[Cmi-mulheres] texto ciberfeminismo

T W t_k_wells em yahoo.com.br
Terça Junho 21 08:23:29 PDT 2005


acho que no fim enrolei
tentei fazer um paralelo com o funk que acho que não
dá p/ fazer sem aprofundar, sei lá... qq observ. é bem
vinda!
x beijos
t

--- kit menezes <kitnone em yahoo.com> escreveu:

> eu li agora e achei bem legal. vou imprimir pra ver
> melhor depois mas ficou muito bom!
> 
> --- t <t_k_wells em yahoo.com.br> wrote:
> 
> > oi oi
> > 
> > escrevi um texto para a publicacao do
> > midiatatica.org. queria saber a
> > opiniao de vcs, ate pq. falo do grupo e tals...
> > 
> > em anexo
> > x beijos
> > t
> > > 
> > O ciberfeminismo nunca chegou à América Latina*
> > 
> > Surgido como uma forma de ativismo digital, com a
> > expressividade e uma (im)possível linguagem
> > feminina, o ciberfeminismo nasceu em um contexto
> > europeu dos anos 90, com o termo cunhado na
> > Austrália em 1991, pelo grupo VNS Matrix ao
> divulgar
> > o "O Manifesto Ciberfeminista para o século 21"
> (1),
> > uma homenagem à téorica social-feminista Donna
> > Haraway, que em 1985 havia escrito "O Manifesto do
> > Ciborgue" (2), um olhar (multi)particular para a
> > ciência e a tecnologia. Segundo a própria autora o
> > ciborgue teria sido: "uma estratégia retórica,
> assim
> > como método político" - ou seja, uma tática
> > poético/política para o enfrentamento da sociedade
> > tecnoautoritária e seus discursos, os quais são
> > chamados por ela de "informática da dominação".
> > 
> > Com o mesmo *ciber* otimismo da época, também
> > manifestou-se o ciberpunk (3), cultura ficcional
> > norte-americana considerado muito próximo das
> > questões ciberfemininas, no sentido de revelador
> de
> > sub-culturas, alternativas e opostos vivendo em
> > conflito dentro do sistema. Concebido como crítica
> > aos discursos tecnoutópicos, o ciberespaço, tanto
> > para punks quanto para feministas, inspiraria
> > permitir um novo diálogo entre as diferenças.
> > Segundo Sadie Plant o ciberespaço teria uma
> > "essência" feminina, sendo um espaço natural para
> as
> > mulheres, que desde sempre teriam vivido
> > inconscientemente preparando-se para o momento
> > histórico de sua construção. Como prova, cita Ada
> > Lovelace, que pôde escrever sobre inter-processos
> > inexistentes. As mulheres viveriam já há muito
> tempo
> > conectadas, no mesmo modelo da Internet, em seus
> > historicamente marginais locais de trabalho. Plant
> > defende que as forças que estariam dissolvendo o
> > mundo tradicional sob domínio do homem (com suas
> > reivindicações por valores como universalidade,
> > eternidade, objetividade e transcendência),
> > acabariam forçando irresistivelmente o
> conexionismo
> > feminino(4):
> > 
> > "a abordagem da ordem-que-emerge-das
> > conexões-múltiplas define a inteligência não mais
> > como monopolizada, imposta, dada por uma força
> > eterna, transcendente e superior, mas, em vez
> disso,
> > desenvolvendo-se como processo emergente,
> > engendrando-se a si mesma de cima para baixo"
> > 
> > O ciberfeminismo aparece portanto sugerindo que o
> > ciberespaço é um espaço próprio de articulação
> > feminina. Para nós, meninas e mulheres que não só
> > perderam a revolução feminina norte-americana dos
> > anos 60, por entre a ditatura e o golpe permanente
> > do ologopólio da comunicação, mas que têm no
> > imaginário o antropofagizar do Outro, o eu ser
> você
> > e você ser nós, parece ser mesmo com muita
> > naturalidade que nos conectamos livremente, de
> > formas cooperativas e não-sistemáticas. Pois flui
> > menos das instituições e dos movimentos sociais
> > organizados verticalmente, do que dos projetos
> > independentes em rede, que se unem sob a bandeira
> > *livre* (software livre, conteúdo livre, rádio
> > livre), os complexos horizontes de enfrentamento e
> > liberdade do novo cotidiano político digital, em
> > permanente construção.
> > 
> > O feministo surge inicialmente como uma forma de
> > lutar contra uma causa específica, um ativismo que
> é
> > entendido como alternativa às consequências da
> > sociedade patriarcal. No entanto, rapidamente
> > adquire cores de movimento social, permitindo-se
> com
> > o passar do tempo ser atingido pelo fluxo de
