[cmi-goiania] Clipping FNDC - O broadcast através dos tempos no Brasil

FNDC imprensa em fndc.org.br
Terça Maio 3 06:35:32 PDT 2005


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CLIPPING DO DIA
3 de Maio de 2005

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Seleção de textos coletada da pesquisa diária do Epcom - Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação

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Televisão
O broadcast através dos tempos no Brasil
Argentina testa TVD
Empresas de telefonia preparam TV Digital
Vale tudo para ter uma HDTV de plasma
TV pirata ganha força na internet
Record censurou 'Isaura', diz ex-diretor
Tonelada
Thomas Villena: Eu odeio TV

Fernando Meligeni estréia na TV Cultura

DTH
DirecTV cresce 29 mil assinantes na América Latina

Rádio
Rádio digital avança
Artistas brasilienses ganham mais espaço

Audiovisual
Ancine arrecada R$ 26,6 milhões com Condecine em 2004
Verba de filmes emperra no Planejamento
"Fantástico" busca documentários nacionais
Entrevista exclusiva com o crítico de cinema Jean-Claude Bernardet
Trecho do livro Revisão Crítica do Cinema Brasileiro, do cineasta Glauber Rocha
Entrevista com o cineasta Anselmo Duarte
Festival de Tribeca premia brasileiro
'Sin City' salta dos gibis para as telas
Oficina trata da assistência de direção e continuidade
Festival do Minuto prorroga inscrições

Mercado de Comunicação
Net aumenta receita e reduz prejuízo no trimestre
Anunciantes, a mídia impressa ainda vale a pena

Cultura
MinC estuda proposta que altera a Lei Rouanet e reduz isenção fiscal
Gil participa de fórum sobre patrocínios em SP

Programação de TV por Assinatura
Al Jazeera entra na Net em Brasília para hotéis

Política
Na estrada pela reforma agrária
Indústria deve se preparar para os chineses

Imprensa & Jornalismo
Queda na circulação de jornais continua forte
Entidades defendem liberdade de imprensa
Rio debate a liberdade de imprensa
Jornal 'Valor' comemora cinco anos
Vai falar
Tomou gosto
1º de Maio é dia de luta
Regulamentação, reforma universitária e fiscalização mobilizam a categoria

Informática
Disputas internas
MS prepara sua festa para os 64 bits
Apoio da Unesco ao software livre ajuda na distribuição de riqueza, diz diretor do ITI

Internet
Mensagem instantânea ganha força
Receita autoriza provedores de Internet a recolher impostos pelo Simples
Comissão sobre Internet define roteiro de trabalho

Telecom
Citi volta a acusar Dantas de descumprir liminar de NY
Mudanças na BrT não implicam volta de Dantas à Telemar
Dados móveis geraram US$ 1,6 bilhão nos EUA em um trimestre
Verizon eleva proposta pela MCI para US$ 8,5 bilhões
MCI escolhe Verizon e Qwest sai da disputa
Qwest desiste de brigar pela MCI
Qwest parece recuar em relação a MCI
MCI finalmente fecha com Verizon

Literatura e Mercado Editorial
Ribeirão Preto espera alta no número de visitantes

Mídia Global
Venezuela festeja a 'extraordinária vitória'
Bye, bye, Brazil


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Televisão
O broadcast através dos tempos no Brasil
30/4/2005
O setor de broadcast no Brasil passa por um momento de expectativa com relação à digitalização de seus sistemas e está dando os seus primeiros passos nesse sentido.
No entanto, a história da radiodifusão no Brasil é longa. O primeiro personagem dessa trajetória é o rádio, que chegou ao País em 1922. A cidade do Rio de janeiro foi o palco da primeira transmissão, emitida por um transmissor de 500 watts para 80 receptores.
Por ser um meio de comunicação que alcançava as massas, o rádio ganhou força rapidamente. Roquete Pinto, considerado o pai do rádio no Brasil, inaugurou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro em 1923. A partir daí, as emissoras de rádio se proliferaram tão rapidamente quanto a popularidade desse meio.
Durante as duas décadas seguintes, o rádio continuava forte e passou a ser impulsionado também pelos avanços tecnológicos. Os aparelhos ficavam cada vez menores, pois no começo eram enormes. A chegada do transistor revolucionou o rádio, que podia funcionar sem estar ligado à tomada. Na década de 60, o rádio passou pelo seu último grande impacto tecnológico, que foi o surgimento das emissoras FM.
Apesar de todo o sucesso do rádio, nada pode ser comparado à escalada de popularidade obtida pela televisão, que teve sua inauguração no Brasil em 1950. O marco foi resultado da empreitada do empresário de comunicações, Assis Chateaubriand. Ele foi aos Estados Unidos (EUA), reuniu-se com representantes da RCA e fez a compra dos equipamentos necessários para a implementação da TV Tupi. Contudo, é importante lembrar que as primeiras experiências com televisão no Brasil foram realizadas, em 1939, por Roquette Pinto.
O Brasil foi o quinto país no mundo a realizar transmissões de TV, depois dos EUA, Inglaterra, Holanda e França.
TV em cores
Assim como aconteceu no rádio, os avanços tecnológicos promoveram mudanças muito significativas nas transmissões de TV. A primeira delas foi a implementação das transmissões regulares em cores.
Nos EUA, desde o final da década de 30, existem relatos de experiências de transmissões com imagens coloridas. Contudo, a inovação passou a estar presente, de forma regular, em 1954. Os anos 50 foram marcados pelo surgimento do National Television System Committee nos EUA. Ele foi feito para criar um sistema de TV que fosse colorido. Os trabalhos realizados pelo comitê originaram o sistema NTSC, que acrescentava cor aos níveis de luminância do padrão preto e branco.
Na Europa, a Alemanha e a França deram os primeiros passos para tornar as imagens de TV coloridas. Em 1967, surgiu na Alemanha uma variação do sistema NTSC, com o nome de Phase Alternation Line, que ficou conhecido como o sistema PAL.
As emissoras brasileiras iniciaram suas experiências com transmissões coloridas em 1963. A TV Tupi de São Paulo e a TV Excelsior foram as pioneiras. Em 1972, as principais emissoras do País inauguraram oficialmente as suas transmissões coloridas.
Video Tape
0 advento do video tape em dezembro de 1959 foi uma das inovações tecnológicas que tiveram maior impacto interno para as emissoras brasileiras. A partir do seu uso, a forma de fazer e produzir televisão no Brasil foram transformadas expressivamente. Era a oportunidade de gravar e editar os programas. Antes da chegada do video tape, todos os programas e comerciais eram transmitidos ao vivo. Os telejornais eram falados do mesmo jeito que era feito no rádio. A primeira emissora que operou com o equipamento de video tape foi a TV Continental. 
Transmissões via satélite
Nos anos 60, surgiram emissoras como a TV Globo e a TV Bandeirantes. 0 setor ganhava cada vez mais força. Nesse contexto, com uma ampla variedade de emissoras e programas inovadores, a TV brasileira entrou nas transmissões via satélite em 1969. 0 uso desse recurso tecnológico possibilitou que os brasileiros vissem, no dia 10 de julho de 1969, a chegada do homem à Lua, por meio de uma parceria entre a TV Globo e a TV Tupi. No dia 1.° de setembro, a estréia do Jornal Nacional, transmitido nacionalmente pela TV Globo, inaugurou oficialmente a rede de microondas da Embratel.
Digitalização da TV e do rádio
A implantação da TV digital é um dos assuntos que gera mais debate entre os engenheiros que trabalham no setor de broadcast. Desde o início da década de 90, o tema é o centro das discussões. Em 1994, antes do surgimento da grande aliança nos EUA, um trabalho de estudos para a modulação COFM proposta pela NAB fez com que fosse formado o grupo ABERT/SET de TV Digital, resultado de uma parceria entre a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (ABERT) e a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações (SET). Este grupo analisa e acompanha integralmente o processo de transição tecnológica em todos os países.
Em 1998, o grupo ABERT/SET em conjunto com a Universidade Mackenzie, realizou testes de desempenho nos três padrões existentes, o Americano (ATSC), o europeu (DVB) e o japonês (ISDB). Os resultados apontaram o padrão ISDB como o mais completo, o que gerou a evolução dos sistemas nos itens onde havia problemas.
No ano de 2003, o Governo formou o Comitê Gestor para desenvolver o Sistema Brasileiro de TV Digital (S13TVD).
Com relação ao rádio, o grupo ABERT/SET de rádio digital tem realizado diversos estudos e promovido encontros técnicos objetivando a avaliação do cenário brasileiro para a implantação da rádio AM, FM e OC digital no Brasil. Demonstrações dos sistemas DAB, DRM e IBOC já foram realizadas no País, incluindo apresentações em eventos de radiodifusão.
TV por assinatura
As primeiras transmissões de TV por assinatura no Brasil foram originadas por transmissões, ainda em UHF com canal fechado e codificado, dos sinais da CNN e da MTV. Em 1988, o presidente da República, José Sarney, assinou um decreto regulamentando e introduzindo o serviço no País.
Em 1991, os grandes grupos de comunicação, como as Organizações Globo e o Grupo Abril, entraram no setor, investindo em tecnologia. A partir daí, o segmento apresentou um crescimento paulatino até o final da década.
As sucessivas crises econômicas no final dos anos 90 impuseram um duro golpe no segmento, que sofreu com a estagnação e, em alguns momentos, com a queda no número de assinantes, bem como redução na receita.
Depois das crises econômicas e do posterior período de incertezas, as empresas de TV por assinatura voltaram a viver um momento positivo em 2004. As principais operadoras estão aumentando a receita e a base de assinantes. As novas tecnologias têm papel fundamental na recuperação econômica do setor, que oferece novos serviços como acesso à Internet de banda larga e VoIP A NET e a TVA, maiores operadoras de TV a cabo no Brasil, investem na digitalização de suas redes.
Cinema digital
0 cinema digital apresenta um avanço consistente no Brasil. Um marco da tecnologia digital aplicada ao cinema brasileiro foi o desenvolvimento do Casablanca Digital System. 0 sistema criado pela TeleImage possibilita qualidade total de som e imagem, com a projeção do filme sem o uso da película. Essa tecnologia permite maior flexibilidade de distribuição. 0 sistema também oferece imagem que preenche toda a tela e sem oscilação. Além disso, a imagem possui foco perfeito, brilho consistente, legendas nítidas, alta qualidade e contraste. A qualidade continua a mesma desde a primeira até a milésima exibição, pois não há deteriorações causadas pelo contato físico com partes móveis ou engrenagens.
0 cinema digital no Brasil também é realidade em termos de captação e pós-produção. Vários filmes nacionais foram totalmente produzidos com o uso da tecnologia digital. Outros usaram os recursos digitais apenas na pós-produção.
0 número de salas de exibição vem crescendo e, hoje, já totaliza 74 salas digitais. Revista da SET

Argentina testa TVD
30/4/2005
A Telefé e Artear, dois dos principais grupos de radiodifusão da Argentina, investiram em equipamentos digitais, ampliando a oferta de sinais contínuos de TVD. Isso viabilizou maior investimento na produção de conteúdo em HD. Por enquanto, as transmissões ocorrem em Buenos Aires. Nos próximos meses, a Telefé prevê a realização das primeiras transmissões de teste nas cidades de Córdoba, Rosário e Santa Fé. Em 1998, a Argentina escolheu o padrão ATSC. Desde então, ele passou por diversas avaliações de desempenho até o ano passado. A robustez e resistência quanto à qualidade da imagem e atenuação de ruídos na transmissão foram atentamente observadas. Revista da SET

Empresas de telefonia preparam TV Digital
30/4/2005
A TV baseada no protocolo de Internet (IPTV) começa a fazer parte do cotidiano das pessoas nos Estados Unidos (EUA). A tecnologia vem sendo implementada por empresas telefônicas. A forma de implantação varia de acordo com cada empresa. A estimativa é de que o IPTV esteja disponível para alguns mercados até o final deste ano e para os clientes residenciais até o final de 2006. Grandes nomes do setor de telefonia nos EUA, como SBC, Verizon e BellSouth pretendem lançar o sistema IPTV ainda em 2005.
Embora as operadoras de telefonia estejam animadas, os provedores de serviços a cabo não demonstram o mesmo entusiasmo. Para eles, não há pressa em introduzir serviços de TV mais interativos do que o vídeo sob demanda e os gravadores digitais de vídeo. Eles também entendem que tanto a tecnologia IPTV quanto as redes telefônicas às quais as empresas estão adicionando vídeo não comprovaram ser eficientes.
0 IPTV promete inovar a forma de ver TV, permitindo recursos adicionais como múltiplos ângulos de câmera, além de busca via rede, identificação de chamadas telefônicas, email, correio de voz e programação de um gravador de vídeo digital via telefone celular na própria tela.  Revista da SET

Vale tudo para ter uma HDTV de plasma
30/4/2005
Uma nova pesquisa realizada nos Estados Unidos constatou que muitos homens casados estão negociando com suas esposas e fazendo várias concessões para que suas parceiras concordem com a compra de uma TV de plasma.
Durante os trabalhos, ficou claro que os homens demonstram um interesse muito maior do que as mulheres na aquisição de um aparelho de TV de plasma. De acordo com a pesquisa, 36% dos homens casados se ofereceriam para realizar os afazeres domésticos por um ano. Além disso, 50% dos maridos receberiam um número ilimitado de visitas dos parentes de sua esposa. Para 57% dos entrevistados, as esposas poderiam escolher os destinos das viagens de férias e 67% concordariam que a mulher escolhesse o local da casa onde a TV de plasma ficaria.
Outro dado importante foi o fato de 51 % dos homens estarem confusos com relação à compra do aparelho, considerando fatores como a comparação de tecnologias, as qualidades e os benefícios das TVs de plasma e LCD.
A pesquisa foi conduzida pela Schoen & Berland Associates, empresa sediada em Nova York, a pedido da Panasonic Consumer Electronics Company. 0 objetivo foi determinar as atitudes e conhecimentos dos consumidores sobre as TVs de plasma. Revista da SET

TV pirata ganha força na internet
3/5/2005
Depois das gravadoras e do cinema, chegou a vez da televisão enfrentar o fantasma da distribuição não autorizada de conteúdos. Não importa se é a nova temporada da série que acabou de estrear nos Estados Unidos, um episódio dos Simpsons ou um enfadonho VT de um clássico qualquer do futebol inglês. Tudo trafega livre e gratuitamente pela internet uma ou duas horas após a exibição na TV.
Basta uma boa conexão de acesso e meia dúzia de cliques para que o seu programa favorito apareça na tela do seu computador, como num passe de mágica, com imagens e som de altíssima qualidade. É mais fácil achar e baixar pela internet do que se entender com as teclas do velho e bom videocassete para gravar aquilo que não será possível assistir ao vivo.
Os executivos da telinha provavelmente já sabem, mas não custa repetir: a TV pirata chegou e com ela os mesmos problemas vividos pelo cinema e pelas gravadoras com o derrame de músicas e filmes pela web. No ano passado, o download ilegal de programas de TV cresceu 150% em relação ao ano anterior e 2005 vai na mesma direção. A oferta é tanta que ameaça provocar congestionamentos na web.
Para os incansáveis advogados do setor, o inimigo da vez tem nome e sobrenome. Chama-se Bram Cohen (http://bitconjurer.org/), um programador californiano, portador de Síndrome de Asperger (uma variante do autismo) e criador do BitTorrent, uma ferramenta que torna extremamente fácil e eficiente o tráfego de grandes arquivos pela internet.
O programa - na verdade, um simples protocolo - chegou à web no final de 2001, quando baixar vídeos pela internet ainda era um exercício de paciência e uma ameaça remota à Hollywood. Acontece que muita coisa mudou, desde então. Com a banda larga cada vez mais generosa, os códigos escritos pelo jovem autista, na época com 25 anos, deixaram de ser uma promissora novidade e acabaram por revolucionar o tráfego pesado pela rede. Hoje, o BitTorrent gerencia e orienta um terço do que circula pela web.
Nem tudo que traz a extensão .torrent é ilegal e não há o menor indício de que tenha sido criado para isso. Várias empresas e programadores usam o protocolo para enviar ou receber arquivos gigantescos de uma forma prática, segura e extremamente veloz. Mas não dá para ignorar a importância e a influência do BitTorrent na distribuição de conteúdos não autorizados. A estimativa é de que 70% do dowload ilegal de programas de TV na web são gerenciados e efetivados a partir do programa criado por Cohen.
A indústria cinematográfica já começou a agir, seguindo o mesmo roteiro de anos atrás quando o Napster era o grande inimigo do setor. Como não podem banir o BitTorrent - um programa legal e de utilidade inquestionável -, partiram direto para o que consideram o ninho da pirataria. De uma só tacada, conseguiram na Justiça autorização para fechar uma dúzia de sites considerados verdadeiros paraísos de distribuição de conteúdos piratas.
Nomes como Suprnova, LokiTorrent, Torrentz, TorrentBits, Demonoid, TorrentBox e Muff Torrent, entre outros, deixaram de existir nas últimas semanas, mas foram logo substituídos por dezenas de outros onde o download de filmes e programas de TV corre solto.
Na madrugada de sábado, no Torrentbits.org, por exemplo, 123 mil usuários participavam de uma animadíssima sessão de compartilhamento de centenas de programas dos mais variados tipos e propósitos. No TVtorrents, especializado nos últimos episódios de séries atualmente exibidas pela TV americana, anotei 58.555 pessoas trocando arquivos de forma simultânea, incluindo 134 fãs de The Apprentice, com Donald Trump no papel principal. No Tv-Swarm, as séries Lost, The OC, Stargate e Smallville eram disputadas por quase 60 mil usuários. No Torrent Spy, as estatísticas indicavam a presença de 58.465 arquivos compartilhados por 360.029 usuários. Toneladas de arquivos também estavam expostas e disponíveis no The Pirate Bay, um site que faz juz ao nome: tem de tudo ali, desde o mais recente lançamento da indústria de videogames, até a entrevista do filósofo da vez exibida poucas horas antes pela TV francesa. Foi ali, na Baía Pirata, que decidi arriscar e baixar 380 MB do VT de Lazio e Internazionale pela 28a rodada do campeonato italiano, disputada à tarde no Estádio Olímpico de Roma. Perda de tempo, é claro, para mim e três outros usuários anônimos que tiveram a mesma idéia. Mas não é disso que estamos falando, certo? Ponto Web - O Estado de São Paulo

