[cmi-goiania] INFORME ANARQUISTA Nº01

Gomery da Silva gomerylistas em yahoo.com.br
Quarta Julho 6 11:19:49 PDT 2005


Olá tod em s, abaixo e em anexo vai o Informe Anarquista
nº01, informativo do Coletivo Pró Organização
Anarquista em Goiás. Boa Leitura.
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INFORME ANARQUISTA Nº01 GOIÂNIA - JUNHO DE 2005
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FAO FÓRUM DO ANARQUISMO ORGANIZADO – BRASIL Um
processo em construção

O Fórum do Anarquismo Organizado é um espaço de debate
e articulação entre organizações, grupos e indivíduos
anarquistas que trabalham ou têm a intenção de
trabalhar de forma organizada atuando socialmente.
A primeira edição aconteceu na cidade de Belém do Pará
em 2002, passando pela plenária de Porto Alegre em
janeiro de 2003, o encontro nacional realizado em São
Paulo em novembro de 2003 e o último encontro em
janeiro de 2005 em Porto Alegre.

O objetivo maior do FAO é criar as condições para a
construção de uma verdadeira organização anarquista no
Brasil. Tarefa que sabemos não ser de curto prazo, mas
que precisa ser iniciada desde já. Para tanto, tem-se
como compromissos do FAO:

1) Estimular e realizar o debate sobre o anarquismo
organizado no Brasil, apontando para necessidade de
construir uma organização anarquista;

2) Apoiar a formação de grupos anarquistas
organizados;

3) Trabalhar pela aproximação, articulação prática e
unificação destes grupos no âmbito estadual ou
regional num primeiro momento;

4) Trabalhar, na medida das possibilidades reais, com
os diferentes níveis da luta revolucionária
anarquista: trabalho de propaganda, trabalho teórico e
o mais importante deles, a militância social, nas
frentes e áreas escolhidas (bairro, sem-teto,
estudantil, sindical, ecologia social, luta contra a
ALCA, etc.);

5) Lutar pela construção de uma organização anarquista
brasileira dotada de um projeto político comum, com
real peso sócio-político e presença nacional mais
ampla possível;

6) Estabelecer relações fraternas e solidárias com
organizações anarquistas internacionais, sobretudo as
latino-americanas, cuja realidade nos é mais próxima.
A questão da organização é muito antiga no meio
anarquista, há mais de cem anos Malatesta já abordava
o tema. Por mais que nos pareça uma questão simples
ainda há muita confusão a respeito e tem muita gente
que sinceramente pensa que anarquismo é contra
qualquer forma de organização, que isso seria
burocracia, autoritarismo, etc. Isso é compreensível,
afinal de contas os modelos de organização concretos
que as pessoas conheceram (tipo partidos autoritários,
centralizados e eleitoreiros) não animam ninguém a
pensar no tema.
Mas é necessário romper com isso, perceber que esta
foi apenas “uma” forma de organização e não “a” forma.
O anarquismo sempre teve outras formas de organização,
horizontais, participativas e federativas. Discutir
organização hoje em dia não é somente uma questão de
retomar a história do anarquismo, mas, sobretudo uma
necessidade real. Diante de um sistema articulado, bem
informado e com capacidade operativa não podemos ficar
atomizados. Além disso, a organização multiplica
nossas forças, nos permite a prevenção e defesa diante
da repressão. Pensamos que para enfrentar este sistema
capitalista é preciso estar organizado.

O anarquismo é composto por uma diversidade de
correntes, isso é uma verdade. Mas também é verdade
que nem todas se dispõem a trabalhar junto a nossa
classe, nosso povo. Historicamente tivemos momentos de
presença anarquista muito forte na Ucrânia com a
Makhnovitschina, na Revolução Espanhola, Revolução
Mexicana, com o sindicalismo revolucionário por toda a
América Latina, isso para não falar de inúmeras outras
experiências. Em todos estes casos, referências – ao
menos teórica - para todos os anarquistas, existiram
anarquistas organizados, com postura classista e com
atuação social decidida. Pode-se afirmar que em todos
os casos onde o anarquismo foi expressivo havia
inserção e militância social. Por isso tudo e pela
realidade em que vivemos, pensamos que é fundamental
discutir como os anarquistas podem atuar socialmente,
que relações se estabelecem entre os anarquistas e os
movimentos sociais, que tipos de atuação seriam mais
ou menos interessantes, etc. Sobretudo pensamos que os
anarquistas não farão a revolução sozinhos, e que se
não tivermos uma militância nas lutas de nossa classe
não teremos chance alguma.