> > relações existentes na sociedade, deixando-se
> mover
> > também pelo enfrentamento de quase todo tipo de
> > dominação, assim como propondo ações e espaços de
> > reflexão em quase todos os campos da existência
> > humana. As organizações de mulheres (não somente
> as
> > chamadas feministas) são sobretudo rizomáticas,
> > beneficiando-se de sua capacidade de tecer redes
> > interdisciplinares, de networking, uma prática
> como
> > já visto, considerada por muitas estudiosas
> > feminina. Suas conexões por afinidades, mais do
> que
> > por identidades, as unem sob diversas e variadas
> > lutas sociais. Suas conquistas falam menos de uma
> > união pelo (( sexo )) do que força de mobilização
> > global frente a todo tipo de abuso: militarismo,
> > fundamentalismo, capitalismo, as armas que os
> > suportam estes processos - como sistemas de
> > satélite, robôs-soldados, monopólio de mídia
> global
> > e demais mazelas do mundo influenciado por tais
> > paradigmas. (5) Para citar somente uma vertente do
> > feminismo, uma que reconhece a relacão entre a
> > opressão das mulheres e a degradação da natureza,
> o
> > eco-feminismo, vê-se que ele carrega em si
> diversas
> > bandeiras, como a luta contra o sexismo, racismo e
> > outras desigualdades sociais, através de um
> > entendimento maior das inter-relações entre homens
> e
> > mulheres, e entre os seres humanos e os movimentos
> > ambientais, (6) dando subsídios intelectuais para
> um
> > modo mais efetivo de viver e de respeitar a
> > diferença. Outro indicador da multifacetadas
> causas
> > femininas é a Marcha Mundial das Mulheres, que no
> > dia 8 de março de 2004 reuniu mais de 50.000
> > mulheres que levavam uma carta, a Carta Mundial
> das
> > Mulheres para a Humanidade. A carta contém 17
> > reivindicações, entre elas leis para a eliminação
> da
> > pobreza, um fundo social global, o cancelamento da
> > dívida de todos os países do terceiro mundo, e
> > direito de asilo às vítimas de discriminação
> sexual,
> > abraçando outra miríade de causas. (7)
> > 
> > Segundo Anita Gurumurthy (8) as causas feministas
> > estariam revelando não somente os impactos da
> > globalização, mas de que ele é de fato
> constituído,
> > fazendo as conexões entre as experiências e os
> > processos institucionais. Ela sugere que o
> processo
> > de produção na economia global de informação
> > característico de um mercado de trabalho
> > frequentemente segmentado por distinções de gênero
> e
> > raça, teria sido instrumentalizado pelo sistema de
> > propriedade intelectual, ferramenta que
> > *comodificou* o conhecimento social permitindo que
> > apenas certos tipos de conhecimento fossem
> > reconhecidos e implementados.
> > 
> > Porquê?
> > 
> > Com a necessidade da Revolução Industrial de um
> > número cada vez maior de força de trabalho, e com
> a
> > dimunição do tamanho e automatização do
> maquinário,
> > buscou-se um trabalho menos braçal, mais ágil, e é
> > claro, porquê não? Mais barato! É nesse contexto,
> > entre outras particularidades da epoca, que às
> > mulheres impõe-se um salário 60% menor do que dos
> > homens, junto a uma jornada de até 18 horas de
> > trabalho (mais ou menos das 5 da manhã às 11 da
> > noite), sem direito a aumento salarial ou mesmo
> > descanso dominical. Em 1857, quando as 129
> > trabalhadoras tecelãs da Fábrica Téxtil Cotton de
> > Nova Iorque se recusam a trabalhar, patrões e
> > políciais não querem saber de reinvidicações:
> > trancam as portas da fábrica e ateam fogo, onde
> > morrem asfixiadas e carbonizadas todas as 129
> > tecelãs. À mesmo época, em 1834, desponta na
> > Inglaterra as descrições da primeira máquina de
> > computar, a engenhoca analítica, cuja capacidade
> de
> > analisar dados foi escrito por Ada Lovelace. Seu
> > plano de calcular pode ser considerado o primeiro
> > programa de computar. Auto-intitulada metafísica e
> > analista, Ada era também filha do poeta Byron.
> > 
> > Três séculos depois, em 2004, no curso de Ciências
> > Computacionais da USP (Universidade de São Paulo),
> > há 3 meninas para uma turma de 50 meninos(9). O
> fato
> 
=== message truncated ===



	
	
		
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