Record censurou 'Isaura', diz ex-diretor
3/5/2005
A Record, rede do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, impôs censura religiosa à novela "A Escrava Isaura", segundo o diretor artístico da produção, Herval Rossano.
Rossano afirma que foi obrigado a cortar um presépio de uma das cenas logo no início da novela. "Começamos a gravar uma seqüência com um presépio no cenário. O Hiran Silveira [diretor de núcleo], que é um bancário, mandou tirar o presépio. A cena foi ao ar sem continuidade", diz.
Rossano diz também que não podia mostrar imagens de santos em cenas ambientadas em igrejas católicas, como o casamento da protagonista Isaura. "Deixavam mostrar só a cruz, sem o Cristo. No casamento, tivemos que pedir ao padre da igreja [da fazenda Santa Gertrudes, no interior de SP] para retirar as imagens de Nossa Senhora do altar", conta.
O diretor afirma que cultos afro-brasileiros foram vetados. "No começo da novela, tinha búzios e macumba na senzala. Pediram para não colocar mais."
A Record nega as acusações de Rossano. Sua assessoria diz que "não houve qualquer cerceamento religioso e que as gravações seguiram estritamente o que foi escrito pelo autor Tiago Santiago".
O contrato de Rossano vence dia 9 e não será renovado. A Record ofereceu a ele R$ 30 mil mensais, um terço do que ganhava antes. "A Escrava Isaura" terminou sexta-feira, com 20 pontos. Daniel Castro - Folha de São Paulo

Tonelada
3/5/2005
Foi bem "O Grande Perdedor" em sua estréia. Deu média de 23 pontos, com picos de 29, contra 30 da Globo. Segundo o SBT, chegou a ficar nove minutos na frente do "Fantástico".
Bastão
Silvio Santos pediu a Gugu Liberato para "caprichar" no "Domingo Legal" e entregar a audiência em alta para "O Grande Perdedor". Gugu terminou com 23 pontos no Ibope. Antes, ficou 50 minutos na frente do "Domingão do Faustão", que era gravado. Na média geral, Faustão levou a melhor: bateu por 21 a 19. Daniel Castro - Folha de São Paulo

Thomas Villena: Eu odeio TV
3/5/2005
Por motivos que não é importante explicar, conheci Thomas Villena sentado, o tempo todo, em frente à televisão. Como só faz isto e lê o que pode (no espaço dos comerciais), esse jovem sabe tudo o que está acontecendo no mundo, tudo. Pedi-lhe que me escrevesse suas impressões sobre o que vê na TV para publicar no nosso caderno. E ele me disse: "Mas eu odeio TV!" Falei: "Olha aí um bom título para a sua seção." Pois, a partir de hoje, ele estará aqui, falando de TV, dia sim, dia não. Fiquem de olho nele, tanto os que estão na frente da TV como os que estão lá dentro. (Ziraldo)
Teatro não funciona na televisão
Se alguém se deu ao trabalho de ver a primeira semana de A lua me disse, perdeu tempo se ficou esperando graça. A crise criativa afeta mais uma novela da Globo. Depois do naufrágio de América, o público esperava pelo menos que alguma coisa se salvasse na nova novela das sete. Não sobrou nada depois de uma semana sem graça.
Pelas ruas, vejo as pessoas falando que já estão parando de ver pois esperavam mais do Falabella. Mas esperavam mais por quê? Falabella era um ator medíocre que resolveu escrever. Escreveu algumas peças besteirol que fizeram grande sucesso, mas que serão esquecidas na história. E agora tenta mais uma vez escrever uma novela levando o teatro para a tela. Mas não está funcionando.
Em primeiro lugar, o texto não combina com a TV. Fora ter levado todos os amiguinhos para a tela, está tentando fazer com eles o que faz no teatro. Mas não dá certo. Uma coisa é assistir a Arlete Salles no teatro e sentir a sua presença. Outra é ouvi-la falar as mesmas piadas de cena numa tela fria de TV. Não arranca um riso. A mídia está errada.
Depois, vem a seleção de elenco questionável. Uma novela das sete tem todo o direito de ser ridícula, mas tentar colocar o Wagner Moura como galã foi talvez o maior erro. Ele era muito bom no cinema e, se for inteligente, vai sair da novela porque está acabando com a sua imagem. Wagner não tem pinta de galã e o talento do cinema desapareceu nos diálogos frouxos e bobões. Mulher quer homem, e não um banana. A melhor coisa seria matar o personagem logo para deixar a mãe, interpretada por Zezé Polessa, ficar logo sem os dois filhos e tentar conquistar o neto.
Ainda no elenco, quem é aquele ator chamado Rafael Paiva? Ele faz o Pedro, o filho certinho de Geórgia (Patrycia Travassos), e não tem talento nem para comercial de TV. Deveria ser no máximo balconista do supermercado.
Mais uma coisa: esqueceram de dizer ao Falabella que a novela das sete poderia ter humor. Miguel Magno interpreta Dona Roma. Travestido de mulher, ele faz papel mesmo de Miguel Magno com a sua voz e os trejeitos de sempre. Num dos episódios, ele fala: "Eu sou como a lagartixa. É olhando que se atrai a mosca." Foi alguma tentativa de humor? Ninguém captou.
E a tentativa de romance é mais absurda ainda, talvez pela falta de experiência dos autores. Arlete Salles (Ademilde) tenta conquistar homens pela internet. Elisangela (Assunta) compra presentes para ganhar favores sexuais de Adonias (interpretado por Paulo Vilhena). E Adriana Esteves (Heloísa) é assediada pelo cunhado sem charme Gustavo (Wagner Moura) e pelo bonzinho Tadeu (Marcos Pasquim). Há tempos se diz que mulher gama quando é maltratada. Quando Heloísa encontra Tadeu, ele a conquista com o seguinte comentário: "Se tocasse uma música romântica, eu adoraria dançar com você." As mulheres fugiriam pensando que o cara era gay!
'Carga pesada' x preconceito O episódio sobre o menino com Síndrome de Down é um exemplo do que a TV pode fazer para lutar contra o preconceito. Mesmo com alguns momentos piegas, é raro ver um tema tão difícil ser bem levado como o foi neste episódio.
Ex-BBB5 escrevendo novela? Dizem que a Globo contratou o vencedor do Big Brother Brasil 5, Jean Willis, para escrever uma novela. É o que dá o desespero de uma emissora em que os grandes autores entram em crise de criatividade. Qual a chance de isso dar certo? Jornal do Brasil

Fernando Meligeni estréia na TV Cultura
02/05/2005, 19h30
Estréia nesta terça, 3, na TV Cultura, o programa "De Fininho", apresentado por Fernando Meligeni. O nome é uma referência ao apelido pelo qual o apresentador e ex-tenista é chamado pelos amigos. Voltado ao público jovem, o programa tratará de esportes radicais e de aventura e também dos esportes olímpicos, com ênfase àqueles que estarão nos jogos Pan-Americanos. "De Fininho" será quase todo gravado em externas, principalmente em ambientes de competição, com excessão dos quadros "Fala Sério", nos quais Meligeni entrevista dirigentes e políticos relacionados ao esporte, e "Papo Virtual", quando serão lidos os e-mails dos espectadores.
Patrocínio
A operadora de telefonia móvel Oi, que é patrocinadora do esportista apresentador, será também a principal patrocinadora do programa. Os produtos e serviços da Oi farão parte do programa, sendo usados por Meligeni ao longo do programa e também pelos espectadores, que poderão mandar mensagens de texto (SMS) para participar do quadro "Papo Virtual".
Também estão sendo vendidas outras cotas de publicidade para o programa, que vai ao ar às terças, sempre às 20h00. Da Redação - TELA VIVA News


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DTH
DirecTV cresce 29 mil assinantes na América Latina
02/05/2005, 19h48
A DirecTV Latin America não divulga mais os resultados referentes ao Brasil, como costumava fazer. Os números consolidados da região divulgados nesta segunda, 2, mostram que no trimestre a unidade cresceu de 1,53 milhão de assinantes para 1,58 milhão de assinantes, principalmente na Argentina e na Venezuela, segundo o balanço. Ou seja, não está havendo crescimento forte no Brasil. Mas é difícil avaliar o desempenho real da operadora já que o processo de transferência dos assinantes no México para a Sky e o processo de fusão no restante da América Latina podem estar afetando os números. De qualquer maneira, as receitas da operadora subiram para 184 milhões, ou cerca de 14% em relação ao mesmo trimestre de 2003.
EUA
Já a operação nos EUA da DirecTV mostra vigor. Com adição total de 505 mil assinantes líquidos só no primeiro trimestre (foram ao todo 1,4 milhões de vendas). É um recorde histórico da DirecTV. O prejuízo da operação norte-americana, que no primeiro trimestre de 2004 era de US$ 639 milhões, caiu a US$ 41 milhões. A operadora tem 14,445 milhões de assinantes. Da Redação - PAY-TV News


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Rádio
Rádio digital avança
30/4/2005
A indústria de rádio digital via satélite e por assinatura (XM) apresenta bons resultados e continua em recuperação nos Estados Unidos. Depois de quedas repentinas, ocorridas a partir do lançamento, as principais empresas do setor, como XM Satellite Radio e Sirius estão valorizadas no mercado e com as ações subindo mais de 100% na bolsa de valores, durante os últimos 12 meses. 0 serviço delas coloca à disposição dos clientes mais de cem canais de rádio, com um amplo leque de opções de músicas e notícias. Para ter acesso aos serviços de XM no carro ou em casa, é preciso ter um receptor com antena. Os preços variam de US$ 65 a US$ 170, sendo que a mensalidade custa US$ 9,99. Revista da SET

Artistas brasilienses ganham mais espaço
3/5/2005
Ao estrear nova programação em junho de 2004, a Rádio Nacional FM passou a dar destaque à música produzida na cidade. Desde então, um dos novos programas da grade, o Projeto Brasília, vai ao ar aos sábados, às 17h, com produção e apresentação de Bia Reis. "Dar voz e vez a compositores, cantores, poetas e grupos brasilienses é a proposta", diz Joaquim Jardim, gerente da emissora. "Todo sábado, há um artista entrevistado falando do seu trabalho".
O primeiro foi o cantor e compositor Clodo Ferreira, que falou sobre a tese de mestrado que apresentaria na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, tendo como tema a veiculação pelo rádio do trabalho de artistas independentes. "O Clodo nos deu certeza de que estávamos no rumo certo ao criar o programa", comenta Jardim. A repercussão do programa foi tamanha que a direção da rádio viu a necessidade de abrir espaço maior para a música feita na capital.
Aniversário
Resultado: desde a semana passada, compositores e intérpretes brasilienses (ou radicados na cidade) passaram a ser ouvidos na FM da Radiobrás. "Aproveitamos o aniversário de Brasília para implantar a idéia, como um presente mais que justo à cultura candanga", justifica. Assim, ao lado de nomes consagrados como os de Tom Jobim, Maria Bethânia, João Gilberto, Marisa Monte, Gilberto Gil, Maria Rita, Caetano Veloso e Gal Costa, e de novos talentos da MPB, passaram a figurar os de Célia Porto, Renato Mattos, Clodo Ferreira, Myrlla Muniz, Antônio Badu, Ângela Brandão, Antenor Bogéa, Thelma Fonseca e Anderson Nazareth, entre outros - raramente ouvidos nas programação radiofônica local.
Mesmo sem querer posar de "pai da idéia", Clodo Ferreira afirma que sempre batalhou por isso. "Felizmente a direção da Nacional FM se sensibilizou com nosso apelo. Considero essa decisão da emissora uma grande conquista de todos nós, artistas, que trilhamos a via independente." Com o cantor e compositor piauiense - morador em Brasília desde a adolescência -, faz coro a cantora, compositora e pesquisadora Myrlla Muniz, cearense de Fortaleza, que veio para a cidade em 1993. "É maravilhoso que o nosso trabalho possa chegar ao público por uma rádio tão importante para a cultura brasiliense como a Nacional FM", comemora. Irlam Rocha Lima - Correio Braziliense


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Audiovisual
Ancine arrecada R$ 26,6 milhões com Condecine em 2004
02/05/2005, 16h59
A arrecadação da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, Condecine, teve um salto de 37% em 2004, em relação ao que foi arrecadado no ano anterior, atingindo a marca de R$ 26,6 milhões. A informação foi divulgada nesta segunda, 2, pela Ancine. A receita é proveniente do registro de todas as obras audiovisuais, publicitárias e não publicitárias, nacionais ou estrangeiras, conforme especifica o Art. 32 da MP 2228.1.
Para 2005, a Superintendência de Desenvolvimento Financeiro da Ancine prevê um crescimento de 70% em relação a 2004, chegando a R$ 45 milhões. Somente no primeiro trimestre de 2005 já foram arrecadados R$ 7,8 milhões. Da Redação - TELA VIVA News

Verba de filmes emperra no Planejamento
3/5/2005
Vencedores dos Editais de Cinema do Ministério da Cultura estão protestando contra o Planejamento e o Tesouro, que não liberam as verbas dos contratos que assinaram em dezembro. Sem dinheiro, eles não conseguem filmar e temem que os orçamentos de suas produções tenham de ser atualizados. O próprio MinC está apostando na pressão da imprensa para conseguir a liberação. O Estado de São Paulo

"Fantástico" busca documentários nacionais
02/05/2005, 18h55
A redação do "Fantástico" publicou em seu blog um chamado por documentários. O programa abrirá um espaço, todos os domingos, para mostrar "histórias desse Brasil produzidas para a tela do cinema". Segundo texto, "é uma janela para o lançamento de documentários novos, inéditos. É uma janela, também, para a exibição de documentários premiados, consagrados e que merecem uma grande platéia". Mais informações na página http://blogdofantastico.blogger.com.br. Da Redação - TELA VIVA News

