[cmi-campinas] Prefeitura decide subsidiar tarifa grátis
João
johano em uol.com.br
Terça Agosto 15 06:22:47 PDT 2006
fonte: Correio Popular
Publicada em 15/8/2006
Cidades
Prefeitura decide subsidiar tarifa grátis
Prefeitura arcará com as passagens de ônibus de idosos e de deficientes em
projeto de lei; custo será de R$ 9 mi este ano
Rose Guglielminetti
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
rose em rac.com.br
A Prefeitura de Campinas decidiu subsidiar a tarifa de idosos e deficientes
no sistema municipal de transportes. Apenas neste ano, serão pagos R$ 9
milhões para as empresas de ônibus e para os permissionários do sistema
alternativo. A gratuidade representa cerca de um milhão de viagens por mês.
Segundo o secretário municipal de Transportes, Gerson Luis Bittencourt, a
mudança foi necessária para impedir o aumento imediato no valor da tarifa,
que hoje é de R$ 2,00. Mas isso não significa que até o final do ano o
usuário não seja surpreendido com um reajuste, de acordo com Bittencourt.
A proposta, incluída no projeto de lei que altera o atual Plano Plurianual
(PPA), é considerada polêmica por muitos vereadores, que não concordam com a
instituição do subsídio feita pelo governo Hélio de Oliveira Santos (PDT).
Apesar da resistência de alguns legisladores, a matéria deverá ser aprovada
porque o prefeito detém o apoio da maioria dos vereadores.
Para o vereador Francisco Signorelli (PT), a Prefeitura estará assumindo um
custo que até então era obrigatório às empresas. "Não perdiam dinheiro,
apenas não arrecadavam. Agora, é o povo que irá subsidiar um valor que
deveria ser investido pelos permissionários (ônibus e perueiros)", criticou
o petista, que acrescentou ainda que os recursos serão retirados do Fundo
Municipal de Assistência Social. "Este dinheiro poderia ser utilizado em
outros projetos", disse Signorelli. O tucano Artur Orsi também afirma que o
prefeito "está tirando dinheiro da Assistência Social para dar aos
empresários".
Já o vereador Francisco Sellin (PSDB) classificou como "loucura" a mudança
proposta pela Administração municipal e Petterson Prado (PPS) disse que a
medida é "absurda". "Não vai alterar nada para quem é beneficiado", disse
ele.
Para o vereador Paulo Bufalo (PSOL), a adoção de subsídio é um "expediente
perigoso porque faz com que a Prefeitura assuma cada vez mais o ônus da
gratuidade e é uma porta aberta para garantir a margem do lucro da empresa".
O secretário rebateu as críticas e disse que a gratuidade não é de
responsabilidade dos permissionários, mas que o custo era contabilizado na
planilha de cálculo do valor da tarifa. Segundo ele, se a Prefeitura
deixasse de subsidiar a gratuidade, o reflexo seria de R$ 0,15 a R$ 0,17 na
tarifa. "Esse valor já deveria ter sido incorporado ainda no mês passado.
Foi uma opção política bancar a gratuidade para não aumentar a tarifa",
ressaltou, lembrando que a Prefeitura de São Paulo subsidia R$ 340 milhões e
o governo do Estado desembolsa cerca de R$ 900 milhões todo mês para cobrir
gratuidades. Ele acrescentou que irá discutir aumento de tarifa apenas
quando o sistema novo estiver implantado. "Qualquer estudo seria incompleto",
justificou.
Programa
Bittencourt explicou ainda que o subsídio integra o Programa de
Acessibilidade Incluída (PAI), que contempla cinco eixos. O primeiro
refere-se a intervenções e obras - infra-estrutura, tecnologia veicular (de
acessibilidade) e sinalização vertical, horizontal e semafórica.
O segundo eixo contempla a ampliação da frota. Além disso, a Prefeitura irá
licitar 20 novas permissões para taxistas operarem com carros especiais que
possam transportar, principalmente, cadeirantes.
O poder público prevê ainda a unificação do Serviço de Atendimento Especial
(SAE) e Serviço de Transportes Acessível (STA) - transportes de deficientes
da residência para algum centro de reabilitação ou da casa para terminais de
ônibus - e a ampliação de dez para 22 veículos da frota. Hoje, neste tipo de
serviço são atendidos 300 deficientes por mês. Até o final de 2007, a
Prefeitura pretende atender até mil pessoas mensalmente. Quando todo o eixo
estiver implantado, o que deverá acontecer dentro de 45 dias, o custo mensal
será de R$ 224 mil. O quinto eixo é o subsídio.
SAIBA MAIS
Deficientes
A Prefeitura tem 20 mil deficientes cadastrados com direito à gratuidade,
sendo que 60% (12 mil) também não pagam a tarifa por serem acompanhantes.
Esse grupo é responsável por 450 mil a 500 mil viagens ao mês.
Idosos
A estimativa é de que há entre 22 mil a 25 mil idosos que utilizam o
benefício da gratuidade, o correspondente a 500 mil e 520 mil viagens por
mês.
Transurc e perueiros comemoram a medida
A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas
(Transurc) considerou "um avanço" a decisão da Prefeitura de subsidiar o
transporte público para deficientes e idosos. De acordo com o diretor de
Comunicação e Marketing da entidade, Paulo Barddal, esse tipo de
procedimento vem sendo adotado em várias outras cidades do País por um
motivo simples: os governantes concluíram que se trata de justiça social e
estão buscando formas de desonerar a tarifa.
"Só neste ano, a Prefeitura de São Paulo reservou R$ 340 milhões para
subsidiar o transporte público. O governo do Estado destina cerca de R$ 900
milhões para este fim. O governo do Paraná aboliu o ICMS (Imposto sobre
Circulação de Mercadoria e Serviços) que incide sobre o óleo diesel",
exemplificou. "Aqui (em Campinas), por conta das gratuidades oferecidas, o
usuário comum e as empresas que oferecem vale-transporte a seus empregados é
que acabam sendo penalizados", diz.
Reportagem da Agência Anhangüera da primeira semana de julho deste ano
mostrou que desde a implantação do InterCamp, que instituiu o bilhete único,
o número viagens gratuitas realizadas pelo sistema convencional de
transporte (ônibus) dobrou. Subiu de 13,44%, de janeiro até o final de
abril, para 26,84% do total de passageiros transportados.
O perueiro Gustavo Fernando Ferreira comemorou a medida. Estima que de 300
passagens que vende por dia, deixa de receber entre 30 e 35 com a
gratuidade. "Para nós, vai ser bom, porque além dos gratuitos, a gente ainda
tinha de receber menos de estudantes, que são grande parte dos nossos
usuários", disse. Hoje, há cerca de 500 peruas e ônibus alternativos no
sistema público de Campinas. Destes, cerca de 330 integram o InterCamp.
(AAN)
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