[cmi-goiania] Clipping FNDC - TV Brasil deve operar em caráter definitivo ainda este ano
FNDC
imprensa em fndc.org.br
Sexta Fevereiro 11 06:08:39 PST 2005
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CLIPPING DO DIA
11 de fevereiro de 2005
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Seleção de textos coletada da pesquisa diária do Epcom - Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação
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Televisão
TV Brasil deve operar em caráter definitivo ainda este ano
Lula cria TV para 'integrar a América do Sul'
Entendimento entre os 3 Poderes cria a TV Brasil Internacional
Lula: TV Brasil é instrumento de integração, não de imposição cultural
Sarney diz que TV Brasil demonstra união e independência dos três Poderes
João Paulo e Carlos Veloso apontam importância da integração
Três Poderes assinam acordo para criação da TV Brasil
Lula assina acordo para criação da TV Brasil
Assinado acordo para criação da TV Brasil
Gates vislumbra negociações de grande porte
Depois dos PCs, Microsoft tenta sorte na TV
Microsoft busca nova fonte de lucros na TV
STJ decide hora de reprise da novela 'Laços de Família'
Projeto obriga pais a registrar em cartório filho seqüestrado
Contra-ataque
Ofensiva 1
Carnaval paulista bate o do Rio no Ibope
Legislação de Comunicação
Fórum do Audiovisual e Cinema trabalha para apresentar projeto alternativo
para a ANCINAV
MMDS
Anatel quer estimular a digitalização das operadoras via MMDS
Anatel mexe nas freqüências do MMDS e reserva espectro para 3G
Política de TV por Assinatura
ABTA encontra conselheiro da Anatel para debater convergência
Regulação
Revisão do regimento interno da Anatel vai a consulta pública
Sociedade da Comunicação
São Gonçalo (RJ) amplia sua partricipação no programa de inclusão digital
Audiovisual
País revê estratégia de venda de audiovisual
Diretor cria seu próprio Hughes e assume riscos com DiCaprio
Biografia privilegia fofocas e esquece aviação
Só anjos têm asas
"Minhas horas mais felizes são sozinho"
Nas asas do cinema americano
Não gostei
Veteranos no páreo
Uma experiência rara de vida e arte
Fernanda Montenegro atrai atenções em Berlim
Joseph Fiennes sai do sério na defesa de 'Man to Man' em Berlim
Berlim começa com o frágil "Man to Man"
'Diários' é premiado em Londres
Racismo e Watergate na vida 'secreta' do herói
Gostei
Um homem de asas
Clint Eastwood apresenta sua obra-prima de dor e compaixão
A sobriedade para chegar à intensidade dramática
O doce regresso do Potemkin
Cineastas e povos do mar trocam experiências no Ecocine
Cinema/TV: Edição definitiva de um clássico
Sob o risco de um nocaute
Natal Eustáquio
Berlim liga mainstream a filmes de autor
Prova de amor dos ingleses por Walter Salles
Cultura
Abandono cultural
Patrocínio teatral
Depois do carnaval, aulas de arte para crianças
Política
PF abre inquérito para investigar Confederal, empresa de Eunício
Relatório da PF pede mais investigação sobre a Caixa
IURI DANTAS
Aeronáutica não divulga resultado de inquérito
Planalto tenta se reaproximar do PDT com a filiação de governador
Lula convoca ministros para eleger Greenhalgh
Tudo ou nada por Greenhalgh
Cavalcanti: CBN é apêndice do governo
Edmundo Matarazzo deixa a Anatel
Imprensa & Jornalismo
Jornalistas também são alvos nos ataques da direita à ONU
Jornalismo de TV
Indústria Fonográfica
Tecnológico
Informática
Lula é elogiado por presidente da Sun
Microsiga e Logocenter unem-se com apoio oficial
Microsiga e Logocenter mantêm operações separadas
Fusão cria gigante de software
HP começa a definir sucessor de Carly Fiorina
HP pode enxugar quadro de vendas diretas
HP: cresce lista de possível CEO
Parceiros recebem de forma positiva mudanças na HP
Pragas virtuais ameaçam celulares e carros
Internet
Câmara inaugura Chat com Deputados na Internet
Literatura e Mercado Editorial
Câmara Brasileira do Livro prevê mais leitura em 2005
Livro sobre Howard Hughes é mais fiel
Programação de TV por Assinatura
TV paga: O fenômeno Oprah
Mercado de Comunicação
ABTA divulga números consolidados de pirataria para 2004
ABTA e Ministério da Justiça, juntos no combate à pirataria
Verizon também faz oferta para compra da MCI
Rádio
Batalha vencida
Rádio de São Paulo ganha exclusividade do nome Eldorado
Telecom
Regulamentos sobre condições de uso de radiofreqüências vão a consulta
Anatel espera acordo para reajustar ligação
Concorrência reduz margens de celulares
Anatel diz que só autoriza aumento após consenso
Anatel exige acordo entre operadoras para liberar aumento
Operadoras de telefonia móvel já podem definir aumento na tarifa
Evoluem as negociações entre a Verizon e a MCI
Oi registra aumento de 124% no uso do SMS
Oi registra aumento no volume de mensagens de texto
Oi registra crescimento de 124% no envio de mensagens de texto em 2004
Mídia Global
Polanski vai depor por videoconferência
MSI promete até casa para garoto de 9 anos
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Televisão
TV Brasil deve operar em caráter definitivo ainda este ano
10/02/2005, 20h42
Brasília - A TV Brasil, um canal público internacional dirigido inicialmente aos países da América do Sul, deve entrar no ar em caráter definitivo ainda este ano. O anúncio foi feito na tarde desta quinta-feira, em cerimônia realizada no Palácio do Planalto. Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a emissora vai "engrandecer" as parcerias brasileiras com outros países do mundo. Para isso, Lula falou da necessidade da TV ter uma programação plural, "capaz de fazer com que o nosso público-alvo assista e nos dê razão de termos criado essa televisão".
Entre os dias 26 e 31 de janeiro, foi montada em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, uma emissora-piloto que realizou a cobertura do 5º Fórum Social Mundial. Durante os seis dias foram produzidas mais de 90 horas de programação com transmissão ao vivo em espanhol das principais atividades do evento. Foram, em média, 15 horas de transmissão diária.As informações puderam ser captadas na América do Sul, Central e Norte e até na Europa Ocidental, através de sinais transmitidos por um segmento especial de 6 MHz no satélite NSS-806, cedido gratuitamente pela empresa Newskies para os seis dias do Fórum.
Depois de assinar um termo de compromisso com o qual os três poderes da república somam esforços para a prestação de serviços televisivos para o exterior com os presidentes do Senado, José Sarney, e da Câmara, João Paulo Cunha; do presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Veloso; e do presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, Lula fez uma defesa enfática da comunicação como instrumento de integração.
"Nós estamos fazendo um canal não para ocupar uma onda de satélite. Nós queremos um canal para que determinados setores da sociedade se sintam na obrigação de tomar conhecimento do que acontece na América do Sul e na América Latina", disse o presidente.
O presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, foi categórico ao defender a importância da TV Brasil para a divulgação do país no mundo. "Precisamos mostrar um pouco o lado bom do Brasil porque o lado ruim vamos deixar para os outros anunciarem. É claro que sem tornar esse canal tão oficial que impeça de anunciar as dificuldades que nós temos e que nós reconhecemos e que queremos tratá-las para poder superá-las".
O ministro Carlos Veloso, depois de elogiar o "bom momento" em que vive o Poder Judiciário no Brasil, destacou que a chegada da nova televisão vai possibilitar uma maior integração dos povos de todo o mundo. Nelson Motta e Ana Paula Marra - Portal da Cidadania - Radiobrás
Lula cria TV para 'integrar a América do Sul'
11/2/2005
Canal do governo com programas para a região não terá vergonha de falar portunhol, diz presidente da Radiobrás
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou ontem a TV Brasil - canal internacional de televisão, destinado a "integrar a América do Sul" - dizendo que, para o projeto dar certo, não pode ser visto pelos outros países como "uma intromissão" de uma nação para dominar as demais. Alvo de críticas da oposição, que já acusa o governo de dirigismo da informação, Lula fez questão de frisar que esse "não é um canal de TV do governo, mas do Estado".
Destacando que fazia a cerimônia ontem para prestigiar os atuais presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), que deixam seus cargos na segunda-feira, o presidente escorregou ao criticar, de forma indireta, a baixa audiência das TVs do Senado, Câmara e Justiça. Afirmou que, se não houver cuidado em mostrar que o País não quer impor sua cultura, será um projeto "daqueles canais de TV que existem, todo mundo tem, mas ninguém assiste".
Na opinião de Lula, para que o canal - que entra no ar até o fim do ano e terá a maior parte da programação em espanhol - tenha audiência, "não basta vontade dos três Poderes ou ter dinheiro para criar um instrumento de comunicação". "É preciso saber se vamos ter competência para fazer uma programação capaz de fazer com que o nosso público-alvo assista."
Lula ressaltou: "Este não é um canal de TV do governo. Pelo contrário, é um canal de TV do Estado, do Brasil. É o instrumento do Estado brasileiro, que vai tentar estabelecer e engrandecer suas parceiras com uma parte do mundo, que é interligado a nós por obra de Deus e da natureza."
O presidente interino do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Veloso, aproveitou a cerimônia para defender o Judiciário. E ressaltou que a nova TV poderá "divulgar as nossas coisas boas".
Já o presidente da Câmara, João Paulo, destacou que a nova emissora vai permitir "conhecer o lado bom" do País. "O lado ruim deixamos para os outros." Ele ressalvou, porém, que a nova emissora não deve ser apenas oficial: "Vamos mostrar as virtudes do País, os potenciais, mas também os seus defeitos e dificuldades."
COMPROMISSO
O presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, informou ontem que a TV Brasil entrará em operação em caráter definitivo ainda este ano. O público-alvo são os expectadores dos países da região, mas, nas transmissões experimentais, o sinal alcançou também os Estados Unidos e parte da Europa.
Durante os seis dias do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, uma experiência piloto do projeto foi realizada com um sinal do satélite NSS-806, cedido gratuitamente pela empresa NewsSkies, segundo informação do presidente da Radiobrás. Bucci afirmou que, a partir de agora, com a assinatura do termo de compromisso entre os três Poderes, a nova TV passará por um segundo processo, com a licitação do seu próprio satélite.
Inicialmente, os trabalhos da nova emissora, que contará com 30 profissionais das TVs Câmara, Senado e Justiça, além da Radiobrás, serão realizados na sede da empresa governamental, em Brasília. O Comitê Gestor da TV Brasil - contando também com representantes do Parlamento e do Judiciário, além dos Ministérios das Relações Exteriores e da Secretaria de Comunicação de Governo - decidirá o formato da programação e o início das transmissões.
A TV, segundo Bucci, vai mostrar aspectos e fatos de outros países. "Este será um canal que não terá vergonha de falar portunhol, quando for necessário", brincou. Ele destacou, porém, que também serão transmitidos programas em português.
O gastos com custeio para a emissora este ano são de R$ 8 milhões, vindos do orçamento do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Estima-se, porém, que os custos ultrapassarão R$ 10 milhões. Em 2004, a Radiobrás investiu na aquisição de equipamentos R$ 6,3 milhões. Parte deles será usada na TV Brasil. Tânia Monteiro - O Estado de São Paulo
Entendimento entre os 3 Poderes cria a TV Brasil Internacional
10/2/2005
Os presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do Senado, José Sarn ey, da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, e o ministro Carlos Velloso, presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal, assinaram nesta quinta-feira (10) o protocolo de criação da TV Brasil Internacional, que entrará no ar ainda este ano, com transmissões por satélite para o Brasil e, inicialmente, para a América do Sul. A TV Brasil Internacional será operada pelos três poderes da República, transmitirá basicamente em língua espanhola e, segundo o presidente José Sarney, terá como objetivo principal integrar o Brasil com os países vizinhos, em uma primeira etapa, e divulgar as instituições, as atividades dos três poderes, a cultura e a arte do país, inclusive por meio de filmes brasileiros.
A TV Brasil Internacional já teve uma transmissão experimental, durante os seis dias do Fórum Social Mundial, de 26 a 31 de janeiro, em um total de 90 horas no ar, com 12 horas diárias de programação ao vivo e 12 horas de programação gravada. Foram 26 entrevistas exclusivas, 15 debates e telejornais diários. Toda essa programação foi recebida e aproveitada pelos seguintes países: Argentina (Canal 7), Uruguai (VTV), México (Telesur), Estados Unidos (Reuters e APTN), Espanha (TVE e Canal Vasco), Venezuela (Vive TV), Suíça (EBU) e Colômbia (Caracol).
O passo inicial para a criação da TV Brasil Internacional foi dado no dia 27 de setembro do ano passado, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto que criou o Comitê Gestor, que instalou-se então na sede da Radiobrás, em Brasília. A idéia original da TV Brasil Internacional surgiu de uma conversa dos presidentes Sarney e Lula no avião presidencial, quando os dois voltavam da posse do presidente da Argentina, Néstor
Kirchner.
Para que a TV Brasil Internacional opere em definitivo, será necessária a compra de equipamentos no valor de R$ 6,3 milhões, a serem licitados pela Radiobrás, com os custos sendo assim rateados: 50% serão bancados pela Radiobrás, 20% pela Câmara e Senado e 10% pelo Supremo Tribunal Federal. Os três poderes irão definir a programação e tomar as principais decisões sobre os rumos da tevê, por meio de uma câmara gestora que funcionará em um imóvel cedido em regime de comodato pelo Senado, no Setor Comercial Sul de Brasília. Os demais funcionários e o corpo técnico serão terceirizados. Em seu discurso durante a solenidade, o presidente José Sarney disse que não se lembra de um momento histórico no Brasil em que os três poderes da República estivessem em sintonia tão perfeita.
- Essa harmonia, esse equilíbrio, esse trabalho conjunto e que ao mesmo tempo respeita a autonomia de cada um, não se faz em país nenhum. E isso se deve, principalmente, à personalidade e ao espírito público do presidente Lula - disse Sarney. O presidente do Senado elogiou também o empenho do presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, dos secretários de Comunicação Social do Senado, Armando Rollemberg, da Câmara, Márcio Araújo, e do STF, Sérgio Amaral, além do ministro Luis Gushiken, da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica.
Estiveram presentes à assinatura do protocolo de criação da TV Brasil Internacional, além dos presidentes da República, do Senado, da Câmara e do representante do STF, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Edison Vidigal, o vice-presidente da República e ministro da Defesa, José Alencar, e os ministros Luis Dulci, da Secretaria Geral da Presidência da República, e Luis Gushiken. Agência Senado
Lula: TV Brasil é instrumento de integração, não de imposição cultural
10/2/2005 Logo após assinar - junto com os presidentes do Senado, José Sarney, e da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, e o ministro Carlos Veloso, representando o Supremo Tribunal Federal - o termo de compromisso para a criação de um canal internacional de televisão do Estado brasileiro, a TV Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou para a importância da iniciativa não ser encarada como uma intromissão ou uma tentativa do Brasil impor sua cultura aos demais países latino-americanos.
Na avaliação do presidente da República, se a iniciativa brasileira não for encarada como um instrumento de integração solidária e trabalhada com humildade, a TV Brasil poderá se transformar em mais um dos tantos canais de televisão que, sem audiência, apenas ocupam espaço no satélite. Para Lula, a programação da nova emissora deverá ser plural.
- É muito importante que a América do Sul conheça a cultura brasileira, mas também é importante que tenhamos humildade de conhecer a cultura dos outros países. É importante que os demais países saibam como funciona nosso Poder Judiciário, mas também é fundamental que conheçamos os deles. Dessa forma é que construiremos uma relação de confiança - afirmou Lula.
O presidente da República homenageou José Sarney lembrando que o processo de integração do Brasil com os demais países do continente sul-americano começou quando o atual presidente do Senado exerceu a Presidência da República e iniciou entendimentos para a criação do Mercosul (Mercado Comum do Sul). Agência Senado
Sarney diz que TV Brasil demonstra união e independência dos três Poderes
10/2/2005
O projeto de criação de uma tevê de alcance internacional que leve a imagem do Brasil ao mundo não é apenas um instrumento de divulgação, mas também uma demonstração clara da união e da independência dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A análise foi feita pelo presidente do Senado, José Sarney, na solenidade de assinatura do acordo de cooperação da TV Brasil, realizada nesta quinta-feira (10) no Palácio do Planalto. A TV Brasil é um canal internacional criado pela união de esforços e recursos das TVs Senado, Câmara e Justiça, além da Radiobrás, para divulgar o país no exterior. - Não me recordo de ocasião recente em que tivéssemos uma relação tão estreita quanto a que temos hoje entre os três Poderes com o projeto da TV Brasil. Estamos dando uma demonstração muito clara do que podemos fazer quando nos concentramos nos interesses nacionais - disse Sarney.
O presidente do Senado explicou que a TV Brasil será um "grande instrumento de divulgação da cultura popular e da democracia racial que caracterizam o povo brasileiro". Sarney ainda manifestou "profundo sentimento de gratidão" pelo apoio dado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao projeto e, especialmente, ao Poder Legislativo. Ele também agradeceu a todos os profissionais que trabalharam para transformar o canal internacional em realidade. Agência Senado
João Paulo e Carlos Veloso apontam importância da integração
10/2/2005
Na solenidade de assinatura do convênio de criação da TV Brasil Internacional, o presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, destacou a importância da nova emissora como instrumento de integração latino-americana. Segundo ele, a unidade da região é a saída ideal para países que precisam competir no mundo globalizado. O presidente da Câmara também chamou atenção para o valor de um canal dedicado a fornecer ao exterior informações sobre o Brasil - não apenas para divulgar uma imagem adequada do país, como para levar notícias a milhares de trabalhadores brasileiros que hoje vivem no exterior.
Para João Paulo, a nova TV deve evitar o noticiário que mostre "o lado ruim" do país, embora as dificuldades do Brasil não devam ser escondidas. O essencial, disse ele, é abordar as virtudes e o potencial brasileiros, e deixar claro que o país está "mudando e melhorando".
Falando em nome do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Carlos Veloso ressaltou igualmente a necessidade da integração latino-americana e da integração do Brasil no mundo. Para ele, a criação do canal é uma "medida magnífica", no sentido de divulgar informações positivas sobre o Brasil. - No exterior se divulga muita coisa ruim a respeito do nosso país quando há tanta coisa boa a ser mostrada - observou o ministro. Veloso mostrou-se especialmente preocupado em passar uma visão positiva do Poder Judiciário, que participará da nova emissora por meio da TV Justiça. Citando o jurista Miguel Reale, o magistrado disse considerar que o judiciário brasileiro "é de primeiro mundo", apesar das críticas que tem recebido. Agência Senado
Três Poderes assinam acordo para criação da TV Brasil
10/2/2005, 18h13
Foi assinado nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto, acordo entre os três Poderes para a criação da TV Brasil, canal público internacional que contará com programação produzida pelas TVs Câmara, Senado, Justiça e pela Radiobrás. O ato foi assinado pelos presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva; da Câmara, João Paulo Cunha; do Senado, José Sarney; e pelo presidente interino do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos
Veloso.
A nova emissora, dirigida aos países da América do Sul, tem como objetivo promover a integração dos países do continente. No mês passado, durante o Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, a TV realizou sua primeira transmissão experimental.
Programação plural
Durante a solenidade, o presidente Lula afirmou que a comunicação é o instrumento mais eficaz para a integração da América do Sul. Ele defendeu que a TV Brasil exiba uma "programação plural" que atenda ao público-alvo da emissora. "É muito importante que os outros países do continente conheçam o funcionamento das instituições do nosso País, como o Congresso Nacional, mas também devemos conhecer as deles".
Lula destacou o papel do Congresso na criação da emissora, "que não é do Governo, mas do Estado brasileiro". Segundo ele, o acordo para criação do novo canal precisava ser assinado hoje em homenagem aos presidentes do Senado da Câmara, "que foram cúmplices e parceiros desde o começo". O mandato de ambos termina na semana que vem.
O presidente da República declarou ainda que a integração é irreversível no mundo e na América do Sul. "O Brasil, por ser o país de maior PIB e população, tem maior responsabilidade em um projeto dessa magnitude", afirmou.
Instrumento de integração
O deputado João Paulo Cunha disse que a criação da emissora faz parte dos esforços de integração do Brasil ao continente e ao mundo. Ele lembrou que hoje não há saída para qualquer país que não passe pela integração, mas advertiu que, além da aliança física e econômica entre as nações, é importante a criação de canais comuns de comunicação. Para João Paulo, a TV Brasil contribuirá para consolidar a integração latino-americana. "O Brasil tem a responsabilidade de puxar esse processo", afirmou. "Não se trata de hegemonia, mas de uma visão política de integração que faça surgir, da unidade latino-americana, a força que ajudará a mudar o nosso continente".
O deputado afirmou ainda que a criação da TV Brasil pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário é uma demonstração do que deve ser feito em outras áreas para consolidar a construção do País. Segundo ele, o canal cumprirá também o papel de garantir informação aos brasileiros que vivem no exterior, já que o País tornou-se um exportador de mão-de-obra e esses trabalhadores têm carência de notícias. "Não queremos um canal oficial que apresente um ponto do vista único, mas um canal que mostre a realidade do País", afirmou.
Harmonia entre Poderes
O senador José Sarney destacou os princípios de harmonia e independência que norteiam a atual convivência entre os três Poderes da República. Segundo ele, a criação da TV Brasil é o maior exemplo desse bom relacionamento entre o Executivo, Legislativo e Judiciário.
Ainda para Sarney, a nova emissora será um instrumento importante de integração sul-americana, mas também de divulgação da língua portuguesa aos brasileiros que se encontram no exterior. Ele lembrou que o "portunhol" (mistura de português e espanhol) começa a se consolidar e no futuro poderá até tornar-se uma nova língua.
Já o ministro Carlos Veloso disse que a nova emissora será mais um instrumento de transparência dos trabalhos do Poder Judiciário. Ele destacou o princípio de autonomia em que se baseia a atuação da Justiça e a necessidade de divulgação desse trabalho.
Transmissão experimental
O presidente da Radiobrás, jornalista Eugênio Bucci, explicou que a criação da emissora é baseada no conceito de integração e exibiu um vídeo com trechos da transmissão experimental realizada no Fórum Social Mundial. A experiência, segundo ele, reuniu uma equipe de 40 profissionais, que levou ao ar mais de 90 horas de programação, incluindo a transmissão ao vivo das principais atividades do Fórum, 26 entrevistas exclusivas, 15 debates e um telejornal diário de 30 minutos. Pensadores como o argentino Adolfo Perez Esquivel, o sociólogo português Boaventura de Souza Santos e o espanhol Manuel Castells concederam entrevistas exclusivas para a equipe da TV. Políticos, representantes de organizações não-governamentais, artistas e lideranças de movimentos sociais também expuseram as suas idéias.
As transmissões do Fórum foram garantidas pela empresa NewsSkies, que cedeu gratuitamente um sinal no satélite NSS-806. A emissora pública uruguaia VTV e a Television Española utilizaram o material na produção de programas especiais e nos telejornais. O Canal 7 argentino, a Telesur do México e a venezuelana Vive TV acompanharam as transmissões. Nos Estados Unidos, a Reuters e a APTN também puderam monitorar a TV Brasil. Agência Câmara de Notícias
Lula assina acordo para criação da TV Brasil
10/2/2005, 11h02
Cerimônia de assinatura do acordo de cooperação pelas transmissões do novo canal será nesta quinta-feira, dia 10 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta quinta-feira, dia 10, às 16h, da cerimônia de assinatura do acordo de cooperação para a criação da TV Brasil. Trata-se de um novo canal público internacional do governo brasileiro dirigido aos países da América do Sul. Um dos objetivos da emissora, que reúne a Radiobrás e as TVs Justiça, Câmara e Senado, é promover a integração dos povos do continente.
Depois de uma transmissão em caráter experimental durante o 5º Fórum Mundial Social (FSM), o governo começou a desenvolver projeto para que a transmissão da TV Brasil se tornasse permanente. As informações são da Agência Brasil. MMOnline
Assinado acordo para criação da TV Brasil
10/2/2005, 18h
Foi assinado ontem, no Palácio do Planalto, acordo entre os representantes dos Três Poderes para a criação da TV Brasil, canal público internacional que contará com programação produzida pelas TVs Câmara, Senado, Justiça e pela Radiobrás.
O ato foi assinado pelos presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva; da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP); do Senado, José Sarney; e interino do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Veloso. Agência Informes
Gates vislumbra negociações de grande porte
11/2/2005
A Microsoft é uma das poucas empresas que investiram em tecnologia de TV interativa, quando esta entrou na moda, há uma década, e continua no páreo. Bill Gates, recebeu o chefe do escritório da "BusinessWeek" em Seattle, Jay Greene, para discutir porque ele acredita que o negócio está pronto para decolar.
Sobre se a Microsoft entrou na TV interativa cedo demais:
Não somos como os operadores que trocam de posições várias vezes ao dia, que dizem: "Ah, vamos acertar o momento exato da nossa entrada no mercado e não chegar na véspera". Acreditamos no poder do software. Sempre que enxergarmos uma boa oportunidade de desenvolver um ótimo software, investiremos nele e nos ateremos a ele. Para nós é muito importante ter chegado antes para desenvolver uma plataforma de TV. Considerando que estivemos trabalhando o tempo todo, realmente já temos o software pronto.
Sobre porque a Microsoft está progredindo agora com a TV interativa:
Não é bem o fato de termos mudado algo. Fizemos progressos em todo a nossa visão de IPTV - televisão sobre protocolo de internet - que usa tecnologia da web para enviar programação. Perseveramos e, agora, tanto no lado da tecnologia de cabo como no de telefonia, encontramos uma forma de adequar a nossa tecnologia e melhorar a experiência da TV.
Sobre o que a IPTV oferece aos consumidores:
Sejam programas de jogos, esportes, notícias ou publicidade. É preciso ter um programa que combine com aquilo em que as pessoas estão interessadas. Quando assistimos esportes, se tivermos 20 minutos seria bom ver as melhores partes. Mas aí seria bom poder controlar e dizer: "Não, eu gostaria de ver um pouquinho mais daquele jogo". Até mesmo a idéia de poder conversar com os seus amigos, por vídeo, áudio ou texto, enquanto assistimos aos programas em lugares distintos. Essa tecnologia recebe respostas incríveis, e só quando tivermos essa estrutura de IPTV poderemos experimentar esse tipo de inovação.
Sobre o que as empresas de cabo e de telefonia ganham com a IPTV:
Penso que a Comcast ainda deve estar procurando entender o tipo de plataforma maravilhosa que ganharam com o nosso software. Se eles quiserem pesquisar os seus clientes sobre qualquer assunto, poderão decidir fazer a pesquisa pela manhã e receber os resultados à tarde. Eles jamais tiveram uma plataforma de software como essa.
Sobre o tamanho que a Microsoft pode atingir:
Bem, se obtivermos um grande número de acordos de cabo e de telecomunicações em todo o mundo, será possível vislumbrar um negócio de porte bem grande. Não um negócio do tamanho do Windows, mas um negócio de porte muito, muito avantajado. E isto está reforçando todos os outros trabalhos que estamos tocando - nossa tecnologia de compressão de mídia, nossa gestão de direitos digitais. É muito bom para conduzir as demais iniciativas na empresa à massa crítica. Valor Econômico
Depois dos PCs, Microsoft tenta sorte na TV
11/2/2005
Bill Gates, presidente do conselho de administração da Microsoft: "Se obtivermos um grande número de acordos de cabo e de telecomunicações em todo o mundo, será possível vislumbrar um negócio de porte bem grande"
A história vai lembrar a Microsoft como um dos maiores sucessos empresariais de todos os tempos. Mas a companhia também vem tendo sua parcela de fracassos. Não há nenhum negócio em que a Microsoft gastou tanto dinheiro por tanto tempo, e obteve tão pouco, quanto sua incursão na tecnologia de televisão.