Entrevista exclusiva com o crítico de cinema Jean-Claude Bernardet
4/5/2005
ÉPOCA: Tanto Cineastas e as Imagens do Povo como Brasil No Tempo de Cinema foram desenvolvidos em um momento em que a crítica tinha uma outra interação com a classe cinematográfica. E tiveram suas repercussões nessa classe, o que é algo cada vez mais raro, pois, hoje, parace haver um vácuo entre a produção crítica e a de filmes. Há hoje um menor interesse por parte dos diretores sobre a reflexão cinematográfica?
Jean-Claude Bernardet: Se você pega o que aconteceu em torno de Cidade de Deus, houve uma interação entre o filme, o diretor Fernando Meirelles e a crítica liderada pela pesquisadora Ivana Bentes. Acho que alguns críticos não se limitam a fazer avaliação de bom ou ruim e propõe uma discussão. Mas não é muito generalizado.
ÉPOCA: Mas á repercussão dessas discussões não parece acontece em grande escala entre os diretores. Não há reação aos textos mais analíticos e os diretores mal vão a debates.
Bernardet: Não sei se os diretores dos anos 60 estavam muito interessados na crítica. As reações aos textos eram contra os textos negativos em relações a filmes específicos. Cineastas e As Imagens do Povo teve reações incríveis, como diretores que me disseram que eu havia dito coisas que eles não tinham percebido na realização, mas isso é dito pessoalmente.
ÉPOCA: Você escreveu um artigo na Revista Cinema em que coloca a superioridade do cinema argentino atual em relação ao brasileiro. Quais foram as reações?
Bernardet: Foi um artigo leve. O que aconteceu é que a revista foi lançado no Festival de Tiradentes, onde estavam as organizações de classes. Foi um horror. Fui considerado um traidor, alguém em quem não se podia confiar. Mas recentemente um cineasta jovem, estreante em longa-metragem, disse que concordava comigo, mas que aquilo não era para ser dito. Eu acho que o artigo repercutiu, as pessoas concordaram comigo em conversas pessoais. Os filmes estão com a narrativa pesadona, sem agilidade, mas pelos meios profissionais e corporativos o artigo é muito mal visto. Repercutiu mais do que eu imaginava.
ÉPOCA: A postura desse jovem diretor parece estar bastante disseminada no cinema brasileiro. Jorge Furtado disse em um debate que não fala mal de filme brasileiro em público. Isso não é um desserviço para o debate?
Bernadet: Claro. Eu discordo muito disso de se falar bem ou falar mal. Eu sei que a análise de Viramundo, do Geraldo Sarno, deixou o diretor bastante indisposto. Mas isso porque o realizador tende a achar que o crítico só diz sim ou não. Preto no branco. Eu não teria passado meses estudando este filme se eu não o achasse interessante e aberto a propor uma discussão. Continuo achando válida a discussão e isso não desmerece os filmes, principalmente porque alguns filmes têm o mérito de possibilitar discussões. Outros, não. O problema não é ser bom ou ruim. Às vezes um bom filme é bom dentro de um esquema que é questionável. Quando se faz críticas diárias em jornais, aí tudo é mais rápido, acaba se caindo naquele esquema de 'vá ver' e 'não vá ver', mas em ensaio não. Não sei como acontece em outros países, mas aqui os egos são muito desenvolvidos, as suscetibilidades são monumentais.
ÉPOCA: Quais mudanças você considera mais evidentes entre a produção dos documentários dos anos 60/70 e a produção documental atual?
Bernadet: Uma das dificuldades para se responder essa pergunta é que os documentários não circulam muito, mas eu te diria que filmes atuais de alguma forma revelam o sistema de entrevistas. À|Margem da Imagem, por ser contraditório, possibilita que se discuta a problemática desse método de trabalho. Esses filmes de crise eu acho interessantes. Assim como acho o Casa de Cachorro, do Thiago Villas Boas. Mas os filmes que mais me motivam ultimamente são os documentários de ação, embora não sei se essa seja uma boa definição. São documentários em que o projeto elabora o próprio projeto e o filme é a documentação da elaboração desse projeto. Há dois filmes importantes para mim nesse sentido: Passaporte Húngaro, de Sandra Kogut, e 33, do Kiko Goiffman. A Sandra quer ter o passaporte húngaro porque é descendente de húngaros e vai documentando toda a trajetória para chegar ou não chegar a seus objetivos. Da mesma forma, o Kiko faz isso na busca de sua mãe natural, biológica. Fora isso, os procedimentos são muito diferentes. Ao fazer essa trajetória, o filme da Sandra descortina uma série de elementos gerais através da ação específica da diretora. Toda a situação dos judeus, que abandonaram seus nomes, que mudaram de país, é colocada em questão. Painéis históricos vão sendo montados. Acho isso muito rico. Já o projeto do Kiko é muito curioso, porque é muito pessoal, mas ao mesmo tempo é geral, porque toca na questão da adoção. Para abordar essa questão, ela passa pela indústria cultural. É através da paródia de filme noir, gênero americano dos anos 40 e 50, com seus códigos bem definidos, que ele se aproxima de uma questão íntima
ÉPOCA: Na produção recente, nos documentários de cunho social, fala-se em dar voz e imagem ao outro. Mas quem domina todo o processo é o realizador. Há realmente possibilidade de se sair da classe social que controla a realização e se dar a tal voz ao outro?
Bernadet: Eu acho que não é impossível tentar pelo menos. Uma das maneiras na qual eu penso é que o documentarista deveria se colocar como pessoa diante de seu entrevistado e colocar seu entrevistado como uma pessoa. Há muito respeito pelo outro, muito pudor, mas a maneira de respeitar, para mim, é ser franco com o outro. A saída é o cineasta ter uma interlocução com as idéias dele, da classe dele e do meio dele, e confrontar com as do outro. Há uma relação de sacralização que impossibilita o contato. E não tem como haver identificação porque não somos favelados e não moramos em periferias ou casas auto-construídas, então o confronto é necessário. Mas tem outro aspecto : por que só se faz filmes sobre excluídos sociais, sobre favelados, sobre camponeses sem terra? Por que as elites e o poder não são temas de documentário? Por que não se faz um filme sobre o Unibanco, sobre o Itaú? Eu acho que nessa quase exclusividade de uma temática de excluídos há uma convivência de não se criticar o poder, de não se opor. Por motivos sociais, filosóficos e religosos, a gente tem de ter pena dos infelizes, mas isso não atinge a estrutura social. Há uma espécie de catolicismo flutuante e generoso que parece permear a atitude dos documentaristas diante dos excluídos. O próprio João Moreira Salles, que é católico, levanta essa questão. Por que não se faz filmes sobre a classe média alta?
ÉPOCA: Esses filmes parecem tenta se aproximar e nos aproximar do outro, com excesso de bons modos, e isso parece nos distanciar ainda mais desse outro.
Bernadet: Mas é exatamente isso. Esses bons modos são a negação e não uma aproximação real porque uma aproximação real poderia levar ao conflito.
ÉPOCA: Hoje há muito pudor em relação à captação da imagem do outro e isso talvez alimente a obsessão pela construção da imagem do entrevistado por ele próprio, que manipula sua representação para a câmera e deixa de ser apenas objeto para também se tornar sujeito. E isso fse insere em uma tendência de, ao contrário dos anos 60/70, quando havia preponderância de documentários sociologizantes, valorizar a singularidade do indivíduo que não pode, de maneira alguma, ser visto como algo maior que ele próprio.
Bernadet: A procura da singularidade não é suficiente para se deixar de haver certa generalização. Veja o Edifício Master. A homogeneidade social das pessoas entrevistadas acaba compondo uma espécie de corpus sociológico de um certo nível de classe média. Quer-se queira ou não, representa certo nível de pessoas. É diferente se ele entrevistasse pessoas sem denominador comum. A outra coisa é a solicitação aos entrevistados da autorização para serem filmados. Gostaria de saber quais foram os primeiros filmes a fazer isso e se coincide com a data da lei sobre o direito à imagem porque não se deve esquecer que isso cobre o cineasta contra complicações. É uma lei complicadíssima. Nos filmes, a gente vê o diretor solicitar uma autorização, mas não se vê ele dizendo que isso o protege de eventuais processos. E essas pessoas assinam uma coisa sem saber o que estão assinando. O que não se discute é que, depois da captação da imagem, haverá montagem, e o entrevistado não tem controle algum. A construção de uma auto-imagem diante da câmera não é nova. A primeira vez que percebi a existência dessa questão de se representar de forma pública foi em um filme de Jean Rouch e Edgar Morin chamado Crônica de um Verão. É um verão em Paris, são entrevistados pessoas de níveis diferentes e as entrevistas foram feitas com grandes intervalos. Tem uma mulher que se apresenta como realizada, a encarnação da felicidade, tudo está certo com ela e essa mulher aparece outras vezes depois. A cada vez que ela aparece ela baixa o nível de euforia e na última apariação ela está carente e solitária. Toda a primeira entrevista foi montada para a câmera e para ela mesma. Portanto, a questão não é recente. Por outro lado, acho que o entrevistado só tem liderança da cena se não houver montagem. Se você trabalhar material bruto, com 10 minutos dessa pessoa falando, então bota 10 minutos dela falando. Aí dentro daquela situação essa pessoa pode ter a iniciativa de montar seu discurso. Essa questão da imagem também está em Opinião Pública, do Arnaldo Jabor, em que uma loira tem duas sequências. Na primeira, ela está por cima da carne seca, ela sabe tudo, ela pode aconselhar as mulheres mais jovens porque ela já chorou muito, ela sabe o que é o amor. Na segunda vez, ela está na casa dela e ela pede para uma menina, provavelmente sua filha, para vir no colo dela e a menina não quer. Ela então fica completamente perturbada. Na primeira vez, portanto, ela botava banca. Não é assim. Essa construção da imagem, sem dúvida, existe e o filme pode revelar isso, mas na montagem a construção pertence ao montador.
ÉPOCA: Você elogia o filme do Michael Moore, Tiros em Columbine, e ele é muito criticado pela prepotência. Em alguns momentos do filme, ao ir para o confronto, como na entrevista com o Charlton Heston, ele impede que o entreviste se revele, estimula-o a ficar na defensiva. Isso não é contraproducente para o filme?
Bernadet: Eu não acho que ele foi agressivo com o Charlton Heston. Faz perguntas tranquilas. O que se tem que ver é que a figura do Charlton Heston não está construída apenas na entrevista, mas ao longo do filme inteiro, quase como um símbolo desse pensamento favorável às armas. E por outro lado o Charlton Heston se revela, mas não verbalmente e sim pela ação. O corpo dele reage como se estivesse encurralado fisicamente e depois ele vai interrompendo a entrevista e saindo do ambiente. Isso é importante. Nem tudo passa pelo verbal, por isso acho uma boa entrevista, nem que ele diga que não queira responder, porque neste momento se dá um conflito real. Não me incomodo nem um pouco com a agressividade do Michael Moore. Nem um pouco. E falta agressividade aos documentaristas brasileiros.
ÉPOCA: A sacralização do povo e dos pobres também é comum ao cinema de ficção. Ou se lança olhares de compaixão ou se glamoriza o amarginal. .
Bernadet: A glamourização do marginal vem do século XIX, quando o intelectual e o poeta se projeta no marginal. Isso de certa forma continua existindo. Inclusive no filme do Paulo Sacramento (Prisioneiros da Grade de Ferro), mais que no filme do Babenco (Carandiru). No filme do Babenco, curiosa é a figura do médico. Acho uma das questões essenciais do filme porque o médico não pertence ao meio dos presos e ele é usado como mediação entre o público de classe média e os presos, como se não fosse possível um contato direto. A primeira pessoa que percebeu isso foi o Drauzio Varrela no Estação Carandiru. Ele mesmo escreveu que o sucesso do livro se deve ao fato de não usar a linguagem de preso e deixa o leitor seguro por ser conduzido ao interior da prisão pelas mãos de um médico. Diferentemente do Paulo Sacramento, que foi direto ao preso, o Carandiru criou essa mediação. O personagem não pertence a nada e não tem ações. Babenco tentou evitar contato direto da classe média com o universo carcerário. O Drazio é lucido ao assumir sua estratégia. O livro dele é bem comportado. Fala de horrores, mas guiado por alguém de nosso meio social
ÉPOCA: Essa figura do olhar de fora dos mundos enfocados parece ser bastante frequente.
Bernadet: A questão do estrangeiro que chega a um lugar, que revele com seu olhar o mundo ao qual não pertence, também é uma prática bastante antiga. O Casa Assassinada, de Paulo Cesar Saraceni, também é isso. No caso do Cidade de Deus, usa-se aquele narrador, o Buscapé, para não ficar tudo negativo. Porque ele é lá de dentro, mas fala como se não fosse. Eu acho que os diretores, às vezes, por pertencerem a outro meio social, receiam não estarem aptos a perceber e a descrever essa outra realidade social.
ÉPOCA: Esse necessidade do olhar mediador deve-se em parte pela consciência de não falar em nome do povo. Os diretores têm consciência de que não é mais possível. Também não fala para o povo. Fala sobre o povo para uma questão que interessa a ele, cineasta, e não para o povo. Ele não pode falar sobre o povo com os olhos do povo.
Bernadet: É isso, ele não pode. Mas os diretores encontram recursos dramáticos para contornar o problema. Por isso acho que os documentaristas deveriam ser menos bem educados e serem mais diretos e aceitarem que eles podem receber tomates podres na cara.
ÉPOCA: Os filmes deveriam ser mais sinceros e assumir o lugar de onde falam.
Bernadet: Claro. Devem ter uma postura. Por isso eu defendia nos anos 60 que era mais interessante projetar os documentários do Jean Mazon que os filmes dos cineastas de esquerda do CPC (Centros Populares de Cultura). Porque o mais importante não é o filme, mas a relação dele com a sociedade. Por isso dou tanto valor a Cidade de Deus, menos por suas qualidades e mais por seu diálogo com a sociedade. Também acho importante o Cronicamente Inviável, do Sergio Bianchi, porque também gerou uma discussão, embora em uma escala menor, porque o cinema passou a ter uma razão de ser, pois crioufato social
ÉPOCA: Não acha curioso que em Carandiru e Cidade de Deus, que fizeram sucesso, ão exista um contraste de classes? E o filme que coloca o confronto de classe, O Invasor, não teve o mesmo debate na sociedade.
Bernadet: O Invasor é dos filmes mais importantes da produção atual. E principalmente porque o símbolo da classe baixa começa como coadjuvante e vai tomando conta da narrativa até adquirir status de personagem principal. Ele vai dirigindo os outros. E é dos raros filmes que se arrisca a falar da classe social de seu diretor.
ÉPOCA: O filme parece causar mal estar nas platéias por mostrar a eles sua classe social em um papel pouco digno. E o personagem do invasor, Paulo Miklos, começa todo sedutor, como um bichinho de outro mundo a quem vemos com curiosidade, para quem torcemos até, mas, quando ele bate de frente com os representantes de nossa classe, da classe do frequentador de cinema, o personagem torna-se um inimigo.
Bernadet: Exatamente.
ÉPOCA: Me chama atenção a recorrência nos últimos anos de desfechos de situações opressivas que se dão ou pela morte ou pela fuga dos protagonistas. Em Um Céu de Estrelas, a cabeleteira mata o ex-namorado, mas não se liberta, pois vai presa na sequência. Vive um impasse. No Latitude Zero, há necessidade da morte para que a protagonista possa construir um novo horizonte, sem sabermos se não será apenas a repetição do mesmo em outro lugar. Há uma distopia ali, apesar da gota de esperança. No Bicho de 7 Cabeças, há necessidade de uma ruptura familiar, de modo a se tentar novo caminho. Em O Homem Que Copiava, antes de se chegar à redenção no Cristo Redentor, tem de se matar e roubar, tem de haver ruptura e fuga para se buscar reconstrução. Esses finais são sintomas desse momento e de uma geração em específico? Ou fazem parte de uma tradição do cinema brasileiro?
Bernadet: Acho bastante diferentes o que você define como fuga e a morte. Eu não colocaria Um Céu de Estrelas nesse sentido porque não há libertação. Há um fechamento do processo. O imbolismo é evidente. No mais, pela maneira com que você fala desses finais, eles lembram os finais dos anos 60, da idéia de um futuro mais ou menos indefinido, que possivelmente será melhor que o presente, com personagens que abandonam o lugar da ação. No lugar da ação, o problema não se resolve. O Latitude Zero é isso. Vai recomeçar, não vai recomeçar, será melhor, será pior, mas, enfim, há possibilidade de abertura no final. Eu pessoalmente nunca pensei especialmente sobre essa questão, mas eu viria isso antes como uma continuação de uma atitude ideológica e narrativa que já existia e está sendo retomada. A diferença é que, no caso de Vidas Secas, por exemplo, a solução e a esperança são sociais, de uma sociedade mais justa. No Latitude Zero, a esperança é individual. A mulher pode se dar melhor ou pior. Houve uma discussão sobre o final do Latitude Zero. Alguns amigos do Toni Venturi queriam que a mulher fosse embora sem a criança, que a criança morresse, mas ele tinha acabado de ter um filho, ela estava grávida durante a filmagem, então ele não teve coragem e optou pelo final exibido. Sem a criança, o final seria mais duro. Muda tudo. Mas ele não tinha a cena sem a criança para ter a opção ou não na montagem. Agora O Invasor não acaba assim. Quando existe maior enfrentamento na narrativa, tem de se resolver no próprio espaço da ação. A mesma coisa em Um Céu de Estrelas. Tudo tem de ser resolvido se não se posterga. E no roteiro a protagonista nem saia de casa. Acaba na cozinha. Não queríamos que se projetasse nada para o futuro, mas a Tata Amaral acho muito duro. É interessante essa questão dos finais. Já pensei em um filme com o Claudio Kahns sobre finais que projetam para o futuro. É interessante enquanto postura ideológica e de dramaturgia.
ÉPOCA: Naquela artigo na Revista de Cinema, você coloca um impasse do cinema brasileiro hoje. De um lado há essa busca de qualidade técnica asfixiante, mas justificada pelas exigências de mercado, porque o espectador está habituado ao padrão da televisão, do comercial, do filme americano e não vai querer ver um filme brasileiro sem essa qualidade. De outro lado há a cobrança dos críticos por uma inquietação estética e narrativa, mais experimental e menos esquemática, mas que pode resultar em produto menos vendável. Hoje há essa questão do cinema enquanto linguagem e produto.
Bernadet: Mas se você pegar esses filmes muito bem feitos, muito rebuscados, não fizeram sucesso. O Abril Despedaçado, do Walter Salles, foi bem menos visto que Central do Brasil. Uma Vida em Segredo, de Suzana Amaral, fez menos sucesso que A Hora da Estrela. Esse argumento não tem resposta na prática. Não é que eu queira tudo escrachado. Não é isso. Quando eu vi Uma Vida em Segredo, fiquei admirado. A fotografia é explêndida, a composição do plano é linda, mas achei frio e saí vazio. As vezes você pode ter sentimento estético, sai estimulado, deprimido, mas em movimento. Isso não aconteceu. Bicho de 7 Cabeças, que é um filme com milhares de problemas, como personagens esquemáticos e simplificados ou como a discussão sobre manicômios com quase 20 anos de atraso, apesar disso, é um filme com energia. Tem vigor na realização, sente que há ali uma pessoa viva fazendo o filme e sente-se vivo quando sai. Também achei bonito o Abril Despedaçado, mas também me senti vazio. Depois de ver um filme que me toca, não dá para sair depois e tomar um chopp. Se você sai do filme e toma um chopp, e tudo bem, e fala de outra coisa, tem algo de errado com o filme. Eu senti isso com estes filmes. Não é uma crítica cerebral, mas afetivo mesmo. Não se trata de uma questão de enredo, o caso é a falta de dúvida e excesso de certezas.
ÉPOCA: Filmes assim parecem já estar prontos antes da filmagem.
Bernadet: É. Não há dúvida, principalmente. Eu acho que há diferença de sensibilidade entre Abril Despedaçado e Terra Estrangeira. Quer se goste mais, quer se goste menos, Terra Estrangeira é um filme inquieto. Inclusive na sua textura, na cenografia, não só pela viagem.
ÉPOCA: Essa inquietação também tem em outro filme do Walter Salles, O Primeiro Dia, que também é co-dirigido pela Daniela Thomas, como Terra Estrangeira.
Bernadet: Pois é. Essa Daniela Thomas é um problema monumental porque também os melhores espetáculos de Gerald Thomas são com ela. Ela é um caso curioso. Sempre se cita o nome dos homens, dos diretores, mas acho que eles são de um jeito com ela e de outro sem ela. Mas talvez o jeito dela trabalhar não seja trabalhando sozinha, mas sim modificando o trabalho dos outros. Tem gente que trabalha assim
ÉPOCA: O que acha dos filmes históricos brasileiros, que, para usar um termo empregado por você em um artigo, pecam pelo parnasianismo, por querer revelar o tamanho da produção, os requintes da reconstituição e da pesquisa? Dá a impressão de se estar vendo a reconstituição e não a própria História. E isso parece ter bem menos no Desmundo.
Bernadet: Concordo plenamente com você em relação ao Desmundo, que nem por isso deixa de ser parnasiano. Não há ali uma exibição da reconstituição. É uma grande qualidade do filme. Ele é cheio de processos, o que não nos permite ver demais. E está tudo lá. É possível crer naquilo, enquanto se mostrasse talvez você acreditasse menos. Isso foi um dos problemas da adaptação. As primeiras versões do roteiro estavam baseadas no romance da Ana Miranda. Ela odiou os primeiros tratamentos, então ela e o Alain Fresnot, o diretor, combinaram de trabalhar pelo telefone. Também não deu certo. Combinaram então que a Ana iria escrever e ela escreveu cenas infilmáveis. Era pura literatura. Ana tinha feito pesquisa gigantesca para o romance e uma das qualidades é que a pesquisa não aparece no romance. Não dá as fichas da pesquisa, mas a assimila. O roteiro depois ajustado de modo a se captar isso do livro
ÉPOCA: Os filmes de maior projeção, de público e crítica, retrataram o momento do Brasil, com suas tensões e contradições?
Bernadet: Não. Enquanto não se tratar do FMI as contradições não estarão às claras. Eu vejo esse cinema como cinema voltado para público homogêneo. Devido ao circuito pequeno, esse cinema chega a nós, público universitário, ou seja, público classe A do ponto de vista da informação, não necessariamente das rendas. Se houvesse uma mudança estrutural, de distribuição e exibição, que possibilitasse aparecimento de público de outros setores sociais, teria que se fazer outros filmes. Enquanto essa mudança não ocorrer, vamos ficar como está. Qual é o primeiro cliente do cineasta? As comissões que julgam as leis e os departamentos de marketing. Tem de escrever para eles, portanto.
ÉPOCA: Mas quais outras questões não estão sendo abordadas pelos filmes?
Bernadet: Se vopcê tirar O Invasor, tudo aquilio que se chama de globalização e neoliberalismo não está sendo tratado. Toda a evolução da esquerda, agora no poder, também não está sendo tratada. São enormes assuntos que não estão sendo abordados.
ÉPOCA: No livro O Cinema de Novo, Luiz Zanin Oricchio parte do princípio de que, independentemente da proposta, os filmes refletiram o Brasil dos anos 90. Até a atitude de não encarar a realidade revelam essa realidade. Esse não mostrar, portanto, seria um sintoma, pois revela muito de nós.
Bernadet: Acredito nisso porque não tem escapatória. Qualquer coisa que você faça, até uma fotografia de uma flor, você faz em determinado momento histórico, em determinado momento de tecnologia, portanto, inevitavelmente é uma produção histórica, um retrato de seu processo naquele momento.
ÉPOCA: Mas algumas coisas não estão sendo ditas de maneira direta.
Bernadet: O que aparece está ali da sociedade aparece de forma quase involuntária. E o que aparece? A sociedade ou o ponto de vista do diretor sobre a sociedade? Talvez não saibamos analisar isso muito bem, mas são as posições dos diretores que estão sendo reveladas. O neo-realismo não revela a sociedade italiana, mas os pontos de vistas diversificados dos cineastas sobre aquela sociedade.
ÉPOCA: Mas esse não é um limite do cinema?
Bernadet: Não acredito. Acho um problema da produção artística.
ÉPOCA: Essa produção mais recente revela isso de forma visível, pois o olhar é mais fragmentado, sem a disposição de encarar a sociedade como um todo. A exceção talvez seja Cronicamente Inviável, do Sergio Bianchi, que faz um filme sobre o Brasil.
Bernadet: Mas ele faz um filme sobre o Brasil ou sobre a classe média? Acho que o olhar dele é sobre a classe média, a qual ele pertence. Mas no filme ele não se coloca nela. Essa classe média do filme é um horror, menos o ponto produtor da crítica e esse ponto produtor é o do diretor. Mas ele não está no filme. Cléber Eduardo - Época

