[cmi-curitiba] Um dos maiores crimes ambientais ligados ? Mata Atl?ntica est? ocorrendo no Vale do Ribeira.]

João Carlos Fernandes jcf.ctba em uol.com.br
Quarta Setembro 6 18:11:22 PDT 2006


recebi e repasso....
Não sou fã desse Gerhard mas segue a denuncia que circulou numa lista 
pública aberta...


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Caros do Grupo,

um dos maiores crimes ambientais ligados à Mata Atlântica está ocorrendo 
no Vale do Ribeira.

Ele está ocorrendo por etapas, no chamado ?Centro Tuzino?, uma entidade 
de Ciência e Tecnologia que desenvolve pesquisas na área de cultivo de 
palmito. Foi iniciado no mês de junho e vem se acentuando nos últimos 
meses: é o furto de palmito originalmente destinado a pesquisa.  Em 
junho ocorreu o furto de 3.800 (três mil e oitocentos) e depois de mais 
de 5.000 (cinco mil) pés de palmito.

A referida área é destinada aos estudos e pesquisas de especialistas no 
cultivo de palmito do tipo Jussara e espécies da família, lideradas pelo 
pesquisador Jorge Leite Tuzino, seguramente um dos mais respeitaveis 
pesquisadores no assunto, reconhecido internacionalmente, embora não 
valorizado na sua Região.

As plantas que estão sendo destruídas fazem parte de pesquisas que 
apresentam sucesso quanto à precocidade, qualidade e quantidade e, 
segundo estudos recentemente apresentados, o desenvolvimento de tais 
espécies poderá alavancar o desenvolvimento da região, baseado no fato 
de que o potencial de rentabilidade para um alqueire de palmito (que se 
forma no período de 3 a 4 anos) equivale a 60 alqueires de gado. 
Estima-se a geração de 80 mil empregos com o cultivo de palmito na 
região, que seguramente deixarão de ocorrer devido aos crimes ambientais 
que estão desetimulando o Sr. Tuzino a dar continuidade às suas pesquisas.

  Abraços,

Gerhard Erich Boehme
gerhard em boehme.com.br
(41) 8411-9500



Centro Tuzino de Educação Ambiental e Difusão de Palmito

Inaugurado em dezembro de 99, o Centro Tuzino de Educação Ambiental e 
Difusão de Palmito foi criado pela Fundação SOS Mata Atlântica para 
difundir a necessidade de preservação e o manejo sustentado de um dos 
recursos naturais mais explorados na Mata Atlântica nos últimos anos, o 
palmito juçara (Euterpe edulis).

Localizado na BR 116, Km 369, Santa Rita do Ribeira, Miracatu (SP), no 
Vale do Ribeira, o Centro está sediado a propriedade de Jorge Leite 
Tuzino, produtor de palmito há 30 anos e inspirador do projeto.

O Vale do Ribeira, que abriga a maior parcela contínua de Mata Atlântica 
do país, é uma das regiões mais pobres do Estado de São Paulo. Como 
resultado, a extração de seus recursos naturais acaba sendo uma das 
poucas opções econômicas da população local.

Explorado intensamente a partir da década de 70, o palmito juçara 
encontra-se hoje sob o risco de extinção. Apesar de a retirada sem a 
realização e a aprovação de um plano de manejo sustentado ser proibida 
por lei, a exploração predatória tem avançado no país e quase todo o 
palmito juçara comercializado e exportado pelo Brasil atualmente é ilegal.

Futuramente, com a crescente tendência do consumo "verde", a produção 
sustentável de palmito poderá ser um diferencial do Brasil no mercado 
internacional. O país, principal exportador do produto, é responsável 
hoje por 85% do comércio mundial.

Através de trilhas autoguiadas, os visitantes do Centro Tuzino de 
Educação Ambiental e Difusão de Palmito têm a oportunidade de conhecer 
cada etapa do crescimento do palmito e áreas modelo de manejo sustentado 
e produção de sementes. O local conta ainda com um viveiro para produção 
de mudas e um núcleo de visitação, onde são desenvolvidas atividades 
educacionais.

O Centro Tuzino de Educação Ambiental e Difusão de Palmito conta com o 
patrocínio da Sorriso Herbal - linha de higiene bucal da Kolynos do Brasil.