Até agora. Após mais de uma década tentando desvendar o negócio de software de TV, a persistência da Microsoft está começando a valer a pena. O primeiro sinal surgiu em novembro, quando a Comcast, líder da TV a cabo nos Estados Unidos, lançou para seus clientes de Seattle um decodificador que roda o software de TV da Microsoft.
Desde então, a Microsoft fechou acordos com duas grandes companhias telefônicas regionais - BellSouth e SBC Communications -, que estão entrando na competição com as operadoras de TV a cabo. E a "BusinessWeek" apurou que a Verizon Communications, a companhia de telecomunicações que está fazendo a incursão mais agressiva na área de TV, pretende usar a tecnologia da Microsoft em seu serviço televisivo, cujo lançamento será no segundo trimestre. "Temos uma visão compartilhada de como o mundo está evoluindo", diz Shawn Strickland, diretor do novo serviço da Verizon, o FiOS TV.
A explosão de progresso da Microsoft acontece no momento em que o negócio da televisão se encontra à beira de uma grande mudança. Companhias de telecomunicações endinheiradas estão começando a entrar no mercado, desafiando as empresas de TV a cabo que estão oferecendo serviços telefônicos através de suas redes.
A batalha resultante tem os dois lados correndo para lançar novos serviços de TV, que incluem vastos arquivos de filmes que podem ser exibidos sob encomenda e gravação pessoal de vídeo.
A tecnologia chave para a entrega desses serviços é algo chamado Internet Protocol Television, ou IPTV. A tecnologia pode ser usada para oferecer uma variedade estonteante de opções: o seriado "Desperate Housewifes" na hora que você quiser, o Super Bowl, final do campeonato de futebol americano, com uma dezena de ângulos de câmeras diferentes, e um número de canais quase ilimitado.
As companhias de telecomunicações estão abraçando a IPTV, uma vez que estão construindo seus sistemas de TV do zero. As companhias de TV a cabo, que usam uma tecnologia mais antiga, provavelmente começarão a migrar para a IPTV nos próximos cinco anos.
O analista Hervé Uteza, da Diffusion Group, estima que 15,3 milhões de lares estarão assinando os serviços de IPTV ao redor do mundo até 2008, comparado aos 184 milhões que usam a tecnologia tradicional de TV a cabo.
Se jogar as cartas certas na mesa, a Microsoft poderá acabar bem no meio desse negócio emergente. Seu software de IPTV está passando por testes e presente apenas nos laboratórios das companhias, mas especialistas afirmam que ele é o líder inicial desse mercado que está nascendo.
"A plataforma da Microsoft é a mais promissora", diz o analista Josh Bernoff, da Forrester Reseach. "Haverá muitos programas da Microsoft nos decodificadores daqui cinco anos."
Inicialmente, a recompensa poderá não ser grande. A Microsoft consegue de US$ 2 a US$ 5 por decodificador que usa seu programa, que gerencia o guia eletrônico de programação, a gravação de vídeo digital e outros aspectos da experiência do telespectador. No momento, o item mais valioso é o software que comanda os servidores que fazem de tudo, de servir a programação à proteção anti-pirataria para conteúdo de vídeo.
O analista Rick Sherlund, do Goldman Sachs, estima que as receitas totais da Microsoft com TV serão inferiores a US$ 1 bilhão nos próximos anos. Mesmo assim, o potencial de crescimento é enorme. Com 1,7 bilhão de televisores em funcionamento no mundo - mais que o dobro do número de PCs -, a iniciativa da Microsoft poderá acabar desembocando em um meganegócio.
A importância estratégica da proposta poderá ser maior que seu potencial de receita. O presidente do conselho de administração, Bill Gates, está apostando que a Microsoft vai firmar contratos de TV suficientes para que ela tenha nas salas das residências um papel tão importante quanto tem nos escritórios. Gates vislumbra a hora em que os decodificadores entrarão numa rede de produtos digitais - com o PC no centro, é claro - que rodam vídeo, música e fotos pela casa toda.
Ele se recusa a prever receitas específicas, mas diz que em algum momento a Microsoft vai recuperar os quase US$ 500 milhões investidos no software de TV na última década. "Certamente ele vai pagar todos esses anos iniciais", diz Gates.
Mesmo assim, o sucesso da Microsoft está longe de garantido. Construir tecnologia para a próxima geração da TV é algo melindroso. Não há certeza de que os produtos da Microsoft vão superar os de seus concorrentes - que incluem as fabricantes de equipamentos Siemens e Alcatel e companhias menores como a Kasenna.
Além disso, alguns clientes em potencial têm reservas em fazer negócios com a companhia que domina completamente a indústria de PCs. Eles evitam completamente a Microsoft ou tentam não "fechar" completamente com a companhia, misturando tecnologia da companhia com as de outras empresas.
"Há um certo nível de cautela das companhias quando elas trabalham com a Microsoft. Ela não estará na posição de monopólio como tem estado no negócio de PCs", diz Strickland, da Verizon.
Tecnologia de segunda, arrogância e timing ruim arruinaram esforços anteriores da Microsoft. Em 1994, com grande barulho, a Microsoft anunciou seu primeiro projeto de TV avançada, o Tiger, que armazenava vídeo em servidores de computador e os exibia mediante pedido dos usuários.
Na época, o custo da tecnologia tornou o sistema proibitivo. A Microsoft continuou insistindo com aquisições e novos produtos, mas não conseguiu "arrancar" no negócio. Um motivo: ela tentou colocar sua própria marca na frente dos telespectadores, alienando as operadoras de TV a cabo.
Para voltar à disputa, a companhia teve que repensar sua estratégia - e reconhecer seus erros no processo. Desde que assumiu o comando os negócios da área de TV, dois anos atrás, o vice-presidente Moshe Lichtman vem reduzindo os esforços da Microsoft na promoção de sua própria marca.
"Eles entendem que é um serviço da SBC, e não da Microsoft", diz Lea Ann Champion, vice-presidente de processamento de informações de operações e serviços da SBC, que deu à Microsoft seu maior contrato de software de IPTV, concordando em pagar à companhia US$ 400 milhões pelo fornecimento do software de TV pelos próximos dez anos. Os assinantes não verão a marca Microsoft nos serviços oferecidos pela SBC.
O mais surpreendente é que a Microsoft não insiste mais que os decodificadores rodem uma versão encolhida do Windows, conhecida como Windows CE. Ao invés disso, enquanto o primeiro produto IPTV da Microsoft roda no Windows, as versões novas serão desenhadas para rodar em sistemas operacionais da Motorola e de outros concorrentes.
Embora o alcance da oportunidade da Microsoft ainda esteja em questão, há poucas dúvidas de que a IPTV vai mudar a maneira como os fanáticos por televisão vão receber suas programações.
Os sistemas de cabo em utilização hoje foram desenhados para que todos os canais que eles oferecem cheguem ao decodificador ao mesmo tempo - prontos para que o telespectador selecione um. Mas com todas essas programações congestionando os cabos até as residências, as operadoras podem oferecer apenas um número limitado de canais.
A IPTV passa longe desse desenho. Apenas um programa chega ao decodificador de cada vez. Quando o telespectador muda para um novo canal, o decodificar notifica um servidor nas instalações da operadora de IPTV, que instantaneamente envia a nova programação.
Esse design dá aos telespectadores um número infinito de escolhas. Mais à frente, os provedores de IPTV esperam também permitir aos clientes perambular pela internet, em busca de transmissões de vídeo interessantes - sejam elas clips, filmes de sucesso ou filmes domésticos de um blogger.
Gates está confiante que os consumidores vão querer a IPTV. "As pessoas dão importância à experiência de assistir televisão. Se você pode de fato melhorá-la, isso tem um impacto bastante profundo", diz ele. Se a Microsoft for bem-sucedida, poderá transformar seu arrastado esforço de uma década na tecnologia de TV em uma arrancada. Esse programa vai ficar interessante. Valor Economico
Microsoft busca nova fonte de lucros na TV
11/2/2005
Após investir quase US$ 500 milhões e dez anos de pesquisas, a Microsoft começa a colher os frutos de sua aposta nos softwares para televisores. O primeiro sinal surgiu em novembro, quando a Comcast, líder da TV a cabo nos EUA, lançou para seus clientes de Seattle um decodificador que roda o software de TV da Microsoft. A empresa também fechou acordos com BellSouth e SBC Communications, que estão entrando na competição com as operadoras de TV a cabo. A Verizon pretende usar a tecnologia da Microsoft em seu serviço televisivo, a ser lançado no segundo trimestre.
A tecnologia-chave para esse serviço é o Internet Protocol Television (IPTV), que oferece uma variedade estonteante de opções ao telespectador. Inicialmente, a recompensa pode não ser grande. A Microsoft consegue de US$ 2 a US$ 5 por decodificador que usa seu programa, mas com 1,7 bilhão de televisores no mundo, o potencial é enorme. Valor Econômico
STJ decide hora de reprise da novela 'Laços de Família'
10/2/2005
Caberá a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça examinar a possibilidade de a Rede Globo reprisar a novela "Laços de Família", de Manoel Carlos, no horário das 14h30, dentro do programa "Vale a Pena Ver de Novo". Essa é a segunda tentativa da emissora de derrubar a proibição.
Em novembro de 2004, o ministro Antônio de Pádua Ribeiro rejeitou recurso da Globo que pretendia reformar decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro por conter cenas consideradas impróprias, de "nudez, sexo e violência". Inconformada com a manutenção da proibição pelo ministro Antônio de Pádua Ribeiro, a Rede Globo pede agora, em Agravo Regimental, que a Terceira Turma reconsidere a decisão.
A exibição da novela foi proibida pelo juiz Siro Darlan, do Rio de Janeiro. O juiz acolheu pedido do Ministério Público Federal por considerar que as cenas da novela são incompatíveis com o horário que seria reprisada. O Siro Darlan considerou que as reprises devem também obedecer à limitação do horário de exibição, devendo se adequar à faixa etária estabelecida para aquele horário.
A Rede Globo de Televisão recorreu, mas o Tribunal de Justiça do Rio também não concedeu a permissão. A emissora recorreu ao STJ. No Agravo de Instrumento, a emissora alegou a ilegitimidade do MPF para ingressar na Justiça em nome dos telespectadores.
O agravo foi analisado pelo ministro Antônio de Pádua Ribeiro, que negou seguimento ao recurso. Para ele, o Ministério Público tem legitimidade para propor Ação Civil Pública com o objetivo de observar os preceitos de ordem pública contidos no artigo 221 da Constituição Federal. Esse artigo assegura que as emissoras de rádio e televisão devem, obrigatoriamente, garantir, em sua programação, entre outros princípios, o respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
O ministro considerou ainda que, se a exibição da novela antes das 21h já é proibida em sua apresentação normal, com muito mais razão deve ser vedada sua reapresentação em horário vespertino como o pretendido pela emissora. AG 557.076 Consultor Jurídico
Projeto obriga pais a registrar em cartório filho seqüestrado
11/2/2005
BRASíLIA - O episódio da vida real que virou tema da novela da Rede Globo, "Senhora do Destino"', agora pode servir de embasamento para uma nova lei. é do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), o projeto de lei prestes a ser votado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, em caráter terminativo, que obriga os pais a registrarem no cartório o filho que lhe foi subtraído.
Virgílio disse que se inspirou no "caso Pedrinho", como ficou conhecido o drama vivido pela família de Brasília que teve o filho seqüestrado na maternidade por Vilma Martins. O episódio inspirou o enredo da novela "Senhora do Destino".
O senador lembrou que outros casos semelhantes foram registrados no País. E em todos eles, acredita que ficou patente a falta do dispositivo que está propondo na Lei de Registros Públicos. Não apenas para dar caráter de falso ao registro feito por quem furtar a criança, mas também para aumentar a pena contra os envolvidos na subtração. "O eufemismo 'subtração de pessoa', utilizado para referir-se a essa modalidade de seqüestro, acaba por favorecer quem cometeu o crime , na fixação do tipo penal e da pena", explicou.
Arthur Virgílio disse que é isso o que ocorre hoje com Vilma Martins, "beneficiada por uma pena privativa de liberdade extremamente atenuada, apesar da absoluta impossibilidade de reparar o sofrimento causado à família de Pedrinho, nos últimos 15 anos". O senador disse que sua intenção é a de acrescentar um parágrafo a mais na Lei de Registros Públicos, de 1973, segundo a qual "as declarações de nascimento feitas após o prazo legal somente serão registradas mediante despacho do juiz e mediante o pagamento de multa".
O acréscimo determina que "é imprescritível o direito de registrar filho subtraído dos genitores". O líder prevê que a exigência facilitará a anulação de filiação baseada em declaração falsa de paternidade ou maternidade, como a que foi feita por Vilma Martins, na vida real e por Nazaré Tedesco, na novela. Tribuna da Imprensa
Contra-ataque
11/2/2005
A Globo que se prepare. O SBT firmou parceria com a Warner Brothers Pictures e com a Diler & Associados para a realização de filmes. O primeiro longa-metragem já tem até nome escolhido: "Coisa de mulher". Os atores que estrelam a produção de estréia são da casa: Hebe Camargo e Adriane Galisteu. Tribuna da Imprensa
Ofensiva 1
11/2/2005
Silvio Santos chamou Herval Rossano, diretor de teledramaturgia da Record, para uma conversa. Está incomodado com o crescimento da concorrente e com o sucesso da novela "A Escrava Isaura". Na terça, "Isaura" deu 17 pontos e, durante muito tempo, ficou a apenas cinco de "Começar de Novo", da Globo.
Ofensiva 2
Na quarta, impulsionada por "A Escrava Isaura" e por São Paulo x São Caetano (que deu 17 de média), a Record voltou a bater o SBT na média do horário nobre (18h/24h), por 12 a 10 pontos na Grande São Paulo.
Ofensiva 3
A Globo, apesar de não ser ameaçada, já esboça reação. Tem dificultado a contratação de seus atores para as novelas da Record. E está de olho em Marcelo Rezende e Celso Freitas. Daniel Castro - Folha de São Paulo
Carnaval paulista bate o do Rio no Ibope
11/2/2005
Incrível: o Carnaval de São Paulo, tecnicamente inferior ao do Rio de Janeiro, foi campeão no Ibope em 2005. As transmissões dos desfiles de São Paulo, na sexta e no sábado, deram à Globo médias de 15 pontos em cada dia. As do Rio marcaram 14 pontos no domingo e na segunda. Os dados são da Grande São Paulo.
é a primeira vez que o Carnaval paulista dá mais audiência do que o do Rio mesmo na medição da Grande SP. No ano passado as escolas de São Paulo cravaram 13 pontos na sexta e 14 no sábado. As do Rio renderam 14 pontos no domingo e 15 na segunda.
Os números revelam interesse maior do telespectador paulistano pelo próprio Carnaval, que é prejudicado pelo fato de as transmissões serem nos dias de menor audiência da semana e de começarem mais tarde, por volta de 23h _as do Rio começam às 21h. Daniel
Principal "estrela" das transmissões da Globo no Rio, a "sky cam", câmera sustentada por cabos de material sintético, usada na abertura das Olimpíadas, não funcionou no domingo.
Um dos cabos da câmera _que permitiu ângulos inéditos do Carnaval, com tomadas em 360º_ foi danificado pela linha de uma pipa pouco antes do desfile de domingo. Por questões de segurança, a Globo e a empresa americana que a alugou optaram por consertar o cabo só na segunda. Castro - Folha de São Paulo
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Legislação de Comunicação
Fórum do Audiovisual e Cinema trabalha para apresentar projeto alternativo
para a ANCINAV
10/2/2005
O Fórum do Audiovisual e Cinema - FAC é constituído por 17 outras instituições ligadas à TV e ao cinema e sua ação foi seguramente determinante para que o Governo revisse seu posicionamento em relação à ANCINAV. No último dia 27 de janeiro, o FAC discutiu um projeto alternativo para que a ANCINAV possa exercer funções de fomento e incentivo. A minuta do projeto foi distribuída aos membros da VP Jurídica da ABTA e está disponível aos associados. ABTA em Ação - Assessoria de Imprensa ABTA
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MMDS
Anatel quer estimular a digitalização das operadoras via MMDS
11/2/2005
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) quer estimular as empresas que prestam serviços de televisão via MMDS (serviço de distribuição de sinais por onda de rádio multiponto multicanal) a se digitalizar. Foi publicada ontem no "Diário Oficial" uma consulta pública alterando a faixa utilizada para MMDS e determinando blocos de radiofreqüência para uso exclusivamente digital. O texto estará aberto à contribuições dos interessados até o dia 28 de março.
O MMDS é um dos principais sistemas de distribuição de sinais de televisão por assinatura utilizado no Brasil. A maior representante da tecnologia no País é a MaisTV (TVA). O conselheiro da Anatel, José Leite Pereira Filho, avaliou positivamente a mudança e garantiu que a digitalização trará benefícios para as operadoras de TV por assinatura. "Todos nós concordamos que o MMDS precisa se digitalizar", afirmou.
Uma das vantagens é a ampliação do número de canais disponíveis para a transmissão. Leite explicou que a digitalização quadruplicará o portfólio de programas. Enquanto o sistema analógico permite 31 canais, os equipamentos digitais ampliam a faixa para 72 canais.
Outro benefício é a possibilidade das TVs prestarem serviços de dados, como conexão à internet, independente se o cliente está utilizando os serviços de TV por assinatura. De acordo com as regras atuais, as operadoras de MMDS só podem oferecer serviços adicionais para os assinantes da TV. A mudança de faixa também deverá abrir caminho para a prestação de voz sobre IP (Internet Protocol), ou seja, telefonia sobre a plataforma da internet. Os novos contratos de uso da faixa de MMDS digital devem começar a ser assinados em 2009, quando vencem os atuais. Mariana Mazza - Gazeta Mercantil
Anatel mexe nas freqüências do MMDS e reserva espectro para 3G
10/2/2005
A Anatel lançou para consulta pública, cujas contribuições poderão ser enviadas até o dia 28 de março, um novo regulamento para o uso das faixas de freqüência do MMDS (TV por assinatura por radiofreqüência). Conforme a proposta, os atuais 186 MHZ destinados para o MMDS terão novas ocupações. Para assegurar o direito adquirido dos atuais prestadores de serviço, as empresas que ocupam a faixa de 2500 a 2186 MHz poderão continuar a operar com a tecnologia analógica ou digital e ocupar os 6MHz atuais (que permitem a oferta de 31 canais de TV). Um outro pedaço dessa faixa - de 90 MHz (distribuídos entre as freqüências de 2500 a 2190 MHz) - está sendo destinado para o SCM (serviço de comunicação multimídia), além do MMDS. Com isso, explica o conselheiro José Leite Pereira Filho, os operadores de MMDS poderão, com a licença de SCM, ofertar acesso em banda larga à Internet.
Isso significa que ficam autorizados a vender o serviço para qualquer usuário e não apenas para os seus clientes de TV por Assinatura, como ocorre atualmente. Há uma única condição para a ocupação dessa faixa: o serviço prestado deve ser exclusivamente digital. E, por fim, a Agência reservou outros 100 MHz (50 de ida e 50 de volta) para futuras autorizações móveis. Segundo Leite, esta faixa promete ser aquela na qual o mundo irá convergir para a oferta de serviços móveis de terceira e quarta gerações e, por isso, ficará reservada no Brasil até que essa tendência mundial se confirme.
Segundo o conselheiro, à medida em que forem vencendo as atuais outorgas de MMDS (as primeiras licenças vencem em 2009), as renovações deverão ser feitas sem essa faixa. Observou, no entanto, que a decisão para a nova destinação dessa faixa (que vai de 2170 MHz a 2182 MHz) dependerá de sua efetiva utilização nos Estados Unidos e Europa.. Até lá, a Anatel está apenas propondo o cancelamento desse pedaço de faixa para o MMDS, garantindo, no entanto, que as autorizações existentes sejam utilizadas até o final da outorga.
Com a autorização para que um pedaço da freqüência do MMDS seja ocupada pelo SCM, a Agência acredita que, nas localidades onde o espectro não esteja sendo integralmente ocupado pelas empresas de TV por Assinatura, novos prestadores poderão utilizar essa faixa aumentando, assim, a competição na oferta de banda larga. Leite acredita que não haverá conflito com os prestadores de MMDS, já que essa faixa, para ser ocupada por outro provedor, terá que haver uma coordenação, visto que os dois serviços são prestados em caráter primário (têm preferência sobre outros serviços). Miriam Aquino - Telecom Online
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Política de TV por Assinatura
ABTA encontra conselheiro da Anatel para debater convergência
10/2/2005
A ABTA, representada por seu diretor executivo, Alexandre Annenberg; e por Diône Craveiro, diretor de Brasília, realizou na semana passada uma reunião com o Conselheiro José Leite Pereira Filho (ANATEL) para debater a convergência de tecnologias e a questão do uso da licença SCM pelas operadoras de serviços telefônicos. Na ocasião, a ABTA reiterou o fato de que os Termos de Autorização da licença não permitem a prestação de serviços de telefonia fixa, radiofusão e de televisão por assinatura por parte das operadoras de serviços telefônicos. Estes dispositivos do Termo não autorizam, portanto, a oferta de video on demand e pay-per-view por tais empresas.
Durante a reunião, o Conselheiro se posicionou de forma enfática, em concordância com as exigências estabelecidas no Termo, e com o seu cumprimento. ABTA em Ação - Assessoria de Imprensa ABTA
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Regulação
Revisão do regimento interno da Anatel vai a consulta pública
10/2/2005
O Conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações - Anatel José Leite Pereira Filho anunciou na tarde desta quinta-feira, 10, a abertura da Consulta Pública nº 594 que debaterá com a sociedade, até o dia 6 de março, a Proposta de Revisão do Regimento Interno da Agência. O documento foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira e receberá contribuições por meio eletrônico, carta e fax.
A revisão do Regimento visa ao aprimoramento do desempenho organizacional da Anatel e propõe a criação de 10 superintendências: Gestão de Modelo Regulatório, Gestão Econômica da Prestação, Habilitação, Controle de Obrigações, Relações com Prestadoras, Defesa dos Direitos dos Usuários, Recursos Escassos, Fiscalização, Gestão Interna e Administração e Finanças.
Elas substituirão a atual estrutura, formada pelas superintendências de Serviços Públicos, de Serviços Privados, de Comunicação de Massa, de Universalização, de Radiofreqüência e Fiscalização e de Administração Geral, em um prazo de até 180 dias.
USUÁRIO
As mudanças concebidas objetivam não apenas o melhor desempenho organizacional da Anatel, mas também a agilização do atendimento ao usuário dos serviços de telecomunicações. Segundo Leite, a Superintendência de Defesa dos Direitos dos Usuários foi desenhada especificamente para cuidar das reclamações que chegam à Agência. "Ela vai receber e resolver a reclamação do usuário, em vez de espalhar a solicitação pelas superintendências da Agência", explicou. Atualmente, a Assessoria de Relações com Usuários envia a reclamação do usuário à superintendência relacionada ao serviço.
Além da reestruturação das superintendências, estão previstas medidas que alteram procedimentos relacionados a aberturas de processos administrativos, entre outras mudanças. A partir da reestruturação, a decisão da abertura de um Procedimento de Apuração por Descumprimento de Obrigação (Pado) não será mais do fiscal em campo, mas da superintendência responsável pelo processo. Contribuições à Consulta nº 595 devem ser devidamente fundamentadas e encaminhadas à Anatel por meio do Sistema Interativo de Acompanhamento de Consulta Pública, disponível no Portal da Agência (www.anatel.gov.br), na Internet, até as 23h59 do dia 6 de março. Manifestações por carta (endereço abaixo), fax (61 - 2312 2002) e correio eletrônico (bilbioteca em anatel.gov.br) serão recebidas até as 18h do dia 2 de março.
Agência Nacional de Telecomunicações - Anatel
Superintendência de Administração Geral
Consulta Pública nº 595
Proposta de Revisão do Regimento Interno da Agência Nacional de
Telecomunicações - Anatel
Setor de Autarquias Sul, Quadra 6/ Bloco F, Térreo - Biblioteca
Brasília-DF CEP: 70070-940
Assessoria de Imprensa - Anatel
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Sociedade da Comunicação
São Gonçalo (RJ) amplia sua partricipação no programa de inclusão digital
10/02/2005, 13h47
Rio - São Gonçalo é o primeiro município do Rio de Janeiro a receber uma das 100 estações digitais que serão implantadas até o final do ano em várias cidades pela Fundação Banco do Brasil. A iniciativa faz parte do Programa de Inclusão Digital do governo que investe este ano R$ 8,4 milhões no setor
A estação digital foi inaugurada hoje no bairro de Alcântara onde já funcionava um telecentro na Rádio Comunitária Novo Ar, com cinco computadores. Esta unidade foi montada com o dinheiro do prêmio recebido em 2002 do Banco Mundial pelos programas sociais desenvolvidos pela comunidade. Com o investimento de R$ 40 mil, o espaço foi ampliado e adquiridos mais nove computadores.
A presidente da comunidade Novo Ar, Maria Graça Rocha, explicou que a nova estrutura "representa uma possibilidade maior de inclusão social da comunidade e de geração de emprego e renda para os jovens, já que muitos deles conseguiram entrar para universidades federais com base de formação desenvolvida no espaço".
A comunidade Novo Ar tem 2.300 sócios e já formou mil jovens em programas de informática. Maria Graça espera dobrar este número, com a expansão da estrutura, agora transformada em estação digital. A comunidade desenvolve vários trabalhos de formação profissional, especialmente voltados para jovens em mulheres. Norma Nery - Portal da Cidadania - Radiobrás
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Audiovisual
País revê estratégia de venda de audiovisual
11/2/2005
Governo resolveu dar um tempo nos pedidos de abertura de mercados
GENEBRA - O governo brasileiro abandona temporariamente a estratégia de pedir a liberalização dos mercados estrangeiros para os produtos audiovisuais do País nas negociações comerciais internacionais, como na Organização Mundial do Comércio (OMC). A atitude, no entanto, não esbarra no trabalho que vem sendo feito pelo Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual, para a busca de novos mercados. A questão é a ampliação de cotas para produtos estrangeiros nos países ricos, briga que o Brasil também vem travando em outras áreas, caso do agrobusiness - algodão e açúcar, por exemplo.
Durante a última década, o País insistiu na inclusão da liberalização dos serviços audiovisuais na agenda das negociações comerciais como forma de promover as exportações de telenovelas e filmes, especialmente para o mercado europeu.
Agora, com debate da criação da Agência Nacional de Cinema e Audiovisual (Ancinav) e levando em conta a questão da diversidade cultural, o governo admite que está dando uma pausa e revendo o tema na agenda da OMC. Nas negociações para a criação de uma área de livre comércio entre o Mercosul e a Europa, o tema já foi retirado da agenda.
O Itamaraty sustenta que o tema da liberalização do comércio de audiovisuais não foi completamente rejeitado, mas que será dado um tempo até que as questões internas no País sobre o debate do audiovisual sejam resolvidas. Diplomatas brasileiros admitem, porém, que essa pausa significa adiar o debate na OMC e provavelmente não incluir o tema na agenda da atual rodada de negociações, planejada para ter resultados a partir de 2007.