Trecho do livro Revisão Crítica do Cinema Brasileiro, do cineasta Glauber Rocha
4/5/2005
Um ensaio sobre Lima Barreto e o filme O Cangaceiro
Consagrado em Veneza - especialmente pela grande força do Aleijadinho, que neutralizava a demagogia das fotografias - Lima Barreto ganhou campo para seu grande espetáculo. Era chegada a hora de O cangaceiro.
É verdadeiramente inexplicável o fato do cinema brasileiro chegar à temática do cangaço apenas em 1953, quando a literatura, através de autores como Franklin Távora ou José Lins do Rego, já formara um ciclo: o cangaceiro, personagem indispensável no romanceiro popular do Nordeste, passara ao romance nordestino com todo seu complexo místico e anárquico. Benjamin Abrahão foi um mascate árabe que esteve no bando de Lampião e filmou muitas cenas de cangaço; conta-se que, retornando à Paraíba com várias latas de negativo impresso, foi assassinado por desafetos e a maior parte do filme se perdeu. Hoje existe um pequeno documentário que contém precária informação da vida do lendário Virgulino. Há um ano atrás Pedro Lima revelou que em Pernambuco foi realizado um filme sobre a vida de Virgulino nos anos 40.
Se o tema de aventuras esteve presente na obra de Humberto Mauro e em muitas outras experiências do antigo cinenma brasileiro, sua definição como gênero de cangaço, hoje habilmente batizado por Salvyano Cavalcanti de Paiva como nordestern, apareceria somente em 1953, no polêmico filme de Lima Barreto. Não era a vida de Lampião, mas o Capitão Galdino Ferreira, vivido por Milton Ribeiro, que tinha alguma semelhança com o lado pitoresco de Virgulino Ferreira - o sobrenome era uma pista para identificação. Sem ter entendido o romance do cangaço e sem ter interpretado o sentido dos romances populares nordestinos, Lima Barreto criou um drama de aventuras convencional e psicologicamente primário, ilustrado pelas místicas figuras de chapéus de couro, estrelas de prata e crueldade cômicas. O cangaço, como fenômeno de rebeldia místico-anárquica surgido do sistema latifundiário nordestino, agravado pelas secas, não era situado. Uma estória do tempo gue havia cangaceiros, uma fábula romântica de exaltação à terra.
Em seu livro, Le Cinéma Italien, o crítico-realizador Carlo Lirzani diz que o sucesso de Cabiria, no período áureo do filme histórico mudo da Itália, contribuiu para a exaltação nacionalista, disseminando uma ideologia pré-facista, inspirada por D'Annunzio. O cangaceiro teve, em proporções menores, um efeito deste tipo sobre as massas. A cena final. quando Teodoro (Alberto Ruschel) morria beijando e comendo a terra do sertão (uma terra seca, estéril propriedade de cruéis senhores feudais) e recitando umas palavras ridículas que a ficha técnica indica como 'diálogos de Rachel de Oueiroz', é, na mise-en-scène, a revelação moral de Lima Barreto. O cangaceiro servia à ideologia feudal: Galdino era cangaceiro porque era ruim; Teodoro era cangaceiro porque matara um homem, os padres levaram-no, mas ele voltou porque amava a terra e queria morrer naquela terra. Se não me falha a memória, o diálogo era mais ou menos assim: '...aqui nasci... aqui vivi... aqui hei de morrer... por que tenho um pedaço desta terra derramada no sangue...'. Alberto Ruschel entortava os Iábios em sua pronúncia gaúcha e Marisa Prado - a professorinha - era tomada de paixão. Um drama fatalista: um é bom, outro mau. Galdino pagará suas maldades; aliás, já tem uma bala no peito. Claro, a burguesia e o analfabeto público brasileiro, educado na mitologia idealista do western, bateriam palmas àquele filme que nada ficava devendo aos melhores filmes de cowboy. Escapista, retumbante, canto de amor à terra, narrava uma epopéia em ritmo de corrido mexicano.
Se Eisenstein - via Tissé - deixou profunda influência nos cineastas mexicanos (principalmente Figueroa) através do seu malogrado Que viva México! - o material deste mesmo filme seria utilizado em filmes americanos tirados da epopéia revolucionária de Villa, Juarez e Zapata. Na sua mistificação, Lima Barreto declarou uma vez que o maior livro de cinema que conhecia era uma certa bula papal. Grossa mentira: conhece bem as teorias de Eisenstein e o cinema americano dos anos 30. Se fosse um primitivo, a crítica mais Iúcida reconheceria logo. É, isto sim, um parnasiano munido de grande informação pessimamente interpretada.
O plano inicial de O cangaceiro - um contraluz de Chick Fowle digno de qualquer aluno destas famigeradas Escolas de Belas-Artes que ainda existem, é um préstito de Viva Villa, quando os guerrilheiros de Wallace Beery surgiam cantando; e La cucaracha, espécie de Mulé rendera mexicana marcou todo o ciclo romântico de Emilio Fernández e Figueroa.
Lima Barreto nada mais fez do que repetir um daqueles épicos mexicanos nos planaltos paulistas vestidos de Nordeste: e conservou o espírito melodramático, o pitoresco fácil, a chantagem dos grandes planos armados numa montagem de choque, que aproveitava efeitos do velho cinema russo e outros mais imediatos do cinema americano. Um western sem a grandeza humana e sem a pureza de um Paixão dos fortes [My Darling Clementine], de John Ford; uma epopéia sem movimento místico de No rempo das diligências [Stagecoach], do mesmo Ford; um drama nacionalista sem o poder de convicção de um Alexandre Nevski, de Eisesntein; um canto de amor à terra, mesmo romântico, sem a autenticidade mais encontrada em alguns momentos de Emilio Fernández. Um filme amarrado de corda. Expliquemos: o montador Oswald Haffenrichter, de formação britânica, empregou o corte de efeito: manipulação de primeiros planos e planos gerais; narrativa bem articulada. Densidade nula: como a paisagem era falsa, os planos não permitem ao espectador perceber que aquele Nordeste é 'paulista', sem macambira, xique-xique, favela e mandacaru. Tudo é rápido, superficial como os planos dos filmes comerciais americanos. Empolado na fotografia de nuvens bonitas de Chick Fowle e cheio da violência original dos cangaceiros, o filme se imporia às massas assim como os fascistas, pela propaganda entorpecedora, inculcam suas idéias. A música de Gabriel Migliori, manipulando os temas folclóricos, é a coroa da mentira. Época

Entrevista com o cineasta Anselmo Duarte
4/5/2005
Anselmo Duarte guarda em seu apartamento de Salto de Itu (SP), onde nasceu e mora, a única Palma de Ouro conquistada pelo cinema brasileiro. Décadas depois do prêmio, que lhe valeu uma espécie de exílio em sua própria terra, o ator e diretor, homenageado pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, começa a se transformar numa figura acima do bem e do mal.
Época - Qual o balanço que o senhor faz, aos 83 anos de idade, da sua atividade no cinema?
Anselmo Duarte - Sem dúvida nenhuma, foi muito bom. Sou de uma família pobre e minha mãe dizia assim: "Você tem que trabalhar, tem que estudar, e não espere que ninguém te dê nada. Você vai ter de ganhar o teu e dos que dependerem de ti". Essa era minha mãe, costureira. Já tinha responsabilidades aos 8, 9, 10 anos e tinha que ir pra fábrica. Mas eu dizia pra ela que não queria ser operário. Via minhas irmãs se queixando do mestre, do fiscal. Aqui em Salto tinha a maior tecelagem da América do Sul, com 5.000 funcionários - toda a cidade trabalhava nessa fábrica. Só pra dizer que eu fui preparado para lutar, para trabalhar. Ninguém me daria nada. Então sempre fui assim, trabalhando e estudando. Acho tudo, apesar dos contratempos, bom. Procurei fazer bem feito tudo o que fiz. É o que ensino a meus filhos, quatro, e netos ñ já sou bisavô.
Época - A mágoa com a maneira com que o trataram após ganhar a Palma de Ouro com O Pagador de Promessas passou ou ainda fica alguma coisa?
Anselmo - Sempre fica, porque na época isso me prejudicou muito. Não é questáo de vaidade. Minha carreira poderia ser bem diferente. No filme seguinte, Vereda da Salvação, veio toda a crítica em cima de mim. Diziam que o filme era ruim. O público não compareceu. Puxa, mas eu vou para o Festival de Berlim e quase ganho ñ o filme teve a melhor crítica do festival. O filme está nas cinematecas, para quem quiser ver. E é um filme maldito no Brasil.
Época - Algumas pessoas do Cinema Novo, que tanto o atacaram, já o elogiam. O Cacá Diegues diz que você está acima do bem e do mal. Há uma espécie de redenção em relação a você?
Anselmo - Mas não é elogio. O Cacá apenas demonstrou boa vontade. Elogio é dizer: "Eu o acho um bom diretor, um bom realizador..." O que os cinema-novistas, então garotos, alegam é que, na década do protesto, os anos 60, eles também protestavam, contra o pai, contra a mãe, contra o governo, contra a sociedade, contra os ricos, contra os vencedores... O que podiam fazer? Mas um deles disse no Itamaraty, quando eu tinha de ir a Berlim, em pleno governo militar, que eu era comunista. E fui chamado...
Época - O senhor era comunista?
Anselmo - Fui um dos fundadores do Partido Comunista. Apesar de não ser comunista. Era um partido muito triste, de guerra, misterioso. Muito pesado. Mas eu conheci um comunista, que era uma grande figura, o Alinor Azevedo, que me ensinou a fazer roteiro cinematográfico. Era o roteirista da Atlântida (Moleque Tião etc.). O Alinor me achava americanófilo. Eu não era politizado, não ligava pra política. Aí ele falou assim: "Anselmo, nosso chefe, o Luís Carlos Prestes, precisa registrar o partido, que estava na clandestinidade, mas agora está legalizado". Para oficializar, eles precisavam de não sei quantas mil assinaturas. Isso significa ser fundador. Eu já estava no cinema. Depois, passei a ser sócio, contribuía para a imprensa comunista. Eu fui entrando, entrando, e eles foram se enchendo de documentos meus. Quando o partido foi proibido, tive problemas e cheguei a ser preso. Havia uma denúncia contra mim, de falso testemunho. Quando cheguei, vi pessoas que apanhavam. Eu fiz judô a vida toda. O primeiro que veio me bater se deu mal. Dei um balão nele. Aí vieram dez em cima. Eu fui o que apanhou mais. Caí, me chutaram a boca. Eu perdi os dentes da frente. Já era galã e tive de colocar dentes falsos. Tenho uma cicatriz no lábio. Lá encontrei o Alinor, que estava de olho roxo.
Época - Se tivesse de se definir como uma personalidade do cinema brasileiro, como se definiria?
Anselmo - Eu era considerado galã. Isso me incomodava. Era pejorativo. O meu azar foi ser galã. Eu era tímido. Eu nunca desejei ser ator. Queria ser diretor de filmes. Então eu me definiria, sem soberba, com honestidadem e coragem, depois de 55 anos de cinema, como um realizador de filme. Aqui ou em qualquer parte do mundo. Essa é minha profissão. Só isso. Época

Festival de Tribeca premia brasileiro
3/5/2005
Os diretores Jeff Zimbalist e Matt Mochary, do documentário "Favela Rising", sobre o grupo carioca Afro Reggae, dividiram o prêmio de melhor documentarista estreante no festival nova-iorquino, que terminou ontem. Co-produção Brasil e EUA, o filme enfoca a iniciativa do músico brasileiro Anderson Sá, que fundou o grupo na favela de Vigário Geral, no Rio. Folha de São Paulo

