[cmi-goiania] Educação Popular

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Sexta Abril 13 15:37:54 PDT 2007


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> Educação Popular: uma proposta metodológica
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> Maria de Guadalupe Menezes de Lima
> Antonio Fernando Gouvêa da Silva
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> PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO POPULAR
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> - Conjuga a pesquisa em educação com os processos de participação
> popular, integrando, no mesmo processo político pedagógico, os educadores
> e os educandos
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> - Apresenta uma intencionalidade política e social dirigida a favor dos
> pobres e das classes sociais dominadas
>
> - Considera que o conhecimento é tanto popular quanto científico e que é
> um instrumento de transformação social, criticando por tal motivo qualquer
>  tentativa de separação da teoria e da prática, não dicotomizando
> sabedoria popular e o pensamento instruído( científico)
>
> - Assume a prática educativa como uma totalidade concreta, questionando o
>  grau de especializações que impedem um entendimento integrado das
> práticas sociais e simbólicas de um dado sistema social, sem questionar
> suas base epistemológicas, sociais e políticas
>
> - Práticas educativas comprometidas com os movimentos sociais que
> combatem qualquer tipo de discriminação sócio-cultural e econômica no
> sentido de transformar a realidade concreta vivenciada
>
> - As práticas educativas populares esforçam-se não só por  desenvolver a
> consciência crítica dos envolvidos, mas também alternativas concretas de
> organização ( política, social e mesmo econômica) e mobilização (
> participação) dos desfavorecidos no sentido de ultrapassarem as condições
>  de pobreza e de falta de poder.
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> Tema Gerador
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> O tema gerador não se resume a uma metodologia.
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> É um referencial teórico-metodológico que se sustenta na Educação
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> Popular como o conjunto de práticas sócio-culturais que, de forma
> explícita ou implícita, consciente e intencional se inter-relacionam,
> assumindo uma intervenção pedagógica emancipatória na prática
> sociocultural e econômica vivenciada.
>
> A organização do ensino via tema gerador visa romper a dissociação entre
> conhecimento científico e cidadania, observada na tradição sociocultural
> dominante, considerando conhecimento tanto a realidade local – reflexo de
>  um contexto sócio-histórico concretamente construído por sujeitos
> concretos – quanto o processo de produção da cultura acadêmica.
>
> O tema é proposto a partir do diálogo entre saberes, popular e
> científico, em que a apreensão do conhecimento é construída coletivamente
> a partir da análise das contradições vivenciadas na realidade local.
>
> Assim, a opção pelo tema gerador extrapola o caráter metodológico,
> apoiando-se na dialogicidade, sua marca principal, como referência para a
> construção do conhecimento e como metodologia proposta para a vivência
> das atividades participativas.
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> Momentos organizativos na implementação da práxis
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> - Levantamento preliminar da realidade local, pesquisa-ação participante,
>  busca partir de dados coletados na comunidade     (estatísticos,
> socioculturais, econômicos, políticos e lingüísticos) que são organizados
>  para que as situações consideradas significativas sejam selecionadas.
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> - Escolha de situações significativas.
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> - Caracterização e contextualização de temas/ contratemas pelos agentes
> externos e pela própria pol geradores.
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> - Elaboração de questões geradoras.
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> - Construção de planejamentos para a intervenção na realidade.
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> - A expressão tema gerador, na teoria freireana, refere-se a temas que
> levam à criação, à produção , ao desenvolvimento ou à fecundação de algo
> novo.
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> - Trata-se de conteúdos ligados às condições existenciais dos educandos,
> de sua visão cultural e de suas crenças.
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> - Conhecer previamente as aspirações, o nível de percepção dos educandos,
>  de sua visão de mundo, é exigência da natureza dialógica da educação.
