[cmi-goiania] Sem FSM em 2008 , movimentos propõem mobilização mundial
anarquico em resist.ca
anarquico em resist.ca
Quinta Janeiro 25 08:37:27 PST 2007
Sem FSM em 2008, movimentos propõem mobilização mundial
Assembléia reforçou críticas à organização local do FSM em função do
caráter "excludente e capitalista" do evento, mas também apresentou a
agenda das principais propostas de mobilização para 2007 e 2008, quando
não haverá Fórum. Ator americano Danny Glover foi presença inusitada.
Verena Glass - Carta Maior
NAIROBI – O Fórum Social Mundial no Quênia terminou de fato nesta quarta
(24), com um grande esforço de sistematização e articulação de ações a
partir dos debates ocorridos nos últimos três dias, nos cerca de 1200
seminários, oficinas e conferências do evento. Dividida em 21 temas, como
água, paz e guerra, habitação, mulheres, trabalho, migrações e dívida,
entre outros, a sistematização foi uma inovação do FSM 2007 e possibilitou
concretizar campanhas mundiais nos diversos setores de militância social.
Algumas das agendas acordadas neste processo foram levadas à tradicional
Assembléia dos Movimentos Sociais do FSM, que ocorreu no final da tarde de
quarta e que, mais do que um grande resumo dos debates políticos, este ano
também foi o espaço de expressão das duras críticas ao aspecto
mercantilista deste Fórum.
As críticas dos movimentos aos organizadores locais do FSM se centraram
principalmente no caráter excludente do evento a “portas fechadas”, na
forte presença de policiais armados, no financiamento privado da empresa
de telefonia Celtel e no funcionamento de um restaurante do clube de golfe
Windsor no espaço do Fórum, pertencente ao ministro de assuntos internos
que teria sido colaborador (“foi torturador”, acusou um queniano) do
regime colonial inglês.
Um detalhe: a revolta com o restaurante, que já tinha sido expressa
anteriormente através de manifestações e protestos, esquentou no último
dia, quando um grupo de jovens quenianos invadiu e destruiu o local e
distribuiu comida para todo mundo. “Ao menos um dia no FSM nós pudemos
comer”, festejou um manifestante.
O grande problema deste Fórum, porém, foi mesmo a exclusão dos que não
podiam pagar a taxa de inscrição, acusaram os ativistas. “O FSM deveria
ser um espaço aberto”, afirma a declaração da Assembléia dos Movimentos
Sociais, mas o que se viu, continua o texto, foi militarização,
capitalização e privatização. Também a presença no FSM de organizações
religiosas que criticaram abertamente bandeiras do movimento feminista e
da diversidade sexual, foi considerada uma violação da Carta de Princípio
do FSM.
Um dos depoimentos mais contundentes na Assembléia, que reuniu cerca de 5
mil pessoas, foi o de uma das coordenadoras de um evento paralelo, o Fórum
Social dos Pobres, realizado pela organização Peoples Parliament no centro
de Nairobi. “O FSM trouxe o mundo a mim. O melhor do mundo. Conheci aqui
muitas pessoas que acreditam no que nós acreditamos. Mas não é justo ter
um FSM no Quênia, e a grande maioria das pessoas que estão nesta
assembléia não ser queniana. Somos pobres materialmente, mas acreditamos
ter muito o que dar ao processo FSM”, afirmou.
A própria dificuldade de realizar a Assembléia dos Movimentos, que todos
os anos fecha o FSM mas que, nesta edição, não foi sequer incluída na
programação, foi outro fator de irritação dos movimentos com os
organizadores locais. Apenas na noite de terça, e por força da intervenção
da secretaria brasileira do Fórum, os organizadores quenianos cederam o
espaço para a reunião, afirmou um ativista brasileiro.
Agendas
Independente das críticas feitas a ele, este FSM foi bastante produtivo em
termos de articulações concretas. Atendida pelo Conselho Internacional do
Fórum, a velha reivindicação dos movimentos sociais, de que o FSM seja
bi-anual para diminuir o peso dos altos custos de viagem, criou um novo
desafio para o movimento altermundista: como não deixar janeiro de 2008
passar em branco. A sugestão foi que, durante dois dias neste mês – a
serem definidos a posteriori -, no mundo todo ocorram atividades
simultâneas sobre as principais temáticas do FSM. Isto independente dos
Fóruns Sociais Regionais que ocorrerão em 2008, como o Fórum Social das
Américas, programado para a Guatemala.
Outras datas de mobilização internacional sugeridas foram o dia 19 de
março, quando devem ocorrer grandes manifestações contra a guerra em
“comemoração” ao aniversário de quatro anos da invasão do Iraque pelos
EUA, e o 8 de junho, quando acontece a reunião do G 8 (grupo dos oito
países mais ricos) em Rostock, na Alemanha.
Na manifestação de março, a assembléia final dos movimentos anti-guerra
propôs que se demandasse a retirada imediata das tropas de ocupação do
Iraque e do Afeganistão, compensações pelos danos causados e justiça ao
povo iraquiano, controle iraquiano sobre o seu petróleo, e fechamento das
bases militares americanas no Oriente Médio.
Hollywood no FSM
Diferente das assembléias anteriores, este ano os movimentos sociais não
conseguiram acordar previamente uma proposta de declaração abrangente, que
reunisse as reivindicações e posições de todos os setores, muito por falta
de espaço institucional para articulação e planejamento. Assim, este
acabou sendo um dos mais caóticos encontros do FSM – no bom sentido -, com
a intervenção dos mais variados militantes das mais variadas causas, mas
com pouca inter-articulação.
Uma presença inusitada neste espaço foi o ator americano Danny Glover, que
veio ao FSM pela segunda vez (a primeira foi em 2005, em Porto Alegre).
Militante de longa data da organização Transafrican Fórum, criada há 30
anos para lutar contra o Apartheid na África do Sul, Glover se disse muito
impressionado com as colocações dos ativistas. “Fico muito feliz ao ouvir
todos estes depoimentos. Temos que ter espaço para contar nossas
histórias, e para avaliar fracassos e vitória”, afirmou o ator.
Glover terminou sua intervenção dizendo que a mudança das políticas de
opressão no mundo depende dos movimentos sociais. “Vocês é que podem parar
estas políticas de opressão. Isto depende de vocês”.
Mais detalhes sobre a lista de discussão cmi-goiania