'Sin City' salta dos gibis para as telas
3/5/2005
Sofisticado quadrinho de Frank Miller vira longa pelas mãos do diretor Robert Rodriguez, que fala ao 'Estado'
Diretor da franquia infanto-juvenil Pequenos Espiões, célebre pelo seu trabalho em El Mariachi e A Balada do Pistoleiro, o diretor Robert Rodriguez conta que já foi um cartunista. Portanto, ele sabe perfeitamente o que significa para um desenhista ceder uma de suas obras-primas para uma adaptação para o cinema: a coisa pode resultar em tragédia, uma má adaptação pode afundar um grande trabalho gráfico.
Mas Rodriguez não vacila em dizer: "Essa é a mais fiel adaptação de um gibi para o cinema de todos os tempos", diz. Ele se refere ao seu novo filme, Sin City, que deve estrear no Brasil no dia 29 de julho, baseado num dos mais artesanais e sofisticados gibis do norte-americano Frank Miller. Rodriguez se mostra confiante com uma boa razão: o próprio Frank Miller é um dos diretores da produção (o outro é Quentin Tarantino, diretor convidado). Miller criou o storyboard de todo o filme, todos os movimentos, dirigiu os atores e supervisionou tudo.
"Eu pensei: tive de fato uma vida boa desenhando gibis, e não vejo necessidade de deixar alguém levar minha criança", disse Frank Miller, quando lhe pediram para deixar Sin City ser adaptado para os quadrinhos. "Mas aí veio esse cara, o Rodriguez, assediando meu advogado, depois meu editor, e me caçando como um cão selvagem. Até que eu, essencialmente, me deixei seduzir", contou, ao aceitar a empreitada. Miller, que criou Batman, o Cavaleiro das Trevas (marco divisório dos comics, na década de 80), Ronin, Hard Boiled e Give me Liberty, é um gênio dos quadrinhos - com a morte de Will Eisner, é certamente o mais importante artista do gênero nos Estados Unidos de hoje.
Sin City, fundado nos códigos estéticos do filme noir dos anos 40, é de fato algo que o espectador jamais terá visto antes. Usando atores de carne e osso, efeitos eletrônicos, fotografia, iluminação teatral, numa cidade inteiramente inventada, com uma ação irrealística, o filme tem um impacto incomum, tanto visual quanto moral. O sangue é branco, amarelo, vermelho. A chuva é só um grafismo, e às vezes não há céu, não há chão.
Vivendo no Texas, num rancho onde possui uma produtora de efeitos visuais sofisticada, Rodriguez é ele mesmo uma figura: chega para a entrevista de chapéu de caubói, com uma jaqueta de couro cheia de pequenas labaredas vermelhas, um pequeno amuleto miniatura de cabeça de touro no chapéu, ele está ciente de que fez um cult movie, e até alardeia isso. Leia entrevista com Robert Rodriguez, o autor dessa viagem maluca.
Se alguém pega as pinturas de Michelangelo no teto da Capela Sistina e as transplanta para telas, qual é o propósito disso? Quero dizer, o que uma obra-prima ganha com uma versão em outra mídia, em outro suporte?
Um monte de pessoas não lê gibis, para começar. Como eu adoro Sin City, acho um trabalho fantástico - nos livros, os diálogos não soam como diálogos de cinema, os visuais não são os que usualmente vemos no cinema -, eu busquei traduzir aquilo para a grande tela. Sei que há filmes que muita gente diz: o livro era melhor. Acho que aqui vai ser difícil dizer isso, porque é exatamente a mesma coisa. Trazer o livro à vida, esse foi o meu papel.
Você fez filmes para crianças, como Pequenos Espiões, e agora esse filme, que é adulto e até certo ponto chocante, já que tem cenas de mutilação, canibalismo, suicídio, rostos deformados. Não são coisas paradoxais?
A criança pequena que mora em mim gosta daqueles filmes. A criança grande gosta de Sin City. Os gibis de Frank Miller nunca me aborreceram. Pode-se dizer que esse universo noir dos anos 40 parece superado nos dias de hoje, mas Frank faz tudo parecer tão up to date, tão novo, tão selvagem, que você não sabe em que época se passa. Quanto à violência, é tudo tão estilizado, tão abstrato, que não creio que alguém vá considerar como violência real.
Há uma cena no gibi em que o personagem Yellow Bastard aparece nu. Essa cena não está no filme.
É, achamos melhor pôr um calção nele. Frank e eu conversamos a respeito, e achamos meio desagradável aquela imagem, o personagem já era suficientemente asqueroso. Então, ele aparece de shorts. Não é nada demais, não havia motivo para deixar aquilo.
Seus filmes, em geral, têm bastante música, assim como os de Quentin Tarantino, que é diretor convidado em Sin City. Até alguns críticos dizem que vocês têm uma linguagem de videoclipe. Por que quase não há música nesse filme?
Meus filmes têm muita música? Uh, eu não sei. Bom, esse filme é diferente. É um filme noir, os silêncios e os sons têm um papel relevante, as linhas, as silhuetas. Muita música poderia tirar a atenção para essas sutilezas da imagem, que é o principal elemento de Frank Miller.
Você é um fã daqueles filmes noir mais tradicionais?
Gosto de muitos deles. Adoro Kiss me Deadly. Mas Sin City não tem base nessas obras anteriores. É inteiramente novo, não só visualmente. A interpretação é baseada no universo mental de Frank Miller, sua idéia de um movimento é diferente da idéia realística. Seus diálogos são diferentes, e fantásticos.
Por que você diz que essa é a mais fiel adaptação de um gibi já feita?
Bom, quando um estúdio decide fazer uma versão de um comic book, a primeira coisa que faz é contratar um roteirista, um escritor. Depois, artistas gráficos. Depois, dão prazos e indicam atores. Depois, refazem a história. Aqui, nós simplesmente usamos o gibi de Frank como um roteiro. Não há script. Como alguém poderia reescrever aquilo? E nós temos o próprio Frank Miller reinventando seu universo. Fizemos o filme com absoluta liberdade, sem qualquer cerceamento.
Mas como um cartunista pode simplesmente sair de sua prancheta e se tornar um diretor de cinema? Não foi difícil?
Foi como uma escola que formasse um diretor de cinema em 10 minutos. Frank Miller é um grande contador de histórias, ele faz isso com uma abordagem gráfica, visual. Eu fui cartunista, sei que é um caminho natural seguir para o cinema, há semelhanças entre as duas mídias. Aprendeu tudo muito rápido, com o set, com os computadores. E pegou gosto pela coisa, acho que ele vai continuar. Jotabê Medeiros - O Estado de São Paulo

Oficina trata da assistência de direção e continuidade
02/05/2005, 19h02
A Raiz Produções e a Em Foco Multimídia, com apoio do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, promovem, entre os dias 1º e 5 de junho, a Oficina de Assistência de Direção e Continuidade. A oficina acontece no MIS e será ministrada por Florence Weyne ("Bicho de Sete Cabeças", "De Passagem", "Acquaria", "Narradores de Javé") e Júlia Jordão ("Contra Todos", "O Casamento de Romeu e Julieta", "Antonia").
Mais informações pelo telefone (11) 3021-5650 ou no site www.raizprod.com.br. Da Redação - TELA VIVA News

Festival do Minuto prorroga inscrições
02/05/2005, 17h02
Foram prorrogadas até o dia 10 de maio as inscrições para o Festival Mundial do Minuto Vivo. O tema do bimestre março/abril é "Control+Alt+Del". Os trabalhos inscritos passarão por uma seleção e os selecionados são imediatamente veiculados nos celulares da operadora VIVO e no website do Festival Mundial do Minuto VIVO. Os realizadores podem enviar trabalhos realizados em qualquer tipo de equipamento que produza imagens em movimento: câmeras de vídeo, câmeras de aparelhos de celular, câmeras de foto digital (seqüências de fotos) ou animações em formato Flash. Os trabalhos poderão ser inscritos através do website www.festivaldominuto.com.br. Da Redação - TELA VIVA News


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Mercado de Comunicação
Net aumenta receita e reduz prejuízo no trimestre
3/5/2005
A operadora de TV por assinatura Net reduziu para R$ 5,2 milhões seu prejuízo no primeiro trimestre de 2005, ante a perda de R$ 77,8 milhões contabilizada em igual período do ano passado.
O resultado final teria sido positivo se não fossem R$ 80 milhões em despesas que a Net teve com a reestruturação financeira, concluída em março.
A empresa aumentou as vendas de TV e banda larga. A receita líquida, de R$ 365,8 milhões, superou em 9,7% o valor apurado no primeiro trimestre de 2004. O lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortizações foi o melhor já apresentado pela companhia: cresceu 26% e somou R$ 114 milhões.
A Net encerrou o trimestre com 1,4 milhão de assinantes de TV, alta de 4,9% em 12 meses. No segmento de banda larga, a base de clientes cresceu 92,3% e atingiu 217,3 mil.
O presidente da Net, Francisco Valim, diz que a receita maior reflete os esforços para ampliar os canais de vendas e melhorar os serviços. "O desempenho da economia ainda não chegou à renda, não ajudou nos resultados", afirma.
Segundo Valim, a Net concluiu em abril o aumento de capital de R$ 639 milhões e já efetuou o pagamento de um empréstimo-ponte de R$ 200 milhões que havia feito para pagar os credores. Por isso, a dívida líquida da companhia, que era de R$ 727,9 milhões no fim do primeiro trimestre, agora está em torno de R$ 500 milhões. "É o patamar com o qual queremos trabalhar", afirma ele. Talita Moreira - Valor Econômico

Anunciantes, a mídia impressa ainda vale a pena
3/5/2005
Eis uma capa da Newsweek para daqui a 100 anos: uma vista aérea dos Estados Unidos, com a Califórnia separada do continente e flutuando no Pacífico. A manchete: "Ilha Califórnia: mais popular do que nunca 62 anos depois do Grande Terremoto". E a Sports Illustrated daqui a um século: "O Inferno Congelou! Cubs Vence a Liga Mundial de 2105".
Essas falsas capas do futuro fazem parte de uma campanha de 3 anos e US$ 40 milhões da indústria de revistas para tentar convencer publicitários de que revistas, que existem nos Estados Unidos há quase 250 anos, provavelmente estarão aqui nos próximos 250, aconteça o que acontecer. Ao mesmo tempo, a indústria jornalística começou uma campanha multimilionária de 3 anos para melhorar a imagem para os anunciantes.
A Newspaper Association of America contratou a Martin Agency de Richmond, VA. - cujos clientes incluem United Parcel Service, Geico e Miller Beer - para ajudar a mudar a percepção de enfadonhos para contemporâneos dos jornais. A Magazine Publishers of America contratou a HotSpring, empresa especializada no desenvolvimento de marcas em Nova York, para ter idéias sobre como pode se reposicionar, e a agência de propaganda Fallon New York para atingir a indústria publicitária. Esta é a primeira vez que as revistas se unem num esforço de marketing de larga escala.
Não é segredo: os impressos se sentem mais ameaçados do que nunca. Os jornais e revistas podem ter reclamado quando o rádio e a televisão chegaram. Mas eles parecem estar em total pânico agora com a internet.
Com as campanhas de publicidade, os pobres e velhos impressos declaram "Já chega!", como disse John Kimball, chefe de marketing da Newspaper Association of America. "Lê-se coisas sobre a morte da indústria, que a internet está comendo nossas refeições, que todo mundo vê televisão, que a propaganda nacional está decaindo nas grandes metrópoles", ele afirma. "Mas o meio é muito forte. Há muitos anúncios nos jornais e não é porque as pessoas acham que estão fazendo caridade. Elas investem no meio porque dá resultado." Os jornais em geral são lucrativos, mas deixam Wall Street pouco entusiasmado. Um relatório da Goldman Sachs da semana passada alertou os investidores que "o fraco crescimento da receita publicitária, fracas receitas de circulação" e "uma tendência descendente em estimativas de lucro" reforçaram a "visão negativa" da indústria dos jornais. E revelações recentes de números inflados de circulação pioraram o clima para alguns anunciantes.
Earl C. Cox, executivo chefe da Martin Agency e líder da campanha de relações públicas dos jornais, disse que a atual percepção dos jornais entre os anunciantes era de que eles eram "estáticos, inflexíveis e difíceis de comprar". E, acrescentou, "não ajuda que os compradores da mídia sejam menores de 30 anos e seus focos estejam em outro lugar", principalmente na internet.
Lembrou que os jornais precisavam recontar sua história para lembrar aos anunciantes que tem leitores altamente engajados e influentes e que eles prestam atenção, diferentemente de alguns "olhos" que surfam pela internet.
Sua agência está para montar um plano estratégico até este verão, mas ele já tinha um conselho: no cartão de visita, em vez de "negócio de jornais" pé melhor usar "negócio de notícias". Tradução: o mundo dos jornais está muito antiqüado.
CONFIANÇA
As revistas estão em posição relativamente diferente. Elas parecem ter se recuperado da queda publicitária de alguns anos atrás. Páginas publicitárias na indústria em março aumentaram 1,2% em relação a março de 2004. No primeiro trimestre deste ano, apareceram 76 novas revistas. "A indústria de revistas está extremamente saudável", disse Jay Kirsch, vice-presidente da AdMedia Partners, consultores financeiros para revistas. "As semanais estão em situação difícil, mas as mensais, de estilo e segmentadas, vão muito bem."
Dos US$ 141 bilhões gastos em todo tipo de anúncio em 2004, cerca de 17% foram para revistas, segundo a TNS Media Intelligence. Os jornais ficaram com 20% disso; a televisão aberta, 18%; a televisão a cabo, 12%; e internet, 6%. A fatia dos jornais diminuiu, a das revistas estabilizou e a da internet cresce rapidamente. A Advertising Age previu na semana passada que as receitas publicitárias anuais de Google e Yahoo, juntas, equivaleriam às das três grandes emissoras de televisão, marcando o que é chamado de "grande momento" na evolução da internet.
"Eles são muito bons em expor produtos que os consumidores adoram, valorizam e confiam. Confiança é muito difícil encontrar estes dias", disse Jack Kliger, presidente e executivo-chefe da Hachette Filipacchi Media US, que publica Elle, Woman's Day e Car and Driver, entre outras. "Nós não temos sido muito bons em fazer o marketing de nossa mídia."
Os leitores de revistas, como os leitores dos jornais, estão altamente engajados. Segundo Kliger, uma pesquisa mostrou que, quando lêem revistas, as pessoas provavelmente não usam outro tipo de mídia. Quando assistem televisão, ouvem rádio ou esperam para baixar alguma coisa da internet, provavelmente ouvem, assistem ou lêem alguma coisa. É possível ainda que estejam zapeando entre vomerciais ou apagando pop-ups invasores. Mas, assegura, os leitores de revistas normalmente encaram os anúncios como reforço e parte da experiência da revista. "O engajamento melhora o retorno do nosso investimento", disse.
Nina Link, presidente do grupo de editores de revistas, disse que a campanha de marketing não quer denegrir a concorrência. "Somos honestos com as outras mídias no campo de batalha", disse ela. "Não dizemos para não anunciarem neles." Mas, afirma, "queremos uma parte maior da receita".
A idéia por trás das capas futuristas era mostrar aos anunciantes que seja quais forem os desastres naturais que possam ocorrer na Terra nos próximos 100 anos, as revistas sobreviverão.
Kliger disse que algumas revistas podem até a publicar capas futuristas atrás das capas verdadeuiras, só para reforçar a mensagem com leitores comuns - que talvez nem estejam preocupados com um mundo onde a clonagem será comum, as mulheres darão à luz aos 75 anos e o aquecimento global terá criado praias na Antártica. Katharine Q. Seelye - The New York Times - O Estado de São Paulo


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Cultura
MinC estuda proposta que altera a Lei Rouanet e reduz isenção fiscal
3/5/2005
Texto ainda pode ser alterado pelo governo
A proposta do Ministério da Cultura para mudar a Lei Rouanet, instrumento de isenção fiscal que estimula investimentos no setor, deve chegar à Casa Civil ainda nesta semana. As mudanças serão divididas em duas partes -um decreto a ser assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que passará a valer nas próximas semanas, e um projeto de lei que tramitará no Congresso Nacional.
O texto, em análise na secretaria-executiva do ministério, propõe mudanças importantes, como a alteração das regras para abate de custos dos institutos culturais de empresas patrocinadoras. Hoje, até 90% dos gastos de manutenção com os institutos são deduzidos do imposto de renda com base na lei. A idéia é diminuir o percentual. Da forma como deixou a Secretaria de Fomento à Cultura, o texto limitaria o abate em 15% -índice que pode sofrer alterações no ministério ou na Casa Civil.
A escala de dedução de impostos -que hoje é de apenas duas faixas, 30% ou 100%- deve ser flexibilizada. Mantendo os mesmo valores como base e teto, serão permitidas deduções intermediárias. O barateamento de ingressos é outro objetivo da nova legislação. Para isso, produtores de teatro poderão criar projetos em que serão os responsáveis pela bilheteria do espetáculo. O mesmo mecanismo deverá permitir isenção a empresas que comprarem parte da bilheteria.
Outra modificação prevista é a distribuição de recursos. O tópico é bastante polêmico e já foi alvo de protesto. Segundo o MinC, as distorções da lei permitiram, em anos anteriores, que apenas a região Sudeste recebesse 80% dos recursos. A proposta é aprofundar os mecanismos de avaliação de projetos dos artistas que buscam financiamento, com critérios que privilegiem iniciativas com nomes pouco conhecidos e voltados para segmentos pobres.
As mudanças deverão ainda ampliar os recursos para regiões como Norte e Centro-Oeste, que recebem poucos recursos. é estudada a criação de um teto para cada região -com percentuais diferentes, que respeite áreas com maior iniciativa cultural.
Além disso, há um esforço para fazer com que a nova lei ajude projetos que estão fora das grandes capitais a atrair parceiros. A nova roupagem da lei de incentivo cultural chega ao Planalto mais de um ano após a data inicialmente pretendida pelo MinC. O atraso se deu porque as propostas passaram por consulta pública. Ana Flor - Folha de São Paulo

Gil participa de fórum sobre patrocínios em SP
3/5/2005
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, integra uma das mesas do 1º Fórum de Cultura e Cidadania Corporativa, que será realizado hoje no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo. Gil deve falar sobre as mudanças das políticas de incentivo fiscal na legislação federal. No evento, serão debatidos ainda casos de patrocínio cultural ligados a grande empresas. Folha de São Paulo


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Programação de TV por Assinatura
Al Jazeera entra na Net em Brasília para hotéis
02/05/2005, 18h20
A Multipole anunciou que fechou com e a Net para a inclusão no line-up do canal árabe Al Jazeera em alguns hotéis de Brasília, que estarão hospedando os participantes da Cúpula América do Sul - Países Árabes. O evento acontece de 9 a 11 de maio, reunindo chefes de Estado, ministros e chanceleres de 34 países árabes e latino-americanos. Foram também convidadas duas mil pessoas para participar do evento, onde havéra discussões para tratar de temas como cooperação comercial, cultural, política e de ciência e tecnologia. A Al Jazeera tem sede no Catar, e tem se destacado em audiência nos píses de língua árabe com imagens e reportagens exclusivas das zonas de conflito - em especial, desde que houve as invasões do Iraque e Afeganistão. No mundo, o canal é distribuído via satélite para 35 milhões de domícilios.
No Brasil, América Latina e Caribe, o canal é distribuído pela Multipole Internacional para residências, embaixadas e consulados, em pacote com mais sete canais de origem árabe. Da Redação - PAY-TV News