Outro argumento seria o de que o País gostaria de esperar uma definição da Unesco referente ao tratamento que deve ser dado a produtos culturais. Mas, em Brasília, negociadores reconhecem que o motivo da exclusão do tema da agenda também é defensivo. O Brasil não quer solicitar que os mercados de outros países sejam abertos para que não acabe obrigado também a abrir ainda mais seu próprio mercado para produções estrangeiras. "O setor de audiovisuais era um dos poucos nas negociações de serviços onde tínhamos claros objetivos ofensivos", reconheceu um funcionário do governo.
Curiosamente, o País está envolvido na promoção de uma conferência internacional que ocorrerá na Bahia, em abril, e que tem como objetivo formular estratégias para a exportação de outros bens culturais, como música e artesanato. A ONU está dando seu apoio ao governo nesse projeto e o ministro da Cultura, Gilberto Gil, recentemente fez uma visita a Genebra para fechar os detalhes da organização do evento.
A ONU, porém, estima que o Brasil teria um importante potencial exportador de produtos audiovisuais e acredita que esse deve ser um setor a ser explorado. Mesmo com as barreiras impostas na Europa, as novelas brasileiras continuam sendo um sucesso. Um canal suíço mostra neste momento em seu horário nobre a novela Anjo Mau, de 1997, com Glória Pires. No Kosovo, há poucos anos, a novela Terra Nostra teve grande repercussão. Dados apresentados pela ONU indicam que o Brasil exporta US$ 200 milhões por ano em programas de TV, o que representa 30 mil horas de transmissão. Jamil Chade - O Estado de São Paulo
Diretor cria seu próprio Hughes e assume riscos com DiCaprio
11/2/2005
Se existe alguém que tenha vivido exemplarmente todas as contradições da vida americana no século 20, este sujeito é Howard Hughes. Para ele convergem as principais obsessões da modernidade, entre as quais o cinema e a aviação, enquanto os ideais puritanos de trabalho e auto-aperfeiçoamento se mesclam sem pudores às técnicas do gangsterismo.
Por fim, o individualismo heróico e inescrupuloso dará lugar à misantropia e à paranóia, como se a reclusão do velho Hughes, protegido em sua casa por mórmons, fosse o desfecho moral de uma longa fábula verdadeira.
Scorsese não conta o final da história real em "O Aviador". Seu filme abrange 20 anos da vida de Howard Hughes, de 1927 a 1947, aproximadamente. Não é pouco tempo, mas nos poupa de fato da terrível decadência física do personagem e de empreitadas bem sujas que este teria orquestrado para manter o seu império, além do mal explicado envolvimento com o escândalo Watergate.
Há ainda outras coisas que Scorsese deixou de lado. Por exemplo, a bissexualidade de Hughes, que teria feito dele um amigo tão fervoroso de Audrey Hepburn quanto de Cary Grant, além de freqüentador de sessões sadomasoquistas em San Francisco.
"O Aviador" não é, porém, um documentário, e sim uma ficção. E uma ficção autoral, para deixar bem claro que, embora o personagem não tenha saído da imaginação do diretor, o Hughes de Scorsese é uma criação cinematográfica, uma idéia de cinema.
Como idéia de cinema, "O Aviador" tem menos a ver com Hughes do que com Charles Foster Kane. "Cidadão Kane" (1941) inaugurou o cinema moderno e é uma obsessão de todo grande diretor. Este ilustre antecedente é a inspiração e o contraponto de Scorsese. "O Aviador" terá até mesmo a sua palavra-mito, como foi "Rosebud" para o filme de Welles: "Q.U.A.R.E.N.T.E.N.A.".
A palavra será pronunciada na cena inicial do filme, quando a mãe de Hughes, obcecada por doenças contagiosas, dá banho no filho de 11 anos, aconselhando-o a respeito dos perigos do mundo.
A partir da cena, Scorsese constrói a contradição central do personagem: o medo da contaminação e da morte, transmitido tão eroticamente pela mãe, faz de Hughes um tipo extraordinário. Por detrás da pele de capitalista imoral, ele guardará uma sensibilidade artística e uma atração voluptuosa pelo vôo e pela velocidade -variante do desejo de evasão.
Ao contrário de Welles, que transforma "Cidadão Kane" em uma das maiores tragédias americanas, Scorsese prefere ver vantagens em Hughes -além de artista, ele conteria o espírito pioneiro que produziu a América.
No filme, poucos saberão enxergar nele uma coisa e outra. Aos olhos dos capitalistas, todos insensíveis, inclusive os de Hollywood, Hughes não passa de um louco quando ele busca a perfeição ao realizar o seu filme "Hell's Angels" (anjos do inferno) ou ao construir um modelo de avião.
Ao contrário de Welles, também, Scorsese preferiu evitar todo experimentalismo e adotou um cinema de feitio clássico, mesmo nos momentos de alucinação de Hughes -que estão entre os melhores de "O Aviador".
As cenas revelam a incrível maturação de Leonardo DiCaprio como ator, que enfrenta neste filme toda sorte de dificuldades -e se sai bem na conta final.
Realizar o filme com DiCaprio foi um enorme risco para Scorsese. DiCaprio é um intérprete elegante e dedicado, mas cuja voz e cujo rosto se recusam a envelhecer, apesar de seus 30 anos. A jovialidade do ator é um ótimo dínamo para o início do filme, mas à medida que passa o tempo e Hughes se abisma em suas obsessões, os problemas aumentam.
Scorsese e DiCaprio assumem todos os riscos, e um dos aspectos mais interessantes deste filme é a luta de ambos para transfigurar a feição do ator à medida em que vão aparecendo no personagem as demandas do envelhecimento, da doença e da loucura. Alcino Leite Neto - Folha de São Paulo
Biografia privilegia fofocas e esquece aviação
11/2/2005
O título desta biografia do magnata Howard R. Hughes (1905-1976) foi mudado para aproveitar o lançamento do filme de Martin Scorsese; o original era apenas "Howard Hughes". Mas, em vez de "O Aviador", seria melhor outro título: "O Fornicador".
O autor, Charles Higham, dá um destaque sensacionalista à vida sexual do biografado, entrando em detalhes que dariam vergonha a uma revista de fofocas. Apesar de apresentar poucas provas, insiste que Hughes era bissexual, ao contrário de uma biografia rival, de Peter Harry Brown e Pat Broeske, que nega o interesse dele por sexo com homens.
"Seus hábitos sexuais eram variados. Preferia o intercurso intermamário -fazer amor entre os seios da mulher- ou a felação à penetração vaginal. Com os homens também preferia sexo oral. Era um amante insensível, desapaixonado, procurando apenas o controle", descreve Higham.
A lista de atrizes famosas que teriam ido para a cama com Hughes é extensa: Katharine Hepburn, Jean Harlow, Gingers Rogers, Jane Russell, Bette Davis. Já entre os supostos casos homossexuais estariam Randolph Scott, Cary Grant e Tyrone Power.
Hughes é um prato cheio para biógrafos, especialmente os da variedade moderna, que procuram vasculhar aspectos da vida íntima dos biografados. é curioso que tenha sido vivido no cinema por um galã como Leonardo DiCaprio, pois ele era um ser humano asqueroso, repulsivo.
O filme pouco aproveitou das revelações mais desagradáveis do livro, além de tornar o magnata uma espécie de rebelde visionário, algo que não era. Higham conta toda a podridão -até demais, pois inclui boatos e especulações com pouca evidência.
Hughes esteve envolvido com duas das principais indústrias americanas, o cinema e a aviação. Tinha distúrbios psicológicos sérios, como sua mania por limpeza e o medo de germes. Viveu depois como recluso. Era racista e anti-semita. Anticomunista ferrenho, participou da caça às bruxas no mundo do cinema. Ligou-se a alguns dos mais corruptos políticos do século 20, como Richard Nixon, e os ditadores de Cuba, Fulgêncio Batista, e da Nicarágua, Anastasio Somoza.
Higham é um jornalista e biógrafo especializado em Hollywood, também autor de uma biografia de Ava Gardner, atriz que Hughes tentou levar para a cama. O lado de aviação termina sendo, ironicamente, uma das partes mais fracas deste livro.
Hughes fez proezas como piloto. Mas foi um fracasso retumbante como industrial de aviação. Nenhum dos aviões importantes do conflito saiu da sua empresa. Se a força aérea americana dependesse dele, japoneses e alemães teriam ganho a guerra, enquanto Hughes perseguia atrizes, para voar com elas, e fornicá-las. Ricardo Bonalume Neto - Folha de São Paulo
Só anjos têm asas
11/2/2005
Cinebiografia do milionário Howard Hughes, feita pelo veterano Martin Scorsese, estréia hoje no Brasil, com 11 indicações ao Oscar
Como dr. Jekyll e mr. Hyde, dr. Frankenstein e a Criatura, Martin Scorsese e Howard Hughes são opostos que se atraíram na criação. O cineasta nova-iorquino de 62 anos, autor de clássicos como "Taxi Driver" (76), "Touro Indomável" (80) e "Bons Companheiros" (90), é o pai de "O Aviador", cinebiografia do multimilionário norte-americano (1905-1976) que colocou no ar com a ajuda do ator Leonardo DiCaprio, que interpreta o personagem-título.
"Howard achava que o importante é o futuro. Para mim, o futuro está no passado", disse à Folha o diretor, do alto de seu 1,60 m, uma metralhadora giratória de cuja boca saem centenas de palavras por minuto -uma vantagem do ponto de vista jornalístico, uma vez que a cada repórter o diretor concede entre 15 e 20 minutos de conversa, e editorial, já que pouco do que fala se perde.
Se "Gangues de Nova York" (2002) colocou o diretor de volta ao grande circuito, com uma bilheteria de mais de US$ 100 milhões (R$ 260 milhões) e dez indicações ao Oscar (todas perdidas), "O Aviador", que estréia hoje, pode valer a primeira estatueta da carreira do diretor. é sua sétima indicação, a quinta na direção, todas ignoradas pela Academia, que entrega seu prêmio em cerimônia no próximo dia 27. A diferença é que agora Scorsese tem chances reais. "é tudo vaidade", diz ele.
é a cinebiografia do texano que foi dono de estúdio de cinema (RKO) e de companhia de aviação (TWA), batedor de recordes aéreos, inventor de avião (o Hércules) e do sutiã de armação, namorado entre outras das atrizes Jean Harlow, Katharine Hepburn, Bette Davis, Olivia de Havilland e Ava Gardner, que sofria de TOC (transtorno obsessivo compulsivo) e foi se tornando cada vez mais excêntrico e recluso a ponto de haver dúvida se sua morte ocorreu mesmo em 1976.
O filme conseguiu US$ 75 milhões (R$ 196 milhões) nos EUA até agora, bilheteria turbinada pelas 11 indicações ao Oscar, e serviu para reafirmar a ligação de Scorsese com DiCaprio, parecida com a que o diretor teve antes com Robert de Niro, presente em oito longas scorsesianos. Agora, preparam seu terceiro filme juntos, "The Departed", baseado na trilogia de filmes "Infernal Affairs", sucesso de Hong Kong dos diretores Andrew Lau e Alan Mak. Sérgio Dávila - Folha de São Paulo
"Minhas horas mais felizes são sozinho"
11/2/2005
Leia a seguir a entrevista que Martin Scorsese deu à Folha à época do lançamento de "O Aviador" nos EUA.
POR QUE HUGHES - "Meu interesse sempre foi o personagem que ele se tornou. Gosto de como o roteirista lidou com isso; ele não tenta contar a história toda, só os seus primeiros 30 anos, mas justamente os de formação, em que ele é um verdadeiro pioneiro em Hollywood e na aviação norte-americana. Há uma metáfora aí. O Oeste já havia sido conquistado, mas você não podia ir além da Califórnia. Depois dela, vinha o oceano e o Oriente. E ele pressionou em ambas as frentes para que conseguíssemos ir além.
Em Hollywood, no campo da imaginação -antes e depois dele, ninguém mais colocou 40 aviões de verdade no céu para fazer uma tomada, como fez em "Hell's Angels", em 1930! Quatro homens morreram nas filmagens. E muitos eram ex-pilotos da Primeira Guerra. Ele criou um show quase como o das disputas dos cavaleiros na Idade Média ou dos gladiadores no Coliseu. Já na aviação, inovou no campo tecnológico. Foi o primeiro bilionário americano, então tinha a idéia de construir o futuro do país, porque tinha todo o dinheiro do mundo. é reveladora da personalidade sua frase: "Para mim o importante é o futuro'".
PRODUTOR X DIRETOR - "Há essa polêmica sobre quem deve receber o Oscar se "Aviador" ganhar melhor filme: o produtor, como é praxe, ou o diretor. é curioso. Só fiz este filme porque meu interesse inicial era o período em que D.W. Griffith era produtor e diretor, na época do sistema de estúdio, em que o produtor era o autor, num certo sentido. O diretor como autor só apareceu com os críticos da nouvelle vague francesa, nos anos 50. Era essa a transição que me interessava e foi assim que cheguei a Hughes, um produtor-diretor. é tudo vaidade. O fato é que com isso cheguei a Hughes e me interessei não só pelo aspecto bizarro de sua vida, que não era pequeno, mas por ele estar sempre forçando os limites. Brigou com a censura pelos decotes de suas atrizes e pela violência em "Scarface" e contribuiu para acabar com a autocensura".
PAVOR DE AVIãO - "Você pode me definir por dois aspectos: 1. odeio aviões; 2. odeio campo e cidades muito abertas, como Los Angeles. Nasci, cresci e vivi entre os prédios e as ruas estreitas de Nova York. E fui fazer este filme, que se passa quase todo em Los Angeles ou no deserto ou no campo. E com muitos vôos [risos]. Estou falando sério, filmar Hughes jogando golfe foi uma tortura. Os pássaros pareciam mirar na minha cabeça! Adoraria fazer mais filmes não-urbanos como esse. Mas estou ficando velho e tenho velhos hábitos. Diferentemente de Hughes, acho que o futuro está no passado. Devo me concentrar no que já aconteceu. Os anos 70, os 60. Talvez os 50, agora estou gostando desta época. Porque foram meus anos de formação".
PERSONAGENS SOLITáRIOS - "Por que Travis ["Taxi Driver'], Jake LaMota ["Touro Indomável'], Hughes? A resposta mais curta é porque sou muito solitário. Tinha asma quando criança, ficava sempre sozinho. Meus pais eram operários, e os médicos receitavam remédio e ficar quieto no quarto, separado das outras crianças. Acho que eles me levaram tanto ao cinema porque não sabiam o que fazer comigo. Então comecei a desenhar filmes. Eles trabalhavam fora, eu voltava para casa às 15h e, por duas horas, tinha o apartamento todo para mim. Usava aquele tempo para desenhar meus próprios filmes, como se fossem HQ. Depois, os coloria. Sempre quis voltar para aquelas duas horas de solidão criativa. Tanto que trabalho assim até hoje. Sozinho. São seis, sete horas, por três ou quatro dias. Depois, tenho de encontrar as pessoas para discutir custos, redimensionar, pensar em atores. Mas estar sozinho e visualizar como colocar as palavras daquele roteiro em ação são as minha horas mais felizes. E as mais duras".
BUNDA DE DICAPRIO - "é dele, sem dublês. Mas não chega a ser uma cena erótica. O coitado do Hughes está no meio de uma crise. DiCaprio foi corajoso; se você quer ser ator, não pode ter medo". SéRGIO DáVILA - Folha de São Paulo
Nas asas do cinema americano
11/2/2005
O mercado editorial brasileiro, aproveitando o sucesso do lançamento de mais um blockbuster americano, coloca no mercado dois novos títulos. A tradicional editora carioca Record acaba de lançar "O Aviador - A Vida Secreta de Howard Hughes", enquanto a paulistana Cosac & Naify, especializada em livros de arte e cinema, lançou no final do ano passado, "Uma Viagem Pessoal pelo Cinema Americano", de Martin Scorsese, com a colaboração de Michael Henry Wilson, assistente do diretor.
"O Aviador" de Higham, ao contrário da personagem de ficção apresentada por Scorsese em sua obra fílmica, é um legítimo "auto da devassa" do que foi a vida de Hughes, um dos homens mais ricos e poderosos dos Estados Unidos entre os anos 20 e 70 do século passado. Sua figura excêntrica e marcada por transtornos obsessivos-compulsivos, que o levaram a uma completa reclusão nos 10 últimos anos de sua vida, é apresentada sem retoques ou atenuantes.
Jornalista de formação, o autor biografou, além do milionário texano apaixonado por aviação e cinema, estrelas hollywoodianas do porte de Audrey Hepburn, Ava Gardner, Marlon Brando e Marlene Dietrich. Para escrever sobre Hughes, morto em circunstâncias misteriosas em abril de 1976, num vôo que decolara de Acapulco, no México, o autor pesquisou durante dois anos, entrevistando inclusive os antigos guarda-costas mórmons do empresário.
Histórias extraordinárias é que não faltam sobre sua figura. Hughes, além de se envolver com estrelas hollywoodianas de primeira grandeza, gostava de participar de orgias e tinha uma sexualidade nada ortodoxa, ao contrário do que exibe o filme com Leonardo Dicaprio no papel principal. A mesma capacidade que possuía de projetar aviões, seduzir pessoas e produzir filmes hoje considerados clássicos como "Anjos do Inferno", de 1927, no qual gastou na época US$ 4 milhões, a maior cifra consumida para a produção de um filme até então, e "Scarface - a Vergonha de Uma Nação", de 1932, também era utilizada para se envolver em escândalos políticos como o suposto complô americano para assassinar Fidel Castro após a Revolução Cubana, em 1959, e sua participação no caso Watergate ao lado do também texano Richard Nixon, pior escândalo da história da presidência americana em meados da década de 70.
Por sua vez, Scorsese exprime em "Uma Viagem Pessoal pelo Cinema Americano" uma legítima autobiografia, relatando suas impressões e aprendizados de mais de quatro décadas dedicadas exclusivamente ao cinema.
O livro, com tradução do competente crítico de cinema José Geraldo Couto, é a adaptação do roteiro de um documentário feito em 1994 sob encomenda do British Film Institute, de Londres, para celebrar no ano seguinte o centenário da criação do cinema pelos irmãos Lumière.
Dividido em cinco capítulos, que apresentam a figura do diretor dentro do cinema americano como contador de histórias, ilusionista, contrabandista - ao fazer uso de metáforas e técnicas para burlar as regras do "bom" cinema ditadas pelos estúdios - e iconoclasta.
Na elaboraração de seu documentário, Scorsese justapunha declarações suas em primeira pessoa às de colegas e atores como Gregory Peck e Frank Capra, e a trechos de filmes americanos que em sua visão ajudaram os filmes daquele país a atingirem a importância que possuem até os dias atuais. Ao transformar o roteiro em livro, a escolha foi por manter as declarações e substituir as seqüências selecionadas por fotos do filme em questão.
O resultado da opção de Scorsese é que, além de publicar um livro com declarações que podem fomentar o debate sobre o tema, dado o caráter altamente contestável e questionável que possuem, por serem feitas a partir da visão da Sétima Arte que tem o diretor, a partir de sua experiência autoral, é também uma bela seleção de fotos raras sobre filmes fundamentais para a história do cinema, tais como "Cidadão Kane", de Orson Wells, e "Os Dez Mandamentos", de Cecil B. de Mille, e outros mais obscuros, mas não menos importantes, como o próprio "Scarface", ou "O Grande Roubo do Trem", de 1903, primeiro filme de ficção da história do cinema americano. Gazeta Mercantil
Não gostei
11/2/2005
Martin Scorsese pode ter errado outras vezes em sua carreira, mas nunca fez um filme tão equivocado como O Aviador. É verdade que o filme que estréia hoje, alardeando 11 indicações para o Oscar - recorde do ano -, ostenta valores indiscutíveis de produção. Possui suntuosidade cênica, a música é maravilhosa e a interpretação de Leonardo DiCaprio sustenta o partido do diretor. Você até poderia achar que ele é muito jovem para um personagem tão grande. DiCaprio seria ideal para a fase de juventude, mas não para a loucura final de Howard Hughes. Ele é das boas coisas que O Aviador tem a oferecer, mais até do que a Katharine Hepburn de Cate Blanchett, uma unanimidade ressaltada em todos os prêmios (Globo de Ouro, Actor's Guild), mas que tem o dom de irritar. Ou você gosta da Kate real ou da de Cate. Das duas, é impossível.
Quem ler a biografia de Charles Higham que inspirou o filme de Scorsese vai chegar à conclusão de que O Aviador, na versão do diretor, é pura mistificação. Ele omitiu todas as arestas mais controvertidas da vida e da personalidade de Howard Hughes. Transformou em fantasia heterossexual a vida secreta de um sujeito que não só era bissexual, como chegado a travestismo e sadomasoquismo. E ele era racista, odiando negros e judeus. Tudo isso Scorsese omite para insistir no mito do norte-americano como empreendedor.
Hughes, para ele, é o produtor e diretor que desafiou Hollywood para fazer o cinema que queria. Sua contribuição à indústria aeroespacial não foi menos importante. Contra tudo e todos, sofrendo todo tipo de acusação, ele prova sempre que está certo. Scorsese mergulha no desequilíbrio do velho e torturado Hughes, mas não consegue ser crítico nem desmistificador em relação ao piloto e artista ousado. Howard Hughes derrota Scorsese. O mais longe que Scorsese vai na crítica é mostrando um Hughes obsessivo e neurótico, repetindo frases, mecanicamente, como o Travis de Motorista de Táxi, de 1975 - o célebre 'Are you talking to me?"
Gangues de Nova York já era muito estranho, com aquele desfecho, certamente oportunista num projeto de mais de 20 anos, que erigia as torres gêmeas sobre as sepulturas dos personagens de Daniel Day-Lewis e Leonardo DiCaprio. Scorsese queria dizer que a grandeza dos EUA é a sua tragédia? Um país construído na violência e no ódio? E, aqui, por que essa insistência em transformar em herói um homem cuja vida secreta é conhecida, mas é preciso adulterar para sustentar a tese? Tudo isso seria discutível, mas, afinal, fascinante, se o filme fosse poderoso. Não é. Howard Hughes, o personagem, é um porre. Não produz envolvimento, mas o diretor também não espera que o espectador se distancie dele. É uma pena que o Telecine Classic não faça, este mês, como vem fazendo há tempos. Se exibisse o velho Os Insaciáveis, de Edward Dmytryk, de 1963 - com George Peppard no papel do Howard Hughes do best seller sensacionalista de Harold Robbins -, o canal faria justiça a um diretor via de regra execrado por sua conduta perante o macarthismo, mas que dinamitava desde o interior e transformava em grande cinema a literatura trash do escritor. É o oposto do que faz agora Scorsese. Seu Aviador é desonesto, intelectualmente, e trash metido a besta. Resumindo - é muito ruim. Luiz Carlos Merten - O Estado de São Paulo
Veteranos no páreo
11/2/2005
'Menina de ouro' e 'O aviador', que estréiam nesta sexta, põem Clint Eastwood e Martin Scorsese na briga pelo Oscar
Estão abertas as apostas. De um lado do ringue, Martin Scorsese e seu grandioso O aviador, com 11 indicações para o Oscar. Do outro, Clint Eastwood, na disputa por sete categorias com o emocional Menina de ouro. A briga pelo prêmio máximo do cinema americano - transmitido pela tevê no próximo dia 27 - opõe dois veteranos de carreiras admiráveis. E deve polarizar também o público brasileiro a partir desta sexta, quando os dois longas entram em circuito.
Aos 62 anos, Scorsese é considerado por muitos o maior diretor americano vivo. Porém nunca levou um Oscar, nem mesmo tendo cravado seu nome na história do cinema com títulos como Taxi driver, Touro indomável e Caminhos perigosos. O desprezo ficou evidente na edição de 2002 do prêmio da Academia, em que seu Gangues de Nova York, indicado em dez categorias, não venceu uma sequer. Eastwood, do alto de seus 74 anos, tem um currículo extenso como ator e já possui uma estatueta de melhor diretor na prateleira de casa, por Os imperdoáveis (1993). É o durão de bom coração que atingiu seu auge como cineasta nos últimos anos, com Sobre meninos e lobos (2003) e este Menina de ouro.
Assim como Gangues, O aviador é um tour de force de Scorsese no terreno da reconstituição de uma era. O filme acompanha a trajetória do excêntrico bilionário americano Howard Hughes nas décadas de 30 e 40, quando ele ergueu por conta própria um estúdio cinematográfico, produziu o mais caro longa da época, namorou beldades e construiu algumas das mais velozes aeronaves da história.
Além de reparar a desconsideração da Academia com seu diretor, O aviador promete ainda retomar a trilha promissora da carreira de Leonardo DiCaprio, que vive o protagonista com empenho surpreendente. Desde Gilbert Grape - Aprendiz de sonhador (1993) - e principalmente depois de Titanic (1997) - a crítica e o Oscar têm visto o ator com desdém. Desta vez, DiCaprio tem boas chances na sua categoria com uma performance que tem seu ponto alto nas cenas onde Hughes aparece tomado pelos sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo.
Outra que volta aos holofotes é Hilary Swank, na pele de uma garçonete-boxeadora no filme de Eastwood. Depois de incensada pela crítica e premiada com uma estatueta por seu papel andrógino em Meninos não choram (1999), ela se meteu em roubadas como O enigma do colar (2001) e O núcleo (2003). Para encarnar a pugilista Maggie Fitzgerald, Swank treinou boxe por meses e fez sessões diárias de levantamento de peso para ganhar massa muscular. Tudo isso garantiu, mais uma vez, seu favoritismo na categoria de melhor atriz.
Em Menina, ela vive uma jovem caipira que consegue convencer o velho treinador Frankie Dunn (Clint) a aceitá-la como pupila e inicia uma carreira de sucesso no esporte. A relação dos dois - e a de Frankie com sua filha - são o eixo central do enredo, que vai ganhando contornos mais dramáticos no terço final. É a deixa para Clint voltar a tratar do equilíbrio das relações familiares e da construção da amizade:
- O boxe desempenha papel importante na história, mas não se trata de um filme sobre boxe e sim sobre as relações humanas. Há coisas não ditas no filme. Como em Sobre meninos e lobos, o público participa, decidindo pra onde a história segue depois que o filme termina - disse Clint, em entrevista.
Já O aviador pode ser encarado como um painel de uma época de ouro, marcada pelo glamour e os empreendimentos milionários. Em torno de Hughes, gravitaram as mais bonitas estrelas de Hollywood, como Jean Harlow (a cantora Gwen Stefani) e Ava Gardner (Kate Beckinsale), senadores e figurões dos estúdios de cinema. Boa parte das 2h50 de projeção, no entanto, é dedicada ao namoro de Hughes com Katharine Hepburn, numa interpretação carregada de Cate Blanchett.
Por enquanto, a produção dirigida por Scorsese tem levado a melhor. Saiu do Globo de Ouro com os prêmios de melhor filme (drama), melhor trilha sonora (de Howard Shore) e melhor ator (drama) para Leonardo DiCaprio. O longa de Clint faturou apenas os de melhor diretor e melhor atriz para Hilary Swank. Entretanto, como há tempos o prêmio perdeu parte de sua aura de oráculo do Oscar, o suspense continua. Gustavo Leitão - Jornal do Brasil
Uma experiência rara de vida e arte
11/2/2005
Clint Eastwood subverte a narrativa para pôr na tela a dimensão psicológica dos personagens de Menina de Ouro
Menina de Ouro começa como o que até pode parecer mais um filme de boxe. Não é, ou é especial pelo simples fato de que quem quer ser pugilista agora é uma garota. Interpretada por Hilary Swank, ela vai bater à porta da academia de Clint, pedindo que ele seja seu instrutor. Ele se recusa. Não treina meninas. E, depois, Hilary está velha demais para começar, passada dos 30 anos. E aí ocorre o improvável. Clint dá um toque aqui, outro ali, à garota. Envolve-se com ela e a treina para ser a melhor. Seria uma história previsível, se fosse só isso. Clint já interpretou um sargento instrutor em O Destemido Senhor da Guerra e o filme não é, certamente, dos que mereçam ser lembrados em sua carreira. O que começa a fazer a complexidade de Menina de Ouro são os detalhes que vão se articulando no roteiro adaptado das histórias de ringue de F.X. Toole.
