[Cmi-Recife] Trabalhadores da Via Campesina protestam contra o monocultivo de cana em Pernambuco
Setor de Comunicação MST/PE
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Terça Junho 10 02:39:21 PDT 2008
Trabalhadores da Via Campesina protestam contra o monocultivo de cana
em Pernambuco
Começou hoje (10) a Jornada Nacional de Luta da Via Campesina Brasil.
Agricultores e agricultoras de todos os Movimentos que fazem parte da
Via Campesina estão se mobilizando em todo o país por trabalho,
alimento, um novo modelo agrícola e soberania nacional.
Em Pernambuco, as ações da Via Campesina se concentrarão na luta
contra o avanço do monocultivo de cana-de-açúcar na Zona da Mata e
contra o avanço do agronegócio no Sertão do São Francisco,
impulsionado pelos grandes projetos de irrigação como o projeto de
transposição do Rio São Francisco e o Pontal Sul, em Petrolina.
Cana-de-açúcar X alimentos
Na madrugada de hoje (10) cerca de 200 trabalhadores rurais da Via
Campesina ocuparam a Estação Experimental de Cana-de-Açúcar (EECAC),
no município de Carpina, Zona da Mata Norte de Pernambuco. Os
agricultores protestaram contra o avanço do monocultivo de
cana-de-açúcar na região, que têm aumentado ainda mais a miséria e a
concentração de terra em uma região que já sofre com a pobreza e a
opressão do trabalho nos canaviais.
Durante a ocupação os agricultores destruíram mudas de variedades de
cana, inclusive espécies transgênicas, e cortaram cerca de dois
hectares dos 100 hectares de cana-de-açúcar plantadas na Estação. A
Estação Experimental é uma Parceria Público-Privada entre o Sindaçúcar
– Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de
Pernambuco, que reúne as 20 maiores usinas do Estado – e a
Universidade Federal Rural de Pernambuco. Com 250 hectares, a área
poderia assentar cerca de 50 famílias Sem Terra e produzir alimentos
para abastecer as feiras da região. Ao invés disso, ela é usada para
desenvolver pesquisas de variedades de cana voltada para o setor
privado, em especial para a produção em larga escala.
Ao invés da Universidade Federal Rural - uma universidade pública -
investir o dinheiro público em pesquisas que promovam o aumento da
produção e a diminuição dos custos dos alimentos, beneficiando assim,
não só os camponeses, mas toda a população brasileira, a universidade
investe o dinheiro do povo em pesquisas para promover o monocultivo de
cana-de-açúcar para o mercado externo, um dos responsáveis pela
elevação dos preços dos alimentos, pelo maior índice de trabalhadores
em condições análogas a escravidão e pelo grande número de empresas
estrangeiras que compram terras em nosso país.
A Zona da Mata Pernambucana já está tomada pela cana-de-açúcar. Dados
do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – mostram
que 98% das terras de lavouras temporárias da Mata Norte de Pernambuco
são usadas para a produção de cana-de-açúcar, e apenas 2% para a
produção de alimentos. Com o aumento da demanda do mercado
internacional por agrocombustíveis, logo mais terras serão usadas para
plantação de cana, cai a produção de alimentos, que ficam mais caros
para a população. Em São Paulo, a cana substituiu lavouras de feijão,
que dobrou de preço. Produtos agrícolas representaram 40% da inflação,
como a soja, o milho e carne bovina em 2007. Além disso, a demanda
internacional tem reflexos nos preços dos alimentos no país.
Além disso, os impactos ambientais do monocultivo são negativos e não
têm condições de enfrentar o aquecimento global. O modo de produção
vigente usa muita água, provoca a poluição dos rios, utiliza
fertilizantes nitrogenados em grandes quantidades e usa de queimadas,
tendo impactos ambientais negativos maiores do que a gasolina.
Agronegócio X Alimentos
No Sertão da Bahia, agricultores da Via Campesina de Pernambuco e
Bahia ocuparam a barragem da usina de Sobradinho. Os agricultores
protestam contra
Os agricultores protestam contra o modelo de desenvolvimento que vem
sendo implantado na região, simbolizado por grandes projetos de
irrigação para o agronegócio como o projeto de transposição do Rio São
Francisco, o Pontal Sul, em Petrolina, e o Projeto Salitre, na cidade
vizinha de Juazeiro, na Bahia.
Tais projetos revelam um modelo de desenvolvimento que mantém a lógica
colonialista de colocar nossas terras a serviço dos interesses do
mercado internacional. Depois de altíssimo investimento publico em
infra-estrutura de irrigação (no caso do Pontal Sul já foram
investidos cerca de 250 milhões de reais), essa estrutura é
privatizada através de acordos de Parceria Publica Privada (PPP). As
terras, a água e toda a infra-estrutura é passada para as mãos de
grandes empresas do agronegócio, que produzem para o mercado externo.
Existe até acordos para a produção de cana de açúcar em larga escala
na região desses projetos de irrigação.
Os pequenos agricultores e agricultoras que vivem no entorno desses
projetos servirão de reservatório de trabalhadores assalariados a
serviço das empresas de agronegócio. E os que hoje são pequenos
agricultores se tornarão futuros sem-terra, bóia-frias, desempregados
ou até mesmo, cortadores de cana, vivendo sob as condições desumanas
que o povo da Zona da Mata de Pernambuco conhece tão bem.
Além disso, ao contrário do que prega a propaganda oficial, esses
projetos não só não levarão água para a população do Sertão, como
afetarão negativamente o abastecimento de água ao público da região. A
agricultura irrigada intensiva afeta diretamente o abastecimento de
água à população porque diminui a quantidade de água disponível.
A Via Campesina luta por soberania alimentar, por um projeto que
priorize a produção de alimentos saudáveis para o povo e que não
destrua o meio ambiente, construindo uma sociedade justa, igualitária
e democrática, onde a riqueza é repartida com todos e todas.
EM ANEXO INFORME DA VIA CAMPESINA BRASIL SOBRE A JORNADA DE LUTAS
Mais Informações:
Messilene Gorete – MST: 81-8791 2139
Plácido Júnior – CPT: 81-8893 4175
_________________________
Cassia Bechara
Setor de Comunicação MST-PE
tel. 81-3222 7569 / 9647 4331
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