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Política
Na estrada pela reforma agrária
3/5/2005
Mais de 10 mil sem-terra iniciam marcha para pressionar governo a acelerar programa. Rádios de pilha orientam os manifestantes
GOIÂNIA - Crianças de colo, deficientes e centenas de idosos engrossam a Marcha Nacional pela Reforma Agrária, que saiu ontem de Goiânia, rumo a Brasília. A manifestação é considerada dentro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) como a maior de sua história. São mais de 10 mil pessoas, orientadas por rádios de pilha sintonizados na rádio Brasil em Movimento, itinerante, que funciona em um caminhão.
O asfalto quente não impede que vários manifestantes marchem descalços. Eles vieram de 23 Estados em ônibus fretados. A sem-terra Maria Aparecida mora em Itaquiraí (MS) e diz que não hesitou em levar os filhos para a marcha em Goiânia, incluindo a pequena Rafaela, de 8 meses. Ela percorreu a marcha em um carrinho de bebê.
O paraplégico Josélio de Sousa, de 28 anos - acampado na Fazenda Maísa - gastou três dias de ônibus entre Mossoró (RN) e Goiânia para participar da marcha com seu carrinho, que ele move com a mão. Josélio diz que mora sob uma barraca de lona e espera o assentamento definitivo para ele e os quatro irmãos.
- Vim para dar um exemplo de luta em favor da reforma agrária. Quero pedir ao Lula para ajudar mais os pobres - diz Josélio.
O estudante Felipe Alves da Silva, de 13 anos, participa de uma marcha pela primeira vez. Com o rosto suado, diz que a família deixou os acampamentos da região do alto Araguaia em Goiás para engrossar o movimento. Ontem, Felipe percorreu a pé os primeiros 16,5 quilômetros.
- Vou pedir a Lula para arrumar as estradas e os colégios - diz.
A expectativa de vários idosos que estão na marcha é ver Lula de perto e entregar alguma mensagem. Diabética e com problemas na coluna, Rute Gomes de Oliveira, 60 anos, marchou todo o percurso de ontem, junto com o marido, Laurindo Gomes, de 67 anos, e o neto, Maxuel, de 14 anos. O casal mora no assentamento Canudos, em Palmeira de Goiás.
- O Lula tem de criar mais coragem para fazer a reforma agrária. Estaremos lá em Brasília para dar força a ele. Se a gente não der esse impulso, ele vai cair - acredita.
Laurindo diz ter recebido um lote na reforma agrária há seis anos, mas não teve acesso a todos os financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Além disso, afirma ele, a energia elétrica só agora vem sendo instalada no assentamento, o que impedia a utilização de maquinário.
- O Brasil é o país da escravidão, do latifúndio e da repressão.
Além da rádio itinerante - que no seu primeiro dia teve falhas de transmissão - o MST montou uma estrutura tecnológica, que inclui câmeras digitais para registrar a marcha. Os radinhos de pilha e os fones de ouvido foram emprestados pela organização do Fórum Social Mundial e serão devolvidos após a marcha. Além da Polícia Rodoviária Federal, a segurança do percurso é feita por homens do MST, que circulam de moto. Uma ambulância socorre os que passam mal.
O MST também reforçou a segurança interna do movimento. Cada bloco de sem-terra tem um coordenador e um segurança, tudo para evitar infiltrações. Os sem-terra só dão entrevistas quando autorizados pelo movimento. Muitos manifestantes marcham com guarda-chuva e chapéu de palha. A marcha foi planejada durante um ano e as despesas com comida e transporte foram pagas pelos assentados.
A marcha chega em Brasília dia 17. Até lá, 60 manifestantes estarão mobilizando organizações não governamentais, sindicatos e representações de estudantes para a recepção da marcha no centro de Brasília. Em 1997, o MST conseguiu reunir mais de 100 mil na capital, com uma marcha composta por pouco mais de 1,3 mil pessoas. Desta vez, o movimento não tem estimativas do número de pessoas que poderão recepcionar a marcha. Hugo Marques - Jornal do Brasil

Indústria deve se preparar para os chineses
3/5/2005
Na comemoração do aniversário do jornal, Lula diz que empresários precisam parar de chorar
O governo negociará "politicamente" com a China maneiras de minimizar o impacto, sobre a indústria brasileira, da entrada dos produtos chineses no país, mas os empresários devem se preparar para a concorrência, em vez de "ficar chorando", disse ao Valor o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após discursar para dezenas de empresários, durante as comemorações do aniversário de cinco anos do jornal.
"Se a gente conhece o potencial de produção dos chineses, eles vêm forte, e nós, em vez de ficarmos chorando, temos de nos preparar", disse Lula, em um discurso de improviso. No final, após defender prioridades do governo, como o biodiesel, foi aplaudido de pé pelo público, no auditório da Fiesp.
"Vamos procurar novos mercados; porque, de repente, eu vejo gente querendo que o (ministro da Fazenda, Antonio) Palocci determine o valor do dólar", disse o presidente. Ele comemorou os dados recém-informados, por telefone, pelo ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, segundo os quais as exportações brasileiras já somam US$ 104 bilhões no período de 12 meses, e o saldo do comércio exterior supera US$ 37 bilhões.
Lula levou, para as comemorações do aniversário do Valor, seis ministros: Antonio Palocci, da Fazenda, José Dirceu, da Casa Civil, Dilma Rousseff, das Minas e Energia, Eunício de Oliveira, das Comunicações, Márcio Thomaz Bastos, da Justiça, e Roberto Rodrigues, da Agricultura, além do presidente do BNDES, Guido Mantega.
O presidente do Senado, Renan Calheiros, também participou da cerimônia, ao lado do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o presidente do grupo Folha/UOL, Luís Frias, e o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, que falaram sobre o jornal para uma platéia de cerca de 500 empresários e executivos de instituições financeiras.
A menção, por Frias e Marinho, do nome do primeiro diretor de redação do Valor, Celso Pinto, afastado por motivo de doença, provocou aplausos dos presentes.
Após os discursos em que o ministro Palocci fez um balanço dos resultados e prioridades do governo em matéria de política econômica, e o ministro José Dirceu, falou da estratégia para os próximos anos, Lula enfatizou a prioridade concedida às obras da Transnordestina e da ferrovia Norte-Sul, e afirmou que vai "jogar pesado" para evitar que a Previdência se transforme em "bolsão de prejuízo". O presidente repetiu o compromisso de manter o aperto nas contas orçamentárias. "O Brasil não pode jogar fora essa chance; temos de sair do patamar de economia emergente."
Lula sugeriu que se comparassem as notícias publicadas há cinco anos nas primeiras edições do Valor com as atuais, para se verificar os avanços na situação macroeconômica do país. Sem citar nomes, criticou seus antecessores José Sarney e Fernando Henrique Cardoso que, por causa de eleições, teriam adiado ajustes necessários no Plano Cruzado e na cotação do câmbio durante o Plano Real. "As coisas estão mudando de forma definitiva", disse, assegurando que seu governo não modificará a política econômica por causa das eleições. "Não se pode brincar com economia", recitou. O governo aumentou juros a 15 dias das eleições para a Prefeitura de São Paulo, lembrou. "Normalmente, os governos esticam a corda até passar a eleição e ela estoura nos mais pobres."
Lula dedicou boa parte do discurso a falar de política externa. Ele citou o aumento de 48% no comércio com a África, de 64% com o Oriente Médio e de 50% com a América do Sul para defender a decisão de explorar novos mercados para as exportações brasileiras.
O presidente afirmou que a União Européia tende a dar prioridade para os 15 novos sócios egressos do Leste Europeu e aproveitou para tentar desfazer as impressões causadas por suas declarações anteriores, de que seu governo "tirou de pauta" as discussões sobre a Alca. "Tiramos a carga ideológica muito grande que estava na Alca", argumentou. "Se era a favor, era subserviente, se, até a partir de posições da Fiesp, não concordava com a Alca como estava, era xiita, antiimperialista." O Brasil não quer "afrontar" os EUA, disse, apenas lidar com o país em pé de igualdade.
Bem-humorado, despertou risos ao lembrar que passou "parte da vida gritando" contra o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Saímos pela porta da frente, sem gritaria", disse Lula, e lembrou que participou das eleições para a direção do FMI. "Veja que evolução", ironizou.
O discurso contra o levantamento de barreiras para produtos chineses foi, porém, o que mais impressionou os empresários - alguns chegaram a comentar, sarcásticos, que Lula teria estimulado as importações da China. A maior abertura para a China é conseqüência da decisão, tomada na rodada Uruguai da OMC, há 11 anos, de extinguir, em 2005, as cotas para produtos têxteis, lembrou Lula. "Com os chineses não temos problemas, essa é minha opinião", disse, após o discurso, para o Valor. "A China é parceiro importante, temos condição de conversar com eles, fazer ajustes que têm de ser feitos", afirmou. "Já briguei muito na vida, hoje sou mais chegado a um bom acordo que a uma demanda".
Skaf, que assistiu à conversa com o Valor, disse que procurará o presidente para explicar que a competição chinesa é desleal por embutir sobredesvalorização do câmbio de 30%. "E eles pirateiam produtos", comentou, irritado. Sergio Leo - Valor Econômico


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Imprensa & Jornalismo
Queda na circulação de jornais continua forte
2/5/2005
Segundo reportagem de The Wall Street Journal, levantamento nos Estados Unidos mostra que a indústria de jornais sofre com aumento na queda de exemplares vendidos
A indústria de jornais nos Estados Unidos, que já sofre com problemas de circulação, pode se deparar com seus piores números em uma década. Levantamento da Audit Bureau of Circulations, que será divulgado hoje (2/5), mostrará um declínio de até 3% no número de exemplares vendidos. Caso se confirme, será a pior fase para os veículos diários desde a redução de 2,6% em assinaturas entre 1990 e 1991, segundo reportagem de The Wall Street Journal.
Os maiores grupos editoriais são os que devem mostrar as maiores perdas. O Gannett Co., que detém cerca de 100 jornais, e o Tribune Co.'s Los Angeles Times já anunciaram previsões negativas acima da projeção média do mercado. A companhia Belo Corp.'s Dallas Morning News prevê uma redução de 13% na circulação de domingo. Todas as estimativas correspondem ao período de seis meses encerrados em março.
The Wall Street Journal, publicado pelo grupo Dow Jones & Co., projeta um declínio de 0,8% na circulação total entre outubro do ano passado e março, o que representa 2,07 milhões de exemplares a menos..
A redução na venda de jornais está alimentando a urgência de uma discussão sobre as tendências da indústria americana. A dúvida é se a queda pode ser estancada em plena era digital, em um momento em executivos do setor se vêem forçados a repensar as estratégias tradicionais.
Mais do que simplesmente tentar interromper a queda, que poderia ser facilmente revertida com descontos nas assianturas e outras promoções, os executivos estão sendo forçados a gerenciar a circulação de formas inusitadas. Algumas editoras estão deliberadamente cortando os números da circulação na esperança de salientar aos anunciantes a qualidade dos seus assinantes. Outras empresas buscam novos mercado para reduzir as perdas nos seus mercados prioritários. E outras estão mudando para o formato tablóide ou distribuindo exemplares gratuitamente para atrair leitores mais jovens.
As perdas vêm em um momento em que os americanos dispõem de diversas fontes alternativas de informação que não existiam há 20 anos, como TV por assinatura, sites de notícias e alertas no telefone celular. Muitos jornais mantêm sites na internet com a maior parte do que oferecem no jornal impresso. Acredita-se que "os sites não impactem o conjunto de assinantes mas podem afetar de alguma forma a 'audiência do jornal pago'", segundo The Wall Street Journal. Portal Exame

Entidades defendem liberdade de imprensa
3/5/2005
A defesa de um jornalismo livre e ético marcou todas as palestras do IV Encontro Regional sobre Liberdade de Imprensa, realizado ontem no Rio de Janeiro. O tema do encontro, que visa a divulgar a Rede de Defesa da Liberdade de Imprensa em todo o país, foi "As responsabilidades e os interesses dos jornalistas e das fontes". A rede é uma iniciativa da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
Jornalismo vinculado aos interesses do cidadão
Fernando Martins, diretor executivo da ANJ, representou o presidente da entidade, Nelson Sirotsky, lendo um discurso em que este afirma que a associação "defende um jornalismo cada vez mais vinculado aos interesses objetivos do cidadão. Um jornalismo que não pretende denunciar problemas, mas apontar soluções e mobilizar a sociedade na busca destas soluções". Durante o evento, a associação divulgou nota condenando a iniciativa do governo da Venezuela de criar uma lei que controla conteúdos, horários e programas de rádio e televisão. A ANJ também condenou a prisão da jornalista Patrícia Poleo, editora do "El Nuevo País", jornal de oposição ao governo de Hugo Chávez.
- São exemplos lamentáveis, que provocam temor e justificam nossa permanente vigilância contra toda e qualquer ação que vá contra o sagrado direito do cidadão de ser informado livremente - disse Martins.
O representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein, adiantou a mensagem do diretor-geral da organização, Koichiro Matsuura, a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, comemorado hoje. "Os meios de comunicação independentes, livres e pluralistas têm papel fundamental no bom governo das sociedades democráticas, assegurando transparência e responsabilidade", diz a nota.
Em seu discurso, Werthein citou Rui Barbosa:
- Um país de imprensa degenerada ou degenerescente é, portanto, um país cego e um país miasmado, um país de idéias falsas e sentimentos pervertidos, um país que, explorado na sua consciência, não poderá lutar com os vícios que lhe exploram as instituições.
Jornalista do GLOBO e um dos responsáveis pela criação da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), da qual é vice-presidente, Chico Otavio alertou, em sua palestra, para o perigo que representa para a liberdade de imprensa a chamada indústria do dano moral. Se é um direito de qualquer cidadão buscar na Justiça o reparo pelo dano causado à sua imagem pela mídia, "o que está acontecendo hoje, no Brasil, é o uso abusivo deste direito".
O vice-governador do Estado do Rio, Luiz Paulo Conde, representou a governadora Rosinha Garotinho. Ele enumerou questões sobre a responsabilidade do jornalista e saudou a criação da Abraji:
- O ideal é que todos os jornalistas fossem investigativos - disse Conde.
O encontro foi realizado pela ANJ e pela Unesco, com apoio dos jornais "Folha Dirigida", "Jornal do Commercio", "O Dia" e O GLOBO. A mesa de abertura contou com as presenças de Fernando Martins; Jorge Werthein; Luiz Paulo Conde; Patrícia Mosé, secretaria extraordinária de Imprensa do governo do Espírito Santo; Afonso Faria, diretor de promoções e relações externas do Grupo Folha Dirigida; Jairo Paraguassú, diretor comercial do "Jornal do Commercio"; Alexandre Freeland, editor-chefe de "O Dia"; e José Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo.
Chico Otavio mediou um debate entre Carlos Alberto di Franco, diretor do master em jornalismo da Universidade de Navarra, na Espanha; Alexandre Freeland; o desembargador Luis Felipe Salomão, presidente da Escola Nacional de Magistratura; e Lucianne Carneiro, repórter de economia do "Jornal do Commercio". O debate contou com perguntas da platéia.
O próximo evento da Rede em Defesa da Liberdade de Imprensa será no dia 8 do mês que vem, em Brasília. O site da rede é www.liberdadedeimprensa.org.br O Globo

Rio debate a liberdade de imprensa
2/5/2005, 17h34
IV Encontro Regional sobre Liberdade de Imprensa acontece nesta segunda-feira, dia 2 de maio
As responsabilidades e os interesses dos jornalistas e das fontes será o tema do IV Encontro Regional sobre Liberdade de Imprensa, que a Associação Nacional de Jornais (ANJ), com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), realiza nesta segunda-feira, dia 2, a partir das 18h, no Rio de Janeiro.
O evento dá seqüência à série de encontros que a ANJ vem promovendo desde o início do ano com o objetivo de debater temas relacionados ao exercício do jornalismo e divulgar a Rede em Defesa da Liberdade de Imprensa que monitora e divulga casos contra a liberdade de imprensa no País.
Chico Otávio, repórter especial de O Globo e vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, será o palestrante. Alexandre Freeland, editor chefe de O Dia; Carlos Alberto di Franco, diretor do Master em Jornalismo da Universidade de Navarra (Espanha); Luis Felipe Salomão, presidente da Escola Nacional de Magistratura; e Luciane Carneiro, repórter de economia do Jornal do Comércio, estarão mediando o debate. O evento é gratuito e será aberto pelo representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein, e o presidente da ANJ, Nelson Sirotsky.
"Direito à Informação x Privacidade" e "Acesso à Informação Pública" foram os temas debatidos anteriormente nos eventos da Rede em Defesa da Liberdade de Imprensa. A série de encontros será encerrada em Brasília, dia 8 de junho, com um balanço dos debates efetuados ao longo do processo de divulgação da Rede. MMOnline

Jornal 'Valor' comemora cinco anos
3/5/2005
A festa de cinco anos do jornal "Valor Econômico" reuniu ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ministros José Dirceu (Casa Civil), Antonio Palocci (Fazenda), Dilma Rousseff (Minas e Energia), Roberto Rodrigues (Agricultura), Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e Eunício Gomes (Comunicações), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além de parlamentares e empresários na Fiesp.
Lula conclamou a platéia a comparar as edições do "Valor" de 2000 com as atuais. Segundo ele, o jornal é um espelho das mudanças provocadas por seu governo na economia.
Segundo o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, o jornal se consolidou no mercado editorial:
- O "Valor" é reconhecido como o principal jornal de economia do país e o mais influente entre os empresários.
O jornal é uma parceria entre as Organizações Globo e o Grupo Folha.
- O "Valor" é fruto da convivência exemplar entre parceiros que apostam no Brasil, apesar das dificuldades e vicissitudes que os empresários bem conhecem - afirmou o diretor-presidente do Grupo Folha, Luís Frias. O Globo

Vai falar
3/5/2005
Slimane Zeghidour, da TV5, está no Brasil para entrevistar o presidente Lula. A conversa será veiculada em três mídias internacionais francesas: a TV5, a RFI (rádio) e a revista "Paris Match". Patrícia Kogut - O Globo

Tomou gosto
3/5/2005
Depois de enfrentar sem sobressaltos sua primeira coletiva, Lula fala amanhã à "Paris-Match", à TV-5 e à Rádio França Internacional. Luiz Gushiken e André Singer levaram ao presidente uma proposta de entrevistas a veículos que ainda não tiveram exclusiva com o petista. Painel - Folha de São Paulo