O velho instrutor, no filme, não perde uma missa, mas vai à igreja só para atormentar o padre com suas dúvidas. É um homem amargurado pela relação difícil com a filha. Na verdade, eles nem têm uma relação. Clint lhe escreve cartas que invariavelmente são devolvidas. Seu sentimento pela menina de ouro é paternal. Ela retribui. Após a morte do pai, ele é sua única família. A mãe, o irmão, a irmã só merecerão desprezo - dela, de Clint, do espectador, sem que seja necessário transformar essas figuras em estereótipos. E existe o narrador da história, o velho pugilista interpretado por Morgan Freeman. Ele perdeu o olho numa luta que o também velho instrutor até hoje se culpa por não haver interrompido. Freeman faz um daqueles personagens marginalizados que permeiam a obra do diretor. Trabalha de servente na academia, dorme num quartinho anexo. Sua vida se resume toda ali dentro.
Freeman narra a história e sua voz é um dos mistérios de Menina de Ouro. Há uma musicalidade compassada e triste nas entonações com que ele narra. O cinema, em geral, parte do exterior para chegar ao interior. Grandes diretores - Michelangelo Antonioni, Alain Resnais - dinamitaram convenções e fronteiras narrativas para colocar na tela a dimensão interiorizada e psicológica dos personagens, buscando inspiração nos ficcionistas que fundaram o romance experimental moderno, no começo do século passado, investigando os chamados 'fluxos de consciência'. Virginia Woolf, James Joyce, Marcel Proust, Italo Svevo. O narrador faz de Menina de Ouro uma rara experiência de arte e vida. E o filme não é só boxe nem sobre eutanásia. Muito menos faz a apologia desta última. O boxe fornece um cenário, um ambiente, um motivo dramático, mas os temas de Menina de Ouro são a amizade, a solidão, a morte e a culpa. A compaixão. A necessidade de perdoar os outros e de perdoar-se a si mesmo.
Clint Eastwood fez o mais extraordinário de seus filmes. Como se comportará o Oscar diante de uma obra com a grandeza e complexidade de Menina de Ouro? Hilary Swank ganhou o prêmio de melhor atriz do Actor's Guild of America. Hilary, que já ganhou o prêmio (por Meninos não Choram), é genial. Você nunca irá esquecer dela. Nunca esquecerá do próprio Clint, que esculpiu sua persona na tela só para chegar - é a impressão que se tem - a esse papel. Nem Morgan de Freeman, escolhido como melhor coadjuvante pelo Actor's Guild. Há filmes que tentam nos seduzir pelas inovações de linguagem, pela invenção constante. E há os autores que acreditam no cinema como uma experiência humana visceral. Clint pertence a esse grupo. Menina de Ouro é um marco do seu cinema. Um marco do cinema em geral. E você não perde por esperar pelo desfecho. Não vamos dizer o que é nem com quem é. A emoção da descoberta ficará para quem vir esse filme que merece, como nenhum outro neste Oscar, a classificação de obra-prima. Luiz Carlos Merten - O Esta do São Paulo
Fernanda Montenegro atrai atenções em Berlim
11/2/2005
BERLIM - O filho, Cláudio Torres, é quem participa da mostra, mas é a mãe, a atriz Fernanda Montenegro, quem desperta mais atenção no 55.º Festival de Cinema de Berlim, que começou ontem. "Somos uma família de artistas muito conhecida e muito reverenciada", disse a atriz, que faz uma participação, ao lado do marido, Fernando Torres, no filme Redentor, de Cláudio Torres, que participa da mostra Panorama, no festival. Para fechar o ciclo familiar, Fernanda, irmã do diretor, é uma das autoras do roteiro.
Fernanda Montenegro é aclamada no festival por sua participação em Central do Brasil, de Walter Salles, longa que lhe conferiu o prêmio de melhor atriz no mesmo festival de Berlim, além de uma indicação ao Oscar. Dentro da tradição do cinema brasileiro, que Fernanda divide em uma corrente "mais próxima a Nelson Pereira dos Santos e ligada à realidade, às reivindicações sociais", e outra que "segue mais a linha de Glauber Rocha, onírica, barroca", Redentor está mais vinculada à "visão glauberiana".
"Trata-se de um Brasil barroco, louco, onde as coisas não se explicam com uma visão fotográfica, documental. É um filme onírico, com uma presença do social, mas com a loucura de um país imenso com uma enorme diversidade de culturas que se mesclam", explicou.
Na área de negócios, Brasil e Alemanha assinam, no dia 17, um novo acordo de cooperação bilateral para apoiar produções cinematográficas, substituindo o de 1974. O Estado de São Paulo
Joseph Fiennes sai do sério na defesa de 'Man to Man' em Berlim
11/2/2005
Filme de Régis Wargnier, que fala de abuso da ciência, teve fraca recepção
BERLIM - Joseph Fiennes saiu ontem do sério, na entrevista coletiva após a exibição de Man to Man. Ele interpreta o filme do francês Régis Wargnier que abriu oficialmente o 55.º Festival de Berlim. Joseph abriu os braços em sinal de desânimo quando um jornalista pediu à sua co-estrela, Kristin Scott Thomas, que o comparasse com Ralph Fiennes, com quem fez O Paciente Inglês. Deve haver alguma rivalidade entre os irmãos. Kristin foi elegante. Disse que não teria sido polido se lhe pedissem para comparar dois namorados, por exemplo. "São pessoas diferentes, talentos diferentes, mas são ambos muito sensíveis e criativos." Não demorou muito e outro jornalista quis saber de Joseph Fiennes porque se sentiu atraído pelo projeto.
Man to Man passa-se na Inglaterra vitoriana, quando um cientista (Joseph), associado a outros dois, traz da África um casal de pigmeus para mostrar à Real Academia de Ciência. O trio imagina haver encontrado o elo perdido entre o homem e o macaco. No processo, Joseph descobre a humanidade e individualidade das cobaias. Quer invalidar a pesquisa. Um dos parceiros (Iain Glen) é contra. Começa uma guerra entre ambos, marcada por gestos que apontam para uma verdadeira moral dos chamados 'civilizados'. Todos se referem aos pigmeus como selvagens. O verdadeiro selvagem é o personagem de Glen.
Muito bem - a pergunta colocada para Joseph Fiennes foi se ele achava eficiente tratar do assunto. O ator fez um pequeno discurso dizendo que o tema de Man to Man é o abuso da ciência e também o racismo e a indiferença pelo outro, muito atual nesta era de fundamentalismos políticos e religiosos. Mas cometeu um erro - devolveu a pergunta ao jornalista. Quis saber dele se achava o filme de Wargnier eficiente. O colega (jornalista) disse que sua opinião era irrelevante. Fiennes disse que não. Poderou que seria interessante uma troca de informações, já que o jornalista ia divulgar o filme para o mundo todo. O cara insistiu na negativa. Fiennes bateu pé. "Assim não existe diálogo e a comunicação fica difícil."
Foi um começo estimulante para a Berlinale de 2005. Talvez sinalize para alguma coisa importante. Um grande festival de cinema deve ser um ponto de encontro e difusão de idéias. Ninguém é dono da verdade, foi o que Fiennes sugeriu. A entrevista terminou sendo melhor do que o filme. No fim da sessão, Man to Man recebeu aplausos (fracos) e vaias (também fracas). É um filme visualmente muito bonito e permeado de ironias, mas não é realmente bom. Seu tema, de qualquer maneira, é forte e Wargnier, o diretor de Indochina, consegue passá-lo. Você se lembra de Indochina, com Catherine Deneuve, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Tratava da presença francesa na antiga Indochina e do processo de independência do Vietnã. Era um relato romanesco, mas tinha pelo menos uma idéia e gênio - o salto alto quebrado da bela Catherine, representando o fim da dominação colonial.
Wargnier continua tendo boas idéias. Fiennes, no filme, diz que quer ser amigo do pigmeu, mas, além de ele ser mais alto e estar colocado num plano um pouco superior, existem barras entre ambos, pois o pigmeu está numa jaula. Mais tarde, na Escócia, onde os cientistas escondem sua descoberta, antes de apresentar os pigmeus à academia, eles fogem e reencontram o primitivo na floresta. Moram numa cabana, o marido sai para a caça. Wargnier com certeza viu Greystoke, a Lenda de Tarzan, o Rei da Selva, de Hugh Hudson. Seu filme trata do mesmo embate entre barbárie e civilização, mostrando a mesma relatividade de pontos de vista. Pode não ser grande cinema (e não é), mas levanta questões relevantes que a imprensa de Berlim não parece ter sabido (nem querido) entender. O desabafo de Joseph Fiennes teve seu eco no casal de atores que faz os pigmeus, eles próprios descendentes das pequenas criaturas da floresta.
Os jornalistas queriam saber se enfrentaram muito racismo na vida. Ele respondeu de maneira singela. "Não, até agora." O festival continua hoje com Hotel Rwanda, pelo qual Don Cheaddle concorre ao Oscar de melhor ator. E, como nem só de cinema vive uma grande cidade como Berlim, no caminho entre o hotel e o Berlinale Palast pode-se ver, na Walter Gropius Baus - que foi uma das sedes da Bienal, no ano passado - uma mostra fotográfica dedicada a Robert Capa que vale, por si só, a vinda à Alemanha. Capa era gênio. Seu trabalho como fotógrafo permanece vivo e forte. Luiz Carlos Merten - O Estado de São Paulo
Berlim começa com o frágil "Man to Man"
11/2/2005
Há uma cena em "Man to Man", o filme que abriu, ontem, a 55ª edição do Festival de Cinema de Berlim, que justifica sua presença. é quando Jamie, um cientista do século 19, na Escócia, mostra dois pigmeus, capturados na áfrica Central, em pleno zoológico da cidade, como se fossem seres não-humanos, e encena com eles uma situação na jaula. Lá, acaba sendo dominado pelos pigmeus, como se o caucasiano fosse, ele também, uma espécie primitiva.
A tal cena leva uma hora e 35 minutos para ocorrer e, até então, a nova produção do diretor francês Régis Wargnier, que realizou o "Indochina" (92), desenvolve-se de maneira um tanto previsível e sem surpresas.
O tema, o preconceito do avanço civilizatório europeu sobre espécies supostamente inferiores, já foi explorado de forma brilhante por Michel Gondry, em "Natureza Quase Humana" (2001), com ironia e sem apontar dualismos entre bem e mal, o que Wargnier não consegue. No filme, os brancos são os exploradores "selvagens", e os pigmeus, os puros.
Tudo bem que se trata do século 19, da era vitoriana no Reino Unido, mas o personagem "branco", o cientista Jamie (Joseph Fiennes) é um desses típicos heróis, que só tem qualidades, lutando só em uma sociedade que busca o controle total, e, para tanto, não se envergonha de usar o preconceito.
"O filme não constrói uma tese contra o preconceito. Não acredito em categorias, cada filme é sobre ele mesmo", disse Wargnier em entrevista coletiva. Vejamos.
Em 1870, Damien, o cientista, e Elena Van den Ende (Kristin Scott Thomas), uma explorada que trazia animais africanos para zoológicos europeus, embarcam para a áfrica do Sul em busca de pigmeus. A tese do cientista é que eles seriam o elo perdido entre os macacos e os seres humanos. Na áfrica capturam dois pigmeus e os levam para a Escócia.
Lá, junto com outros dois cientistas, interpretados por Hugh Bonneville e Iain Glen, Damien analisa os pigmeus, chegando a conclusão que ambos possuem "inteligência e sensibilidade", portanto são humanos, o que é contrário ao que pensam seus colegas. Começa, então, uma série de brigas e perseguições, que culminam na cena descrita acima.
A partir de então, os pigmeus, os atores africanos Lomana Boseki e Cécile Bayiha, são tratados como "seres normais", até que os selvagens cientistas entram novamente em ação, provocando um final que mescla um momento triste com outro reconfortante.
Foi um começo morno e desestimulante na Berlinale, mas a presença de um diretor reconhecido, atores famosos e um tema com preocupação social, questão sempre presente em Berlim, seduziram seu diretor Dieter Kosslick.
Mesmo assim, além de belas imagens, há pouco sobre a áfrica no filme, o eixo apontado por Kosslick como o principal do festival.
Espera-se "Hotel Ruanda", produção exibida hoje na mostra competitiva sobre o porteiro de um hotel, justifique melhor as idéias do diretor. Hoje, ainda participam da competitiva "Thumbsucker", de Mike Mills, e "Asylum", de David Mackenzie.
Ontem, à noite, seria exibido "O Redentor", do brasileiro Cláudio Torres, abrindo a sessão Panorama. São os únicos dois filmes do dia de inauguração do festival, com uma programação que chega a 400 produções, fora os eventos paralelos, como um festival de Arte e Performance, com a artista Janett Cardiff, além de uma performance do estilista japonês Yamamoto, sexta, dia 18. Fabio Cypriano - Folha de São Paulo
'Diários' é premiado em Londres
11/2/2005
Diários de motocicleta, do brasileiro Walter Salles, ganhou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro dado anteontem pela London Critics Circle, a mais antiga associação de críticos da Europa. O filme concorreu com o espanhol Má educação, de Pedro Almodóvar; O retorno, do russo Andrey Zvyagintsev; O Clã das Adagas Voadoras, do chinês Zhang Yimou, e Amor eterno, do francês Jean-Pierre Jeunet. Salles, a caminho do Festival de Berlim, onde conduzirá, durante uma semana, a oficina Talent Campus, para estudantes de cinema, recebeu pessoalmente o prêmio, considerado um bom termômetro do comportamento do British Film Insitute, que entrega sua premiação, o Bafta, neste sábado, e que indicou o filme do brasileiro a sete prêmios, entre eles os de melhor filme e melhor filme estrangeiro ao mesmo tempo.
O cineasta britânico Ken Loach, que deve se encontrar com Salles em Berlim, onde exibe seu filme em conjunto com o iraniano Abbas Kiarostami e o italiano Ermanno Olmi, Ticket, ganhou o prêmio da LCC pelo conjunto de sua obra. Muitos críticos apontam o estilo realista de filmar ficção com estética de documentário de Loach como um inspirador de Diários de motocicleta. Jornal do Brasil
Racismo e Watergate na vida 'secreta' do herói
11/2005
Diretor peca pelo silêncio por também não fazer menção ao racismo e à bissexualidade do personagem
Oliver Stone explica o fracasso de Alexandre dizendo que o público norte-americano não sabe como lidar com heróis de sexualidade dúbia. Se o cara é herói, tem de ser macho. E aí veio ele com a história daquele guerreiro bissexual que desconcertou as grandes platéias. Talvez o problema não seja este - e devesse ser detectado na estrutura narrativa daquele épico, com a figura do historiador que contextualiza a figura de Alexandre -, mas o filme, de qualquer maneira, é dos melhores do diretor, que transforma o herói no Jim Morrison da Antiguidade e usa as antigas guerras do general macedônio para refletir sobre a juventude dourada, sua contemporânea, que morreu no Vietnã.
Stone arriscou - e perdeu. Martin Scorsese não quis arriscar e ganhou 11 indicações para o Oscar por O Aviador, que estréia hoje em salas de todo o País. O filme é o recordista de indicações deste ano. Se o Oscar fosse sério, Scorsese ganhava algum prêmio técnico, a título de consolação, e bye-bye. Sua versão da vida de Howard Hughes é uma fantasia indigna de um autor que já teve ambições críticas. Para onde está indo o cinema de Scorsese? Depois de Gangues de Nova York e, agora, O Aviador, para o brejo. A suntuosidade cênica disfarça, mas não engana. E, se você ler o livro de Charles Higham, vai chegar à conclusão que Scorsese, além de tudo, é desonesto.
O Aviador, com o subtítulo de A Vida Secreta de Howard Hughes, já está nas livrarias. Na capa, acima da foto do próprio Hughes, a editora informa que se trata da biografia que inspirou o filme estrelado por Leonardo DiCaprio. Preste atenção na vida 'secreta'. Scorsese fez a versão oficial. Mostra o Howard Hughes autodestrutivo, mas põe ênfase no herói americano que enfrentou a censura de Hollywood e o poder econômico para impor suas idéias sobre cinema e aviação. Ele era maluco, mas qual herói de Scorsese não é? São todos obsessivos, neuróticos. A desonestidade de Scorsese consiste em omitir aquilo que Charles Higham escancara. Howard Hughes pode ter ido para a cama com grandes estrelas da constelação de Hollywood, mas também era bissexual e foi para a cama, ou pelo menos deu em cima, de famosos astros. Foi rejeitado por Errol Flynn, mas virou amante de Cary Grant. Visitou Tyrone Power num set de filmagem e dormiu com ele e sua co-estrela, Jean Peters.
Vestia-se de mulher e freqüentava o submundo sadomasoquista de São Francisco. Mantinha na folha de pagamentos cafetões que lhe arranjavam garotos. Nada disso aparece no filme, que vira uma fantasia heterossexual sobre um personagem que era muito mais complexo. No filme, Faith Domergue é o estopim para uma briga entre Ava Gardner e ele. No livro de mais de 400 páginas, Faith é reduzida a duas linhas de informação - apenas! - e o espectador descobre que o estopim foi um homem, o toureiro Luís Dominguin (cujo nome não aparece), com quem o milionário encontrou a fogosa Ava na cama. Só como trivia, Ava, em sua biografia, esclarece que o toureiro foi uma decepção na cama, mas também não revela muito entusiasmo por Hughes, sugerindo o que Higham prova - que ele era bissexual.
Não são só as preferências sexuais que Scorsese mistifica para não prejudicar o retrato que quer fazer de Hughes, como herói norte-americano. Higham deixa claro que ele era um racista filho da mãe. Detestava judeus e negros. Chamava Louis B. Mayer, o poderoso tycoon da Metro, de 'judeuzinho de m...'. No filme, a rivalidade fica por conta da arrogância de Mayer, que se recusa a emprestar as câmeras que Hughes precisa para concluir Anjos do Inferno, o clássico de 1930, co-dirigido por Howard Hawks e Edmund Goulding. E Scorsese também silencia sobre o envolvimento do dublê de aviador e cineasta no escândalo de Watergate. O próprio Hughes deveria considerar essa a parte mais delicada do seu currículo, pois, de toda a sua extensa documentação, foram só os papéis que o ligavam à CIA que ele fez questão de que fossem destruídos antes de sua morte, em 1976. O Howard Hughes de Scorsese é sempre o melhor, lutando por suas concepções artísticas, pela audácia de suas concepções na indústria aeroespacial. Até quando segue a verdade - a desmoralização a que Hughes submete o corrupto senador Hugh Brewster, durante as audiências públicas sobre o Hércules -, Scorsese consegue edulcorar ou fantasiar o que realmente ocorreu.
É curioso, mas o filme, em nenhum momento desmistificador do personagem, se desmistifica alguém é a lendária Katharine Hepburn, com quem Hughes teve um affair, até que ela o trocasse por Spencer Tracy. Ambos são muito iguais, mas Hughes não perdoa o esnobismo da família de Kate nem a forma como ela bajula Louis B. Mayer, o que o impede, mais tarde, de ter grandeza em relação à ex-amante, comprando, na base da chantagem, fotos comprometedoras dela e de Tracy que um jornalista sensacionalista ameaça publicar. Inversamente, no filme, a grandeza é de Ava Gardner, resgatando Hughes quando ele já virou um bicho e preparando-o para a audiência no Senado. Em tudo e por tudo - as informações sobre aviação e os métodos científicos e econômicos com que Hughes consolidou o império que herdou dos pais; a obsessão por criar; a ambivalência sexual -, o livro é melhor e mais forte. Por que Scorsese não seguiu a visão incisiva de Higham, que não perde a perspectiva crítica nem quando é fascinado pelo personagem? Não deve ter sido para consolidar o mito de Leonardo DiCaprio como grande amante. Afinal, Leo já fez um personagem bissexual, o Rimbaud de Total Eclipse, de Agnieska Holland, que, numa cena, digamos, barra-pesada, sodomizava o Verlaine de David Thewlis, sem tornar, por isso, o outro filme melhor ou menos equivocado do que o atual. A única coisa que isso prova é que DiCaprio, como ator, saberia como trafegar no porão das perversões de Hughes. Scorsese não sabe, ou não quer. Compromete-se por isso. Luiz Carlos Merten - O Estado de São Paulo
Gostei
11/2/2005
O Aviador é certamente construído com a referência de Cidadão Kane, de Orson Welles. Como em Welles, há nele uma "cena primitiva". O "rosebud" de Hughes (Leonardo DiCaprio) mostra-o criança, sendo banhado pela mãe, enquanto esta, uma neurótica compulsiva, o adverte contra os perigos do contágio por micróbios. A palavra-chave para o garoto será "quarentena". E, de certa maneira, Hughes acabará a vida em uma interminável quarentena, da qual só se libertará pela morte.
Mas o fato é que Kane parece apenas uma primeira referência para o cinéfilo Scorsese. As histórias de Hughes e de Charles Foster Kane (um retrato disfarçado do milionário das comunicações William Randolph Hearst) confluem num primeiro momento. Ambos são ricaços, ambos procuram o poder a todo custo e ambos terminam mal, mas por motivos diferentes. A ambição de Kane o destrói como homem. Hughes é vítima da neurose. Um termina murmurando seu "rosebud" na iminência da morte. O outro, no filme, é visto dizendo obsessivamente a frase "the way of the future" (o caminho do futuro).
Naquela altura, o futuro para Hughes era o avião a jato. E ele estava certo. Só não sabia era que, para ele mesmo, não havia muito futuro à vista. O filme é portanto construído sobre esse personagem de trajetória trágica. Rico, arrogante, empreendedor, mulherengo, irá terminar no completo isolamento, morrendo de medo de micróbios, sem cortar a barba e as unhas, guardando frascos cheios com sua urina. Mas o filme não o mostra nesse fim. Para quem não conhece sua biografia, insinua apenas que ela não terá final feliz. Poucas têm, na verdade, em se tratando desse tipo de personagem.
Como Hearst, Hughes alimentava esse delírio capitalista de seguir sempre adiante, insatisfeito até a loucura. Queria ter todas as mulheres do mundo, voar cada vez mais rápido, ganhar sempre mais dinheiro. No fundo, são uns pobres-diabos, mas raramente se dão conta disso. A neurose obsessiva, o medo pânico da morte, talvez tenha dado a Hughes um vislumbre da sua finitude. Talvez.
Esse delírio de tudo ter, essa expansão sem limites do ego, pode ser vista de maneira integral na biografia de Hughes escrita por Charles Higham, e na qual o filme de Scorsese se baseia. Nela, lê-se que ele não queria ter apenas todas as mulheres do mundo, incluindo as mais belas do momento como Jean Harlow, Katherine Hepburn e Ava Gardner, mas dava em cima dos seus mecânicos de vôo e teve casos com atores como Cary Grant e Randolph Scott. Era bissexual, em suma, já que cortar de apenas um lado a maçã do erotismo talvez lhe parecesse insuportável limitação.
Scorsese lima do filme essas informações sobre a bissexualidade. E isso de fato o enfraquece. Por que não foi até o fundo? Para não criar polêmica com uma pessoa marcante tanto na história do cinema como da aviação comercial americana? Não se sabe. Mas daí a dizer que O Aviador não tem grandeza é outro passo. Como toda a obra de arte ele é apenas parcialmente fiel à verdade empírica do seu personagem. Interessa-lhe mais dissecar o delírio de grandeza e aonde ele conduz. Scorsese parece fiel mesmo é à sua convicção mais íntima: o que se faz nessa Terra aqui mesmo se paga. É a sua interpretação, bem materialista aliás, de um certo catolicismo duro no qual se formou. Luiz Zanin Oricchio - O Estado de São Paulo
Um homem de asas
10/2/2005
O AVIADOR ("The aviator") só é filme-de-Oscar porque o cartaz e o orçamento dizem. Martin Scorsese pode não tê-lo feito com paixão (o filme é mesmo muito mais frio que o anterior, seu projeto de estimação "Gangues de Nova York"). Mas não deixou de procurar um tema forte e complexo para desenvolver na saga de glamour e bizarrice de Howard Hughes, milionário, papa-todas, pretenso cineasta, maníaco-obsessivo - além de aviador.
O tema, a luta de um homem contra seus limites, é particularmente forte em se tratando de um personagem que crê não ter limites. O filme trabalha a questão muito bem, na sua estrutura estética e narrativa (cada vitória de Hughes - que só joga para ganhar - acarreta em alguma perda) e na própria interpretação de Leonardo DiCaprio, impressionante, e justamente pela aparente inconsistência. É por aí mesmo. Nos momentos em que o personagem tem, ou pensa ter, tudo sob controle, poderia ser o próprio Alexandre, o Grande (para citar um personagem da moda). Por outro lado, quando se vê em situação desfavorável, é um garotinho contrariado. Pequeno, e nada mais que humano.
Como é habitual no cinema de Scorsese, o painel de fundo dessas questões é um ambicioso retrato de época e lugar. Neste caso em particular, tão ambicioso que fica difícil de controlá-lo por inteiro. É um problema curioso e espelha os do personagem: o excesso acaba condenando certos aspectos (a relação com Hollywood e o cinema, em especial) a serem tratados meio en passant . Mas se os vôos cegos fazem Hughes cair de cara no chão, Scorsese e "O aviador", um belo filme, têm lastro e se agüentam firmes. Jaime Biaggio - O Globo
Clint Eastwood apresenta sua obra-prima de dor e compaixão
11/2/2005
Aos 74 anos - completa 75 em 31 de maio -, 50 de carreira como ator e 34 como diretor, Clint Eastwood atinge o sublime com seu novo filme. Menina de Ouro é o melhor entre os cinco filmes que disputarão o prêmio da Academia de Hollywood no dia 27. Você já pode conferir as excepcionais qualidades deste filme belíssimo que estréia hoje na cidade. Estréia com O Aviador, de Martin Scorsese, peso pesado na disputa do Oscar, com 11 indicações (contra 7 de Menina de Ouro). Não importa o número. Mesmo com o dobro de indicações, O Aviador não valeria grande coisa. E Menina de Ouro, mesmo sem nenhuma, seria o grande injustiçado deste Oscar.
Há 13 anos, Clint já recebeu duplamente o prêmio da academia, quando Os Imperdoáveis, de 1992, venceu as estatuetas de melhor filme e direção. No ano passado, Sean Penn foi melhor ator e Tim Robbins, o melhor coadjuvante por outro filme do xerife de Hollywood, Sobre Meninos e Lobos. Basta citar esses dois - mas também valeria citar Bird e O Mundo Perfeito, o próprio No Jardim do Bem e do Mal - para lembrar como Clint Eastwood vem trabalhando o tema da culpa em seu cinema. Muitos outros títulos poderiam ser citados, mas esses dois são exemplares. Sobre Meninos e Lobos foi supervalorizado. Não é um grande Clint. Com Menina de Ouro, ele não apenas chega ao apogeu de sua arte como ator e diretor, como inverte Os Imperdoáveis e faz o seu 'perdoáveis'.
