasilia] [Fwd: [democratizacaodf] INFORME - Militante do MST executado por milícia armada será enterado hoje]
everi em riseup.net
everi em riseup.net
Terça Outubro 23 13:07:11 PDT 2007
---------------------------- Original Message ----------------------------
Subject: [democratizacaodf] INFORME - Militante do MST executado por
milícia armada será enterado hoje
From: maria em bsb.mst.org.br
Date: Mon, October 22, 2007 12:09 pm
To: democratizacaodf em yahoogrupos.com.br
--------------------------------------------------------------------------
Militante do MST executado por milícia armada será enterado hoje
O corpo do militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
e membro da Via Campesina, Valmir Mota de Oliveira, 42 anos, executado por
uma milícia armada, com dois tiros no peito, ontem (21), está sendo velado
no acampamento 1° de Agosto, em Cascavel, na região Oeste do Paraná.
O enterro será às 16h30, no Cemitério do bairro Guarujá, em Cascavel. Keno
foi assassinado durante o ataque de uma milícia armada, contra os
camponeses acampados na área da multinacional Syngenta, em Santa Tereza do
Oeste. No ataque mais 5 trabalhadores foram feridos.
Keno, juntamente com outros dirigentes do MST e da Via Campesina, na
região, já havia sido ameaçado de morte várias vezes pelo Presidente da
Sociedade Rural de Região Oeste (SRO), Alessandro Meneguel e lideranças do
agronegócio do Oeste do Paraná. Neste domingo, 21 de outubro, as ameaças
se cumpriram e Valmir foi executado por pistoleiros de uma milícia armada.
O militante que era casado, deixa mulher e dois filhos pequenos, um de
sete e oito anos. Keno era integrante da coordenação estadual do MST e
começou sua militância no movimento, em 1990, na região Oeste do Paraná.
Em 1994, mudou-se para Brasília, ajudando a organizar o MST naquele
Estado. Em 2001, voltou para região Oeste, onde continuou a militância em
vários locais, na Brigada Teixeirinha. Atualmente, morava no acampamento
Sete de Setembro, em Cascavel.
Hoje (22), a Via Campesina soltou Nota á Imprensa informando que após a
reocupação nenhum refém foi mantido no local, ao contrário do que a Rede
Globo informou. Segue nota na Íntegra:
Informações à imprensa:
(41) 3324 7000/84119794-Solange
(41) 92259055 - Ana Carolina
(41)96765239 - Jakeline
NOTA À IMPRENSA - 22/10/07
Milícia armada ataca acampamento da Via Campesina e executa militante
Após reocupação nenhum refém foi mantido no local, ao contrário do que a
Rede Globo informou.
Ontem (21), por volta das 13h30, o acampamento da Via Campesina, no campo
de experimentos transgênicos da Syngenta, em Santa Tereza do Oeste (PR),
foi atacado por uma milícia armada. No massacre o militante do Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e membro da Via Campesina, Valmir
Mota de Oliveira, 42 anos, foi executado à queima roupa com dois tiros no
peito. Os trabalhadores Gentil Couto Viera, Jonas Gomes de Queiroz,
Domingos Barretos, Izabel Nascimento de Souza e Hudson Cardin foram
gravemente feridos.
Diante dos acontecimentos a Via Campesina faz os seguintes esclarecimentos:
1. A reocupação da área da Syngenta aconteceu às 6h de ontem (21), por
cerca 150 agricultores. Na ação os trabalhadores rurais soltaram fogos de
artifício. No momento havia quatro seguranças na área. Uma das armas dos
seguranças foi disparada e feriu um trabalhador, que foi hospitalizado. Os
agricultores desarmaram os seguranças, que em seguida abandonaram o local.
As armas foram apreendidas para serem entregues para a polícia.
2. Por volta da 13h30, um ônibus parou em frente ao portão de entrada e
uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados
desceu metralhando as pessoas que se encontravam no acampamento. Eles
arrombaram o portão, executaram o militante Keno com dois tiros no peito,
balearam outros cinco agricultores e espancaram Isabel do Nascimento de
Souza, que continua hospitalizada em estado grave.
3. A milícia atacou o acampamento para assassinar as lideranças e
recuperar as armas ilegais da empresa NF Segurança, que foram apreendidas
pelos trabalhadores. Os dirigentes do MST Celso Barbosa e Célia Aparecida
Lourenço chegaram a ser perseguidos pelos pistoleiros, mas conseguiram
escapar durante o ataque.
4. A Syngenta utilizava serviços de uma milícia armada, que agia através
da empresa de fachada NF Segurança, em conjunto com a Sociedade Rural da
Região Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR), ligado ao
agronegócio.
5. A denúncia da atuação de milícias armadas na região Oeste do Paraná foi
reforçada durante uma audiência pública, na última quinta-feira (18), para
a coordenação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal
dos Deputados (CDHM), em Curitiba (PR). Os dirigentes do MST, inclusive
Keno, já vinham sendo ameaçados há mais de seis meses, pelas milícias que
estavam a serviço do consórcio SRO/MPR/Syngenta. Um inquérito havia sido
aberto para apurar as denúncias contra a Syngenta e a NF Segurança.
6. A Rede Globo vem sustentando em suas reportagens que a Via Campesina
teria mantido reféns durante a reocupação. A versão da Rede Globo e de
outros veículos da grande imprensa têm como objetivo criminalizar os
movimentos sociais e retirar de foco o ataque realizado pela milícia da
Syngenta, que executou um trabalhador e deixou outros feridos. A Via
Campesina esclarece que não houve, em nenhuma hipótese, reféns durante a
ocupação.
7.A Via Campesina exige punição dos responsáveis pelos crimes -
principalmente os mandantes -, a desarticulação da milícia armada na
região e o fechamento imediato da empresa de segurança NF. Além da
garantia de segurança e proteção das vidas dos dirigentes Celso e Célia, e
de todos os trabalhadores da Via Campesina, na região.
8.Os camponeses seguem na luta para que a área de experimentos ilegais de
transgênicos da Syngenta seja transformada em Centro de Agroecologia e de
reprodução de sementes crioulas para a agricultura familiar e a Reforma
Agrária.
Histórico - O campo de experimento da Syngenta havia sido ocupado pelos
camponeses em março de 2006 para denunciar o cultivo ilegal de sementes
transgênicas de soja e milho. A ocupação tornou os crimes da transnacional
conhecidos em todo o mundo. Após 16 meses de resistência, no dia 18 de
julho deste ano, as 70 famílias desocuparam a área, se deslocando para um
local provisório no assentamento Olga Benário, também em Santa Tereza do
Oeste (PR).
VIA CAMPESINA
Maria Mello
Assessoria de imprensa
Escritório Nacional do MST - Brasília
(61) 3322 5035 / 8464 6176
www.mst.org.br
Mais detalhes sobre a lista de discussão Cmi-Brasilia