O FAO já está caminhando, mas não está pronto e
acabado, e jamais fechado a quem possa se interessar.
A postura do FAO é construtiva, aberta ao diálogo e
contra o sectarismo. Sabemos e somos os maiores
interessados em corrigir erros, aprimorar o projeto e
incorporar novas contribuições, mais gente na
discussão. Se você tem dúvidas, discorda em parte do
que foi exposto até aqui, lhe convidamos a dialogar e
a nos conhecer melhor.

Contato da Secretaria Nacional Provisória:
secretariafao em riseup.net


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ENTREVISTA COM O COLETIVO ANARQUISTA ORGANIZADO - MA

Entrevista realizada pelo Coletivo Pró Organização
Anarquista em Goiás


1) Desde quando existe o CAO e como foi o processo de
formação do coletivo?

Até chegar a formação do Coletivo Anarquista
Organizado, o mesmo passou por vários processos de
formação até sua organização no ano de 2003 com um
trabalho expositivo, na Universidade Federal do
Maranhão, a respeito dos punks e anarco-punks. O
coletivo, mesmo antes da sua ratificação, sempre
trabalhou a perspectiva de anarquismo organizado,
utilizando como base a plataforma de Makhno. Cabe
dizer, a partir de avaliação interna, que o coletivo
está em um período de amadurecimento.

2) Em quais lutas @s companheir em s do CAO estão
inseridos no momento?

O que vem norteando as ações diretas do Coletivo é o
sentido de injustiça social que permeiam todas as
esferas nacionais, regionais e locais. Ou seja, o CAO
acredita que onde houver injustiça social (e o modo de
produção capitalista produz isso) é passível de uma
ação direta para a correção de tais distorções. Daí o
Coletivo está inserido, diretamente, nas seguintes
lutas: 1) no movimento indigenista, juntamente com o
Conselho Indigenista Missionário-CIMI (nesta ação o
coletivo tenta aprender o sentido de reciprocidade e
solidariedade em que vivem várias etnias indígenas do
Maranhão); 2) ações dentro das universidades (UFMA e
UEMA; lutas constantes como a da meia-passagem
estudantil, greve de professores e recente debate da
Reforma Universitária); 3) mais recentemente a luta
contra a implantação do Pólo Siderúrgico, dando apoio
direto ao Comitê Amplo de Estudantes contra a
Implantação do Pólo Siderúrgico (CAECIP), movimento
independente sem a anuência de partidos políticos; 4)
movimento de pessoas portadoras de deficiência; e 5)
na discussão da Conferência Cidade para Todos no
Município.

3) Como anda a luta contra a implantação do pólo
siderúrgico em São Luís?

Antes de começar, cabe aqui dizer que mais uma vez que
esse tipo de empreendimento beneficiará quase que
exclusivamente uma oligarquia local (a famigerada
família Sarney) bem como os seus vassalos de prontidão
(a família dos Senadores Lobão e João Alberto,
empresários locais, etc). Juntamente com o CAECIP, o
Coletivo Anarquista Organizado (CAO) vem atuando
diretamente nas comunidades a serem remanejadas (ou
será, expulsas?) pela implantação do Pólo Siderúrgico
(ao todo são 16 comunidades, com um número inicial de
aproximadamente 17 mil famílias, a titulo de
informação segue anexo). Em uma recente ação com as
comunidades (8 de maio e 15 de maio, segue fotos em
anexo) o CAO, junto com o CAECIP, demonstrou a
importância das lideranças se organizarem face o
empreendimento multinacional que se apresenta (vale
relembrar que o Pólo é uma parceria do Governo
Estadual, mais a CVRD com outras três multinacionais –
a chinesa Baosteel, a coreana Posco e a inglesa
Arcelor – respectivamente a 3.ª, 7.ª e 2.ª maiores
siderurgias do mundo).
A atuação não se limita apenas em impedir a
implantação do empreendimento, mas em demonstrar a
necessidade da reversão da pauta governista, ou seja:
mudança da pauta excludente que é demonstrada pelo
projeto de implantação do pólo para uma pauta que
respeite as especificidades das comunidades, para
tanto faz-se necessário investimento na pequena
produção extrativa (mandioca, pesca, arroz, etc), bem
característica dessas comunidades.
Essa luta diária exige tanto do CAO, quanto do CAECIP,
uma constante organização da mesma no tocante a
atingir o apoio mútuo e a reciprocidade entre as
pessoas de cada comunidade.