Uma polêmica vem acompanhando Menina de Ouro e até precede a estréia do filme no Brasil. Você já sabe que, nos EUA, uma dessas associações de defesa da vida prega o boicote contra o filme e até tenta enquadrar o diretor judicialmente, sob a alegação de que seu filme faz a apologia da eutanásia. É bom não entrar em detalhes para não tirar o impacto de Menina de Ouro, mas a acusação é absurda. Há eutanásia na nova versão de O Massacre da Serra Elétrica, que estréia ainda este mês 18, e em outro finalista do Oscar, o espanhol Mar adentro, de Alejandro Amenábar, que concorre na categoria de melhor filme estrangeiro. Nenhum dos dois provocou a indignação da tal associação. A campanha é contra Clint. Talvez tenha origem no fato de que, no início de sua carreira, ele esculpiu a persona de herói durão e taciturno como matador nos spaghetti westerns de Sergio Leone. Menina de Ouro seria, assim, quem sabe, uma espécie de continuidade na obra de killer de Clint. Nada mais enganoso. Luiz Carlos Merten - O Estado de São Paulo
A sobriedade para chegar à intensidade dramática
11/2/2005
Diretor usa um mínimo de recursos em sua parábola sobre o perdão
É até curioso que Clint Eastwood use o boxe como pano de fundo para essa história de dramaticidade singular. Afinal, estamos, ou estaríamos, no plano do esporte, prática que, na nossa época, atingiu o ápice em termos de marketing. Esporte é associado à saúde, a vencedores, e representa uma sublimação da eterna competição pela vida. Luta sem tréguas, marca registrada da sociedade norte-americana, como se sabe.
Mas toda luta também tem o reverso, o dos perdedores, e é sobre esse outro lado que Clint, ele mesmo um vencedor, procura lançar seu olhar. A começar por seu personagem, o técnico Frank Dunn, cujo passado, intui-se, é feito mais de percalços que de sucessos. Segue pela candidata a campeã, Maggie (Hilary Swank), que trabalha como garçonete, vem de família disfuncional, conta tostões e mora na academia de boxe, em falta de melhor teto. E, ainda por cima, tem de implorar ajuda a quem não quer nada com ela. Para completar o quadro, há um auxiliar do treinador, o velho pugilista aposentado Scrap (Morgan Freeman), cego de um olho, personagem da trama mas também comovente voz off, que conta a história talvez para alguém distante.
Essa voz, tão bem articulada por Freeman, talvez encerre um dos segredos desse grande filme. É como se ela quisesse falar não apenas ao seu destinatário (descobrimos quem é apenas no fim), mas a cada um de nós. Ela nos fala das faltas que cometemos, às vezes contra aqueles a quem mais amamos. Fala da morte, da finitude, de tudo aquilo que limita e torna irrisória a vontade de potência dos grandes egos, em especial estes de hoje em dia, turbinados por uma ambição sem limites e sem fronteiras. Fala também um pouco da esperança e, certamente, de perdão. Ninguém vive sem ele, mesmo porque, como passamos o tempo a nos ferir mutuamente, e na maioria das vezes sem nenhuma necessidade, sem o perdão estaríamos condenados ao isolamento.
A reunião desses elementos costuma dar errado no cinema. E por quê? Simplesmente porque resvalam com grande facilidade no melodrama fácil. Pois é contra essa armadilha que Clint se esquiva como mestre. Aqui, ele é um refinado boxeador, se a comparação cabe. Quando o espectador espera grandes golpes, ele simplesmente se esquiva e jabeia. Conduz a "luta" round a round, prolongando-a à sua vontade. E, quando se pensa que pretende apenas vencer por pontos, de maneira convencional, ele solta um único golpe, um golpe magistral, e põe o espectador a nocaute.
Não há golpes baixos nesse filme. Ele nunca chantageia com a emoção barata ou com truques fáceis, como a música altamente calórica a que Hollywood se habituou. Tudo é contido, como a atuação de Hilary, o rosto sofrido de Clint, a voz gasta de Freeman. Não há um movimento de câmera gratuito e nem golpes de cena desnecessários. A opção parece muito clara. Como a idéia era tratar de algumas das contingências mais dolorosas da espécie humana, era preciso trabalhar com a mais estrita sobriedade. Ao andar sempre na beira do abismo, nenhuma concessão seria permitida sob pena de pôr todo o projeto a perder.
É curioso como Menina de Ouro fecha um ciclo que começa com Os Imperdoáveis. Da vingança como ética implícita num faroeste crepuscular à remissão do pecado através do sofrimento num falso filme sobre o boxe. É uma trajetória de ascese cristã, embora talvez Clint não se dê conta disso. Luiz Zanin Oricchio - O Estado de São Paulo
O doce regresso do Potemkin
11/2/2005
Cena de "Potemkin": filme pôs Eisenstein ombro a ombro com os maiores
É difícil explicar para as novas gerações o impacto de "O Encouraçado Potemkin" (1925), o clássico do cinema mudo de Sergei Eisenstein (1898-1948). Foi a um só tempo choque estético e político, como se tornara praxe naquele momento da arte moderna do século 20, vivido com intensidade na Rússia sovietizada pré-Stalin. "Potemkin" pôs Eisenstein ombro a ombro com os maiores nomes do cinema, arte então jovem e ainda não sonora. Chaplin, Fritz Lang, Lubitsch, René Clair, Griffith - era neste seleto time que Eisenstein logo em seu segundo filme se encaixou.
Na lista de maiores filmes da história, a cada década preparada pela revista britânica "Sight and Sound" desde 1952, nenhum filme foi mais citado entre os dez mais que "Potemkin" - apenas "A Regra do Jogo" (1939) de Jean Renoir equipara-se a ele em citações.
O filme reconstitui um episódio da revolta popular de 1905 em Odessa, cidade no Mar Negro, situada hoje na Ucrânia, na época parte do império russo. O levante anti-totalitário foi celebrado pela historiografia soviética como ensaio da Revolução de 1917. Em 1925, 20 anos depois, em plena primavera cultural soviética, era hora de comemorar as duas décadas da revolta. O cinema era a arte mais importante da revolução, garantia Lenin. Eisenstein era o jovem gênio em ascensão. Nascia "Potemkin".
O projeto mamute inicial tratava dos eventos de 1905 no império russo. Eisenstein resgatou o foco dramático concentrando-se sobre os episódios em Odessa. Andou pelas ruas da cidade recuperando histórias do massacre de populares pelas tropas do czar. A revolta verdadeira dos marinheiros do Encouraçado Potemkin tornou-se o eixo do filme. A execução do povo nas escadarias de Odessa tornou-se seu coração simbólico, embora tenha sido inventada. Quando a lenda supera a história, imprima-se a lenda.
"Potemkin" foi classificado como documentário e o massacre encenado por Eisenstein, inscrito como história. Assim se comprova o poder do grande cinema.
"O Encouraçado Potemkin" tornou-se um filme de culto mais fora do que dentro da URSS. Seu lançamento em salas soviéticas em janeiro de 1926 conheceu sucesso apenas mediano. Foi sua estréia na Alemanha, na inflamada Berlim de 1926, que acendeu o estopim. "Potemkin" acabou sendo símbolo da arte de propaganda da esquerda mundial, sendo conseqüentemente censurado mundo afora, incluindo EUA, França, Grã-Bretanha e, claro, o Brasil pós-1964.
Neste fim de semana, o Festival de Berlim fecha o círculo e devolve-nos "Potemkin" o mais próximo possível ao filme arquitetado magistralmente por Eisenstein. Sob coordenação de Anna Bohn, da Cinemateca Alemã de Berlim, e supervisão do especialista Enno Patalas, do Museu do Cinema de Munique, "O Encouraçado Potemkin" foi reconstruído e restaurado, da epígrafe inicial de Trotski à trilha de Edmund Meisel. Bohn e Patalas responderam a perguntas sobre a volta do filme à coluna, por e-mail.
Como e quando nasceu o projeto de restauro de "Encouraçado Potemkin"?
Patalas já trabalhara em "Potemkin" nos anos 80 no Museu de Cinema de Munique, que ele dirige. O trabalho resultou numa única cópia de projeção e não no restauro do filme. O trabalho de reconstrução, restauro e preservação pela Cinemateca Alemã/Museu de Cinema de Berlim, incluindo projeções com a música de Edmund Meisel e sua gravação para uma versão em DVD, começou em julho de 2004.
Qual foi o material mais importante reincorporado ao filme?
Em comparação à versão sonorizada russa de 1976, com música de Shostakovich: 15 planos faltantes (1% do total), os intertítulos russos restaurados na forma gráfica original, incluindo a epígrafe de Trotski, além da música de Meisel adaptada da versão de Eisenstein (a música foi escrita para o lançamento em 1926 na Alemanha).
É possível estabelecer quando os principais cortes foram feitos?
"Correções" foram feitas entre a estréia oficial em Moscou (21/12/1925) e o lançamento para o público soviético (18/1/26) mas não existem informações detalhadas sobre isso. E ainda antes e depois do lançamento na Alemanha em 1926, primeiro pelo adaptador alemão, Piel Jutzi, depois pelo comitê de censura de Berlim. Cortes incluíram a mudança de seqüências e de planos e a divisão em seis e não mais cinco atos. Foram feitos no negativo original, vendido ao distribuidor alemão pelo produtor russo. Muitos dos cortes e das mudanças, feitos em 1926 e 1928, sobreviveram no negativo agora localizado no arquivo de filmes Gosfilmofond em Moscou.
Por que foram mudados os intertítulos originais russos?
Provavelmente o negativo, quando vendido à Alemanha, não os continha - eles em geral vinham em um negativo diferente. A única cópia em filme conhecida que continha os intertítulos na forma gráfica original foi a trazida por Jay Leyda para o MoMA de Nova York e posteriormente transferida para o British Film Institute em Londres. Amir Labaki - Valor Econômico
Cineastas e povos do mar trocam experiências no Ecocine
11/2/2005
Festival de temática ecológica precisa de patrocínio para crescer
Cineastas e demais agentes da produção audiovisual nacional e estrangeira encontram os povos do mar no Ecocine, de 8 a 12 de junho. Neste ano, o festival de cinema com temática ambiental vai se deslocar da "casa" São Sebastião, no litoral paulista, para a Costa do Sauípe, na Bahia.
À primeira vista, a temática ecológica pode parecer um tanto excludente. Afinal, participam da premiação filmes que tratam da questão ambiental. Mas o interessante é a idéia que a organização do festival tem a respeito da questão ecológica. Para o pessoal do Centro Cultural São Sebastião Tem Alma, ONG responsável pelo evento, é preciso pensar grande - e falar, neste contexto, até mesmo de direitos humanos.
"Queremos tirar da cabeça das pessoas que filme ambiental é aquele que fala só de árvores ou de aproveitamento da água", explica a organizadora e cineasta Ariane Porto. "Não dá para pôr a questão ambiental de um lado e o homem de outro. Não é possível preservar o meio ambiente sem preservar a humanidade."
O Ecocine tem um charme especial: corre casado ao Encontro dos Povos do Mar. O encontro, que chega à nona edição, reúne representantes da população praiana de todo o litoral brasileiro e de algumas partes do mundo. Este ano a Costa do Sauípe vai receber, além dos brasileiros, pescadores cubanos, franceses e portugueses.
Esta será a quarta edição do Ecocine, que nasceu com a Eco 92. Dez anos fora do ar, ele foi retomado em 2002. Agora, volta a ser internacional e terá festivais parceiros, como o canadense Planet in Focus. Depois da premiação, a mostra do festival será apresentada pelo Brasil, e viaja para outros países, como Canadá e Itália.
Segundo conta Ariane, é trabalho para o ano todo. Ela, por exemplo, vai exibir no festival Pescadoras (título provisório). O curta foi feito pelas próprias moradoras do povoado Senador Georgino Avelino, próximo da Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte. É o resultado de um projeto tocado pela cineasta em parceria com a USP. "A gente usa o audiovisual como ferramenta de trabalho", diz ela. "Por isso, dizemos que o Ecocine não é um evento de cinema, mas um trabalho que alia a imagem e a ecologia, em ajuda a estas comunidades."
O festival homenageia este ano duas personalidades, o ator Lima Duarte (da área de cinema, no caso) e o o geógrafo Aziz Ab'Saber (defensor do meio ambiente). Lima terá um ciclo de cinco filmes, escolhidos pelo próprio ator.
O Encontro dos Povos está autorizado a captar R$ 208 mil por meio da Lei Rouanet. O Ecocine, que tem apoio da Petrobrás, captou R$ 80 mil e pode receber ainda R$ 244 mil por meio da mesma lei. "As empresas podem entrar com verba de marketing. O festival foi inscrito como nacional, mas acabou se tornando internacional neste meio tempo", explica Ariane.
Para o patrocinador de um festival como este, o ganho é duplo: sua marca fica aliada à preservação ambiental e à cultura. Os interessados podem entram em contato com Ariane no telefone (12) 3892-1439 e 3892-4186 Patrícia Villalba - O Estado de São Paulo
Cinema/TV: Edição definitiva de um clássico
11/2/2005
A última vez em que ...E o vento levou surgiu nas locadoras e lojas brasileiras foi em 2000, ainda em VHS. O definitivo blockbuster hollywoodiano, exemplo do que o cinema de espetáculo tem a oferecer de melhor, retorna agora em uma edição caprichada. Embalado numa caixa de quatro DVDs (com preço sugerido de R$ 106), o filme de 1939 volta depois de uma restauração digital que devolveu o brilho da fotografia em Technicolor. A saga de Scarlett O'Hara (Vivian Leigh) e Rhett Butler (Clark Gable) - um amor entre tapas e beijos em plena Guerra Civil americana - ganhou, além do polimento, um pacotão de extras. O mais portentoso deles está no terceiro disco: o documentário O making-of de uma lenda, com a batalha para filmar o que, na época, era a mais cara e complexa produção já feita. O elenco ganha destaque também, com miniespeciais sobre Gable, Leigh e Olivia De Havilland (este inédito). O processo de restauração ganhou um making-of separado e ainda há cenas históricas das noites de estréia do filme (em 1939 e no relançamento em 1961), um curta-metragem sobre o Sul dos EUA e comentários do crítico Rudy Behlmer. Jornal do Brasil
Sob o risco de um nocaute
11/2/2005
MENINA DE OURO. Uma semana depois da sessão de "Menina de ouro" ("Million dolar baby"), o filme ainda reverbera forte dentro do Bonequinho. E isso apesar da aridez aparente do tema: boxe feminino. Uma garçonete morta de fome, Maggie Fitzgerald (Hilary Swank), já um tanto passada para começar a lutar profissionalmente, agarra-se ao sonho de se tornar campeã mundial. Um sonho do qual não pode desistir e no qual acredita com determinação verdadeiramente assombrosa, mas desde que consiga a parceria do treinador Frankie Dunn (Clint Eastwood).
Dunn é um católico fervoroso que se martiriza com a distância que o separa da filha. Já Maggie possui aves de rapina, e não parentes. Mas a junção desses dois losers acaba alimentando de esperança uma relação de pai e filha.
Mais não vale a pena contar, sob o risco de limitar o prazer do público. É notável como Eastwood dribla clichês quase que obrigatórios, como a relação entre Dunn e Eddie Scrap (Morgan Freeman, estupendo), ex-boxeador e único funcionário do decadente ginásio de boxe de Dunn.
Assim como são maravilhosas - e tristes - as histórias que correm paralelas à trama principal. Como a de Danger Barch (Jay Baruchel), um jovem desequilibrado que treina diariamente na academia, sob os auspícios de Scrap.
Num filme em que era fácil ter apenas pancadaria, Eastwood destila força e respeito. Onde seria quase impossível resistir a um naufrágio melodramático, Eastwood transita com elegância e altivez.
"Menina de ouro" é, sobretudo, corajoso. Eastwood expõe seus personagens como quem exorciza fantasmas do passado. Arrebatador.
O filme teve sete indicações para o Oscar: filme, diretor, ator, atriz, ator coadjuvante, roteiro adaptado e edição. Pelo menos nas categorias filme, diretor, atriz e roteiro adaptado, é o melhor de todos os indicados. Eros Ramos de Almeida - O Globo
Natal Eustáquio
11/2/2005
Sem desmerecer os demais concorrentes, o embate pelo Oscar 2005 no Brasil começa verdadeiramente hoje, quando chegam aos cinemas do país os filmes Menina de ouro e O aviador, dos diretores Clint Eastwood e Martin Scorsese, respectivamente - as produções são favoritas nas principais categorias, a exemplo de melhor filme e melhor diretor. Afinal, trata-se de dois gigantes em combate, cineastas com obras sólidas e talento reconhecido no mundo todo. Diretor de títulos do porte de Taxi driver e Touro indomável, Scorsese tem 37 anos de dedicação ao cinema, enquanto Eastwood conta meio século de carreira como ator e diretor de filmes memoráveis - vide Os indomáveis. Carta do editor - Correio Braziliense
Berlim liga mainstream a filmes de autor
11/2/2005
Enquanto Cannes celebra o glamour e Veneza prioriza os filmes de autor, Berlim busca um equilíbrio entre indústria e arte cinematográficas. O tradicional festival alemão ainda costuma refletir uma preocupação política e social em sua seleção de filmes, principalmente na mostra competitiva. Até o dia 20, o evento sediado em Postdamer Platz, moderno centro econômico da Berlim unificada, confirma mais uma vez a vocação para discutir "assuntos sérios". A vida dos homens-bomba palestinos, a psicologia por trás do poder político, o seqüestro infantil, o nazismo, a Guerra Civil em Ruanda e os últimos dias de François Mitterrand, entre outros temas, prometem aquecer o debate entre os candidatos ao Urso de Ouro.
Desde 2002, quando Dieter Kosslick assumiu a direção, substituindo Moritz de Hadeln - que ocupou o cargo por mais de duas décadas - o festival apresenta seleções de filmes ainda mais engajadas. Essa consciência política condiz com a origem do evento, uma das principais atrações do calendário cultural da cidade e da Europa. Inaugurada em 1951, seis anos depois do término da Segunda Guerra Mundial, a maratona cinematográfica surgiu como um símbolo de liberdade da Alemanha Ocidental. Com a reunificação das Alemanhas, ainda ganhou um caráter mediador entre o Ocidente e o Oriente (leia mais na página 10).
Este ano, quando Berlim chega à 55ª edição, "Man to Man", de Régis Wargnier, foi o título escolhido para inaugurar o festival. Wargnier, que ganhou projeção internacional em 1992, com "Indochina", disputa o Urso de Ouro com épico que retrata uma expedição de antropólogos à África do Sul, no século 19, em busca de conexão entre o homem e o macaco. Co-produzido por Inglaterra e França, o longa-metragem protagonizado por Joseph Fiennes e Kristin Scott Thomas denuncia os abusos cometidos pelo homem em nome da ciência.
"Sometimes in April", de Raoul Peck, reforça o painel de discussões na mostra competitiva revivendo os horrores da Guerra Civil em Ruanda. "Sophie Scholl - Die letzten Tage", de Marc Rothemund, refaz a trajetória final de jovem estudante executada pelos nazistas, em 1943, ao fundar um grupo de resistência. "Paradise Now", de Hany Abu-Assad, enfoca as últimas 48 horas na vida de dois homens-bomba palestinos. "Gespenster", de Christian Petzold, mostra o drama de francesa que passa a vida procurando pela filha, seqüestrada quando era menina em Berlim.
"Le Promeneur du Champ de Mars", de Robert Guédiguian, mantém o viés político ao levar às telas a biografia homônima que Georges-Marc Benamou escreveu sobre os últimos dias do ex-presidente francês François Mitterrand - em que ele teria revelado segredos íntimos a um amigo jornalista. "Sun", de Alexander Sokurov, é dedicado ao imperador japonês Hirohito. Depois de "Moloch" (1999), em que retratou Hitler, e "Taurus" (2001), sobre Lenin, esta é a terceira parte da tetralogia que o cineasta russo prepara sobre grandes personalidades históricas do século passado.
Ao todo, foram selecionados 21 filmes para a mostra competitiva de Berlim, representando países como EUA, Espanha, Itália, Inglaterra, Dinamarca, França, Holanda, Irlanda, Rússia, Japão, China, Taiwan, África do Sul e a própria Alemanha. Nenhum título brasileiro briga este ano pelo Urso. "Redentor", de Cláudio Torres, foi escolhido para a mostra Panorama. Há apenas um brasileiro no elenco de "The Life Aquatic", título assinado pelo americano Wes Anderson e integrante da competição. O ator e músico carioca Seu Jorge faz aqui o papel de um mergulhador profissional que cuida da segurança do oceanógrafo (Bill Murray), à procura do tubarão que devorou seu parceiro enquanto eles rodavam um documentário no fundo do mar. Seu Jorge ainda é responsável por algumas músicas da trilha sonora dessa comédia, que promete quebrar o tom sisudo da programação.
Pela primeira vez em vários anos, o festival de Berlim não servirá deliberadamente de vitrine para o Oscar. São poucos os títulos selecionados para o evento que disputam os prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood no dia 27, no Kodak Theater. "Hotel Rwanda", com direção de Terry George, e "Kinsey", de Bill Condon, garantiram exibição hors concours na Alemanha. O primeiro soma indicações de melhor ator (para Don Cheadle), de atriz-coadjuvante (para Sophie Okonedo) e de roteiro original. O segundo foi lembrado pela Academia na categoria de melhor atriz-coadjuvante, para Laura Linney.
Ainda que sejam poucos os candidatos ao Oscar em sua seleção - a presença de concorrentes tradicionalmente dá visibilidade extra ao festival pelo mundo - Berlim 2005 continua fazendo a ponte entre o cinema de autor e o comercial. Cineastas de grife, como o francês André Téchiné e Tsai Ming-Liang, nascido na Malásia, concorrem ao Urso de Ouro, que será definido pelo júri presidido pelo diretor alemão Roland Emmerich - conhecido pelos blockbusters "Independence Day" (1996), "O Patriota" (2000), "O Dia Depois de Amanhã" (2004).
Téchiné coloca dois amantes (vividos por Catherine Deneuve e Gérard Depardieu) frente a frente 30 anos depois da separação, em "Les Temps Qui Changent". Já Ming-Liang, que brigou pelo Urso em 1997, com "O Rio", retoma o tema da alienação em "Tian Bian Yi Duo Yun" (The Wayward Cloud), justapondo imagens de musicais coloridos com cenas de sexo explícito.
A presença confirmada de alguns figurões de Hollywood, como Will Smith, também revela a intenção de equilibrar os dois pólos da indústria. O astro vai promover durante o evento a comédia romântica "Hitch - O Conselheiro Amoroso", que será exibida, obviamente, fora de competição. Também devem desembarcar na cidade Glenn Close e Isabella Rossellini, que atuam em "Heights"; Keanu Reeves, por "Thumbsucker"; Dennis Quaid e Scarlett Johansson, por "In Good Company"; William Dafoe e Anjelica Huston, por "The Life Aquatic"; Ian McKellen, por "Asylum"; e Debra Winger, por "Sometimes in April".
Paralelamente às mostras oficiais do festival, Berlim também promove a feira de filmes conhecida como European Film Market - um espaço que ocupa 3.500 m2 no Daimler-Chrysler Atrium. Criado para centralizar os assuntos comerciais, o mercado deste ano terá um número recorde de participantes. Serão 165 empresas, entre distribuidores, produtoras e compradores de filmes (38% a mais que no ano passado). Estarão presentes cerca de 530 títulos para negociações (33% a mais que em 2004) e ainda serão realizadas, em 25 salas de cinema, cerca de 810 exibições de mercado (25% a mais, na comparação com o ano anterior). Elaine Guerini - Valor Econômico
Prova de amor dos ingleses por Walter Salles
11/2/2005
Se a comunidade cinematográfica da Grã-Bretanha tiver um gosto afinado com os críticos do país, "Diários de motocicleta", de Walter Salles, pode se preparar para a consagração amanhã, quando serão entregues os prêmios aos melhores de 2004 da Academia Britânica (Bafta). Porque na cerimônia de premiação dos críticos, na quarta-feira, o filme levou o troféu de melhor produção em língua estrangeira.
"Diários..." superou o francês "Eterno amor", de Jean-Pierre Jeunet, o chinês "O Clã das Adagas Voadoras", de Zhang Yimou, o russo "O retorno", de Andrei Zvyagintsev, e o espanhol "Má educação", de Pedro Almodóvar. Walter Salles, passando por Londres a caminho do Festival de Berlim, esteve na festa e recebeu o prêmio.
Nas outras duas categorias referentes a melhores filmes, venceram "Sideways - Entre umas e outras", de Alexander Payne, e "Vera Drake", de Mike Leigh (este na seara de produções britânicas). Outro lendário cineasta inglês, Ken Loach, saudou a vitória de "Diários..." de forma combativa, relacionando hegemonia cultural do cinema americano com política externa dos EUA.
Prêmios para Scorsese, Jamie Foxx e "Vera Drake"
- É hoje mais necessário do que nunca compreender que há uma relação direta entre a violência presente nos filmes hollywodianos e a prática belicista do governo americano - disse Ken Loach.
"Vera Drake", de Mike Leigh, levou outros quatro prêmios, entre eles o de melhor atriz para Imelda Staunton. O prêmio de ator foi para Jamie Foxx pela interpretação de Ray Charles na cinebiografia "Ray". Já nas duas categorias referentes a direção, os ganhadores foram Martin Scorsese, por "O aviador", e, entre os filmes ingleses, novamente Mike Leigh.
No Bafta, "Diários..." está indicado em nada menos do que sete categorias, entre elas as de filme e filme estrangeiro. Jaime Biaggio - O Globo
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Cultura
Abandono cultural
11/2/2005
O Ministério da Cultura ficou com R$ 1,2 bilhão para desenvolver programas de música, teatro, cinema, exposições e outros. Muito bem, mas cultura não é só isso. É também importantes sítios arqueológicos e museus que estão abandonados. Apenas dois exemplos: o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, aí no Rio de Janeiro, e o Sítio da Serra da Capivara, no Piauí, onde a arqueóloga brasileira Niède Guidon vinha desempenhando desde os anos 70 excelente trabalho e agora não tem como continuá-lo por falta de verba. Quem cuida desta outra porção da cultura nacional? Lygia Vianna da Silva - Jornal do Brasil
Patrocínio teatral
11/2/2005
Sérgio Xavier, secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, está comemorando uma marca histórica. O teatro em São Paulo bateu recorde de captação em 2004 pela Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), atingindo R$ 25 milhões. Bem acima dos R$ 20 milhões em 2003 e R$ 16 milhões em 2002. Em todo o Brasil os investimentos em teatro pela Lei Rouanet saltaram de R$ 50 milhões em 2002 para R$ 60 milhões em 2004. O Estado de São Paulo
Depois do carnaval, aulas de arte para crianças
11/2/2005
Mocidade se une à ONG Nova Sociedade para levar teatro, dança e música às favelas da sua comunidade
RIO - Logo no início de março, crianças das comunidades vizinhas à escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, uma área da zona oeste com favelas populosas, terão aulas de teatro, dança e música com artistas consagrados, como o ator Antônio Pedro (o dr. Pimenta, da novela Começar de Novo, da Rede Globo), o grupo Monobloco e a bailarina Tatiana França (formada pela Escola de Angel Vianna e ex-integrante do grupo de Débora Colker). O projeto é da Nova Sociedade, ONG que já atua no Nordeste, em parceria com a escola de samba.
