[ CMI-Poa ] Fwd: [BAC] Linux transforma sucata em computador

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Quinta Julho 1 17:19:47 PDT 2004



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    Date: Thu, 01 Jul 2004 10:22:06 -0300
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 Subject: [BAC] Linux transforma sucata em computador
      To: articuladores em arca.ime.usp.br


	São Paulo - O artista plástico Glauco Paiva, de 32 anos, pinta computadores

usados no Parque Escola, em Santo André. "As máquinas chegam detonadas, com

o gabinete sujo, ralado", conta Paiva. "Depois que recuperamos, sai um micro

novinho e personalizado. A idéia é descaracterizar o processo industrial, 
criando um artesanato digital."

	Ele faz parte do grupo MetaReciclagem, que participa de um projeto da 
prefeitura de Santo André e irá trabalhar também com o governo municipal de

São Paulo na recuperação de computadores usados e na transformação de sucata

digital em micros, para serem usados por quem hoje não tem acesso à 
internet. A prefeitura é parceira do governo federal no projeto Computadores

para Inclusão Digital, para reciclagem de micros com software livre, como o

sistema operacional Linux.

	O software livre pode ser usado gratuitamente. Seu código-fonte - conjunto

de instruções de programação - é aberto, e pode ser modificado de acordo com

a necessidade de quem usa. Isto dá a programas como o Linux uma 
flexibilidade muito grande, permitindo que eles sejam adaptados para 
funcionar com computadores antigos e de poucos recursos.

	"O software livre é uma prioridade do Comitê de Inclusão Digital", afirma o

secretário-adjunto de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do

Planejamento, Rodrigo Assumpção. "O problema não é econômico, mas de manter

os computadores sempre atualizados, sem constrangimento. Não ter de comprar

licenças de atualização é uma complicação a menos."

	Liberdade

	Ao conceito de software livre, o engenheiro Dalton Martins, de 26 anos, do

grupo MetaReciclagem, agrega o conceito de "hardware livre". "O computador 
novo vem com uma etiquetinha do fabricante, que não pode ser rompida, se não

a máquina perde a garantia", explica Martins. "A idéia de reciclar a sucata

digital é de quebrar esta barreira, para que se possa desenvolver o 
conhecimento."

	O governo federal está instalando cinco Centros de Recondicionamento e 
Reciclagem de Computadores (CRC), em cinco cidades brasileiras: São Paulo, 
Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e Porto Alegre. O trabalho deve 
começar em três meses e a meta é reciclar 20 mil máquinas por mês, doadas 
pelo próprio governo e pela iniciativa privada, além de peças apreendidas 
pela Receita Federal. Os micros serão destinados a escolas, telecentros 
(centros comunitários de acesso à internet) e bibliotecas. O governo federal

espera implantar 6 mil telecentros até o fim de 2006.

	Em São Paulo, o centro de reciclagem funcionará no Cine Olido, na região 
central da cidade, onde será instalado também um telecentro. Além disso, o 
pessoal da MetaReciclagem irá treinar catadores de rua no Projeto Oficina 
Boracea, na Barra Funda, para separar o lixo eletroeletrônico. De acordo com

cálculos do governo federal, um computador reciclado com Linux sairá, em 
média, por R$ 142, comparados ao custo estimado de US$ 700 de um computador

novo.

	Negócio

	A reciclagem de micros serve até como alternativa de negócio, incentivando

o surgimento de pequenas empresas de informática. André Galvão, de 28 anos,

trabalha como autônomo, com editoração eletrônica, e recebeu treinamento em

reciclagem de micros em um projeto da prefeitura de Santo André. "Para 
pessoas de baixa renda, é um produto que cairia muito bem", explica Galvão,

que recebe agora assessoria em administração, para montar uma empresa com o

colega Eric Bento, de 20 anos.

	O plano de negócios de Galvão prevê vender máquinas com preços a partir de

R$ 350. "É um desafio muito grande", conta. "Existem clientes, mas, ao mesmo

tempo, a situação deles não é das melhores. Precisamos encontrar alguém que

financie os clientes, para conseguir vender." A expectativa de atendimento é

de 50 a 56 máquinas por mês, entre venda e manutenção. A empresa deve ser 
aberta no próximo mês. Galvão e Bento moram e trabalham em Sacadura Cabral,

bairro de baixa renda de Santo André.

	Em São Paulo, a prefeitura vai oferecer treinamento nos telecentros para o

recondicionamento de micros. "A idéia é que os meninos dos telecentros virem

representantes e atendam a pessoas da comunidade", conta a coordenadora do 
Governo Eletrônico do governo de São Paulo, Beatriz Tibiriçá. A seleção dos

primeiro grupo está sendo feita pela empresa Planac Informática, parceira da

IBM.

	Entre outras atividades, a Planac faz reciclagem de computadores. Até 
agora, a empresa já reciclou entre 15 mil e 20 mil máquinas. A prefeitura 
enviou 100 máquinas usadas para a Planac, que vai recondicioná-las. Hoje, um

computador reciclado, com Linux, é vendido por cerca de R$ 650 pela Planac.

	Com Windows, a mesma máquina sairia por R$ 1 mil. O motivo da diferença 
seria o pagamento da licença de software.

	Renato Cruz

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