[cmi-goiania] Motoristas entram em greve

aNarcochato chato em australia.edu
Segunda Abril 4 07:06:24 PDT 2005


Categoria decidiu, em assembléia realizada ontem à noite,
fazer paralisação por tempo indeterminado por reajuste de 19%

Maria José Silva

Os trabalhadores das empresas de transporte coletivo de Goiânia decidiram
entrar em greve geral por tempo indeterminado a partir da zero hora de
hoje. Em assembléia realizada na noite de ontem, eles rejeitaram a proposta
de reajuste salarial de 6% a partir de 1º de março, acordada numa reunião
do Ministério Público do Trabalho (MPT), e reafirmaram a reivindicação de
aumento de 19% sobre os salários.

Os trabalhadores também decidiram manter 30% de funcionamento da frota,
como determina a legislação, para garantia de prestação do serviço
essencial. A partir das 4 horas de hoje, uma comissão formada por
integrantes da categoria e do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de
Transporte Rodoviário de Goiás faria piquetes em todas as garagens da
capital para comunicar a decisão aos demais empregados e organizar a saída
dos 30% de veículos previstos.

A decisão pela greve foi tomada numa assembléia curta e ao mesmo tempo
acirrada. Os empregados lotaram o auditório do sindicato, localizado na Rua
T-36, Setor Bueno. A proposta de paralisação geral foi aceita praticamente
por unanimidade. As negociações salariais tiveram início há pouco mais de
um mês. Os trabalhadores solicitaram reajuste de 20% sobre o salário de
fevereiro, aumento do valor do tíquete-refeição de 120 reais para 162 reais
e da gratificação pela venda de passagens a bordo de 67 reais para 90
reais.

Inicialmente, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de
Goiânia (Setransp) fez a contra-proposta de 3% de reajuste linear – para os
salários e os benefícios. Em função do impasse que se firmou entre
representantes dos patrões e dos empregados, foi feita reunião de
conciliação sexta-feira, no Ministério Público do Trabalho (MPT). Nesse
encontro, coordenada pelo procurador-chefe do MPT, Luiz Eduardo Guimarães
Bojart, foi sugerido reajuste de 6% tendo como parâmetro o índice da
inflação de março de 2004 a março deste ano, de 5,91%.

Na reunião também foi acordada a realização de uma nova mesa-redonda para
as 10 horas de hoje. A greve, caso fosse deflagrada, deveria ter início
após a realização do novo encontro. Segundo o presidente do Sindicato dos
Trabalhadores das Empresas de Transporte Rodoviário, Tarcísio Roberto de
Carvalho, existem atualmente cerca de 2 mil motoristas em atividade. A
categoria tem salário inicial de R$ 802,50, mais tíquete-refeição e
gratificação pela venda de passagens nos coletivos.

O presidente do Setransp, Décio Caetano Filho, disse que estranhou a
decisão da categoria, “tomada na calada da noite”, e enfatizou que o
sindicato vai acionar a Justiça pelo fato de estar havendo o descumprimento
de um acordo mediado pelo MPT. Décio alega que a categoria teve reajuste
acumulado de 52% nos últimos 24 meses.

O presidente interino da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo
(CMTC), Marcos Massad, disse que a greve dos motoristas não tem apoio da
empresa. Segundo ele, a hora é de união de todos os segmentos para
consertar o transporte da Grande Goiânia. Segundo Massad, a atitude tomada
pela CMTC ontem à noite foi de garantir com as empresas os 30% de ônibus em
circulação durante o período de paralisação. Ressaltou ainda que os
motoristas estão descumprindo acordo feito no MPT.






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