"Gastei R$ 5 milhões no desfile deste ano e não penso nessa cifra sem lembrar da carência das pessoas que moram em volta da quadra, seja a Vila Vintém (onde nasceu a cantora Elza Soares), Moça Bonita ou outras favelas menos conhecidas. Eles fazem a nossa festa e não dar-lhes nada de volta é falta de respeito", explica o presidente da Mocidade, Paulo Vianna. "Já temos projetos assistenciais com recursos próprios, como a aplicação de flúor, o sopão, a recreação e a bolsa alimentos, mas faltava um projeto envolvendo arte."
O presidente da Nova Sociedade, Ronaldo Gomes, explica que o projeto não é profissionalizante. Nada impede, entretanto, que que as 400 crianças, entre 6 e 14 anos - público previsto para os primeiros 6 meses - se interessem por profissões ligadas à arte. Ele ainda busca os R$ 350 mil necessários a sua manutenção, mas pretende começá-lo mesmo sem patrocínio. "Estamos na Lei Rouanet e vamos começar numa escala menor, sem desistir de nosso intento", diz Gomes. "Este projeto pode se expandir se houver interesse das comunidades e de empresas em que queiram patrociná-los."
Os profissionais envolvidos têm experiência nesse tipo de trabalho, mas refutam o assistencialismo. O ator Antônio Pedro já montou, em 2000, na Fundição Progresso, a peça O Grande Encontro, para lembrar os 500 anos do descobrimento do Brasil, com meninos de rua da Lapa. No ano passado, ele montou Electra, de Sófocles, na Mangueira, com tradução de João Ubaldo Ribeiro e música dos moradores do morro. Na Mocidade, ele pensa num espetáculo semelhante ao da Lapa. "Tenho formação erudita, mas há muito tempo descobri que o teatro popular brasileiro existe feito pelo povo. Então fui à luta", conta. "Todo mundo quer ser ator porque é mais divertido, mas acaba fazendo o que for preciso e o pessoal técnico encontra trabalho mais fácil, pois cria contatos no meio teatral."
Os músicos Carlos Martau e C.A., do Monobloco, pensam diferente. Eles já fazem musicalização em oficinas de percussão na Sala Baden Powell, em Copacabana, na zona sul, canalizar a energia das crianças e adolescentes. "Com música, eles aprendem disciplina, ganham auto-estima e porque se sentem capazes de produzir beleza e diversão", diz Martau, que é também produtor musical e técnico de som de Lulu Santos e do grupo Cidade Neutra. "Quem convive com música desde a infância torna-se um adulto tranqüilo e consciente."
Para C.A., baterista do grupo A Parede, de Pedro Luiz, o contato com crianças carentes é mais intenso. "Em Copacabana, as pessoas têm outras atividades estão lá para criar amigos, é quase uma terapia. Os meninos pobres são ávidos de conhecimento e aproveitam tudo que lhes ensinamos. Não questionam como e por que, querem estar em ação", compara. "Nossa idéia é ensinar-lhes a cuidar e a tocar os instrumentos e, a partir do que aprenderem, eles passam a andar com suas próprias pernas. Isso já aconteceu antes, quando demos oficinas em Portugal e agora é uma enorme satisfação voltar lá e ver que nossos ex-alunos com trabalhos próprios."
A bailarina Tatiana França não visa à profissionalização de seus alunos. "Se aparecer algum talento ou uma vocação especial até encaminharemos para escolas formais de dança, mas nossa intenção é despertar neles a consciência corporal e de movimentos", avisa a bailarina, que já trabalhou também em espetáculos de Marília Pêra e do diretor Ulysses Cruz. "Isso não exclui a possibilidade de montarmos espetáculos, pois nosso modelo é o trabalho do Ivaldo Bertazzo no Rio e em São Paulo."
Gomes promete realizar apresentações mensais com os diversos grupos e Antônio Pedro lembra que é uma tradição de seu grupo. "Toda quarta-feira de lua cheia apresentamos os espetáculos para as comunidades", diz. Apesar de a meta ser os pré-adolescentes, que necessariamente devem estar matriculados na escola formal, o projeto pretende atingir toda a comunidade. "Começamos com os mais novos que depois se tornarão multiplicadores do que aprenderem", conclui Gomes. Beatriz Coelho Silva - O Estado de São Paulo
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Política
PF abre inquérito para investigar Confederal, empresa de Eunício
11/2/2005
BRASÍLIA. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar se houve superfaturamento de notas fiscais na prestação de serviços da Confederal para a Caixa Econômica Federal (CEF). A Confederal é uma empresa de segurança e pertence ao ministro da Comunicações Eunício Oliveira, que no entanto está afastado de sua direção. A informação sobre as notas consta de um relatório enviado pela direção da PF ao Ministério da Justiça.
O documento, de três páginas, é um levantamento das investigações sobre os negócios suspeitos de Waldomiro Diniz, ex-chefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil. No próximo domingo, o caso completará um ano, desde que foi tornado público pela revista "Época".
No relatório, a PF informa ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, todas as providências adotadas a partir do surgimento das denúncias contra Waldomiro. Uma delas resultou na abertura de um inquérito específico para investigar a prestação de contas da Confederal à Caixa. "O inquérito foi instaurado para apurar denúncia de que servidores da Caixa Econômica Federal teriam superfaturado notas fiscais de prestação de contas de serviços da empresa Confederal", diz o relatório.
Notas superfaturadas para comprar itens de escuta
Pelas informações preliminares, os preços foram aumentados "com a finalidade de compra de equipamentos de escuta telefônica". O relatório não informa quem comprou os equipamentos para grampear telefones. Pela legislação em vigor, as escutas telefônicas só podem ser feitas pela polícia e mediante autorização judicial.
Nos demais trechos do relatório, a direção da PF informa que as investigações específicas sobre o caso Waldomiro estão a cargo do delegado Nilton Souza Siqueira. Ele substituiu o delegado César Nunes no início desde ano. Nunes deixou o comando do inquérito depois que o Ministério Público rejeitou suas conclusões sobre a suposta interferência de Waldomiro na renovação do contrato de R$ 650 milhões da Caixa com a Gtech do Brasil.
O inquérito sobre Waldomiro foi encerrado e reaberto duas vezes. Meses depois do início das investigações, o procurador da República Marcelo Serra Azul apresentou denúncia contra Waldomiro e dirigentes da Caixa. A denúncia foi rejeitada e o inquérito, reaberto. Em dezembro, Nunes apresentou relatório final com o indiciamento de Waldomiro, do empresário Rogério Buratti e do jornalista Mino Pedrosa. O MP pediu o prosseguimento das investigações. Jailton de Carvalho - O Globo
Relatório da PF pede mais investigação sobre a Caixa
11/2/2005
A Polícia Federal encaminhou um relatório ao Ministério da Justiça com o objetivo de subsidiar o governo diante de previsíveis críticas no aniversário de um ano do caso Waldomiro Diniz, a ser completado no domingo.
O documento, obtido pela Folha, frisa que a PF vai aprofundar a investigação a respeito da renovação de contrato entre a Caixa Econômica Federal e a multinacional GTech do Brasil.
Ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz pediu demissão após a divulgação de uma fita na qual ele aparece pedindo propina a um empresário do jogo do bicho.
O documento foi entregue pelo diretor-geral da PF, delegado Paulo Lacerda, ao secretário-executivo do ministério, Luiz Paulo Teles Barreto, antes do Carnaval. O relatório informa que a PF abandonou por ora a criação de uma força-tarefa para investigar o caso, após o inquérito ter sido devolvido duas vezes pela Justiça.
O texto não traz detalhes das novas investigações sobre a Caixa e a GTech. Diz que o procurador José Robalinho "requisitou uma série de diligências à PF destinadas a elucidar o caso CEF/GTech". Em outra passagem, resume que as "investigações complementares" estão sob segredo de Justiça.
Ao encerrar o inquérito em dezembro, o delegado Antonio César Nunes indiciou Waldomiro por tráfico de influência e corrupção. O Ministério Público quer que a PF indique quem sofreu a influência: se executivos da GTech ou diretores da Caixa.
O Ministério da Justiça deve encaminhar ao Palácio do Planalto o relatório da PF, com algumas modificações. A equipe do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) deve acrescentar análises políticas e jurídicas sobre cada desdobramento do caso, antes de repassar o documento ao presidente.
O relatório aponta as diversas frentes de investigação sobre o caso. Ao todo, há três inquéritos abertos: um sobre a atuação de Waldomiro na renegociação entre a Caixa e a GTech; outro a respeito de seu trabalho na Casa Civil; e o terceiro para investigar superfaturamento feito pela Caixa de notas fiscais da Confederal, empresa do ministro Eunício Oliveira (Comunicações).
O dinheiro obtido com o superfaturamento teria sido usado na compra de equipamentos de escuta telefônica.
De acordo com o relatório da PF, o delegado Nunes foi afastado devido a "divergência de opinião" e "desgaste no relacionamento" com o Ministério Público. Para seu lugar foi nomeado Nilton Souza Siqueira -mais reservado e avesso a entrevistas. Oficialmente, a PF informara que Nunes se afastou para assumir um cargo de chefia na Bahia.
O aniversário de um ano do caso Waldomiro Diniz incomoda à cúpula da PF, que considerou o inquérito superficial, e ao PT, que adiou a festa de seus 25 anos de fundação, ocorrida oficialmente ontem, para março. Considerada a mais grave crise política do governo Luiz Inácio Lula da Silva, a suspeita sobre Waldomiro também minou o poder do ministro José Dirceu (Casa Civil) como articulador do Planalto.
História
No dia 13 de fevereiro de 2004, a revista "época" divulgou uma fita de vídeo que mostrava Waldomiro conversando com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. No diálogo, o ex-assessor do Planalto pedia 1% de propina. A verba iria auxiliar a campanha dos candidatos a governador Rosinha Matheus (PMDB) e Benedita da Silva (PT), do Rio de Janeiro, e Geraldo Magela (PT), no Distrito Federal. Os três negam ter recebido dinheiro.
A pedido do Ministério da Justiça, a PF abriu inquérito para apurar o caso e tomou depoimentos que apontavam a interferência de Waldomiro na negociação comercial Caixa-GTech. Segundo as investigações, ele teria exigido a contratação do consultor Rogério Buratti pela GTech para que o contrato fosse renovado. Buratti foi secretário de Governo do ministro Antonio Palocci (Fazenda) na Prefeitura de Ribeirão Preto. Buratti nega. IURI DANTAS -
Folha de São Paulo
Aeronáutica não divulga resultado de inquérito
11/2/2005
O Comando da Aeronáutica divulgou nota informando que o Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar a "suposta queima de documentos" na Base Aérea de Salvador foi concluído. Não divulgou, porém, os resultados.
O encarregado do IPM, brigadeiro Ramon Borges Cardoso, enviou as conclusões ao comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno, a quem cabe analisá-las e enviá-las à Justiça Militar.
Os documentos queimados eram referentes ao período da ditadura (1964-1985), conforme mostrou a Rede Globo em 12 de dezembro passado.
A Folha apurou que a Comissão de Direitos Humanos do governo não havia enviado, até ontem, material complementar para o inquérito. Folha de São Paulo
Planalto tenta se reaproximar do PDT com a filiação de governador
11/2/2005
O governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, abandonou o PSB e se filiou ontem ao PDT, levando consigo dois deputados federais. A mudança é mais um passo para aproximar o PDT do governo. O partido também fechou apoio ao candidato oficial do PT à presidência da Câmara dos Deputados, Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), que estava presente na reunião e afirmou que a adesão o deixava mais próximo da vitória.
Desde o começo de 2004, o partido faz oposição ao Planalto e esta foi a razão para o então ministro das Comunicações e pedetista Miro Teixeira, deixar o governo e a sigla. O panorama mudou com a morte de Leonel Brizola, em junho de 2004. Enquanto vivia, o ex-governador gaúcho travou as manobras do governo para cooptar o partido.
Os atritos de Lessa com o presidente do PSB, Miguel Arraes eram antigos, e o alagoano queria sair do partido para outra sigla governista. Mas foi aconselhado pelos interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a entrar no PDT assumindo a defesa da mudança de rumos. "O governo Lula não se esgotou e temos que manter diálogo, nossa postura de independência pode ajudar muito o governo federal", disse ontem o governador.
Além de Lessa, os deputados João Fontes (SE) e Jurandir Boia (ex-PSB-AL) entraram na sigla. Com as filiações, o partido passa a contar com 16 deputados. Além de Alagoas, o partido governa o Amapá, com Waldez Góes. Esse aumento no número de membros do partido favorece o entendimento pró-governo dentro do PDT. A sigla está dividida sobre a postura em relação ao governo desde a ida para a oposição, mas os defensores do rompimento predominavam. A cúpula do partido chegou a assumir o compromisso de uma futura fusão com o PPS.
Além das novas filiações, a reunião de ontem do PDT serviu para que a bancada fechasse o apoio ao nome de Greenhalgh à presidência da Câmara. O petista, que estava presente na reunião, comemorou o apoio recebido. O partido também definiu o novo líder do partido na Câmara, Severiano Alves (BA).
Logo após a morte de Brizola, em junho do ano passado, o governo federal começou a agir para cooptar o PDT. Em uma reunião do comando político do Planalto, ficou decidido que os congressistas da sigla seriam tratados na análise das emendas parlamentares ao Orçamento como se fossem governistas. Henrique Gomes Batista e César Felício - Valor Econômico
Lula convoca ministros para eleger Greenhalgh
11/2/2005
BRASÍLIA. Diante do risco da eleição para a presidência da Câmara ser decidida apenas no segundo turno, possibilidade que cresceu ontem, o governo Lula decidiu entrar na briga para garantir a vitória do candidato petista Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) no primeiro turno. Onze ministros, inclusive Antonio Palocci, da Fazenda, foram convocados hoje para um café da manhã na casa do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), com todos os líderes da base aliada.
O esforço é para aumentar a margem de votos e traçar estratégias para driblar as dificuldades enfrentadas por Greenhalgh. Na reta final da campanha, dificuldades de todo tipo estão sendo apresentadas por parlamentares, prática comum em votações de interesse do governo. Segundo avaliaram os aliados ontem em sucessivas reuniões, Greenhalgh não tem mais que 220 votos. Ele precisaria de pelo menos mais 25 para vencer no primeiro turno, contando com um quórum de 490 deputados.
Severino Cavalcanti estaria tirando votos de Greenhalgh
De acordo com essas avaliações, Greenhalgh está perdendo votos para a candidatura de Severino Cavalcanti (PP-PE) porque a base está insatisfeita com a não liberação de recursos de emendas dos restos a pagar do Orçamento de 2004. Outro complicador foi entrada em cena do secretário de Governo do Rio, Anthony Garotinho. Para conseguir votos suficientes dentro do partido para destituir o atual líder na Câmara, o governista José Borba (PR), Garotinho avançou em todos os partidos para filiar deputados oposicionistas ao PMDB e assim eleger um outro líder.
Diante de especulações de que Garotinho já teria quase 50 dos 84 votos do PMDB, os governistas do partido se reuniram num almoço com João Paulo, Greenhalgh e aliados. O futuro presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ministro das Comunicações, Eunício de Oliveira, tomaram a frente da contra-ofensiva para barrar Garotinho.
Os governistas do PMDB admitem que a situação de Borba é muito delicada, o que complica ainda mais o apoio a Greenhalgh. Mas a disposição do governo e do PT é a de evitar, a todo custo, a vitória de Garotinho na bancada. Segundo um ministro, o Palácio do Planalto está pronto para reagir em dobro a cada ação de Garotinho.
- Quem perde com esses problemas todos é Greenhalgh. Para mim vai ter segundo turno. A primeira coisa a saber é se quem está dizendo que vota no candidato da base vota mesmo - afirmou o líder do PTB, José Múcio Monteiro (PE). - Dos 50 deputados do meu partido, 25 dizem que votam no Greenhalgh. Mas se me perguntarem se eu boto a mão no fogo, digo que não. Os outros 25 vão para Severino, que teve um crescimento extraordinário nos últimos dias.
Múcio: contrato de deputado por tempo determinado
Múcio era um dos líderes extremamente indignados com o assédio de Garotinho: o PTB estaria perdendo quatro parlamentares para o PMDB.
- Agora temos contrato de deputado por tempo determinado e quem inaugurou isso, fazendo bagunça em tudo, foi o Garotinho. O deputado fica em experiência por 30 dias. Se não der certo, se perderem ou ganharem os cargos que vão disputar nos novos partidos, voltam - protestou o candidato do PFL à presidência da Câmara, José Carlos Aleluia (BA).
Diante de tamanha confusão, a avaliação dos próprios governistas do PMDB é de que Greenhalgh terá o voto de apenas 30 dos atuais 85 deputados da bancada.
- É imprevisível. A lógica não nos ajuda. Além de serem cinco candidatos, o voto é secreto - disse o líder José Borba.
- A tese dos candidatos avulsos enfraquece os líderes e os partidos. O que vai acontecer se essa moda pega nas comissões? - completou Eunício Oliveira.
O Palácio do Planalto, sob orientação do presidente Lula, convocou todos os ministros para ajudarem no esforço para a eleição de Greenhalgh.
- Cada apoio que fecho, melhora minha situação. Passo a passo vamos chegar lá. A estratégia é para ganhar no primeiro turno - declarou Greenhalgh após receber ontem o apoio do PDT.
Mas feliz mesmo está Severino Cavalcanti:
- O caminho, o ancoradouro dos deputados descontentes é meu gabinete, que está uma movimentação só. Enquanto os dois candidatos do PT estão se pegando, eu vou garantindo minha eleição no primeiro turno. Maria Lima, colaborou Lydia Medeiros - O Globo
Tudo ou nada por Greenhalgh
11/2/2005
Governo mobiliza ministério enquanto comando nacional petista ordena fechamento de questão na tentativa de garantir vitória do candidato oficial, ameaçada por concorrentes avulsos do PT, PFL e PP
O PT e o governo decidiram reforçar seu jogo bruto na eleição para a presidência da Câmara. Ontem, em São Paulo, a direção nacional petista resolveu, por dez votos contra um, determinar à bancada que feche questão em favor de Luiz Eduardo Greenhalgh, o que abrirá caminho para a punição do dissidente Virgílio Guimarães por infidelidade partidária, caso mantenha sua candidatura. Em Brasília, os ministros estão sendo mobilizados para pressionar a base do governo a votar em Greenhalgh, inclusive os ministros Antônio Palocci, da Fazenda, e Roberto Rodrigues, da Agricultura, que têm influência junto aos integrantes da comissão de orçamento e à bancada ruralista.
Os ministros da Coordenação Política, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e da Casa Civil, José Dirceu (PT-SP), vão discutir hoje, num café da manhã na casa do presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha, a estratégia do governo para a reta final da campanha com os ministros e os líderes da base aliada, que está em frangalhos devido às candidaturas avulsas. Os candidatos do PFL, José Carlos Aleluia, e do PP, Severino Cavalcanti, contrariando expectativas do governo, conseguiram o apoio maciço de suas respectivas bancadas, fragilizando a candidatura de Luiz Eduardo Greenhalgh. A disputa pelos demais cargos da mesa também está implodindo as bancadas com outras candidaturas avulsas.
Deverão comparecer ao café da manhã os ministros das Comunicações, Eunício Oliveira (PMDB-CE); da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos (PSB-PE); do Turismo, Walfrido Mares Guia (PTB-MG); e Ciro Gomes (PPS-CE), da Integração Nacional. As bancadas de seus respectivos partidos estão apoiando majoritariamente candidatos adversários. Nas contas do governo, se houver uma mobilização forte no final de semana, a votação de Luiz Eduardo poderá chegar a 265 votos, garantindo a vitória no primeiro turno. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobra dos seus ministros e dos líderes da base aliada na Câmara um esforço maior para enquadrar suas respectivas bancadas. A decisão da direção nacional petista para enquadrar Virgílio será divulgada oficialmente na reunião de hoje com os ministros.
Não será uma tarefa fácil. Existe muito descontentamento com o governo, principalmente para os ministros petistas. Deputados da base aliada queixavam-se ontem de que as conversas com o ministro Aldo Rebelo, da Coordenação Política, não tinham nenhum resultado junto aos ministros Humberto Costa (PT-PE), da Saúde, e Olívio Dutra (PT-RS), das Cidades, que, segundo eles, sequer atendem as ligações telefônicas dos deputados. O candidato petista, Luiz Eduardo Greenhalgh, também tem se queixado disso.
O novo líder do PP na Câmara, José Janene (PR), diante da situação, sustentava que o governo deve trabalhar com a possibilidade de dois turnos e não apostar tudo numa vitória no primeiro turno. Na sua bancada, Severino Cavalcanti arrasta a maioria esmagadora dos 54 votos do PP. "Ele é querido na bancada e muito popular na casa", justifica Janene, que contabilizava ontem apenas 180 votos seguros para Greenhalgh.
Na base aliada, o PP aguarda a convocação do ex-líder da bancada, Pedro Henry, para ocupar uma pasta no governo Lula. Por causa da eleição da mesa, e do apoio informal do partido a Severino, o ministério parece cada vez mais distante.
A candidatura de José Carlos Aleluia deverá obter 55 votos na bancada do PFL, segundo o novo líder do partido, Rodrigo Maia (RJ). "Não vamos discutir apoio a Greenhalgh enquanto Aleluia for candidato avulso, pois ele tem a nossa solidariedade", disse. Luiz Carlos Azedo - Correio Braziliense
Cavalcanti: CBN é apêndice do governo
11/2/2005
BRASíLIA - O candidato a presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE) por não ter sido convidado pela Rádio CBN para o debate de ontem com os candidatos Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), Virgílio Guimarães (PT-MG) e José Carlos Aleluia (PFL-BA).
Cavalcanti acusou a emissora de ser um "apêndice do governo" e afirmou que não recebeu convite por fazer uma campanha voltada para a independência" do Legislativo. "Foi para o debate a panelinha. Se houvesse autenticidade, teriam de chamar o Severino", declarou Cavalcanti. Além dele, não foi convidado o candidato Jair Bolsonaro (PTB-RJ).
Cavalcanti afirmou que, se tivesse sido chamado, não fugiria do debate, mas informou não ter acompanhado a transmissão do programa. "Não (ou)vi, e quem viu não gostou." O candidato do PP de Pernambuco canta vitória: "Ganho no primeiro turno. Eles estão muito fracos e brigando muito. Enquanto eles brigam, eu ganho", afirmou, referindo-se às discussões entre Greenhalgh e Guimarães. Tribuna da Imprensa
Edmundo Matarazzo deixa a Anatel
10/2/2005
O superintendente de Universalização da Anatel, Edmundo Matarazzo, está deixando a Agência. Ontem, ele apresentou seu pedido de demissão ao presidente da Anatel, Elifas Gurgel, alegando razões pessoais e familiares. Segundo Elifas, a exoneração de Matarazzo será aprovada em reunião do Conselho Diretor na próxima semana. Dentro da Agência, Matarazzo era, ao lado do conselheiro Pedro Jaime Ziller, o grande defensor do Serviço de Comunicações Digitais (SCD), cuja proposta parece ter sido esquecida pelo Ministério das Comunicações. Na superintendência de Universalização, Matarazzo acompanhou a antecipação das metas pelas concessionárias e, posteriormente, teria a tarefa de acompanhar a aplicação dos recursos do Fust, o que jamais se concretizou.
No mercado, comenta-se que Matarazzo teria sido convidado a ocupar uma assessoria no Ministério das Comunicações. Cristiana Nepomuceno - Telecom Online
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Imprensa & Jornalismo
Jornalistas também são alvos nos ataques da direita à ONU
11/2/2005
NOVA YORK (EUA) - Como jornalista credenciado nas Nações Unidas, integro também a Unca (United Nations Correspondents Association), a associação dos correspondentes. E especialmente nos últimos três anos, sob a direção do atual presidente Jim Wurst (americano) e do anterior Tony Jenkins (britânico, do "Expresso" de Portugal) a entidade tem tido atuação exemplar.
Mas Wurst, Jenkins e outro britânico, Ian Williams (de "The Nation", além de autor de dois livros sobre a ONU e presidente da Unca em 1995-96), foram atacados pela direita americana, pelo fato de serem dados anualmente pela associação prêmios de jornalismo financiados por doações da U.N. Foundation, de Ted Turner, e da Open Society, de George Soros.
Turner e Soros, defensores do multilateralismo e do papel da ONU no mundo, são eternos alvos do império Murdoch de mídia ("New York Post", rede Fox e mais publicações e TVs pelo mundo afora), da seita Moon (dona do "Washington Times") e de outros veículos, grupos e indivíduos que pregam o fim das Nações Unidas e a hegemonia mundial dos EUA.
O assalto de Kinkaid, da AIM
O ataque mais recente à Unca partiu de um veterano odiador da ONU, Cliff Kinkaid, da atuante organização, que há anos monitora a mídia pela direita, Accuracy in Media (AIM) - não desconhecida para mim, que em 1978 visitei sua sede e entrevistei seu ideólogo-fundador Reed Irvine (falecido há pouco), que a criara na obsessão de absolver Richard Nixon dos crimes de Watergate.
Em carta à Unca, a 8 de fevereiro, Kinkaid fez uma interpelção: "Gostaria de saber quanto dinheiro esses grupos (U.N. Foundation e Open Society) dão à Unca para conceder os prêmios ou outros propósitos. E também se existem regras na associação proibindo os membros de receberem dinheiro da ONU ou de suas agências. E, se não há, por quê?"
Wurst e os ex-presidentes Jenkins e Williams responderam prontamente. Se o propósito era insinuar que juízes dos prêmios anuais da Unca contemplam um jornalismo que paparica a ONU, disseram, as autoridades da organização vão dar gargalhadas. Em 2003, por exemplo, o prêmio foi para o "Wall Street Journal", por devassar o programa Petróleo por Comida.
Jornalismo e traição no Timor
E não é só. Em dezembro de 2004, o prêmio para jornalismo de televisão coube ao documentário "Timor Leste - traição e ressurreição". A "traição" do título é uma referência ao fracasso da ONU em proteger a independência timorense e ainda ao fracasso da mesma ONU ao não impedir o massacre da população nos meses finais da ocupação da Indonésia.
(à época dos eventos, claro, a Indonésia era apadrinhada pelos EUA, que deram luz verde à sua invasão e ocupação de Timor Leste, como tinham dado antes ao golpe - com a matança de umas 700 mil pessoas - do general Suharto, derrubando Sukarno a pretexto de salvar o país do comunismo. Mas isso não foi tema de Kinkaid ou dos jornalistas da Unca).
"As várias organizações que patrocinam alguns de nossos prêmios - disse a Unca - deixam a escolha dos vencedores a critério de nosso painel de juízes. E todo o dinheiro doado vai diretamente para os ganhadores, conforme é adequadamente divulgado no programa", observou a resposta dada por Wurst, Jenkins e Williams à AIM e Kinkaid.
O espaço livre da Unca Club
A associação de correspondentes também transmite outras informações ao desinformado Kinkaid. Seus prêmios são consistentemente vencidos por jornalistas que, na melhor tradição profissional, focalizam de forma crítica os pecados mais graves da organização. E mais: "como associação, buscamos continuamente afirmar nossa independência também com outras ações".
Nos dois últimos anos, houve confrontos públicos (e embaraçosos para a ONU) entre a Unca e a organização mundial - inclusive pela firmeza com que a associação costuma defender o espaço do clube de imprensa (Unca Club) como zona de livre manifestação do pensamento, atraindo convidados que desagradam certos estados-membros.
