[cmi-curitiba] A verdadeira democracia contempla a participação efetiva do povo]
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Sexta Abril 9 21:55:34 PDT 2010
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Disputa eleitoral e avanço popular
O que os trabalhadores e os movimentos sociais podem
fazer
para ampliar sua organização e fortalecer suas
próprias lutas
Por Hamilton Octavio de Souza
A disputa eleitoral já está nas ruas. Ou melhor, está
na mídia. Os jornais, as revistas, a TV, o rádio e a
Internet já estão noticiando a movimentação dos
partidos e dos candidatos. Ao mesmo tempo veiculam
também os podres de sempre, as matérias encomendadas,
a baixaria, a troca de denúncias sensacionalistas.
Tudo indica que até o primeiro turno das eleições, no
dia 3 de outubro, o povo brasileiro será bombardeado
por uma guerra suja sem limites éticos e políticos.
O tiroteio generalizado evidentemente encobre o
verdadeiro sentido das eleições, que é a escolha
consciente de propostas, programas e candidatos que
expressem coerentemente as demandas maiores do povo.
No meio da guerra suja, com acusações de todos os
lados, fica cada vez mais difícil selecionar partidos
e candidatos identificados com os trabalhadores e as
causas populares, que mereçam a confiança não apenas
no voto, mas principalmente depois de eleitos.
Nessas horas, o melhor mesmo é não se deixar enganar
pelo discurso demagógico e nem pela propaganda
enganosa, não embarcar no denuncismo rasteiro da
grande imprensa, já que a artimanha dos setores
conservadores, das elites e da direita em geral, é
confundir o eleitorado, é colocar todo mundo no mesmo
saco da despolitização, do fisiologismo, da corrupção
e dos interesses pessoais. Os eleitores precisam se
livrar dessas armadilhas e escolher candidatos
verdadeiramente comprometidos com as transformações
sociais.
Mais do que isso, o momento da eleição pode e deve ser
aproveitado para que a comunidade, os trabalhadores e
o povo, tratem de fortalecer as suas próprias
organizações, as associações de moradores, os
sindicatos, os movimentos sociais por moradia,
educação, saúde, emprego, melhores condições de vida e
de trabalho. Independemente da escolha de partidos e
candidatos nessa eleição, as organizações populares
devem debater a conjuntura política e econômica do
país, construir suas próprias pautas de
reivindicações, definirem seus métodos de luta, ter
uma atuação forte e contínua para a obtenção de
conquistas duradouras. A visão imediatista de que a
eleição resolve tudo, é um grande equívoco.
A eleição deste ano vai escolher presidente da
República, senadores, governadores, deputados federais
e estaduais. Devemos apoiar e votar somente naqueles
candidatos que tenham projetos para o País, que não
vão jamais trair o povo, que vão honrar os votos
depois de eleitos.
A eleição não é a única forma de o povo trabalhador
influenciar na política brasileira. A verdadeira
democracia é mais ampla que o sistema representativo,
contempla a participação efetiva do povo trabalhador
nos destinos do país, nos espaços públicos e privados,
nas escolas, nos locais de trabalho e nas instituições
em geral.
O Brasil precisa de uma democracia real, ampla,
participativa, com igualdade de direitos para todos.
Mais importante do que o voto é a capacidade de
pressão organizada dos trabalhadores e dos movimentos
sociais. Se o povo não defender as suas propostas com
total autonomia, dificilmente o que é prometido na
campanha eleitoral será cumprido posteriormente. A
força dos trabalhadores depende de sua própria
organização permanente, em movimentos sociais,
sindicatos e partidos. A hora é de refletir e de agir.
O que devemos fazer para construir no Brasil a
democracia que assegure o avanço popular?
Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor da
PUC-SP
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