[CMI-SantaMaria] UNômade SM_Mensagem do MST a Augusto Boal

Leonardo Palma desobediente em gmail.com
Segunda Maio 4 10:57:53 PDT 2009


Car em s,

Repasso...

---------- Forwarded message ----------
From: Silvia Balestreri Nunes <silvia em bnunes.com.br>
Date: 2009/5/4
Subject: [cadernosdesubjetividade] Fw: Mensagem do MST a Augusto Boal
To: cadernosdesubjetividade em yahoogrupos.com.br


Companheiro Boal,



A ti sempre estimaremos por nos ter ensinado que só aprende quem ensina. Tua
luta, tua consciência política, tua solidariedade com a classe trabalhadora
é mais que exemplo para nós, companheiro, é uma obra didática, como tantas
que escreveu. Aprendemos contigo que os bons combatentes se forjam na luta.



Quando ingressou no coletivo do Teatro de Arena, soube dar expressão
combativa ao anseio daqueles que queriam dar a ver o Brasil popular, o povo
brasileiro. Sem temor, nacionalizou obras universais, formou dramaturgos e
atores, e escreveu algumas das peças mais críticas de nosso teatro, como
Revolução na América do Sul (1961). Colaborou com a criação e expansão pelo
Brasil dos Centros Populares de Cultura (CPC), e as ações do Movimento de
Cultura Popular (MCP), em Pernambuco.



Mostrou para a classe trabalhadora que o teatro pode ser uma arma
revolucionária a serviço da emancipação humana.



Aprendeu, no contato direto com os combatentes das Ligas Camponesas, que só
o teatro não faz revolução,. Quantas vezes contou nos teus livros e em
nossos encontros de teu aprendizado com Virgílio, o líder camponês que te
fez observar que na luta de classes todos tem que correr o mesmo risco.



Generoso, expôs sempre por meio dos relatos de suas histórias, seu método de
aprendizado: aprender com os obstáculos, criar na dificuldade, sem jamais
parar a luta.



Na ditadura, foi preso, torturado e exilado. No contra-ataque, desenvolveu o
Teatro do Oprimido, com diversas táticas de combate e educação por meio do
teatro, que hoje fazemos uso em nossas escolas do campo, em nossos
acampamentos e assentamentos, e no trabalho de formação política que
desenvolvemos com as comunidades de periferia urbana.



Poucas pessoas no Brasil atravessaram décadas a fio sem mudar de posição
política, sem abrandar o discurso, sem fazer concessões, sem jogar na lata
de lixo da história a experiência revolucionária que se forjou no teatro
brasileiro até seu esmagamento pela burguesia nacional e os militares, com o
golpe militar de 1964.



Aprendemos contigo que podemos nos divertir e aprender ao mesmo tempo, que
podemos fazer política enquanto fazemos teatro, e fazer teatro enquanto
fazemos política.



Poucos artistas souberam evitar o poder sedutor dos monopólios da mídia,
mesmo quando passaram por dificuldades financeiras. Você, companheiro, não
se vergou, não se vendeu, não se calou.



Aprendemos contigo que um revolucionário deve lutar contra todas,
absolutamente todas as formas de opressão. Contemporâneo de Che Guevara,
soube como ninguém multiplicar o legado de que é preciso se indignar contra
todo tipo de injustiça.



Poucos atacaram com tanta radicalidade as criminosas leis de incentivo
fiscal para o financiamento da cultura brasileira. Você, companheiro, não se
deixou seduzir pelos privilégios dos artistas renomados. Nos ensinou a mirar
nos alvos certeiros.



Incansável, meio século depois de teus primeiros combates, propôs ao MST a
formação  de multiplicadores teatrais em nosso meio. Em 2001 criamos
contigo, e com os demais companheiros e companheiras do Centro do Teatro do
Oprimido, a Brigada Nacional de Teatro do MST Patativa do Assaré.  Você que
na década de 1960 aprendeu com Virgílio que não basta o teatro dizer ao povo
o que fazer, soube transferir os meios de produção da linguagem teatral para
que nós, camponeses, façamos nosso próprio teatro, e por meio dele discutir
nossos problemas e formular estratégias coletivas para a transformação
social.



Nós, trabalhadoras e trabalhadores rurais sem terra de todo o Brasil, como
parte dos seres humanos oprimidos pelo sistema que você e nós tanto
combatemos, lhes rendemos homenagem, e reforçamos o compromisso de seguir
combatendo em todas as trincheiras. No que depender de nós, tua vida e tua
luta não será esquecida e transformada em mercadoria.



O teatro mundial perde um mestre, o Brasil perde um lutador, e o MST um
companheiro. Nos solidarizamos com a família nesse momento difícil, e com
todos e todas praticantes de Teatro do Oprimido no mundo.