4) Vivemos em uma realidade aonde as insatisfações
populares e a revolta estão aumentando a cada dia. O
que esperam da luta anarquista para um futuro bem
próximo?

A importância do anarquismo nos movimentos sociais
atualmente perpassa pela necessidade de dá uma nova
visão de organização a estes, desde fugir dos padrões
representativos impostos até a forma do agir e atuar
diretamente com a sociedade. Ou seja, atuar em
programas-raizes e não em paliativos conjuturais
(Fome-Zero, Bolsa-Família, etc) propostos pelo atual
Governo. Leva-se em conta que a desarticulação dos
movimentos, a partir da perda de liderança assumida
pelo Partido do Trabalhadores (PT), abriu novas
possibilidades de reinserção do anarquismo nos
movimentos e na reordenação das insatisfações
populares. Neste sentido, acredita-se que o anarquismo
organizado tem como papel fundamental reeducar as
massas fomentando a autogestão, fugindo do vício
autoritário empregado pelos partidos políticos e que
tolhem a verdadeiramente liberdade do ser humano:
aquela de pensar coletivamente sem a tutela de
instituições centralizadoras.

5) Além do CAO existem mais grupos anarquistas em São
Luís? Se sim qual a relação de vocês com esses grupos?

Sim, há o trabalho dos companheiros da União
Libertária Maranhense (ULMA) que trabalham em outras
perspectivas e que não aceitam o anarquismo
organizado. Há uma relação mútua de respeito e algumas
ações pontuais foram feitas em conjunto: tais como o
Encontro com o Coletivo de Imperatriz, a ULMA e CAO,
bem como com os punks e anarco-punks de São Luís,
ocorrido em 2003.

6) Deixem uma mensagem a tod em s comapanheir em s do
Brasil.

Que os grupos se organizem em prol da construção de
uma sociedade verdadeiramente libertária.

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SONHO REAL: O FORTE E GUERREIRO POVO LUTADOR DE
GOIÂNIA


"Nós somos fortes, somos guerreiros, somos povo
lutador" dizia a canção do músico Marcos, companheiro
sem teto da ocupação SONHO REAL (região oeste de
Goiânia), que foi espancado brutalmente pela polícia
militar no último dia 16 durante a desocupação da
área. A canção, intitulada de "Nossa História" durante
uma noite na ocupação, encheu os olhos de lágrimas de
todos os companheiros que estavam reunidos há dez
meses na luta pela moradia, pois expressava a sensação
de força e luta que o povo adquire quando se une por
um objetivo em comum.

A ocupação do Sonho Real surgiu em maio de 2004. A
área ocupada estava completamente abandonada e servia
simplesmente para desova de corpos, assaltos e
estupros. Ela amedrontava os moradores da região
enquanto a especulação imobiliária aumentava os preços
do aluguel e gerava lucros para os proprietários da
terra: família milionária, que dava sustentação ao
prefeito de Goiânia, e devia mais de 2 milhões de IPTU
daquela área.

A ocupação que se iniciou de forma espontânea assumiu
grandes proporções: chegou a abrigar quase 4.000
famílias que ali viveram tranqüilamente até o início
deste ano, quando a liminar de reintegração de posse
decidiu pela desocupação. Do chão vermelho da terra e
do barro cotidiano das chuvas noturnas, a
solidariedade dos sem-teto cresceu.