Entre outros confrontos, uma autoridade de Taiwan, vetada pela China, foi impedida de entrar no prédio da ONU, levando a associação a realizar a entrevista, em protesto, na escadaria do lado de fora. E em 2003, houve tanto entrevistas do dissidente Ahmed Chalabi, protegido do Pentágono e favorável à invasão do Iraque, como do jurista Michael Ratner, que acusou o governo Bush de crimes de guerra. Tribuna da Imprensa
Jornalismo de TV
11/2/2005
A Editora Contexto lança no próximo dia 21 deste mês o livro "Jornalismo de TV", voltado tanto aos alunos dos cursos de jornalismo, como a quem se interessa por conhecer a maneira de fazer jornalismo para o veículo. As autoras são Luciana Bistane (editora da Rede Globo) e Luciane Bacellar (repórter da Rede Globo), ambas com vasta experiência na área. O lançamento ocorrerá a partir das 19 horas, na Casa do Saber, no bairro Jardim Paulistano, em São Paulo. Gazeta Mercantil
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Indústria Fonográfica
Tecnológico
11/2/2005
Grosso modo, a seqüência é mais ou menos assim: internet, Napster, milhões de downloads, Metallica, Courtney Love, indústria do disco desesperada, processos contra usuários de 15 anos, Napster fechado, dezenas de "Napsters" surgindo, milhões e milhões de downloads, iTunes, iPod e a revista "Rip & Burn".
O último elo da cadeia da "imparável" e ainda imensurável revolução musical acaba de chegar ao seu quinto número na Inglaterra, tem o "Extraia e Queime" no título e se autoproclama a "A nova "bíblia" musical para o século 21". E quem há de dizer que não é?
A "Burn", que neste mês dá a capa para a festejada nova banda Kasabian, é o produto mais bem acabado para a geração MP3.
Traz matérias sobre bandas novas, sobre as antigas que (ainda) interessam, fala de atuais tendências de cinema, cerca os principais lançamentos de DVD, é esperta em games. Mas não perde nunca o foco do ser humano que não vive hoje sem seu computador, sem suas conversas via MSN e celular.
Começou agressiva em seu primeiro número, no final de 2004. Deu capa de estréia ao rapper Eminem e anunciava tudo sobre MP3 e "bootlegs". Estampava uma manchete "Download This" ("Ouvimos 2.374 canções e encontramos 132 clássicos"). Chamava para a matéria "MP3 Knowledge" ("Como funciona. Onde ir. Qual será o próximo passo"). E anunciava um milhão de canções grátis, numa promoção com o redivivo Napster, agora um "instrumento" de download comportadinho e pago.
No número dois, a "Burn" tirou o "bootlegs" da capa, mas o recado à geração iPod continuava bem explícito, seja em seu conceito ou na quantidade de textos, ilustrações, exemplos e anúncios dedicados ao tocador de MP3 campeão da Apple. A seção inicial, de notícias rápidas, foi batizada de "Upload" e entre outras coisas dá a dica de 60 minutos de canções novas legais para você baixar e ouvir em seu toca-MP3.
Como toda revista gringa, eles divulgam uma parada. Mas de download, não a de venda. é a "The Official Download Chart", com a lista das mais "baixadas" músicas dos sites legais. A reboque vêm as paradas do Napster, do iTunes e do Shazam.
O "show" é a seção de lançamentos. Tem a crítica, um comentário de letra, o faixa-a-faixa, por que é importante ouvir tal CD e... a lista das músicas que realmente interessam no disco e que precisam do seu download.
Desnecessário dizer a quantidade de anúncios de toca-MP3s e de acessórios para incrementar toca-MP3s, relógios com MP3, toca-CDs de carro com MP3, chaveiros com MP3, celular com MP3...
Daft Punk
Minha sobrinha não tem conhecimento nenhum em inglês, mas sabe bem o que é "cut", "paste", "rip", "scroll" e usa MSN como verbo.
é para ela e para milhares como ela que a dupla francesa Daft Punk deve ter feito "Technologic", uma das canções mais legais de seu mais novo disco, "Human After All", a ser lançado oficialmente em março, mas já tocado graças ao mundo virtual.
A música, que pode ser o primeiro single do novo disco, traz o vocal de uma garotinha dizendo expressões como "Buy it, use it, break it, fix it, trash it, change it, upgrade it, zoom it, press it, erase it, paste it, save it, load it, check it, plug it, play it, burn it, rip it, drag and drop it, zip - unzip it, surf it, scroll it, turn it, leave it, stop - format it". é a voz da menina, falada e não cantada, sob uma batida disco-retrô-futurística de matar. Coisa do Daft Punk. Se bobear, minha sobrinha não vai largar o CPM22 para ouvir pelo menos uma vez "Technologic".
Dia dos Namorados
Lá, não aqui. A inglesa Kate Moss, a modelo rock'n'roll, pagou fiança de US$ 280 mil para soltar o namorado-problema, guitarrista, vocalista e viciado Pete Doherty (ex-Libertines, atual Babyshambles) da cadeia, quatro dias enjaulado por roubo e chantagem.
A outra é que a gravadora Rough Trade precisou vender parte do passe do esperadíssimo primeiro disco do Babyshambles para a mega EMI para conseguir levantar o dinheiro da fiança.
Outra história é que Doherty, que no julgamento pode amargar quatro anos de prisão, ameaçou se matar se for condenado. Big Brother Celebrity? Isso é que é "hiper-reality show". Lúcio RIBEIRO - Folha de São Paulo
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Informática
Lula é elogiado por presidente da Sun
10/2/2005 --
Em seu blog, Jonathan Schwartz publica uma carta aberta ao presidente brasileiro Jonathan Schwartz, presidente da Sun, escreveu em seu blog uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiando as iniciativas do governo a favor do software livre.
No texto, Schwartz diz que considera as iniciativas do governo brasileiro voltadas à inclusão digital como "corajosas e sábias". "Nós aplaudimos a sua adoção de plataformas de padrões abertos e software livre, e concordamos firmemente que tal inovação permite que todos os setores da população, e não apenas os privilegiados e influentes, tenham acesso a auto-determinação e independência", afirmou o executivo.
Ele complementou que "uma rede aberta e software livre são a base para oportunidades iguais, e o seu compromisso é um alerta para o mundo ver que o Brasil pretende desenvolver suas próprias soluções tecnológicas, suas próprias competências e sua própria indústria".
O texto completo está em http://blogs.sun.com/roller/page/jonathan/20050228.
ITWeb
Microsiga e Logocenter unem-se com apoio oficial
11/2/2005
Para se fundirem, companhias receberam aporte do BNDES, que defende a criação de empresas nacionais maiores para competirem no mercado internacional de software
A Microsiga e a Logocenter, duas das maiores empresas brasileiras de software de gestão empresarial, anunciaram ontem sua fusão, que pode ser considerada o principal resultado, até agora, da política de software do governo. Um documento com as diretrizes da política industrial, divulgado no final de 2003, elegia o setor como prioritário e apontava, entre os pontos fracos do software brasileiro, a "ausência de empresas-líderes e existência de muitas empresas de pequeno porte, pouco cooperativas".
Em resposta a isto, o negócio anunciado ontem - que contou com um aporte de R$ 40 milhões do Banco Nacional de Econômico e Social (BNDES), correspondente a 16,6% da nova empresa - criou a maior companhia latino-americana de software empresarial, com o objetivo de ampliar a presença no exterior de sistemas desenvolvidos no País. "Tomamos a liderança da consolidação do mercado", afirmou Orlando Watzko, presidente da Logocenter.
Sediada em Joinville (SC), a Logocenter, a empresa menor na fusão, continuará funcionando como uma companhia com operação e vendas independentes, 100% controlada pela Microsiga, de São Paulo. Os acionistas da Logocenter tornaram-se sócios na Microsiga, que funcionará como holding e empresa operacional. Apesar de não terem divulgado quanto da nova empresa ficará com cada grupo de sócios, os fundadores da Microsiga terão direito a quatro assentos no conselho de administração, os da Logocenter a dois e o BNDES a um. O fundo de investimentos Advent International, que era sócio da Microsiga, vendeu sua participação.
Os softwares de gestão - também chamados Enterprise Resource Planning (ERP) - de cada uma das empresas continuarão a existir como produtos separados. A rede de revendas também será mantida independente. De acordo com Laércio Cosentino, presidente da Microsiga, serão unificadas a administração, o desenvolvimento em novas tecnologias e os setores de alianças e novos negócios. "Trata-se de mais um passo na consolidação", explicou Cosentino. A Microsiga adquiriu uma empresa no México em 2003.
Os executivos fizeram questão de ressaltar que não existe plano de descontinuar produtos. Eles temem repetir experiências ruins de fusões internacionais, nas quais o anúncio de que um sistema sairia do mercado levou parte dos clientes a migrar para concorrentes.
A nova Microsiga terá 3 mil funcionários, 8 mil clientes no Brasil e 300 na América Latina. O faturamento consolidado em 2004 foi de R$ 380 milhões. Com presença na Argentina, Chile, México, Paraguai, Porto Rico e Uruguai, a empresa espera que as exportações respondam por 10% do faturamento este ano. Renato Cruz - O Estado de São Paulo
Microsiga e Logocenter mantêm operações separadas
10/02/2005
BNDES investiu R$40 milhões de reais na fusão das suas empresas e vai ficar com 16,6% do grupo. O restante será distribuído entre Microsiga, Logocenter e sócios minoritários
A Microsiga e a Logocenter anunciam que a fusão entre as empresas, divulgada ontem, será efetivada apenas na parte administrativa. "Estamos fazendo a consolidação em um modelo diferente do que vem acontecendo no mercado de informática", afirma Laércio Cosentino, presidente da Microsiga.
A unificação vai acontecer apenas na parte administrativa e societária. As operações permanecem separadas. O objetivo das duas empresas é a sinergia. "Teremos comitês de TI e de marketing que vão definir as estratégias macro.
A partir disso, cada empresa vai atuar de maneira distinta, com sua própria estrutura", diz Cosentino. "Os produtos existentes vão se manter e ser continuados com novas versões. Com isso, vamos ampliar nossa atuação e oferecer segurança para o mercado e nossos clientes", complementa.
Os executivos de ambas as empresas afirmaram que, segundo a IDC, o grupo resultante da fusão será o maior de software corporativo do Brasil, atrás apenas da SAP. Na América Latina, a previsão é que fique em terceiro lugar.
A nova empresa soma um faturamento de R$ 380 milhões em 2004, 3 mil funcionários diretos e indiretos, 8 mil clientes no Brasil e 300 mil na América Latina. O crescimento de ambas as empresas em janeiro deste ano foi 34% maior do que no mesmo período do ano passado.
O foco do grupo Microsiga/Logocenter será o mercado de pequenas e médias empresas, além das companhias que têm fornecedores que foram adquiridos. O exemplo citado foi o de clientes da J.D. Edwards, comprada pela PeopleSoft, que por sua vez foi abocanhada pela Oracle. "Estamos conversando com algumas dessas empresas que estudam a migração desses sitemas para as nossas soluções", diz Cosentino.
O processo de união das companhias começou há seis meses em conversas da Microsiga com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). "A idéia era consolidar o mercado brasdileiro de software e torná-lo mais competitivo para exportações". A Logocenter foi a primeira empresa cogitada e aceitou a proposta da fusão de maneira tranquila, de acordo com Cosentino. "A unificação da gestão das duas empresas vai demorar menos do que a da HP e Compaq, e ninguém será demitido", garante Cosentino. Na area de exportação, a marca Microsiga vai prevalecer, com seu ERP Proteus. "A Microsiga tem mais experiência no mercado externo, pois atua em outros países desde 1997", explica o presidente. No ano passado, os negócios em outros países correspondeu a 8% do faturamento da Microsiga. Para 2005, a expectativa é de que sejam atingidos 10%.
Com o objetivo de obter mais destaque nas exportações, as empresas estão em busca do CMM nivel 2 para obter maior aceitação no mercado externo. "Mas não acreditamos que somente apresentar a certificação seja um grande diferencial. O que os clientes buscam, nesses casos, é a solidez do fornecedor. Eles querem saber há quantos anos opera no mercado em que está, quais são suas estratégias para o novo pais, mais do que se o fornecedor tem certificações", afirma José Rogerio Luiz, vice-presidente da Microsiga. O grupo deve fazer seu IPO (oferta pública de ações) por volta de 2007. Além de 2006 ser um ano conturbado por causa das eleições presidenciais, a intenção é se consolidar primeiro antes de partir para a bolsa.
Quanto à política de canais, nada vai mudar. As franquias da Microsiga e o canal da Logocenter continuarão comercializando os respectivos produtos.
"Isso faz parte da estratégia de sinergia que buscamos", diz Cosentino. Jordana Viotto - Revista InformationWeek - ITWeb
Fusão cria gigante de software
11/2/2005
A Microsiga e a Logocenter, duas das maiores empresas brasileiras de software de gestão empresarial, anunciaram ontem sua fusão, que pode ser considerada o principal resultado, até agora, da política de software do governo. O negócio - que contou com um aporte de R$ 40 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), correspondente a 16,6% da nova empresa - criou a maior companhia latino-americana de software empresarial, com o objetivo de ampliar a presença no exterior de sistemas desenvolvidos no país. "Tomamos a liderança da consolidação do mercado", afirmou Orlando Watzko, presidente da Logocenter. Correio Braziliense
HP começa a definir sucessor de Carly Fiorina
11/2/2005
O Conselho de Administração da Hewlett-Packard (HP) pode levar até seis meses para escolher o sucessor da presidente-executiva Carly Fiorina. A lista de candidatos deve incluir o chefe da companhia de telecomunicações MCI, Michael Capellas, e o ex-presidente da Motorola, Mike Zafirovski, afirmam analistas.
As incertezas sobre a sucessão envolvem dúvidas como a possibilidade de a HP mudar de estratégia. Entre as opções está a separação da lucrativa divisão de impressão. "Meu palpite é que a liderança virá da indústria. Eles querem resultados imediatos", afirmou o analista Tom Rosenwald, da empresa de recrutamento Ray & Berndtson. Gazeta Mercantil
HP pode enxugar quadro de vendas diretas
10/2/2005
Após saída de Carly Fiorina, fontes da empresa já falam em mais demissões no corpo de funcionários A saída da CEO da HP, Carly Fiorina, anunciada oficialmente ontem (9/2), deve vir acompanhada de outras demissões, segundo informações divulgadas pela CRN norte-americana. De acordo com provedores de solução próximos à companhia, alguns representantes de contas de vendas diretas da empresa devem ser dispensados ainda nesta semana, o que pode aumentar a dependência da fabricante de seu canal.
Apenas três dias antes da saída da executiva, a empresa começou o processo de demissão de funcionários de vendas diretas. Segundo uma fonte da empresa que não quis ser identificada, esse corte pode afetar 2 mil empregados. Apesar da HP não comentar o assunto, o arquivo da fabricante na SEC (Security and Exchange Comission) revela que existem cerca de US$ 200 milhões destinados à redução na força de trabalho para o primeiro semestre de 2005, que começou em novembro passado.
John Marks, CEO da JDM Infrastructure, parceira da HP, reforça que essas demissões são positivas, a curto prazo, para o canal de vendas indiretas que deve passar a atender essas contas. Porém, ele lembra que, a longo prazo, o benefício para os parceiros vai depender da postura do novo CEO e dos diretores. ITWeb
HP: cresce lista de possível CEO
10/02/2005
Uma série de executivos de fora da companhia são apontados como prováveis substitutos de Carly Fiorina Além de alguns dos atuais executivos da HP apontados como possíveis sucessores de Carly Fiorina (clique para ler), outros nomes de peso do mercado de TI estão ampliando a relação de prováveis futuros CEOs da companhia.
Michael Capellas, atual CEO e presidente da MCI, é o líder desse ranking. Ex-CEO da Compaq Computer, adquirida pela HP em 2002, saiu da HP no ano seguinte por estar insatisfeito com seu novo posto e com os rumos da fusão das duas gigantes.
O vice-presidente senior da divisão Global Services da IBM, John Joyce, é outro nome da nova lista. Joyce poderia fortalecer - na visão dos analistas - a área de serviços da HP e, assim, auxiliar a empresa a melhorar seu desempenho nos negócios.
O vice-presidente executivo da Intel, Sean Maloney, também foi lembrado.
Maloney tem sido um dos principais homens da fabricante de processadores.
Hoje é responsável pela divisão de comunicações.
Outros nomes bem cotados na lista são os de Ed Zander, CEO da Motorola e ex-presidente da Sun Microsystems, e Kevin Rollins, CEO da Dell, companhia que tirou da HP a liderança no mercado de PCs. ITWeb
Parceiros recebem de forma positiva mudanças na HP
10/02/2005
Na visão do diretor da Direct Channel no Brasil, a saída de Carly Fiorina pode representar o fim dos conflitos com canais da Compaq A saída de Carly Fiorina do comando da HP, anunciada oficialmente ontem (09/02), deve provocar mudanças positivas no programa de canais da companhia no prazo de três a seis meses, na opinião de Pedro Luiz Roccato, diretor da Direct Channel, empresa que desenvolve canais de vendas indiretas no Brasil para companhias estrangeiras de TI e telecom. De acordo com Roccato, a mudança na diretoria tende a fortalecer o relacionamento com parceiros e acabar com o conflito entre os parceiros da HP e da Compaq, que acontecem desde a aquisição dessa última, em 2002.
"Existia uma desordem e os parceiros já esperavam uma mudança", afirma o diretor da Direct Channel, referindo-se ao período posterior à compra da Compaq. O executivo lembra que durante a fase em que Carly Fiorina ficou à frente da HP, diversas revendas da marca no país optaram por deixar de lado a exclusividade de venda dos produtos da companhia para comercializar soluções de concorrentes. Além das barreiras de gestão dos parceiros, a HP também enfrentava problemas com seus resultados, perdendo posição no mercado e com números que não eram satisfatórios. "Com a mudança da CEO vai ficar mais fácil centralizar a operação conjunta com a Compaq", analisa Roccato, complementando: "Tira a HP de uma fase de fusão e permite que recupere o estilo próprio", avalia o executivo.
De acordo com o diretor, uma das tendências da companhia sob um novo comando deve ser a de focar em parceiros de soluções, ou seja, em revendas que agreguem valor ao negócio ou que desenvolvam projetos e sistemas. Apesar de, segundo Roccato, os próprios parceiros aguardarem modificações na estratégia, o CFO e CEO interino da fabricante, Robert Wayman, anunciou que a saída de Carly Fiorina não deve impactar nos canais. Tatiana Sendin - CRN Brasil - Reseller Web - ITWeb
Pragas virtuais ameaçam celulares e carros
11/2/2005
SãO FRANCISCO (EUA) - Aborrecimentos virtuais como vírus de computador e o spam ameaçam estender seu "reinado" da informática para telefones celulares e carros, segundo um estudo publicado pela IBM. O relatório alerta sobre a possibilidade de os vírus se espalharem para celulares, agendas eletrônicas, redes sem fios e computadores "de bordo" que a indústria automobilística emprega cada vez mais.
Este estudo, publicado pelos Serviços de Inteligência para a Segurança da IBM, o serviço de consultoria da gigante da informática, é baseado em informação fornecida por grandes companhias, em dados oficiais e nas observações dos próprios especialistas da IBM.
O relatório afirma que 6% de todos os e-mails que a tecnologia da IBM rastreou ao longo de 2004 continham arquivos contaminados, um grande aumento em relação a 2002, quando somente 0,5% dos e-mails rastreados continha vírus.
Enquanto isso, o spam representa 75% de todas as mensagens, segundo o estudo. O relatório também indica que a ameaça virtual que cresceu mais rápido em 2004 foi o "phishing", que consiste em enviar uma falsa mensagem de algum banco para que a vítima forneça dados de seu cartão de crédito ou números de senha.
Este tipo de e-mail cresceu um 5.000% em relação a 2003, de acordo com os dados fornecidos pela IBM. O estudo também prevê que a telefonia por internet (VoIP) em breve pode se tornar alvo de ataques informáticos. Tribuna da Imprensa
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Internet
Câmara inaugura Chat com Deputados na Internet
10/2/2005
O novo portal da Câmara já está disponível na Internet (www.camara.gov.br). Além dos novos benefícios oferecidos pelo portal (linguagem mais acessível e novos serviços) a Agência Câmara promete lançar na segunda-feira que vem o Chat na Agência Câmara (www.agencia.camara.gov.br), um bate papo com deputados e consultores da Casa que será marcado periodicamente para debater, com os usuários, propostas em tramitação na Câmara. O primeiro já está agendado para segunda-feira, às 15 horas, com o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), relator do Projeto de Lei da Biossegurança, que está pronto para ser votado em Plenário. Outro serviço que passará a ser oferecido pela Agência Câmara, em parceria com a área de fotografia da Casa, é o Banco de Imagens, que também estará disponível a partir do dia 14 de fevereiro. O Banco oferecerá as principais fotos do dia, em três resoluções distintas, que poderão ser reproduzidas gratuitamente, desde que citada a fonte. As fotos permanecerão no Banco por duas semanas. As matérias da Agência Câmara também passarão a ser ilustradas por fotografias. Agência Câmara de Notícias - ABTA em Ação - Assessoria de Imprensa ABTA
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Literatura e Mercado Editorial
Câmara Brasileira do Livro prevê mais leitura em 2005
10/2/2005, 10h23
Ações estão sendo preparadas para divulgar o Ano Ibero-Americano da Leitura (Vivaleitura) A Câmara Brasileira do Livro realizou pesquisa em seu site que revelou que neste ano as pessoas estão mais otimistas em relação ao livro. Dos 383 votantes, a maioria (86%) considerou que 2005 será um ano melhor para o livro no Brasil do que 2004, enquanto 9% opinaram que será igual e 5% que será pior.
No Brasil, a desoneração do livro assinada pelo presidente Lula em dezembro do ano passado deve contribuir para essa melhora. Além disso, o ano de 2005 foi instituído em 21 países como o Ano Ibero-Americano da Leitura (Vivaleitura). Ações estão sendo preparadas para incentivar a leitura, como campanhas de estímulo no rádio e televisão, formação de agentes de leitura e caravanas de escritores, e a instituição da Câmara Setorial do Livro e Leitura, do Fundo Pró-Leitura, do Plano Nacional do Livro e Leitura e das diretrizes básicas de uma Política Nacional do Livro, Leitura e Bibliotecas para os próximos 20 anos. MMOnline
Livro sobre Howard Hughes é mais fiel
11/2/2005
Biografia escrita por Charles Higham sai no Brasil junto com o filme e traz detalhes omitidos por Scorsese
Entre os críticos americanos que dispararam contra o filme O Aviador, David Walsh tachou o trabalho do diretor Martin Scorsese como um "retrato desonesto de uma figura desprezível" ao idealizar a vida do industrial Howard Hughes (1905-1976) de uma maneira a torná-lo quase irreconhecível. "Scorsese deveria se guiar pela biografia escrita por Charles Higham que, entre outros pontos, aponta Hughes como um racista e anti-semita", comenta Walsh, referindo-se explicitamente ao livro O Aviador - A Vida Secreta de Howard Hughes (420 págs., R$ 59,90), recentemente lançado pela editora Record.
O inglês Higham é o biógrafo das estrelas do cinema, somando no currículo textos sobre Cecil B. De Mille, Audrey Hepburn, Ava Gardner, Marlon Brando, Marlene Dietrich, Katharine Hepburn e Orson Welles - para a biografia deste último, aliás, Higham chegou a visitar o Brasil. Mas nenhum trabalho se comparou à busca pelos detalhes da controvertida vida do milionário Howard Hughes. Foram dois anos de pesquisas e entrevistas e outros oito meses no processo de escrita. "Não costumo buscar informações em livros, mas em documentos e depoimentos", contou ele em entrevista ao Estado, por telefone, desde Los Angeles. "Foi assim, por exemplo, que descobri em cartórios que Hughes não nasceu em 24 de dezembro de 1905 mas em 24 de setembro do mesmo ano."
Mentiras rodearam a infância de Hughes, como ser um de irmãos trigêmeos ou de que era um bebê substituto, trazido na madrugada para substituir o que tinha morrido ou sido assassinado. "Ele adorava essas histórias e sempre as cultivou." Hughes tornou-se milionário aos 17 anos, ao assumir a indústria do pai especializada em sondas para a perfuração de poços de petróleo, uma verdadeira mina de ouro no momento em que essa forma de energia começava a ser facilmente descoberta no Texas.
Era o início de uma trajetória marcada por lances mirabolantes e da construção de uma figura que se gabava de poder "comprar qualquer homem do mundo". Higham lembra a paixão de Hughes pela aviação que, no filme de Scorsese, transforma-o em um pioneiro. "Ele foi, de fato, um grande aviador e a paixão por desafios levou-o a bater o recorde de velocidade ao dar a volta ao mundo em três dias e meio", conta o biógrafo que, em seu livro, não omite as nebulosas negociações no mundo da aviação.
Como o contrato com o governo dos Estados Unidos para o fornecimento de material bélico, inclusive mísseis e aviões de combate. Ou ainda o arremate do controle de companhias de aviação comercial, como a TWA e a Air West, que lhe valeu inquéritos sobre a lisura das negociações. "Hughes manteve ainda um relacionamento muito próximo com ex-presidente Richard Nixon e também teve um aparente papel no escândalo Watergate", comenta Higham.
Pessoalmente, o magnata gostava de manter um clima de mistério sobre sua figura. Assim, tanto o medo da morte, que o obrigava a tomar todo tipo de pílula para evitar doenças, além de lavar constantemente as mãos com líquidos esterilizantes, como a promiscuidade sexual que mantinha com homens (Cary Grant, Tyrone Power e Randolph Scott figuram em sua lista) e mulheres (Katherine Hepburn, Carole Lombard e outras atrizes) foram relatados por seguranças e pessoas que conviveram de forma mais próxima a Hughes. "Com as mulheres, aliás, ele preferia o sexo entre as mamas", revela.
O biógrafo lembra que, logo depois de publicar o livro, surgiram diversas propostas para levá-lo ao cinema. O ator John Malkovich foi o primeiro interessado em interpretar Hughes. "A idéia me agradou pois ele certamente conseguiria reproduzir o Hughes mais velho, magro e torturado." Com Malkovich desistindo do projeto, surgiram várias especulações - até Warren Beatty chegou a anunciar que faria o papel. Finalmente, o projeto terminou nas mãos de Michael Mann, o diretor de Ali, nome apoiado por Higham por seu estilo poderoso, intenso e obsessivo e sua queda pelo melodrama.
"Uma última reviravolta fez com que Mann cuidasse da produção e Martin Scorsese assumisse a direção, com Leonardo DiCaprio no papel principal", afirma o escritor, que gostou da escolha, especialmente pela interpretação do ator em Titanic, personagem marcado por um sentido do perigo e do desafio.
Higham é diplomático ao analisar o filme. O roteiro, por exemplo, escrito por John Logan, foi aprovado por ele, especialmente ao ressaltar a busca fanática do Hughes aviador em atravessar as nuvens, fato que, segundo ele, faz lembrar aquele ato sexual preferido do milionário com as mulheres.