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Palmito Juçara (Euterpe edulis)

I. Características

O palmito juçara é uma planta nativa da Mata Atlântica pertencente à 
família das palmeiras e ao gênero Euterpe, do qual fazem parte 28 
espécies encontradas entre as Antilhas e a América do Sul.

Espécie de sombra, principalmente em sua fase jovem, necessita de 
cobertura florestal para o seu desenvolvimento, elevado teor de umidade 
do solo e extensa camada orgânica em decomposição. Depois de crescida, 
precisa de sol. Enfim, um ambiente típico de mata nativa.

II. Área de Ocorrência

Com distribuição natural entre o sul da Bahia e o norte do Rio Grande do 
Sul, o palmito juçara é encontrado em abundância na Floresta Ombrófila 
Densa e na maior parte das Florestas Estacional Decidual e Semidecidual. 
Na Floresta Ombrófila Mista, sua ocorrência está restrita às áreas ciliares.

Comum em regiões com altitudes entre 700 e 900 metros e com precipitação 
anual entre 1 mil e 2,2 mil milímetros, ocorre também em áreas de 
estacionalidade, com déficit hídrico de até três meses, freqüentes no 
sul da Bahia e do Mato Grosso do Sul. Apresenta melhor desenvolvimento, 
entretanto, em áreas com precipitações médias de 1,5 mil milímetros/ano.

Desenvolve-se bem em temperaturas médias de 17ºC a 26ºC, tolerando até 
sete geadas durante o ano. É encontrado geralmente em solo fértil, com 
textura arenosa e argilosa e drenagem de boa a regular, mas deve ser 
evitado em solos secos, pois a ausência de água e o solo arenoso são 
prejudiciais à espécie. Solos encharcados e de argila pesada também não 
são recomendados.

III. Importância

A preservação do palmito juçara está diretamente ligada à manutenção da 
biodiversidade da Mata Atlântica, uma vez que sua semente e seu fruto 
servem de alimento para diversos animais, como tucanos, sabiás, macucos, 
periquitos, maritacas, jacus, jacutingas, porcos do mato, antas, 
marsupiais, ratos-de-espinho, esquilos, tatus e capivaras.

A importância da conservação da espécie também está relacionada ao 
período de sua frutificação. Por ocorrer no inverno, quando a maioria 
das outras árvores está sob estresse hídrico devido ao período seco, é 
um alimento fundamental na mata.

Além disso, o palmito juçara serve de alimento para o homem e suas 
palmeiras fornecem frutos, açúcar, óleo, cera, fibras, material para 
construções rústicas, matéria-prima para a produção de celulose, entre 
outros.

IV. Plantio

Devido às características ecológicas do palmito juçara, é inviável 
plantá-lo como uma cultura agrícola convencional. As formas de cultivo 
indicadas são o sombreamento definitivo (mata nativa), o sombreamento 
temporário e o consórcio com outras plantas.

Recomenda-se o plantio em áreas onde já ocorram o Euterpe edulis, com a 
utilização do sistema de semeadura direta e o remanejamento de mudas 
formadas em viveiros. Normalmente, o sombreamento temporário é feito com 
bananeiras, leguminosas arbustivas ou cultivares de porte baixo, pois a 
partir do seu terceiro ano a palmeira deve ser exposta ao sol.

Do cultivo consorciado, até hoje só foi estudada a combinação do 
açaizeiro com seringueiras (Hevia brasiliensis), onde apresentaram 
viabilidade em regiões com baixa deficiência hídrica. O espaçamento 
médio utilizado entre os palmiteiros é de 2m x 1m. Os maiores 
rendimentos por planta são obtidos nos maiores espaçamentos e os maiores 
rendimentos por área, nos menores espaçamentos.

V. Reprodução

O período de produção de sementes acontece entre 8 e 15 anos após o 
plantio, com florescimento durante a primavera e amadurecimento dos 
frutos entre abril e novembro. Apesar da frutificação abundante, com a 
produção de aproximadamente três mil sementes por ano, apenas 20% desse 
total transforma-se em árvores.

VI. Sementes

As sementes estão perfeitamente maduras quando apresentam uma coloração 
roxa-escura e a planta é considerada adulta quando atinge entre 12 e 15 
metros de altura e cerca de 15 centímetros de diâmetro.




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