Ameaçados pelo despejo, montaram barricadas, proibiram
a entrada da polícia, levantaram o Conselho Popular,
organizaram a vigília, prepararam coquetéis molotov,
foguetes, paus e pedras. Sem a confiança nos
políticos, que durante todo o ano eleitoral,
prometeram mantê-los ali (dentre os políticos, estão o
atual prefeito e o governador), o que estava na mente,
nos corações e na boca de cada sem-teto era uma só
frase: a resistência popular é o que nos vai fazer
vencer. Em torno de uma questão concreta, a
necessidade real de um pé de terra para viver, a
associação dos sem-tetos surgiu, deixando em segundo
plano as divergências de idéias políticas e
religiosas. Só uma bandeira foi levantada, a bandeira
da moradia, do direito de se viver, a bandeira da
causa econômica comum a todos os trabalhadores
explorados. É a resistência que nos faz vencer. E a
luta solidária em torno de uma causa concreta fez
surgir entre os sem-tetos a compreensão, não devido a
idéias, mas devido a comprovação pelo fato cotidiano
que a luta fez saltar aos olhos, de que os nossos
companheiros eram cada família pobre que lutava
dignamente para sobreviver e que os nossos inimigos
eram os donos da terra, parte de uma classe dominante
da cidade, que tinha os interesses contrários aos
interesses dos oprimidos, a lei burguesa, que defende
os interesses da classe dominante, a polícia, força
militar do Estado e, portanto, também um instrumento
dos proprietários contra os desapropriados do mundo, e
a imprensa burguesa que vinculada aos interesses dos
capitalistas mentia descaradamente sobre a realidade.

A polícia, infiltrada na ocupação através de P2, sabia
da força popular que ali estava concentrada. Temendo o
conflito, adiou várias vezes a ação de despejo, só
agindo após a ameaça pelo judiciário de prender o
Secretário de Segurança e o coronel da Polícia Militar
por não cumprimento da liminar. E, assim, instrumentos
de uma classe exploradora, a polícia organizou a
repressão. Montou a Operação Triunfo na qual uma das
principais estratégias era a operação Inquietação.
Tratava-se de atormentar os moradores durante a noite,
com tiros e bombas em seus barracos,
contra-informações, alertas falsos de invasão, etc.
Tudo para estressar os moradores, fazer com que gastem
suas armas e trazer o cansaço psicológico. Mas, das
barracas atingidas, das crianças feridas, das noites
sem sono no Conselho Popular, das vigílias nas
barricadas, a solidariedade crescia. Os moradores se
conheceram e desenvolveram o apoio mútuo, o respeito e
a confiança em cada combatente que carregando um
pedaço de pau de dispunha a lutar lado a lado.

Em uma destas noites da Operação Inquietação, a
polícia atacou com tiros e bombas (não só balas de
borracha, ou bombas de efeito moral) e os sem-tetos
resistiram bravamente: um policial e dois sem-tetos
foram feridos. A polícia, decidida a se vingar
preparou um massacre.
No dia 16 de fevereiro, a polícia invadiu a área e,
não sem resistência, desocupou os sem-tetos. A força
bruta chegou para matar muitos daqueles que já havia
marcado nas barricadas durante a Operação Inquietação.
Vários moradores foram assassinados cruelmente,
fuzilados após já estarem dominados. Dentre os mortos,
apenas dois corpos apareceram: o dos companheiros
lutadores Wagner da Silva Moreira (21 anos) e de Pedro
Nascimento da Silva (27 anos). Seus sangues,
derramados brutalmente, hão de alimentar milhões de
corações. Mais de 20 mortes foram presenciadas e os
corpos desapareceram, 30 sem-tetos estão
desaparecidos, 800 presos, dentre eles companheiros
anarquistas, e centenas de feridos. A investigação
agora recai sobre os companheiros: telefones
grampeados e vidas reviradas são o que cada lutador
está vivendo. Fome e falta de dignidade atormentam as
famílias de sem-teto que continuam na luta mesmo
despejadas, para conquistar o direito a moradia. Como
dizia Bakunin, "os nossos inimigos organizam as suas
forças com a força do dinheiro e com a autoridade do
Estado. Nós só podemos organizar as nossas com a
convicção e com a paixão." E se a força do Estado e
dos capitalistas desta vez foi maior que a nossa,
então continuamos na luta, porque o Sonho Real
fortaleceu a dignidade de cada um dos explorados,
separou na consciência, através dos fatos, o mundo dos
ricos do mundo dos explorados, e criou nos Joãos e
Marias que conhecemos na luta do barro vermelho, a
consciência de classe.

Nos organizarmos ainda mais, lado a lado com o povo
guerreiro de tapuias, de Trombas e Formoso, do
Araguaia. Construir a cada dia a luta popular,
fortalecendo a associações dos explorados, para que a
cada novo amanhecer se criem novas campos de luta e
para que a nossa força organizada seja maior que a
força do dinheiro do Estado e do patrão.

VIVA A RESISTÊNCIA POPULAR! A TODOS OS COMPANHEIROS
QUE TOMBARAM ASSASSINADOS NA LUTA DO SONHO REAL!