1º de Maio é dia de luta
2/5/2005, 17h47
Federação denuncia precarização e desemprego, e chama a atenção para a necessidade de valorização da profissão de jornalista. "Para a FENAJ, o dia do trabalhador pode e deve ser festejado, mas sem perder a perspectiva da mobilização e da luta".
É no mínimo estranha, pra não dizer condenável, a comemoração do dia do trabalhador patrocinada pelas duas principais centrais sindicais. A Força Sindical fez um ato-show, com farta distribuição de prêmios e manifestações de oposição, abrindo espaço inclusive para uma fala estapafúrdia do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti. A Central Única do Trabalhadores, a qual a FENAJ é filiada, também apelou para missas e shows, buscando atrair público e a atenção da imprensa. A presença de ministros no palanque acaba por reforçar as críticas de atrelamento da principal Central Sindical. Além disso, o último programa de TV da CUT, o Repercut, trouxe uma entrevista exclusiva com o presidente Lula. Além do tom oficialesco, a entrevista foi realizada pelo presidente da Central, Luiz Marinho, em um claro desrespeito à legislação profissional dos jornalistas.
Em função dos constantes ataques que a profissão tem sofrido em nosso país, a FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas de todo o Brasil, neste momento, realizam uma campanha nacional que visa chamar a atenção da sociedade brasileira para a necessidade imperiosa de valorizar a profissão e o jornalista.
Temos a convicção de que este objetivo passa pela valorização de todos os trabalhadores, a partir de políticas de defesa dos direitos trabalhistas e da garantia de condições de trabalho adequadas, que incluam emprego, salários dignos, proteção à saúde e relações respeitosas no trabalho. Especificamente, denunciamos o drama do desemprego, ao qual as empresas de comunicação continuam insensíveis, e as formas de precarização das relações de trabalho em todo o Brasil. Para a FENAJ, o dia do trabalhador pode e deve ser festejado, mas sem perder a perspectiva da mobilização e da luta.
A Diretoria - Boletim Fenaj

Regulamentação, reforma universitária e fiscalização mobilizam a categoria
2/5/2005, 17h45
Para a FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas, nossa categoria tem, em 2005, uma responsabilidade inadiável: intensificar a luta pela valorização de nossa atividade, consolidar uma conquista de décadas que vem sendo ameaçada nos últimos anos - a regulamentação profissional - e avançar na construção de instrumentos de proteção da sociedade em seu direito à informação, com vistas a um jornalismo sério e ético.
Inserem-se nesta perspectiva a Campanha em Defesa do Diploma e da Regulamentação Profissional, o debate nacional da reforma universitária, a criação do CFJ e a fiscalização e combate às inúmeras irregularidades que ainda identificamos no exercício da atividade jornalística no país.
Este movimento já está em curso, como se pode perceber abaixo. A FENAJ convoca especialmente os profissionais, professores e estudantes de jornalismo, bem como toda a sociedade, a engajarem-se e fortalecerem esta luta.
Estados preparam seminários locais sobre a reforma universitária
Seguindo as orientações da FENAJ, FNPJ e SBPJor, os Sindicatos mais os diretores das três entidades nos estados já estão programando os seminários locais para debater o impacto da reforma universitária no campo do jornalismo. Estes seminários, que podem ser estaduais ou locais, devem envolver professores, estudantes, pesquisadores e profissionais do jornalismo, e são preparatórios a um Seminário Nacional, marcado para o dia 11 de agosto, em Brasília.
Estas promoções estaduais terão como base o documento conjunto da FENAJ- Federação Nacional dos Jornalistas, FNPJ- Fórum Nacional de Professores de Jornalismo e SBPJor- Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo já entregue ao MEC, intitulado "Contribuições do campo do Jornalismo ao debate sobre o Anteprojeto da Lei de Educação Superior". E para sua organização, também vêm sendo chamadas as entidades dos estudantes: a ENECOS a nível nacional e os Centros Acadêmicos dos Cursos de Jornalismo.
As entidades tomaram a decisão porque estão preocupadas com diversos pontos da reforma universitária que vão trazer prejuízos não só à formação específica em jornalismo como, por conseqüência, ao próprio exercício profissional. Isto porque ao modificarem a formação, repercutem diretamente, entre outros exemplos, na regulamentação profissional dos jornalistas.
Para organizar os seminários locais, os Sindicatos devem se unir aos dirigentes da FENAJ, FNPJ e SBPJor em cada estado. Uma comissão indicada pelas entidades está com a responsabilidade de organizar nacionalmente este trabalho conjunto. Integram a comissão: Suzana Tatagiba (Depto de Educação da FENAJ), Edson Spenthof (diretor do FNPJ) e Elias Machado (presidente da SBPJor). Através de circular, a diretora Suzana Tatagiba já encaminhou orientações a todos os Sindicatos e diretores da Federação.
Santa Catarina marca debate para dia 9 de maio
Em Santa Catarina, os diretores do Sindicato, FENAJ, FNPJ, SBPJor se uniram aos professores e estudantes da UFSC para organizar a promoção e marcaram o Seminário para a próxima segunda-feira, dia 9, às 17 horas, no auditório da FECESC, na Avenida Mauro Ramos, 1624. Estão convidados, para compor a mesa de debates, os coordenadores dos 12 Cursos de Jornalismo de SC, representantes dos alunos, os presidentes da FENAJ, Sérgio Murillo, SBPJor, Elias Machado, e do Sindicato, Luis Fernando Assunção, além da diretora regional sul do FNPJ e também da Federação, Valci Zuculoto. Com todas as entidades e universidades empenhadas em convocar o debate, os dirigentes acreditam que será grande a participação dos professores, estudantes e profissionais.
Próximo Dia Nacional de Luta em Defesa da Formação será em 7 de junho
A Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma e da Regulamentação Profissional decidiu marcar a data na sua última telereunião e já começou os preparativos para que todos os Sindicatos promovam mais este Dia Nacional de Luta. Em breve, todas as entidades vão receber, da FENAJ, as sugestões de atividades para realizar no dia 7 de junho, além de materiais como cartazes e camisetas. Os Sindicatos também serão chamados a indicar um representante para compor a Comissão Nacional que trabalhará em conjunto com a Coordenação no desenvolvimento da terceira fase da Campanha em Defesa da Formação e Regulamentação Profissional. A Coordenação é formada por Valci Zuculoto e Suzana Tatagiba, ambas diretoras da FENAJ, e pelos diretores de Sindicato Rudinaldo Gonçalves (São Paulo), Adriana Santiago (Ceará), Aurélio Munhoz (Paraná) e Ranny Amorés (Pará).
Sinjor e DRT/RO combatem o exercício irregular da profissão
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Rondônia realizou, no dia 25 de abril, uma reunião com representantes da Delegacia Regional do Trabalho (DRT/RO), onde foram abordados o exercício ilegal da profissão, procedimentos de fiscalização e concessão de registros de jornalista. Além de acertarem procedimentos conjuntos, o Sinjor/RO e a DRT agendaram nova reunião de acompanhamento das atuações conjuntas para o dia 06 de junho.
Entre os principais assuntos tratados na reunião estão a fiscalização do cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho, revisão dos registros precários, averiguação de contratos de prestação de serviços e free-lancer, ausência de contratos de trabalho em vínculo habitual e remunerado (free-lancer fixo) e esclarecimentos às empresas jornalísticas quanto a legislação da profissão.
Neste ano o Sinjor já protocolou mais de 50 denúncias de exercício irregular da profissão na DRT. O responsável pelo setor de fiscalização da DRT, Vilmo Alves, assegurou que o órgão disponibilizará um fiscal para atender a demanda que o Sinjor apresenta. Já o responsável pelo setor de Emprego e Salário da DRT, Aécio Almeida Guimarães, disse que "a instituição possui como prática a consulta ao sindicato para conceder novos registros profissionais de jornalista e que este estreitamento de relações é benéfico tanto para o órgão de classe, Sinjor, quanto para a delegacia".
O presidente do Sinjor, Marcos Grützmacher, solicitou que no processo fiscalizatório seja dada prioridade a alguns veículos como sites noticiosos e programas de rádio e TV em horário locado. Boletim Fenaj


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Informática
Disputas internas
3/5/2005
O projeto do computador popular, que visa oferecer aos consumidores de baixa renda computadores com preços acessíveis e financiamento facilitado, está dividindo o governo e acirrando os debates sobre a adoção do software livre.
De um lado está a turma capitaneada pelo presidente do ITI, Sérgio Amadeu, que defende assiduamente o Linux como único sistema do computador popular e a exclusão total de empresas como a Microsoft do mercado brasileiro.
Os do contra
Já o outro grupo, que é contra a restrição do uso de softwares proprietários, é liderado pelo ministro Furlan, que afirma ser inadmissível discriminar programas licenciados como o Windows, o Word e o Excel. Isso porque o Brasil tem um expressivo número de pequenas e médias empresas com amplo potencial para exportação de programas de computador.
O boicote à venda de licenças, padrão em todo o mundo, seria um empecilho para potencializar nossa exportação tecnológica. É por isso que muitos andam dizendo que a disputa real está entre a ideologia e a economia. Gilberto Amaral - Jornal do Brasil

MS prepara sua festa para os 64 bits
3/5/2005
Caros leitores: depois de certa calmaria no que diz respeito a lançamentos de hardware e software, parece que teremos várias novidades em 2005 e 2006. Pelo menos esta é a minha opinião depois de ter participado do Intel Developers Fórum (IDF), no mês passado, e também da WinHEC (Windows Hardware Engeneering Conference) que ocorreu semana passada.
Como vocês devem ter acompanhado pela cobertura do InfoEtc , durante o IDF a Intel apresentou seus processadores multicore (vários núcleos) e também compatíveis com a tecnologia de 64 bits. É bom lembrar que esta tecnologia de 64 bits que a Intel está adotando não é nova, pois já fora lançada pela AMD com o Athlon64. Ou seja, as duas principais fabricantes de processadores para PCs sinalizam que computadores com 64 bits estarão presentes na mesa do usuário doméstico antes do eu se imaginava.
E o Windows, quem diria, chega aos 20 anos...
Mas nada adianta termos processadores com vários núcleos e 64 bits se o sistema operacional e também os aplicativos não estiverem preparados para estas tecnologias. E durante sua palestra de abertura da WinHEC, Bill Gates mostrou que a Microsoft está trabalhando como nunca para aproveitar as possibilidades que os novos processadores, tanto da Intel quanto da AMD, podem oferecer.
Gates começou lembrando que o Windows completa 20 anos em 2005 e que está ficando cada vez melhor. Em 1995 a Microsoft lançou o Windows 95, primeiro sistema de 32 bits da companhia para o usuário final (já existia o Windows NT, mas ele era usado quase exclusivamente em empresas). Agora em 2005 a Microsoft está lançando oficialmente o Windows XP 64-bit edition um sistema operacional de 64 bits para usuário final/avançado. Será que em 2015 teremos um sistema de 128 bits? Vamos ver como as coisas caminham até lá...
Mas quais as vantagens de um sistema de 64 bits sobre os atuais sistemas de 32 bits? É um pouco difícil resumir, mas, em minha opinião as principais vantagens são: 1) melhoria no desempenho; 2) suporte à grandes quantidades de memória; 3) maior confiabilidade; 4) melhor plataforma para desenvolvimento de aplicativos.
No campo dos servidores as aplicações que ganharão mais com a migração para 64 bits serão: Banco de dados, Terminal Services, Aplicações corporativas, etc. Já na área desktop, aplicações ligadas à engenharia, Jogos 3D, Edição de vídeo, entre outras serão as principais beneficiadas.
Com o lançamento da linha de sistemas de 64 bits este ano a Microsoft pretende aproveitar para ganhar experiência que será usada em seu próximo sistema operacional, por enquanto com o já famoso nome código de Longhorn. É bom lembrar que a empresa não vai abandonar os 32 bits de uma hora para outra. O desafio é criar um sistema operacional de 64 bits que ainda rode aplicações de 32 sem perda de desempenho. Em 2005 a Microsoft deverá lançar versões de 64 bits de vários de seus produtos tais como: SQL Server 2005, Visual Studio 2005, Commerce Server 2005, etc. Em 2006, já preparando a chegada do Longhorn, deverão estar no mercado Virtual Server e afins.
Aliás, Bill Gates passou boa parte de sua palestra promovendo o Longhorn. O sistema será lançado com versões de 32 e 64 bits. Claro que as máquinas que trabalharem com o Longhorn 64 bits terão vantagens sobre as que só usarem o Longhorn 32 bits, mas a Microsoft não pode simplesmente abandonar os usuários com processadores de 32 bits (ainda bem!). Existem até planos para um Longhorn Starter Edition que seria usado em computadores mais simples.
Promessas, promessas... Promessas não faltam
Pelo WinHEC já deu para perceber que o produto desde a última versão que eu testei (há quase um ano). Entre maio e junho próximos será disponibilizada a primeira versão beta de teste. Após o PDC (Professional Developers Conference) sairá a beta2. O produto final tem lançamento previsto para 2006, mesmo que para isso algumas características planejadas a tempos não estejam presentes na primeira versão (como o Windows File System, por exemplo). Segundo a Microsoft estas características poderão ser acrescentadas através de Service Packs assim que estiverem prontas.
Ficou bem claro também que o Longhorn terá como base os seguintes pontos: sistema estável e fácil de usar; segurança; sistema fácil de instalar e gerenciar; melhor sistema para servidor.
Uma coisa é certa: a Microsoft aposta todas as fichas no Longhorn como sendo o sistema operacional para PCs a ser usado nos próximos dez anos. Se isso vai realmente acontecer, só o tempo dirá. Abel Alves - O Globo

Apoio da Unesco ao software livre ajuda na distribuição de riqueza, diz diretor do ITI
2/5/2005, 18h38
Brasília - O apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) ao software livre auxilia o compartilhamento de conhecimento tecnológico e a distribuição de riqueza e poder. "Você passa a ter uma sociedade da informação que não é só para aqueles que sempre se beneficiaram das inovações, mas que pode beneficiar o conjunto dos povos", disse o diretor-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), Sérgio Amadeu.
A Unesco e o ITI lançaram na semana passada a II Conferência Latino-americana e do Caribe sobre Desenvolvimento e Uso do Software Livre (LACFREE 2005), com o objetivo de promover o intercâmbio de experiências na aplicação de software de código aberto em benefício do desenvolvimento econômico e social. O evento irá ocorrer de 28 de setembro a primeiro de outubro desse ano, em Recife, Pernambuco.
A coordenadora de Comunicações e Informação da Unesco no Brasil, Maria Inês Bastos, disse que o software livre facilita ações de inclusão digital, já que seu custo em relação ao software proprietário é bem menor. "Achamos que o apóio ao software livre irá contribuir para a realização do mandato da Unesco nessa área de livre trânsito de informação de dados".
O coordenador de Tecnologia da Informação da Unesco, Mercosul e Chile, Gunther Cyranek, elogiou a presença da Conferência no Brasil. "É um sucesso e uma janela para o Brasil desenvolver o software livre", afirmou Cyranek.
De acordo com Amadeu, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para uma política tecnológica voltada para a implementação do software livre, abrindo espaço para outras empresas e negando a possibilidade de monopólio. Entretanto, segundo lembrou, existe uma solicitação para que seja formalizada a política de software livre em decreto, tornando norma de compra e venda. De acordo com a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), integrante da Frente Mista do Congresso Nacional, já existe uma determinação política para acabar com o envio de divisas para o exterior por conta do software proprietário. Alguns ministérios, por conta disso, já abandonaram o software proprietário, disse. Danielle Coimbra - Portal da Cidadania - Agência Brasil


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Internet
Mensagem instantânea ganha força
3/5/2005
Os links patrocinados não são a única ferramenta que ganha destaque na web frente a formatos mais tradicionais de anúncio on-line, como o banner e o pop-up. Muitas companhias, agora, estão investindo para vincular sua marca aos serviços de mensagem instantânea, como o MSN Messenger, da Microsoft e o ICQ, da America Online (AOL).
Na prática, esses sistemas baseiam-se em um software que permite a troca de mensagens em tempo real, incluindo versões que tornam possível um interlocutor ver o outro, no caso de ambos terem uma câmara conectada ao microcomputador.
No Brasil, a Coca-Cola optou por incluir na versão mais recente do MSN uma série de imagens, os emoticons, que passaram a ser trocados pelos usuários do sistema. A Claro, em vez de usar o espaço para anúncios ou ofertas, preferiu oferecer um jogo on-line aos internautas. Foi o mesmo caminho seguido pela Volkswagen, que também colocou um game no ar.
O que todas essas empresas buscam é aproveitar a evolução dos serviços de mensagem instantânea, que estão entre as áreas de mais rápido crescimento na internet. Segundo o instituto de pesquisa Ibope/NetRatings, os sites de comunidade e de e-mail já respondem por mais de 30% do tempo total que as pessoas passam navegando na web.
No fim do ano passado, os sites de comunidade respondiam por 19,5% do tempo de uso, enquanto os de correio eletrônico ficavam com 12,4%. Só para comparar, os sites de notícia ficaram com 3%.
"A internet deixou de ser simplesmente um meio de acesso a conteúdo para se tornar uma ferramenta de relacionamento social e de prestação de serviços", diz Marcelo Coutinho, diretor executivo do Ibope Inteligência.
Entre janeiro de 2004 e março deste ano, o número de usuários do MSN Messenger saltou de 4 milhões para 6,5 milhões de pessoas somente no Brasil. "Isso significa que alcançamos quase 60% de todos internautas com acesso em casa", diz Osvaldo Barbosa de Oliveira, diretor geral do MSN, braço de internet da Microsoft. Prova da popularidade da tecnologia, no mundo a base de usuários reúne 165 milhões de usuários. JLR - Valor Econômico

Receita autoriza provedores de Internet a recolher impostos pelo Simples
2/5/2005
Os provedores de acesso à Internet, agora, podem optar pelo Simples (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte) para pagar os tributos federais. Pelo Simples, a empresa recolhe em uma única guia todos os tributos federais e paga uma alíquota média de 6%. Fora do Simples, a carga tributária supera os 15%. A A permissão para que os provedores optem pelo Simples foi dada por meio ato declaratório da Receita Federal, publicado no último dia 26 no Diário Oficial. Segundo o ato, "pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que preste serviços de provedor de acesso à Internet uma vez que essa atividade não demanda, diretamente, conhecimentos de analista de sistemas ou programador". Vale ressaltar que o setor de informática vêm reivindicamento, há algum tempo, o direito de optar pelo Simples, mas sem sucesso. Cristiana Nepomuceno - Telecom Online