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> Caracterização dos temas geradores
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> É o limite de compreensão que a comunidade possui de sua realidade
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> Apresenta-se de uma forma estanque ( limítrofe )
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> É privilegiado pela dimensão do existencial ( do ser )
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>
> Pedagogicamente pode ser considerado como interfaces entre conhecimentos
> e saberes
>
> É eminentemente qualitativo
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> Epistemologicamente pode ser reduzido a partir dos conhecimentos das
> diferentes áreas
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> É o ponto de partida para a organização dialógica da programação
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> ELEMENTOS IMPRESCINDÍVEIS PARA UMA PRÁTICA TRANSFORMADA E TRANSFORMADORA
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> - A prática do trabalho coletivo
> - A interrogação
> - A recusa dos mitos da neutralidade
> - A prática da discussão e do debate
> - A formulação de hipóteses explicativas
> - O diálogo entre diferentes visões sobre uma mesma questão numa
> perspectiva de transformação - Registro, análise de dados e sistematização
> - A criação coletiva de alternativas
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> Critérios para a seleção das falas
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> 1- Devem ser selecionadas falas que expressem visões de mundo.
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> 2- Falas que possibilitem perceber o conflito, a contradição social e,
> sobretudo, sejam situações significativas do ponto de vista da(s)
> comunidade(s) investigadas.
>
> 3- As falas devem representar uma situação limite, ou seja, um limite
> explicativo na visão da comunidade a ser superado, caracterizando-se como
> um contraponto à visão do educador.
>
> 4- Devem ser falas explicativas, abrangentes, que extrapolem a simples
> constatação ou situações restritas a uma pessoa ou família, mas que opinem
>  sobre dada realidade e que envolvam de algum modo a coletividade.
>
> 5- Dentro do possível, devem ser resgatadas falas como originalmente
> aparecem, ou seja, sem o filtro do pesquisador, com gírias e dialetos.
>
> 6- As observações, inferências e interpretação do grupo pesquisador são
> imprescindíveis, todavia, na seleção é desejável que sejam contempladas as
>  falas da(s) comunidade (s) e do(s) aluno(as).
>
> 7- O número de falas destacadas orienta-se pelo grau de saturação na
> análise dos dados. Não há um número mínimo nem máximo a ser observado. O
> requisito é de que representem uma totalidade orgânica.
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> Momentos da pesquisa participante
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> O objeto de pesquisa deve ser definido pela população interessada,
> mediante a assessoria de investigadores comprometidos com a causa popular.
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>
> Os pesquisadores, investigadores ou pesquisadores ( agentes externos)
> devem tomar conhecimento da realidade na qual vão trabalhar através de
> estudos prévios, dados secundários e entrevistas com lideranças locais.
>
> A equipe de pesquisa é composta pelos agentes externos e pela própria
> população interessada ( o planejamento é composto pela equipe mista).
>
> Há uma geração de conhecimento dentro da ação da pesquisa entre
> pesquisadores e população.
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> Em alguns casos são utilizados questionários, entrevistas e observações
> para a coleta de dados.
>
> A análise dos dados é feita a partir de técnicas dialogais com a
> participação de todos.
>
> Há devolução de dados e de resultados à comunidade em reuniões amplas.
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> Propostas de ação são definidas em função das necessidades da população.
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>
> A realidade pesquisada deve ser aquela dos grupos oprimidos.
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> Em termos operacionais depende dos propósitos perseguidos: as práticas
> podem ser vinculadas a planificações do desenvolvimento local, a
> desenvolvimentos da organização social, a desenvolvimentos educativos, à
> luta pela democratização das estruturas sociais, etc.
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>
> “ Para mim, a realidade concreta é algo mais que fatos ou dados tomados
> mais ou menos em si mesmos. Ela é todos esses dados e mais a percepção que
>  deles esteja tendo a população neles envolvida. Assim, a realidade
> concreta se dá a mim na relação dialética entre objetividade e
> subjetividade.”
>
> Paulo Freire, 1981.
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> Odeia a mídia? Torne-se a mídia.
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