Esse texto foi escrito pelo Coletivo Pró Organização
Anarquista em Goiás um dia após a desocupação da área.

Atualização


Depois de serem invadidas suas casas e serem expulsas
com força e violência do terreno, as famílias foram
jogadas pelo governo estadual e municipal em dois
ginásios, distante um do outro, numa clara tentativa
de diminuir a luta e o sonho daqueles homens e
mulheres pela moradia, no entanto eles/as continuaram
resistindo e cobrando das “autoridades” o comprimento
das promessas, exigindo que elas não fossem
esquecidas. Os ginásios eram totalmente inapropriados
para alojar mas de 2.500 famílias , as condições eram
desumanas. A falta de infra-estrutura, higiene básica
e a debilitação de outros serviços básicos foi o que o
Estado de Goiás e o Município de Goiânia ofereceram a
essas famílias, ocasionando vários problemas de saúde
para aquelas pessoas. A negligência dos políticos e a
falta de infra-estrutura básica refletiu-se na morte
de 3 pessoas, vitímas de uma demagogia politiqueira
que mata. Depois de quase 5 meses as famílias foram
transferidos para uma área provisória que se encontra
ao lado do setor Grajaú, onde se encontram neste
momento ainda com resistência para lutar pelo sonho
que ainda é real.

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COLETIVO PRÓ ORGANIZAÇÃO ANARQUISTA EM GOIÁS


O Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiás surgiu
em janeiro de 2005. Durante o ano de 2004 militantes
anarquistas que atuavam na União Popular (GO)
realizaram um debate sobre a necessidade da construção
de uma organização anarquista no estado de Goiás. Em
Janeiro de 2005 essa discussão de tornou realidade e
foi realizado o congresso em que nasceu o Coletivo.
Até o momento o Coletivo cresceu, aumentamos nossa
atuação social, nosso trabalho de propaganda e
formação política e os trabalhos internos. O Coletivo
continua aberto as pessoas que queiram se juntar a nós
nessa construção, portanto se você se interessou entre
em contato conosco. Abaixo vai o Manifesto que
lançamos no começo do ano e que apresenta o nosso
projeto.

MANIFESTO PRÓ-ORGANIZAÇÃO ANARQUISTA EM GOIÁS

A organização dos/as militantes anarquistas se faz
presente no atual contexto nacional e internacional. A
queda do muro de Berlim e do modelo soviético colocou
em decadência o modelo de organização e a estratégia
da esquerda autoritária. Os partidos leninistas
entraram em decadência e os anseios revolucionários se
voltaram para as idéias libertárias. A crítica
anarquista à ditadura do proletariado, ao modelo de
organização autoritário, à via estatal de mudança
social, têm um espaço a ocupar na interpretação da
falência dos regimes do leste europeu. Por outro lado,
as lutas mundiais contra a globalização tiveram na
ação direta a sua principal arma e o controle dos
partidos autoritários sobre as lutas foi posta em
risco. Desta forma, a propaganda de um tipo de luta
direta expandiu-se por todo o globo. No contexto
brasileiro, a esperança criada na democracia, depois
de 20 anos de ditadura, foi frustrada pois a
experiência demonstrou que não é através da eleição de
representantes no Estado que uma transformação social
profunda pode ocorrer. Mais uma vez, a crítica
anarquista à via eleitoral e a sua estratégia de ação
fora das instâncias parlamentares tem um espaço aberto
para avançar.

Neste contexto, as idéias anarquistas ressurgiram com
uma determinada força. Em Goiás e no Brasil, o
anarquismo reapareceu no meio estudantil e em
movimentos sociais. A insatisfação com os partidos
políticos tradicionais, com as estratégias
autoritárias por um lado e a identificação com os
princípios de independência e ação direta das lutas
por outro é uma realidade. Daí a importância dos/as
anarquistas se associarem para pensar na sua atuação
social. Onde atuar, como atuar, em que atividade dar
maior peso e maior força, sempre buscando escolher os
melhores meios para avançar rumo a uma ruptura com o
capitalismo.

