[cmi-curitiba] Curitiba gasta mais em ruas do que com ônibus]

jf-ctba em riseup.net jf-ctba em riseup.net
Terça Agosto 31 17:17:26 PDT 2010


http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1041118&tit=Curitiba-gasta-mais-em-ruas-do-que-com-onibus

Curitiba gasta mais em ruas do que com ônibus

Especialistas reconhecem a importância de melhorias nas vias, mas alertam
sobre a necessidade de aprimorar o transporte coletivo

Publicado em 30/08/2010 | Vinicius Boreki

No discurso, o transporte público sempre foi prioridade dos investimentos
em mobilidade urbana de Curitiba – cidade vencedora de inúmeros prêmios
pela sua capacidade de organização. Na prática, no entanto, o aporte de
recursos em obras exclusivas para ônibus foi 87% menor que os destinados à
melhoria do sistema viário. Entre 2005 e 2009, a cidade investiu R$ 307
milhões em pavimentação, reformas de ruas e benesses favoráveis à fluidez
do trânsito. No mesmo período, a capital destinou R$ 164 milhões aos
ônibus, de acordo com levantamento da Gazeta do Povo, baseado em
informações do Portal do Controle Social, coordenado pelo Tribunal de
Contas do Paraná.

Para chegar aos dados, a reportagem se baseou em critérios de professores
de três instituições de ensino da capital: Orlando Pinto Ribeiro, da
Universidade Positivo (UP); Eduardo Ratton, da Universidade Federal do
Paraná (UFPR); e Fábio Duarte, da Pontifícia Universidade Católica do
Paraná (PUCPR). Todos reconhecem a importância de melhorias como
pavimentação e construção de binários, mas consideram essas reformas
desfavoráveis ao transporte público. A renovação da frota de veículos
também não entrou na conta por três motivos: não se trata de investimento
direto, é pago com a tarifa e consiste em manutenção necessária ao
funcionamento do sistema.


Saiba mais

Veja algumas das obras importantes das duas áreas, realizadas de 2005 a 2009
Brasil precisa quebrar a "cultura da pobreza"


Ao contrário da Europa, Ásia e América do Norte, o uso do transporte
público no Brasil se vincula à falta de dinheiro. Quem tem carro
dificilmente troca o conforto e, sobretudo, a segurança do transporte
individual pelo ônibus. Isso acontece pelo fato de os benefícios ofertados
pelo transporte coletivo ainda não compensarem a mudança. Leia a matéria
completa:
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1041188&tit=Brasil-precisa-quebrar-a-cultura-da-pobreza

Urbs defende critérios distintos
Na avaliação da Urbs, existe inversão da lógica de quase dois para um nos
investimentos. Ou seja, a cada R$ 1 destinado ao sistema viário, R$ 2
seriam aplicados no transporte público. Nos últimos cinco anos, a cidade
investiu R$ 631,5 milhões nos ônibus, sendo R$ 336 milhões referentes à
renovação da frota, contra R$ 382 milhões em pavimentações. “Todos os
veículos foram renovados, dentro das normas de acessibilidade”, relata
Marcos Isfer, presidente da Urbs. Leia a matéria completa:
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1041189&tit=Urbs-defende-criterios-distintos


Tiro no pé

Privilegiar o investimento no sistema viário pode parecer benéfico no
curto prazo: as intervenções realmente funcionam. O aumento de veículos
nas ruas, contudo, tende a sufocar as medidas, tornando-as paliativas.
“Como a frota de veículos segue crescendo, você deve tirar o ônibus do
congestionamento”, analisa o superintendente da Associação Na­­cional dos
Transportes Públicos (ANTP), Marcos Pimentel Bicalho. Conforme o Sistema
de Infor­mações da ANTP, apenas 15 das 41 maiores cidades do país
apresentam corredores exclusivos – a maior parte com distâncias
irrisórias. Curitiba, nesse aspecto, ainda é exemplo.

Duas obras feitas em Curitiba nos últimos cinco anos seguem a linha
pensada pelos especialistas: Linha Verde Sul e o “ligeirão” na Marechal
Floriano Peixoto. Mesmo aumentando de duas para quatro pistas para carros
em cada sentido, a Linha Verde apresentou nova conexão entre o Pinheirinho
e o Centro. O “ligeirão”, por outro lado, permitiu a ligação mais rápida
entre o Terminal Boqueirão e a região central graças ao desalinhamento das
estações-tubo que permitiu as ultrapassagens. “Há ganho de tempo e da
fluidez do tráfego, aumentando o fluxo de veículos”, esclarece Ribeiro.

Criações como essa incentivam o uso do transporte coletivo – pois o tempo
de deslocamento, especialmente nos horários de pico, é vantajoso para o
usuário. Outros três fatores pesam na escolha da população: preço,
eficiência e segurança. “Se o sistema fosse mais rápido, barato e seguro,
todos andariam com o transporte coletivo”, diz Ratton.

Caso o cidadão não perceba vantagens do transporte público, há tendência
de que ele persista com o transporte individual. Por esse motivo, obras
incrementando o sistema viário podem se tornar um tiro no pé. A frota de
veículos, especialmente na capital com maior índice de motorização do
país, cresce desenfreadamente, e os ônibus vão disputar espaço com os
carros, tornando maior a amplitude dos congestionamentos. “Além de
declararem a prioridade no transporte coletivo, as cidades precisam
transformar isso em ações específicas”, afirma Bicalho.

De janeiro de 2007 a julho de 2010 (última estatística disponível do
Detran), a frota da capital cresceu 21% – saiu de 966 mil veículos para
quase 1,2 milhão. “Quando se investe mais em sistema viário, trata-se de
recurso mal-investido. As cidades não suportam todos os veículos na rua”,
diz o professor do Departamento de Transportes da UFPR, Garrone Reck. Uma
das atribuições dos gestores municipais, na avaliação de Reck, é encontrar
métodos para coibir o uso dos automóveis simultaneamente. “As pessoas têm
esse direito, mas é algo que requer controle”, acrescenta.

* * * * *

Interatividade

O que precisa ser feito no transporte coletivo para você trocar o carro
pelo ônibus?
Escreva para leitor em gazetadopovo.com.br
As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.





Mais detalhes sobre a lista de discussão Cmi-curitiba