Comissão sobre Internet define roteiro de trabalho
2/5/2005, 10h56
A comissão especial que analisa o Projeto de Lei 5403/01 realiza reunião amanhã para definir o roteiro de trabalho, eleger os vice-presidentes e discutir a realização das primeiras audiência públicas. A proposta torna obrigatório o arquivamento por um ano, pelos provedores de Internet, do histórico de acessos de seus usuários.
Entre os requerimentos para a realização de audiência pública estão dois do deputado Marcos Abramo (PFL-SP) para que sejam convidados para debater a proposta representantes de sites de combate a pedofilia e de provedores de acesso à Internet.
A comissão sobre Internet foi instalada no mês passado. Seu presidente é o deputado Gastão Vieira (PMDB-MA) e seu primeiro vice-presidente, o deputado Reginaldo Germano (PP-BA).
A reunião está marcada para 15 horas. O plenário ainda não foi definido. Agência Câmara de Notícias


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Telecom
Citi volta a acusar Dantas de descumprir liminar de NY
02/05/2005, 19h34
A briga entre Citibank e Opportunity em Nova York teve novos episódios na semana passada. O banco norte-americano queixou-se ao juiz Lewis Kaplan de que o Opportunity estaria criando dificuldades para entregar o comando sobre os ativos de telecomunicações mesmo depois de a Anatel ter aprovado a troca de gestor. Segundo carta ao Juiz, o Opportunity feriu as determinações da Justiça de Nova York ao fazer a Brasil Telecom recorrer da decisão da agência reguladora, já que o grupo de Dantas estava expressamente proibido de interferir na autoridade do CVC Brazil (novo gestor) sobre os ativos, investimentos e gerenciamento do CVC LP". O Citi também acusa o Opportunity de não entregar a documentação referente às atividades do CVC LP e de se aproveitar desse atraso para "produzir acordos falsos em nome do CVC", como os acordos de tag-along, ou então alterado acordos antigos, incluindo cláusulas sobre a possibilidade de recursos à Justiça brasileira, que nunca foi o fórum de discussão das questões referentes ao CVC. O Juiz Kaplan ordenou o "discovery", ou seja, a divulgação de todos os documentos pedidos pelo Citibank.
Venda
Até o momento, não aparece o registro de nenhum pedido do Citibank em relação à negociação do Opportunity com Telecom Italia, mas se isso acontecer, certamente o argumento será o mesmo, já que uma decisão do Juiz Kaplan impedia explicitamente o Opportunity de tomar qualquer atitude que pudesse ter impacto no fundo CVC LP ou em seus ativos, e a fusão das operações móveis da Brasil Telecom com a TIM pode ser caracterizada como uma atitude desse tipo, já que o CVC LP é acionista da Brasil Telecom.
Da Redação - TELETIME News

Mudanças na BrT não implicam volta de Dantas à Telemar
02/05/2005, 19h33
Especula-se no mercado que, uma vez fora do controle da Brasil Telecom, Daniel Dantas atuaria para reassumir sua posição de controle na Telemar, suspensa pela Anatel em 2000. TELETIME News ouviu especialistas, que consideram impossível, no cenário atual, Dantas ter poder de voz e voto na Telemar. Isso porque a participação do Opportunity na Telemar se dá integralmente via uma empresa chamada Árgolis S/A, que por sua vez é acionista da Lexpart, que tem 13,37% das ações ordinárias da operadora da Região I. A Árgolis, por sua vez, tem o CVC LP (Citibank) como sócio, com 39%; o Opportunity Zain, com 16%; e o Opportunity Fund, com 45%.
O controle do Opportunity Zain pertence aos fundos e ao Citibank, a não ser que um acordo guarda-chuva de 2003, firmado por Dantas com ele mesmo em nome de fundos e do Citi, seja considerado válido (o que dificilmente vai acontecer). E ainda assim, uma situação inusitada se coloca: o Opportunity Zain tinha 9,85% de seu capital na mão do Opportunity Fund, participação essa que, segundo fato relevante do próprio Zain na semana passada, foi vendida para a Telecom Italia. Ou seja, os italianos passaram também a ser acionistas, com um pequeno pedaço e sem poder de controle, da Telemar. A participação de 45% que o Opportunity Fund tem diretamente na Árgolis não seria suficiente para garantir o controle, portanto.
Essa participação do Opportunity na Telemar é complicada desde o momento em que surgiu, em 1999. Naquela ocasião, a Inepar vendeu a Dantas, por R$ 546 milhões (valores da época, equivalentes ao câmbio na ocasião a US$ 300 milhões), sua participação na tele. O Opportunity fez toda a operação por meio da Árgolis. Por um ano, Dantas teve voz e voto no conselho da Telemar. A atual presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, é que era a representante do Opportunity na empresa. Em 2000 a Anatel suspendeu esses direitos de acionista, considerando que havia sobreposição com a Brasil Telecom. Até hoje essa posição da Anatel está em vigor. Como Citi e fundos de pensão continuam no controle da Brasil Telecom, não é possível que a Árgolis reassuma sua posição no controle da Telemar. Da Redação - TELETIME News

Dados móveis geraram US$ 1,6 bilhão nos EUA em um trimestre
02/05/2005, 17h06
Os serviços e aplicações de dados móveis geraram receitas de US$ 1,6 bilhão nos EUA apenas no último trimestre do ano passado. A base total dos usuários móveis norte-americanos estava em 178,2 milhões de assinantes no período, segundo o IDC. Os dados representaram 5,8% do total da receita média por assinante (Arpu) e a previsão do IDC é que cresçam para 15% da receita total nos próximos anos. O estudo do IDC fez uma comparação dos serviços e aplicativos de dados das cinco maiores operadoras móveis dos EUA: Verizon, Cingular, Sprint, T-Mobile e Alltel, e dividiu o segmento em três categorias: troca de mensagens (SMS); download de aplicativos e conteúdo; e serviços e conteúdo. O SMS lidera a geração das receitas de serviço de valor adicionado (SVA), com 50% do total. Da Redação - TELETIME News

Verizon eleva proposta pela MCI para US$ 8,5 bilhões
02/05/2005, 14h15
A norte-americana Verizon Communications anunciou nesta segunda, 2, que elevou sua proposta pela aquisição da carrier MCI para US$ 26 por ação, o equivalente a cerca de US$ 8,5 bilhões. O board de diretores da MCI considerou a proposta revisada da Verizon melhor que a última oferta de US$ 9,8 bilhões (US$ 30 por ação) da Qwest, feita em 21 de abril. De acordo com o comunicado da MCI, embora o valor da oferta da Qwest seja maior, o risco associado ao negócio faz da fusão com a Verizon a melhor opção, por esta última ter uma estrutura de capital mais robusta. E um fator adicional seria que "um grande número dos clientes mais importantes da MCI indicaram que preferem a transação entre MCI e Verizon à transação entre MCI e Qwest".
A nova oferta da Verizon propõe: na oferta de US$ 26/ação, o pagamento de US$ 5,60/ação em dinheiro e US$ 20,40 em ações da Verizon. A proposta anterior era de US$ 23,10 por ação, cerca de US$ 7,6 bilhões.
A transação requer ainda aprovação dos acionistas da MCI e dos órgãos reguladores dos EUA. A expectativa é que o voto dos acionistas seja conhecido em meados deste ano. Da Redação - TELETIME News

MCI escolhe Verizon e Qwest sai da disputa
3/5/2005
Perdedora fez oferta maior
Depois de quase três meses de uma acirrada disputa, a gigante das telecomunicações Verizon derrotou a Qwest e vai comprar a MCI, mesmo tendo oferecido US$ 1,3 bilhão a menos que a concorrente.
A Qwest anunciou ontem que desistiu da disputa, mas com duras críticas à condução do processo, dizendo que a diretoria da MCI estava "mais interessada em se curvar à vontade da Verizon do que em servir a seus acionistas".
As duas empresas vinham fazendo lances pela MCI havia quase três meses. Apesar de a Verizon oferecer menos que a Qwest, sua proposta era sempre considerada melhor, em razão da solidez da gigante norte-americana.
A última oferta da Verizon, maior companhia telefônica dos EUA, foi de US$ 8,44 bilhões, ou US$ 26 por ação. Já a Qwest tinha feito proposta de US$ 9,75 bilhões (US$ 30 por ação).
"Não é mais interessante para seus acionistas, consumidores e empregados continuar em um processo que parece estar permanentemente tendencioso contra a Qwest", disse a empresa perdedora em um comunicado.
A diretoria da MCI afirmou que levou em conta os riscos e a força das duas empresas. A transação ainda depende da aprovação dos acionistas da companhia.
O controle da MCI era crucial para a Verizon em um mercado cada vez mais concentrado, que passa por uma onda de fusões e aquisições. PDL - Folha de São Paulo

Qwest desiste de brigar pela MCI
3/5/2005
Operadora decidiu aceitar a nova proposta da Verizon, de US$ 8,44 bi
Depois de meses de disputa, a operadora americana de telecomunicações Qwest Communications anunciou ontem, em um comunicado, que está desistindo da compra da operadora de longa distância MCI, cuja diretoria resolveu aceitar uma proposta mais competitiva, porém economicamente inferior, da líder do setor, a Verizon.
"Já não é do interesse dos acionistas, dos clientes, nem dos funcionários continuar em um processo que parece estar continuamente voltado contra a Qwest", destacou a empresa em um comunicado.
O conselho de administração da MCI apoiou a nova oferta da Verizon de US$ 8,44 bilhões, recusando mais uma vez as propostas da Qwest, que oferece mais dinheiro.
A oferta melhorada da Verizon representa pelo menos US$ 26 por ação da MCI, US$ 5,60 deles em efetivo, segundo um comunicado da MCI. Isto representa US$ 840 milhões a mais que a oferta anterior.
"O conselho administrativo determinou por unanimidade que uma oferta revisada da Verizon Communications era superior à da Qwest Communications International, apresentada em 21 de abril", destaca o comunicado da MCI.
Porém, esta nova oferta da Verizon ainda era inferior em US$ 1,3 bilhão à última oferta feita pela Qwest. Apesar disso, a direção da MCI sempre deixou clara sua preferência por um acordo com a Verizon, mais sólida financeiramente que a Qwest. O Estado de São Paulo

Qwest parece recuar em relação a MCI
2/5/2005
Empresa envia nota oficial dizendo que o negócio não é mais interesse de seus acionistas, clientes e funcionários
A Qwest parece estar se retirando da guerra pela MCI depois que a empresa aceitou a proposta da Verizon. A proposta da Qwest, embora sempre maior, foi rejeitada quatro vezes pela MCI.
Executivos da Qwest afirmaram que não é interesse dos acionistas, clientes e funcionários continuar em um processo que "parece estar sempre contra a empresa". "Realmente achamos que nossa oferta teria trazido mais valor aos acionistas daquela empresa", disse a Qwest em uma nota oficial.
Depois do anúncio, as ações da MCI cairam US$ 1,05, ou 4%, chegando a US$ 25,48 nas negociações da tarde, na Nasdaq. Os papéis da Verizon cairam US$ 1,22, ou 3,4%, alcançando US$ 34,58 na NYSE (New York Stock Exchange). Já as ações da Qwest cresceram 4 centavos para US$ 3,46 na NYSE.
A MCI decidiu hoje aceitar a proposta da Verizon para US$ 8,5 bilhões. ITWeb

MCI finalmente fecha com Verizon
2/5/2005
Gigante recusa os US$ 9,9 bilhões oferecidos pela Qwest e opta pela proposta de US$ 8,5 bilhões da Verizon
A MCI acaba de aceitar a oferta de US$ 8,5 bilhões feita pela Verizon Communications, dizendo que seus clientes maiores poderiam desistir de seus contratos se a proposta da Qwest fosse aceita. O board justificou a escolha dizendo que diversos de seus clientes preferiam a Verizon.
A Qwest poderia revisar a proposta de US$ 9,9 bilhões que chamou como sua "melhor e final" oferta ou passar "por cima" do board da MCI e abordar diretamente seus acionistas. A Qwest não comentou imediatamente o fato.
A Verizon, considerada maior companhia de telecomunicações dos EUA, disse que sua nova proposta estabelece um valor de US$ 26 por ação da MCI. A oferta anterior foi de US$ 23,50 por ação. A proposta mais recente da Qwest chegava aos US$ 9,9 bilhões, ou US$ 30,40 por ação. ITWeb


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Literatura e Mercado Editorial
Ribeirão Preto espera alta no número de visitantes
3/5/2005
Prefeitura realiza quinta edição da Feira Nacional do Livro que ocorrerá em setembro. A quinta edição da Feira Nacional do Livro, que ocorrerá entre 9 e 18 de setembro, em Ribeirão Preto, deverá pelo menos repetir os resultados do ano passado, quando recebeu 290 mil visitantes e os 112 expositores comercializaram 342 mil livros.
É o que espera Joaquim Rezende, presidente da Fundação Feira do Livro, que realiza o evento em parceria com a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto. Lançada oficialmente ontem, no Palácio Rio Branco, sede da prefeitura, o evento é o segundo maior do gênero realizado a céu aberto no País, atrás apenas da feira de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Realizada numa área de 16 mil metros quadrados, que envolve as praças XV de Novembro e Carlos Gomes e a esplanada do Theatro Pedro II, no centro da cidade, a feira homenageará a escritora Clarice Lispector, que completaria 85 anos neste ano. A patrona do evento será Lucília Junqueira de Almeida Prado, a primeira autora da região a ganhar o Prêmio Jabuti. O reumio da Espanha e o estado de Pernambuco serão os homenageados neste ano.
A escritora Nélida Piñon e o cartunista Ziraldo já confirmaram presença para o Salão de Idéias, um dos vários eventos paralelos à feira. "A feira se viabilizou bem antes do que a gente imaginava", disse Galeno Amorim, idealizador do evento em 2001, quando foi secretário municipal da Cultura do então prefeito Antônio Palocci Filho, atual ministro da Fazenda.
Bibliotecas públicas
Hoje no Ministério da Cultura, Amorim coordena o programa Fome de Livro e o Plano Nacional do Livro e Leitura. Os programas coordena-dos por Amorim prevêem a instalação de 1 mil bibliotecas públicas no País até 2007. "Não se trata de um programa de governo, mas de uma política nacional de leitura", afirmou Galeno Amorim. Segundo ele, já foram abertas bibliotecas em 132 cidades e 200 comunidades rurais. Ao custo de R$ 40 mil, cada biblioteca tem 2 mil títulos, envolvendo literatura infantil, juvenil e livros técnicos, selecionados por 50 especialistas do País.
O Plano Nacional do Livro e Leitura, a ser lançado oficialmente pelo presidente Lula em meados deste ano, já conseguiu zerar os impostos incidentes sobre os livros. Em 23 de dezembro de 2004, o governo federal isentou os livros de Pis, Pasep e Cofins, como forma de estimular os editores a reduzirem os preços.
Indicadores
Amorim mostra os tristes indicadores de leitura do País, que ele tenta modificar. Pesquisa do Instituto Paulo Montenegro, do Ibope, de 2001, revela que 25% dos brasileiros são totalmente analfabetos e outros 50% são analfabetos funcionais, ou seja, não conseguem compreender um texto mais complexo. "E boa parte dos restantes 25%, que sabem ler e escrever, não tem acesso ao livro", disse Amorim. Segundo ele, 14 milhões de brasileiros não têm acesso ao livro pois moram em 1 mil cidades que não dispõem, sequer, de banca de jornais.
Galeno Amorim, que instalou 80 bibliotecas públicas em Ribeirão Preto quando foi secretário da Cultura, mostra que iniciativas como essa contribuem para aumentar o índice de leitura. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita pelo Instituto Franceschini e Associados, o índice de leitura em Ribeirão Preto aumentou de 2 para 9,7 livros/habitante/ano, entre 2001 e 2004.
O Brasil, entretanto, registra índices de leitura de 1,8, comparado com 5 nos Estados Unidos e Inglaterra e com 7 livros/habitante/ano da França, segundo dados da ONU. Edson Álvares da Costa - Gazeta Mercantil


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Mídia Global
Venezuela festeja a 'extraordinária vitória'
3/5/2005
A eleição de José Miguel Insulza, ministro do Interior do Chile, para secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) foi comemorada pelo governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, como mais uma vitória da "República Bolivariana" no cenário internacional. Desde o início, como fazem questão de frisar as autoridades venezuelanas, Chávez deu total apoio a Insulza, e se opôs à candidatura de Ernesto Derbez, o chanceler mexicano, que renunciou à disputa na sexta-feira.
No sábado, em um discurso na cerimônia de entrega de condecorações a trabalhadores, o vice-presidente da Venezuela, José Vicente Rangel, classificou a desistência de Derbez como "uma extraordinária vitória da região sul-americana".
Em seguida, Rangel lembrou os 30 anos da derrota americana na Guerra do Vietnã, para concluir que "o Império foi derrotado no campo bélico (no Vietnã), e agora no campo legal e da ordem internacional (na OEA). Para Rangel, até poucos anos atrás, "era impensável que na América Latina pudesse ser formado um bloco, a grande nação sul-americana dos sonhos de Bolívar e Chávez".
O discurso do vice-presidente é parte de uma retórica cada vez mais grandiloqüente sobre o significado de Chávez no cenário global, e da aliança entre a Venezuela e Cuba. Chávez, em seu discurso do 1.º de Maio, disse que a "revolução bolivariana era o início da construção de um novo socialismo, que teria impacto não apenas na Venezuela, mas também global".
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) condenou ontem iniciativas adotadas nos últimos meses pelo governo Chávez que cerceiam a mídia, como golpes na democracia. Uma lei aprovada em 2004 permite ao governo controlar horários e conteúdo de programas de rádio e TV. Recente reforma do Código Penal afetou o livre exercício da opinião. Fernando Dantas - O Estado de São Paulo

Bye, bye, Brazil
3/5/2005
A Voice of America, aquela estação de rádio financiada pelos EUA para levar a mensagem americana mundo afora, está fechando seu escritório do Brasil, no Jardim Botânico, no Rio.
Jim Teeple, correspondente para o Caribe, veio de Miami com a missão de cuidar da mudança dos equipamentos. Ancelmo Gois - O Globo


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