Entendemos que existe uma diversidade imensa de
anarquismo. Cada uma das correntes se divergem em
termos de fins e/ou meios. Seria muito bom se
pudéssemos unir todos/as os/as anarquistas dentro de
uma só organização. Porém, esta tarefa é muito difícil
e acreditamos que não seria eficaz. Para começar,
existem anarquistas que são contra a existência de
qualquer organização e por eles/as mesmos/as não se
disporiam a fazer parte de uma organização anarquista.
Em segundo lugar, como, por exemplo, poderíamos reunir
anarco-terroristas e anarco-pacifistas dentro de um
mesmo grupo? Quando a organização fosse agir, a
divergência intensa no interior dela levaria a uma
incapacidade de tomar as mínimas decisões coletivas e
mais uma vez nos dividiríamos em ações isoladas.
Assim, é preciso termos uma comunhão de meios e fins
de modo que os acordos assumidos livremente pelos/as
militantes da organização possam fornecer uma
afinidade capaz de dar eficácia à nossa luta e às
nossas ações.

Nesse sentido, a organização que propomos não é a
organização anarquista, mas uma organização
anarquista, que deve respeitar a diversidade do meio
libertário e saber que cada um deve organizar-se de
acordo com o que pense ser mais correto.
Queremos a construção de uma sociedade sob novas
bases, uma sociedade sem a exploração e a opressão do
ser humano pelo ser humano. Queremos, portanto,
eliminar o Estado, a propriedade privada e todos os
valores culturais de dominação. Para isto, tomamos
como alternativa o federalismo, a socialização dos
meios de produção e a construção de valores baseados
no respeito mútuo, na solidariedade, na plena
igualdade na maior diversidade.
Para destruirmos as estruturas de dominação e
exploração e construirmos esta nova sociedade, será
preciso lutar contra aqueles/as que detém o poder
econômico e político. Nenhuma reforma gradual, nem uma
evolução natural leva a esta transformação. É preciso
uma revolução social para destruir as estruturas de
exploração e construir a nova sociedade.

Acreditamos que a organização anarquista tem como ação
principal estimular a auto-organização popular. Ela é
fundamental porque a emancipação popular deve ser obra
do próprio povo e a construção de uma sociedade
autogestionária deve vir da própria autogestão das
lutas sociais. A organização anarquista deve,
portanto, atuar nos movimentos sociais, sempre
buscando movimentos mais combativos, horizontais,
independentes, que tenham como método de luta a ação
direta, atuando, portanto, fora das instâncias
parlamentares, fortalecendo assim a consciência de
classe e a solidariedade entre os/as oprimidos/as
tanto local, nacional e internacionalmente.
Outra tarefa da organização anarquista é a propaganda.
A propaganda tem como objetivo fazer a crítica da
sociedade atual e apresentar o programa anarquista
(objetivos e meios) como uma alternativa de
transformação da realidade. Ela, portanto, se centra
na divulgação do pensamento e da prática anarquista e
também das lutas sociais. O trabalho teórico é
importante. Ele consiste no aprofundamento de uma
análise da realidade e de um debate sobre as
alternativas revolucionárias. Ele serve às duas
tarefas anteriores: primeiro aos movimentos sociais,
contribuindo no aprofundamento teórico desses
movimentos, e no encontro de novas perspectivas para a
ação popular; segundo à propaganda, pois é a partir do
aprofundamento teórico que vamos construindo uma
alternativa que será apresentada. Este trabalho
teórico se torna possível devido à atuação social,
fazendo com que a relação entre teoria e prática seja
o elemento fundamental da construção do nosso
programa.

Pensamos que a organização anarquista deve se
articular local, nacional e internacionalmente,
visando a união de anarquistas e da luta social. Essa
articulação possibilita a troca de experiências entre
as organizações além de permitir uma discussão
conjunta dos rumos necessários no processo de
transformação da realidade.
Esse manifesto é, portanto, a avaliação e um chamado
de alguns/mas militantes anarquistas que apontaram
alguns elementos que consideram importantes para a
constituição de um programa de uma organização
anarquista, representa os anseios de militantes que
sentem a necessidade de organizar-se a partir destes
pontos e de unir suas forças com aqueles que desejam
fortalecer e construir esta organização. Não
consideramos um documento fechado e acabado. A partir
dos pontos aqui levantados, buscamos unir o maior
número de forças para debatê-los, aprofundá-los e
levantar novos pontos importantes para a constituição
de uma organização anarquista no Estado de Goiás.

COLETIVO PRÓ ORGANIZAÇÃO ANARQUISTA EM GOIÁS
E-MAIL: proorganarquista_go em riseup.net
Cx. Postal 92 Cep:74003-901 Goiânia - Goiás


	
	
		
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