[Cmi-Brasilia] Divisão social atinge o meio ambiente em construção do Setor Noroeste

Antonio Ribeiro tonhochico em gmail.com
Segunda Abril 7 19:40:50 PDT 2008


**Setor Noroeste: divisão social atinge o meio ambiente no projeto de Bairro
Verde
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Índios vivem há mais de 30 anos na área, que chamam
de "Santuário dos Pajés"

Projeto prevê a construção de 22 quadras de imóveis de alto padrão entre a
Asa Norte e o Parque Nacional de Brasília.

*Brasília, DF - *O Distrito Federal possuí uma demanda habitacional de cerca
de 120 mil moradias, concentrada na faixa de baixa renda, que ganha até três
salários mínimos, conforme explicou o Diretor de Planejamento Urbano do
Ministério das Cidades, Benny Schasberg. No entanto, o Governo do Distrito
Federal (GDF) vem anunciando com entusiasmo a construção do Setor Noroeste,
o primeiro Bairro Verde do país.

O projeto prevê a construção 22 quadras de imóveis de alto padrão entre a
Asa Norte e o Parque Nacional de Brasília. A implementação do projeto
aguarda apenas a emissão da licença de instalação pela Superintendência do
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) no DF.

Para Benny Schasberg "não se justificaria fazer o bairro Noroeste com essa
concepção que está sendo proposta, que privilegia exclusivamente o mercado
de alta renda e propõe criar um território segregado". Benny, que já foi
diretor do Instituto de Planejamento Urbano e Territorial do DF, atual
Secretária de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, acredita que existem
áreas vazias, inclusive dentro do Plano Piloto de Brasília, que poderiam
atender a demanda habitacional de alta renda. Schasberg ressalta que um
modelo de expansão urbana com forte segregação social, como o que está sendo
aplicado no Noroeste, é ambientalmente danoso, porque ocupa o território de
maneira desequilibrada.

Na opinião do professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de
Brasília (UnB), Frederico Flósculo, o projeto do Urbanista Lúcio Costa,
Brasília Revistada, que criou o Setor Noroeste e outras áreas de expansão de
Brasília não está baseado em estudos de impacto ambiental. "Lúcio Costa,
quando decidiu pela criação do Noroeste fechou a linha tracejada dos desejos
de localização junto ao valorizado Plano Piloto", avaliou o professor. De
acordo com ele, a escolha do local do bairro levou em conta apenas a valor
imobiliário da localização, para ele, existem outras áreas, na região do
Gama e da Samambaia, que poderiam acomodar melhor o crescimento da cidade.

Flósculo acredita que o Setor Noroeste terá um impacto negativo sobre o
Parque Nacional de Brasília, devido à proximidade do projeto com a área de
proteção ambiental. O professor lembra que, apesar de parte do abastecimento
de água do Distrito Federal vir de mananciais dentro do parque, foi
permitida a instalação de um lixão, o Aterro do Jóquei, na outra extremidade
da área de preservação. Ao redor do lixão se consolidou através dos anos a
Invasão da Estrutural. Flósculo disse que a invasão e o lixão, somados a
projetos como o Setor Noroeste e a Cidade Digital, que também será
construída na região, são um "assédio" ao Parque Nacional.

*O Bairro Verde*

O GDF, em contrapartida, apresenta uma série de compensações ambientais que
tornariam o bairro sustentável e "verde" , como o Parque Burle Marx, que
deverá ser construído próximo ao setor. Pelo projeto os prédios também
deverão ser incrementados com outras funcionalidades ecologicamente
corretas, como aproveitamento de água da chuva, utilização inteligente de
energia solar, iluminação e ventilação naturais.

Mas para o professor do departamento de Engenharia Florestal da UnB,
Henrique Leite Chaves, existem pontos mais importantes para garantir a
sustentabilidade do bairro. "Não adianta ter bairro verde bonitinho, com
jardinzinho, a questão mais profunda é a questão do esgoto", afirma Chaves.
Para o professor precisa se estudar com profundidade se o Lago Paranoá está
apto a receber mais uma carga significativa de nitrogênio e fósforo
provenientes do esgoto tratado.

O Lago Paranoá já recebe atualmente uma carga de esgoto tratado em nível
terciário de 600 mil pessoas, fora à poluição advinda de alguns afluentes.
Apesar disso a Companhia de Águas e Esgotos de Brasília (CAESB), afirma a
boa qualidade das águas do lago em sua página na Internet. O Lago Paranoá já
apresentou, no passado, problemas de eutrofização, que levaram o corpo d'
água a exalar mau cheiro.

O professor Chaves também faz considerações a respeito da água que
abasteceria o novo bairro, em grande parte proveniente do Córrego Bananal,
um dos principais afluentes do Paranoá. "O aqüífero que abastece o Bananal
nas suas cabeceiras está sendo contaminado pelo lixão da estrutural",
avaliou Chaves. No entanto, a Agência Reguladora de Água e Saneamento,
ADASA, garantiu a qualidade da água do córrego Bananal.

*Os índios*

Outro ponto de discussão quanto à criação do Setor Noroeste é um grupo de
índios que reside a mais de trinta anos no local onde se pretende construir
o bairro. Os indígenas alegam possuir ligações emocionais e espirituais com
o local que eles denominam como "Santuário dos Pajés". O GDF disse que
pretende remover a comunidade para uma área próxima, onde será criado o
Parque Burle Marx.

Os índios vieram para a região após serem expulsos de sua terra natal em
Pernambuco. Mas além desses ocupantes, indígenas que chegam à cidade também
se hospedam no local, que acaba funcionando como um ponto de encontro e
parlamento para os índios. Os indígenas não concederam entrevistas para esta
reportagem, estão evitando a imprensa desde que se consideraram
desrespeitados em matérias publicadas em jornais de circulação nacional.

*Texto de Daniel Mello, estudante do 8º Semestre de Jornalismo e Estagiário
da Agência Brasil.*

*Publicado em www.ecoagencia.com.br
*

Leia a matéria completa na em:

http://www.ecoagencia.com.br/index.php?option=content&task=view&id=3159&Itemid=2
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