"Sei que o filme foi muito criticado por apresentar uma visão muito edulcorada de Hughes e deixar de lado seus inúmeros defeitos", comenta Higham. "Mas, o longa segue uma tendência de Hollywood depois dos atentados de 11 de setembro de 2001: o cinema tornou-se faminto por heróis, o que justifica suas inúmeras acrobacias aéreas." Mas, segundo ele, é sempre bom lembrar que Hughes foi também um homem que exerceu um enorme poder de forma egoísta e furiosa. Ubiratan Brasil - O Estado de São Paulo
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Programação de TV por Assinatura
TV paga: O fenômeno Oprah
11/2/2005
Um fenômeno da TV americana finalmente chega ao Brasil. O GNT estréia nesta segunda, às 17h, The Oprah Winfrey show, que há 18 temporadas consecutivas é líder de audiência nos Estados Unidos, com média de 21 milhões de espectadores por semana, e é retransmitido para outros 110 países. Desde que foi ao ar pela primeira vez, em 1986, o programa de entrevistas já recebeu 35 prêmios Emmy. Os números do sucesso são realmente impressionantes. O lucro semanal do talk show é de US$ 6 milhões, o que dá cerca de US$ 300 milhões anuais. Uma inserção de 30 segundos no intervalo do programa custa em torno de US$ 75 mil. Isto para uma atração exibida diariamente nos Estados Unidos (pela ABC) às 16h, no meio da tarde. A diretora do GNT, Letícia Muhana, aposta no sucesso de Oprah também entre os brasileiros. ''O brasileiro gosta de talk show. E Oprah tem um carisma incomparável. Além disso, seu programa faz pensar, pede que o espectador forme uma opinião sobre o assunto abordado'', comenta. No programa que marca a estréia por aqui, Oprah entrevista a espinha dorsal do filme O aviador, que estréia neste fim de semana nos cinemas: o ator Leonardo DiCaprio, o diretor Martin Scorsese e a atriz Kate Backinsale, que faz o papel de Ava Gardner. O longa concorre a 11 Oscars e conta a história do diretor e aviador Howard Hughes. Com esta entrevista, DiCaprio põe fim a um hiato de dez anos sem aparições em programa de auditório. Leonardo Maia - Jornal do Brasil
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Mercado de Comunicação
ABTA divulga números consolidados de pirataria para 2004
10/2/2005
A Comissão Antipirataria da ABTA divulgou na semana passada os números consolidados de pirataria na tecnologia Cabo, referentes ao ano de 2004. A pesquisa é coordenada pela comissão, com o intuito de conhecer melhor como se dá o furto de sinais de TV por assinatura. As informações procedem das principais operadoras de Cabo do país, com um índice de 63% de representatividade do setor. A comissão trabalha para envolver também nesta avaliação as empresas que operam em DTH e MMDS. Confira abaixo os índices de pirataria no cabo para 2004:
% de piratas sobre assinantes: 12%
% estimado de pirataria sobre HP´s: 3,3%
% de HP´s auditados: 26,6%
ABTA em Ação - Assessoria de Imprensa ABTA
ABTA e Ministério da Justiça, juntos no combate à pirataria
10/2/2005
A ABTA participou, no início de fevereiro, do Fórum Nacional Permanente de Entidades contra a Pirataria e a Ilegalidade, que aconteceu em São Paulo, capital. A presença da associação no evento, que contou com representantes dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário Federal, insere o crime do furto de sinais em um hall de discussões políticas sobre o assunto e joga luz na TV por Assinatura como um setor que, assim como a indústria fonográfica e de softwares, também sofre as conseqüências da pirataria, perdendo lucro e qualidade na prestação do serviço. A ABTA teve no fórum, que reuniu mais de duzentas pessoas, a oportunidade de explicar melhor como se dá o crime na indústria de pay TV, de apresentar os trabalhos realizados pela Comissão Antipirataria e os índices alarmantes de pirataria no setor . O intuito do evento foi o de colher informações para formatar um verdadeiro plano nacional de Combate à Pirataria, a ser encaminhado ao CNCP - Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual, ligado ao Ministério da Justiça.
"O fórum foi o marco inicial na efetivação da participação da sociedade civil no combate aos crimes contra a propriedade intelectual e industrial, na medida em que as entidades representativas dos setores produtivos terão um canal de comunicação com o centro do poder, que parece ter entendido melhor a dimensão do problema, principalmente após o relatório final da CPI da Pirataria", disse Jair Jaloreto Júnior, assessor jurídico da ABTA, que, com Wilson Lopes de Azevedo (BIG TV), membro da Comissão Antipirataria, representou a associação no evento.
A ABTA -- aproveitando a presença de parlamentares no encontro -- protestou por mudanças na Lei que rege a matéria, no intuito do estabelecimento de penas mais severas aos infratores. O caráter da segurança nacional também foi abordado - a associação alertou para o fato de que a pirataria no setor de TV por Assinatura gera, entre outros problemas, a manipulação dos meios de comunicação pelo crime organizado, o que proporciona um problema institucional muito grave.
"Acredito que, na medida em que campanhas mostram que o furto de sinal de TV saqueia o país e extermina diversas oportunidades de emprego, a pirataria no setor perde a tolerância que tem para com a população", disse Jaloreto. ABTA em Ação - Assessoria de Imprensa ABTA
Verizon também faz oferta para compra da MCI
10/2/2005
As mudanças no perfil do mercado norte-americano de telecomunicações têm continuidade. Depois da venda da AT&T para a SBC, a MCI, agora, é o alvo. A Verizon teria feito uma oferta informal de compra da empresa, de acordo com o Wall Street Journal, similar à oferta da Qwest pela mesma empresa, que teria sido próxima de US$ 6,3 bilhões. A MCI, que foi uma das grandes empresas do mercado de longa distância a enfrentar a AT&T, no passado, tem procurado por um comprador desde que saiu do processo de concordata, no ano passado. A empresa norte-americana participou do processo de privatização brasileiro, comprando a Embrate que, no ano passado, foi vendida para a Telmex. Wanise Ferreira - Telecom Online
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Rádio
Batalha vencida
11/2/2005
A Rádio Eldorado venceu a disputa sobre direitos do uso da marca contra a Sociedade Rádio Difusora Eldorado Catarinense. As duas emissoras estavam em litígio em função da coincidência entre as marcas Eldorado Catarinense e Rádio Eldorado Ltda. no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). De acordo com a sentença, a marca anulada - Eldorado Catarinense - reproduz em parte o nome comercial da Rádio Eldorado, ficando evidente a possibilidade de dúvida ou confusão ao público ouvinte de rádio. O Estado de São Paulo
Rádio de São Paulo ganha exclusividade do nome Eldorado
10/2/2005
Só existe uma rádio Eldorado. Ela transmite de São Paulo e faz parte do Grupo Estado, que edita o jornal O Estado de S. Paulo. Já a Rádio Difusora Eldorado Catarinense, de Santa Catarina, terá de mudar de nome. A decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, coloca um ponto final, pelo menos por enquanto, na disputa pelo nome Eldorado travada entre as duas emissoras. Cabe recurso.
Por ora, a Rádio Eldorado de São Paulo tem exclusividade na exploração da marca, obrigando-se a tomar as providências administrativas junto ao INPI -- Instituto Nacional de Propriedade Intelectual. Por atuarem em setores de atividades semelhantes o TRF-2 entendeu que fica evidente a possibilidade de dúvida ou confusão para o público caso persistisse a duplicidade de emissoras com o mesmo nome.
A decisão está baseada no argumento de que a Eldorado Catarinense, marca que foi anulada, "reproduz o elemento essencial e característico dos nomes comerciais da Rádio Eldorado, violando o disposto no artigo 65, item 5, do Código de Propriedade Intelectual".
A Rádio Eldorado foi representada pelo escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados.
Processo nº 2001.02.01.018447-8
Consultor Jurídico
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Telecom
Regulamentos sobre condições de uso de radiofreqüências vão a consulta
10/2/2005
A Agência Nacional de Telecomunicações - Anatel publicou no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira, 10, as Consultas Públicas nº 593 e nº 594 que tratam, respectivamente, de propostas de Regulamento sobre Condições de Uso de Radiofreqüências na Faixa de 2.500 MHz a 2.690 MHz e de Alteração do Regulamento sobre Condições de Uso de Radiofreqüências nas Faixas de 3,5 GHz. As duas Consultas foram anunciadas pelo Conselheiro José Leite Pereira Filho em entrevista coletiva concedida esta tarde, na sede da Agência, em Brasília.
Segundo a proposta de Regulamento para as Faixas de 2.500 MHz a 2.690 Mhz, fica mantido o atual uso da faixa de 2,5 GHz, com o espaçamento de canais segmentado em passos de 6 MHz, a utilização de tecnologia analógica ou digital e o acesso à Internet como Serviço de Valor Adicionado (SVA), atualmente prestado por operadoras de TV por Assinatura em MMDS (Serviço de Distribuição de Sinais Multiponto Multicanal), mas limitado a seus assinantes. Por outro lado, a proposta inova ao introduzir uma tabela para uso exclusivo digital com segmentação em passos de 5 MHz. Segundo Leite, tal medida é ideal para a digitalização e acompanha a tendência mundial no uso da faixa e abre espaço a aplicações para inclusão digital.
O regulamento também destina a subfaixa de radiofreqüências de 2.500 MHz a 2.520 MHz e de 2.570 MHz a 2.640 MHz ao Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) e ao MMDS, para uso em caráter primário.
A destinação dos 90 MHz possibilitará às operadoras de MMDS o aumento do número de canais e a oferta de acesso à Internet, como prestadora de SCM, a usuários não assinantes de sua programação de TV. "O equipamento que ela poderá utilizar é basicamente o mesmo tanto para comunicação de dados como para imagem", explicou.
A proposta ainda determina que não sejam mais expedidas autorizações de uso de radiofreqüências na subfaixa de 2.170 MHz a 2.182 MHz para sistemas MMDS. O documento cancela a destinação da subfaixa para o mesmo serviço, em caráter primário, e mantém as autorizações existentes até o vencimento de cada uma delas.
3,5 GHz
Também em Consulta desde esta quinta-feira, a proposta de Alteração do Regulamento sobre Condições de Uso de Radiofreqüências nas Faixas de 3,5 GHz atende à demanda do mercado por uma maior quantidade de canais múltiplos de 1,75 MHz em substituição aos blocos de 5 MHz, também disponíveis mas pouco utilizados por sistemas de acesso sem fio na faixa de radiofreqüências de 3.400 Mhz a 3.600 MHz.
Contribuições às duas consultas devem ser devidamente fundamentadas e encaminhadas à Anatel por meio do Sistema Interativo de Acompanhamento de Consulta Pública, disponível no Portal da Agência (www.anatel.gov.br), na Internet, até as 23h59 do dia 28 de março de 2005. Manifestações por carta (endereço abaixo), fax (61 - 2312 2002) e correio eletrônico (bilbioteca em anatel.gov.br) serão recebidas até as 18h do dia 23 de março.
Agência Nacional de Telecomunicações - Anatel
Superintendência de Radiofreqüência e Fiscalização
Consulta Pública nº 593
Proposta de Regulamento sobre Condições de uso de Radiofreqüências na Faixa
de 2.500 MHz a 2.690 MHz
Setor de Autarquias Sul, Quadra 6/ Bloco F, Térreo - Biblioteca
Brasília-DF CEP: 70070-940
Agência Nacional de Telecomunicações - Anatel
Superintendência de Radiofreqüência e Fiscalização
Consulta Pública nº 594
Proposta de Alteração do Regulamento sobre Condições de Uso de
Radiofreqüências nas Faixas de 3,5 GHz
Setor de Autarquias Sul, Quadra 6/ Bloco F, Térreo - Biblioteca
Brasília-DF CEP: 70070-940
Haroldo - Assessoria de Imprensa - Anatel
Anatel espera acordo para reajustar ligação
11/2/2005
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) não reajustará as tarifas das ligações feitas de telefones fixos para telefones móveis (celulares) enquanto as empresas do setor não chegarem a um acordo sobre os valores das tarifas de interconexão. As tarifas de interconexão são pagas pelas operadoras de telefonia fixa e móvel, sempre que uma empresa usa a rede da outra para completar uma chamada.
Na semana passada, as operadoras de telefonia fixa pediram à agência o reajuste das tarifas cobradas nas ligações para telefones celulares pelo IGP-DI acumulado nos últimos 12 meses (11,61%). Na argumentação das operadoras, esse reajuste é contratual e não depende das negociações das tarifas de interconexão.
Em fevereiro do ano passado, a Anatel reajustou as tarifas cobradas nas ligações fixo-móvel em 6,99%, para um IGP-DI acumulado de 7,67%. A diferença entre o percentual acumulado do IGP-DI e o reajuste é um redutor aplicado pela agência a título de ganho de produtividade das operadoras. A expectativa é que este ano também seja aplicado um redutor.
O presidente interino da agência reguladora, Elifas Gurgel, disse que espera que, com a negociação das tarifas de interconexão, a tarifa paga pelo consumidor nas ligações fixo-móvel possa ter um reajuste menor. "Não vamos definir a tarifa fixo-móvel antes da pactuação [negociação entre as empresas]", afirmou Gurgel. Ele lembrou que não há obrigação de fazer o reajuste das tarifas fixo-móvel em fevereiro.
A negociação sobre o valor das tarifas de interconexão opõe operadoras de telefonia fixa e celulares. As fixas dizem que estão subsidiando a ampliação da base de clientes das operadoras de celular porque pagam caro pela interconexão e, com isso, tornam viável a disseminação dos celulares pré-pagos. Os pré-pagos correspondem a aproximadamente 80% dos celulares e são usados principalmente para receber chamadas. Folha de São Paulo
Concorrência reduz margens de celulares
11/2/2005
Custo de fidelização aumenta com migração de redes antigas para novas
A concorrência acirrada na telefonia celular está tornando cada vez mais caro para as empresas manter um bom assinante. O custo de fidelização dos clientes aumentou com o atual processo de migração das redes antigas para as novas. As companhias tentam se antecipar às ofertas das concorrentes com vantagens tecnológicas e de preços para manter os clientes que gastam mais.
Embora os novos padrões CDMA e GSM avancem em velocidade, os antigos clientes TDMA ainda são a maior base do País. Existem 23,3 milhões de usuários neste padrão ou 13% dos 65,6 milhões de clientes. O balanço consolidado de 2004 das companhias deve mostrar o efeito da migração e da fidelização. A TIM Participações, primeira a abrir os números, já atribuiu a redução da margem de geração de caixa de 38,2%, em 2003, para 34,6%, em 2004, a esses gastos, além do custo dos novos usuários.
Ainda existem 3,6 milhões de usuários (64% do total) no sistema antigo da TIM Participações. A Vivo tem cerca de 8 milhões de clientes, de uma base total de 26 milhões, no padrão TDMA. No caso da Telemig Celular, grande parte da base é do padrão anterior, uma vez que o processo de atualização tecnológica só ganhou força no fim de 2004.
Praticamente todas as companhias argumentam que a cobertura de rede já foi atualizada. No entanto, não há como obrigar os clientes a trocarem seus aparelhos por novos. Por isso, ambos os sistemas continuam operando. O máximo que as empresas podem fazer é incentivar a atualização, oferecendo aparelhos mais modernos com grandes descontos e, em alguns casos, até de graça. Há assinantes que conseguem até bônus nas tarifas ou planos mais vantajosos.
De acordo com as operadoras, essa estratégia está intimamente ligada aos programas de fidelização de clientes, pois não há prazo que as empresas tenham de cumprir para a migração da base. Segundo o diretor de Desenvolvimento de Clientes da Vivo, João Carlos Boff, a despesa está dentro do orçamento reservado para manutenção e desenvolvimento da base existente.
No caso da operadora, os usuários do antigo sistema TDMA que desejam migrar para o CDMA conseguem mais vantagens até mesmo do que as promoções de adesão. O executivo não acredita na redução destes gastos com o fim do processo de migração. Para ele, a concorrência e a disputa pelos clientes rentáveis levarão a empresa a manter os benefícios. O presidente da TIM Brasil, Mario Cesar Pereira de Araújo, afirmou que a companhia quer ter cautela com esta conta em 2005 e, por isso, não há planos de dar benefícios especiais além dos já ofertados.
Esta coluna é produzida pela Agência Estado a partir do Cias. Abertas, serviço eletrônico dedicado ao mercado de ações. Telefone 0800 11-3000, e-mail atendimento em agestado.com.br Graziella Valenti - O Estado de são Paulo
Anatel diz que só autoriza aumento após consenso
11/2/2005
Assistindo de camarote à briga entre as operadores fixas e móveis para definir o valor das tarifas de interconexão de suas redes, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu jogar mais duro com as telefônicas e fez ontem uma ameaça: só autorizará os reajustes contratuais para as ligações fixo-móvel e móvel-móvel quando as próprias empresas chegarem a um acordo. A discussão entre elas gira em torno de quanto uma operadora de telefonia deve pagar à outra pelo uso das suas redes - no jargão dos técnicos, as chamadas tarifas de interconexão.
O presidente interino da Anatel, Elifas Gurgel do Amaral, mostrou-se otimista em relação à possibilidade de acordo entre as teles. Até agora, ressaltou Elifas, elas não pediram arbitragem da agência. Nesta semana completa-se um ano dos últimos reajustes e as operadoras têm direito à correção, a ser definida pela Anatel. O presidente em exercício disse acreditar que uma "pactuação" entre as empresas possibilite reajustes menores aos usuários. "A expectativa é a de que o reajuste seja favorável ao consumidor, menor que o IGP-DI", afirmou Elifas. Nos últimos 12 meses, o índice, medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), atingiu 11,61%.
Elifas explicou que, a partir de agora, a Anatel terá até 12 meses para promover os reajustes anuais das teles, de acordo com as obrigações contratuais. Ele avisou que a agência não tem pressa para definir os valores e se colocou à disposição para fazer arbitragem, caso haja necessidade.
Tudo depende da VUM, sigla que designa a remuneração do móvel para o fixo. Se as operadores chegarem a um acordo e definirem um valor menor para o VUM, o reajuste será menor para os consumidores do que o IGP-DI acumulado. A briga tem o seguinte pano de fundo: as teles fixas dizem que 30% dos seus custos referem-se ao pagamento da rede móvel, e acham isso muito. Por outro lado, as operadoras móveis dependem dessa remuneração para apresentar resultados financeiros mais favoráveis - cerca de 50% de suas receitas são provenientes das tarifas de interconexão, e elas não querem abrir mão desse dinheiro.
A Anatel apresentou ontem uma nova proposta de estrutura operacional, que ficará em consulta pública até o dia 6 de março. Serão criadas quatro novas superintendências, que se somarão às seis já existentes, totalizando dez. A embrionária Superintendência de Gestão do Modelo Regulatório, uma das mais importantes, terá a obrigação de elaborar a regulamentação e analisar a competição no setor. Daniel Rittner - Valor Econômico
Anatel exige acordo entre operadoras para liberar aumento
11/2/2005
BRASíLIA - O presidente interino da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Elifas Gurgel do Amaral, reiterou ontem a posição da Agência de que o reajuste das tarifas das ligações de um telefone fixo para um aparelho móvel somente será concedido depois que as empresas chegarem a um acordo em torno da tarifa de interconexão. Pela legislação em vigor, o reajuste poderia ser concedido a partir de quarta-feira, quando se completou um ano do último aumento.
A lei que criou o Real proíbe reajustes de tarifas de serviços públicos em intervalos inferiores a 12 meses. Segundo Amaral, a expectativa da Anatel é que as empresas de telefona fixa e móvel cheguem a um acordo. Até o ano passado, a Anatel fixava a taxa de interconexão, mas ela passou, este ano, a ser de livre negociação entre as empresas.
As concessionárias de telefonia fixa, entre elas a Telefônica, a Telemar e a Brasil Telecom, em reunião com Amaral na semana passada, pediram que o reajuste fosse dado com base na correção do IGP-DI, que acumulou 11,61% no período de 12 meses. Mas, segundo o presidente da Anatel, um acordo entre as empresas poderá resultar em um reajuste menor.
Amaral disse que já havia manifestado às empresas o propósito de aguardar o entendimento entre elas para anunciar o reajuste das tarifas. Mas fará, também por escrito, o comunicado dessa decisão. Ele admitiu que, se as empresas não chegarem a um acordo e houver necessidade de arbitragem da Agência, o prazo para anunciar o reajuste poderá ser alongado, mas não definiu data. Amaral disse que a Anatel não recebeu, até o momento, nenhum pedido de arbitragem. "Elas têm que pactuar, e é nisso que insistimos", disse.
Regimento
A Anatel quer diminuir o número de processos que tramitam em suas superintendências destinados a apurar irregularidades das empresas do setor. Para isso, a Agência propôs a criação de um instrumento que permitirá a averiguação preliminar da irregularidade e poderá resultar em um termo de ajuste de conduta. Isso evitará a abertura de um Procedimento de Apuração por Descumprimento de Obrigação (Pado), cuja análise pela Anatel leva em média dois anos para ser concluída.
Até o fim de 2003, a Agência havia aberto cerca de 51 mil Pados e, deste total, aproximadamente 34 mil ainda estavam em andamento naquele ano. Essa mudança consta da proposta de novo regimento interno da Anatel, apresentada ontem e que deverá entrar em vigor no fim de março. A Anatel passará de seis para dez superintendências, que serão organizadas não mais por serviços, como é atualmente, mas por processos. A necessidade de mudança veio da convergência tecnológica verificada no setor, que vem possibilitando a união de vários serviços, como internet, telefonia e televisão por assinatura.
A Agência terá a obrigação de fazer planejamento estratégico, tático e operacional, com programas anuais e para períodos de cinco e dez anos. Com isso, a intenção da Anatel de modificar regras será conhecida pelo menos no ano anterior à mudança. Haverá uma superintendência específica para tratar da gestão do modelo regulatório, que vai concentrar todas as alterações normativas. Os clientes dos serviços de telecomunicações terão uma superintendência específica para tratar de seus problemas, a de Defesa dos Direitos dos Usuários. Tribuna da Imprensa
Operadoras de telefonia móvel já podem definir aumento na tarifa
10/2/2005, 20h08
Brasília - Um ano após o último reajuste - o prazo terminou ontem (9) -, as operadoras de telefonia móvel já podem aplicar novo aumento nas tarifas, mas segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), esse reajuste não deverá ser imediato.
O presidente substituto do Conselho Diretor da Anatel, Elifas Gurgel, explica que o índice de aumento estabelecido nos contratos é o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) e a expectativa é de que as operadoras apliquem um percentual inferior, "o melhor para o consumidor".
O reajuste definido deverá ser, antes, divulgado no Diário Oficial da União e na imprensa, com prazo de 48 horas. Somente depois dessas etapas o percentual será aplicados às contas.
Durante a entrevista coletiva, Gurgel anunciou que o superintendente da Anatel, Edmundo Matarazzo, deixará a agência reguladora devido a problemas pessoais. Na próxima semana, acrescentou, a exoneração de Matarazzo será discutida em reunião do Conselho Diretor. Bianca Estrella - Portal da Cidadania - Radiobrás
Evoluem as negociações entre a Verizon e a MCI
11/2/2005
As negociações para a compra da MCI pela Verizon Communications aceleraram-se, com o lançamento pela Verizon de uma oferta informal em dinheiro e ações pela companhia de telefonia de longa distância. Segundo o The Wall Street Journal, a oferta ficou próxima à oferta apresentada pela Qwest International, de US$ 6,3 bilhões. A Verizon e a MCI ainda discutem detalhes de uma eventual transação, e as negociações podem não chegar a um resultado. O Estado de São Paulo
Oi registra aumento de 124% no uso do SMS
11/2/2005
Em 2003, foram enviadas 170 milhões de mensagens de texto, enquanto em 2004 este número saltou para 382 milhões
A Oi registrou, em 2004, crescimento de 124% no tráfego de mensagens de texto enviadas por seus clientes, comparando com 2003. No ano passado, os clientes da Oi enviaram, aproximadamente, 382 milhões de mensagens de texto, uma média de 55 torpedos por usuário. Em 2003, o volume de SMS foi de, aproximadamente, 170 milhões, com média de 30 mensagens por cliente.
Segundo a operadora, o crescimento no tráfego de mensagens de texto é resultado do desenvolvimento de produtos e promoções voltados para utilização de SMS, como serviços criados especialmente para as Olimpíadas e programas de TV, como o Big Brother Brasil.
Revista de Negócios em Telecomunicações
Oi registra aumento no volume de mensagens de texto
10/2/2005, 14h05
Acordo de interoperabilidade com outras operadoras móveis teria colaborado para o aumento do tráfego de mensagens A operadora de telefonia celular Oi registrou aumento no tráfego de mensagens de texto (SMS - Short Message Service) no ano de 2004. Segundo a empresa, o número saltou de 170 milhões em 2003 para cerca de 382 milhões em 2004, um crescimento de 124%. No mesmo período, a base de assinantes da Oi teria crescido 76%, um dos motivos para o aumento na utilização de torpedos. Os números de 2004 geram uma média de 55 torpedos por cliente da empresa.
Em 2003 a média era de 30 torpedos. A Oi acredita, entre outras coisas, que o acordo de interoperabilidade com outras operadoras móveis tenha contribuído para o incremento desse tráfego. MMOnline
Oi registra crescimento de 124% no envio de mensagens de texto em 2004
10/2/2005
No ano passado, quando sua base de assinantes crescia 76%, a Oi registou um aumento de 124% no volume de mensagens curtas de texto que foram enviadas por seus clientes. Em 2003, o total de SMS (Short Message Service) enviado pelos assinantes da Oi foi de aproximadamente 170 milhões, com média de 30 mensagens por cliente, No ano passado, esse número aumentou para cerca de 382 milhões de SMS enviados, o equivalente a uma média de 55 torpedos por cliente.
Na avaliação da Oi, o crescimento no tráfego de SMS está relacionado ao desenvolvimento de produtos e promoções voltadas para mensagens curtas de texto. Os acordos de interoperabilidade com outras operadoras também teria estimulado o crescimento desse tráfego. Wanise Ferreira - Telecom Online
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Mídia Global
Polanski vai depor por videoconferência
11/2/2005
O diretor Roman Polanski, 71, será ouvido na corte inglesa por meio de videoconferência, na ação que move contra a revista "Vanity Fair" por difamação em um artigo. A permissão para realizar o depoimento foi dada na quinta. Polanski é cidadão francês e não vai para a Inglaterra porque corre o risco de ser extraditado para os EUA, onde é fugitivo da Justiça, que o acusa de abuso sexual contra crianças. Há mais de duas décadas, ele admitiu ter mantido relações sexuais com uma menina de 13 anos. Folha de São Paulo
MSI promete até casa para garoto de 9 anos
11/2/2005
O interesse do Manchester United, da Inglaterra, colocou Jean Carlos Chera, de 9 anos, na pauta dos noticiários esportivos dos principais jornais e televisões do País. O garoto chamou a atenção de Kia Joorabchian, presidente da MSI, parceira do Corinthians. O dirigente assistiu a um vídeo do jovem jogador no mês passado, durante o programa Terceiro Tempo, da Rede Record, revelado pelo Adap, de Campo Mourão, no Paraná, tentou a sua contratação e chegou a ir pessoalmente conhecer o talentoso jogador, mas as negociações não prosseguiram. O Santos também se interessou por Jean Carlos. Celso Chera, pai do jogador, entregou uma fita para o clube da Vila Belmiro. Lima, técnico das categorias de base, analisou as imagens e recomendou a contratação do garoto. Um dos obstáculos para a ida de Jean Carlos para o Santos foi o fato de o jogador ter de morar nos alojamentos do clube, separando-se da família. Ao saber do problema, o Corinthians, por intermédio de Kia, deslumbrou a possibilidade de conseguir uma casa para a família de Jean Carlos e emprego para os pais do garoto. O clube do Parque São Jorge tem bom relacionamento com o presidente do Adap, Adílson Batista Prado, pois três jogadores da equipe paranaense estão cedidos para o clube paulista. O Estado de São Paulo
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