[cmi-goiania] Dia de mudança no Grajaú
anarquico em resist.ca
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Terça Janeiro 23 05:32:50 PST 2007
23/01/2007
Ivair Lima e Daniela Ribeiro
Da editoria de Cidades DM
A emoção passeou pelas vielas do acampamento do Setor Grajaú e se
transformou em alegria incontida no Residencial Real Conquista na manhã de
ontem. O pesadelo de três anos em acampamentos improvisados ficou para
trás para mais dez famílias que puderam se instalar nas novas moradas. Os
vizinhos acompanharam com interesse as mudanças e ajudaram espontaneamente
a carregar os móveis para os caminhões.
Para Rosenira Fernandes dos Santos, 37, costureira, mãe de duas filhas, a
transferência significou o fim de muito sofrimento. Depois de mais três
anos vivendo em barracas, a alegria foi enorme. “Aqui tínhamos três
problemas terríveis: falta de segurança, o esgoto corre no porta da gente
e qualquer chuva ameaça nos barracos. Minha vida vai mudar muito.”
Rosenira estava na linha de tiro no dia que a Polícia Militar, cumprindo
determinação judicial, retirou as famílias da invasão do Parque Oeste
Industrial. Ela se emociona ao lembrar. “Um policial civil salvou minha
vida. Ele me arrastou para o outro lado. Se tivesse corrido na frente dos
policiais militares, acho que não estaria aqui hoje”, lembra.
A nova moradora do Real Conquista faz aniversário hoje. Ela considera a
casa de quatro cômodos (sala conjugada com cozinha, dois quartos e
banheiro) o melhor presente de sua vida. “Minhas filhas terão uma moradia
digna. Todas vezes que saía para trabalhar eu ficava muito preocupada.
Nosso barraco não tinha segurança nenhuma.” Rosenira faltou ao trabalho
ontem para fazer a mudança. Depois de sete meses na invasão do Parque
Oeste, mais sete meses em um ginásio de esportes e dois anos sob a lona no
Grajaú. Ela contou com a simpatia dos patrões. “Eles ficaram felizes
também. Sabem o quanto lutei por esta casa.”
As filhas de Rosenira, Luana, 13 anos, e Letícia, 9, ajudaram no
transporte dos pertences da família e sonharam alto. Luana, que gosta de
desenhar e pretende ser policial, diz que vai cuidar do quarto com esmero.
“Mudamos de zero para dez. Agora vou ter um quarto do meu jeito. No
barraco era impossível.” Letícia, que gosta de esporte e quer ser
professora de educação física, diz que vai poder brincar com liberdade.
“No acampamento tinha esgoto na rua. Aqui no Real Conquista é muito
melhor.”
A família de Antônio Pereira, 25, gari, e Simone dos Santos, 23, do lar,
também teve momentos de emoção forte ao chegar à nova morada. Simone
distribuiu amplos sorrisos enquanto colocava os bens dentro da casa.
“Agora que conseguimos nossa casa, quero mais sossego. Foi muita luta para
chegar até aqui.”
Antônio, com a filha Evelin, 3, nos braços, lembrou os tempos de incerteza
quando foram retirados do Parque Oeste. Feliz com a nova morada, disse que
depois do desconforto do acampamento, a casa representa um recomeço.
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