Dos companheiros e companheiras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra

02 de maio de 2009

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 __._,_.___


<http://br.groups.yahoo.com/;_ylc=X3oDMTJlc3FycWRoBF9TAzk3NDkwNDM1BGdycElkAzExNjAyMzk1BGdycHNwSWQDMjEzNzExMTE3NARzZWMDZnRyBHNsawNnZnAEc3RpbWUDMTI0MTQ0OTI5MQ-->
 .

__,_._,___
 ---------- Forwarded message ----------
From: Arnaldo Carrilho <arnaldocarrilho em yahoo.com.br>
Date: 2009/5/4
Subject: [Enxame_nomade] Fw: Nosso querido Boal
To: Enxameados&quot Nômades &quot <enxame_nomade em listas2.rits.org.br>
Cc: Castor Filho <castorphoto em gmail.com>, GRUPO BEATRICE - NOVO <
beatrice.lista em gmail.com>


Grande, maravilhoso Boal! Adeus, Amigo (de todas e todos que lutam pelo
igualitarismo).

Abraços do
Arnaldo C.

--- On *Mon, 4/5/09, Bárbara Santos <barbarasantos em ctorio.org.br>* wrote:


From: Bárbara Santos <barbarasantos em ctorio.org.br>
Subject: Nosso querido Boal
To: "Arnaldo Carrilho" <arnaldocarrilho em yahoo.com.br>
Cc: "Enxameados" Nômades "" <enxame_nomade em listas2.rits.org.br>, "GRUPO
BEATRICE - NOVO" <beatrice.lista em gmail.com>, "Castor Filho" <
castorphoto em gmail.com>, "barbarasantos.ctorio" <
barbarasantos.ctorio em terra.com.br>
Received: Monday, 4 May, 2009, 7:59 AM

Rio de Janeiro, 04 de abril de 2009.

Companheiros e Companheiras de LUTA,

Nosso querido camarada Augusto Boal, o semeador incansável, que viajou os
quatro cantos do mundo espalhando a semente do Teatro do Oprimido, está em
mais uma viagem. Partiu nas primeiras horas do dia 02 de maio de 2009.
Passou o PRIMEIRO DE MAIO em vigília solidária a todos os trabalhadores e
trabalhadoras que lutam por um mundo mais justo, solidário e feliz.

Partiu nessa viagem especial, por isso não se fará mais presente em nenhum
evento. Mas, como era de seu costume, viveu, amou e trabalhou até a última
gota de energia, deixando pronto o livro *A Estética do Oprimido*. Deixou
também a ordem expressa de que nenhum evento seja cancelado por sua
ausência. “Não é este o sentido da Multiplicação?”

Ontem, 03 de maio, fizemos uma cerimônia de despedida. Seu corpo anunciava o
começo de uma nova etapa do Teatro do Oprimido, com a ausência física de seu
Mestre. Choramos, falamos, cantamos. Celso Frateschi declamou, lindamente,
um trecho do Arena Canta Zumbi. Cantamos a canção criada por Nuno Arcanjo. E
Cecília Boal, com toda a força e vitalidade, gritou aos quatro ventos que
seu marido deveria ser lembrado como o guerreiro que sempre foi. Limpamos
nossas lágrimas e aplaudimos a partida de Boal.

Seu corpo se foi, mas sua presença não! Provavelmente, neste sábado, dia 09
de maio, ratificaremos essa PRESENÇA em uma homenagem, no Centro de Teatro
do Oprimido. Louvaremos à vida, à luta, à produtividade, à obra e à
continuidade do trabalho de Augusto Boal.

Não será fácil seguir sem nosso Mestre, Parceiro, Amigo e Camarada de Luta.
Mas o que foi fácil na trajetória do Teatro do Oprimido?

A ética e a solidariedade como fundamentos e guias. A Multiplicação como
estratégia. A promoção de ações sociais continuadas e concretas, para a
transformação de realidades opressivas, como meta.

*Viva Augusto Boal!*

Sigamos em frente.

Bárbara Santos

PS: O Centro de Teatro do Oprimido informará detalhes do evento em homenagem
a Boal.


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["..., corporações estão assaltando o comum e transformando-o em propriedade
privada. Um ponto central aqui é que o comum é destruído ou se torna menos
produtivo quando feito privado (e também, eu acrescentaria, quando é feito
público, ou seja, objeto de gerenciamento estatal). (...) Quando as
linguagens se tornam privadas elas não podem mais comunicar; quando os
códigos são privados se tornam menos produtivos; quando afetos são privados
eles param de criar relações sociais." (Michael Hardt)]

["A ação da multidão não é outra coisa que esta proliferação contínua de
experiências vitais que têm em comum a negação da morte, a recusa radical e
definitiva do que paralisa o processo da vida". (Antonio Negri)]

[A 'deserotização' da vida cotidiana é o pior desastre que a humanidade pode
conhecer...é que se perde a
empatia, a compreensão erótica do outro..." (Franco Berardi, Bifo)]

["Refiro-me à multidão de festa, à multidão de alegria, à multidão
espontaneamente amorosa, embriagada apenas pelo prazer de se reunir por se
reunir." (Gabriel Tarde)]
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