[Cmi-saoluis] Boletim CMI Porto Alegre n°108
Camila
wicca_cr em terra.com.br
Domingo Junho 20 16:09:59 UTC 2004
BOLETIM DE NOTÍCIAS
CENTRO DE MÍDIA INDEPENDENTE
PORTO ALEGRE
nº 108 - 20 de junho de 2004
"Por uma rede de informação e solidariedade entre
movimentos sociais e segmentos oprimidos."
Rio Grande do Sul
Jejum por Reforma Agrária
Fonte: Comunicação MST-RS
A quinta-feira marcou o terceiro dia de Jejum por Reforma Agrária no Rio Grande do Sul que se iniciou com a adesão de trabalhadores rurais e urbanos em mais dois municípios. Em Carazinho, 15 trabalhadores rurais organizados pelo Movimento Sem Terra e o Movimento de Pequenos Agricultores realizam o jejum na Praça Municipal, em frente a Prefeitura. Em Santa Maria, o jejum reúne mais 10 trabalhadores rurais.
Em Pelotas e Porto Alegre, onde a manifestação se iniciou no dia 15/06, houve a substituição dos jejuantes, após 48 horas sem alimentação. Catorze trabalhadores, rurais e urbanos, permanecerão em jejum em cada um dos municípios por mais 48 horas, quando um novo grupo os substituirá e assim sucessivamente até que se inicie o assentamento de famílias sem terras no Estado.
Participam do jejum, o Movimento Sem Terra, o Movimento de Pequenos Agricultores, Movimento dos Trabalhadores Desempregados e sindicatos da Central Ùnica dos Trabalhadores.
Há trinta e dois dias atrás, os Governos Federal e Estadual comprometeram-se em acordo firmado no Fórum de Carazinho, em iniciar a aquisição de áreas e o assentamento de famílias sem terras no Estado. Para isso, já estão disponíveis 30 milhões de Reais. No entanto, o prazo firmado se encerrou e nenhuma família foi assentada. No Rio Grande do Sul, nos últimos dezoito meses, apenas 53 famílias foram assentadas em dois novos assentamentos. É o pior índice de assentamentos dos últimos quinze anos.
Trabalhadores desempregados ocupam Secretaria do Trabalho
Fonte: CMI Porto Alegre
O MTD - Movimento dos Trabalhadores Desempregados ocupou na manhã de segunda-feira, 14, a Secretaria do Trabalho, no Centro Administrativo do Estado do Rio Grande do Sul. Cerca de 200 pessoas participaram da ação, que ocupou o 8º andar do prédio.
O local foi desocupado depois de as secretarias do Trabalho e Fazenda se comprometerem a assinar a liberação de recursos para as frentes de trabalho. As assinaturas, que beneficiarão 664 famílias, foram formalizadas na terça-feira, 15.
Protestos também foram realizados em Pelotas, Caxias do Sul e Bagé. Em Pelotas, os manifestantes se concentraram em frente à agência central do Banrisul, e em Caxias do Sul, o ato foi em frente ao SINE. Na cidade de Bagé, o movimento ocupou a agência local do SINE.
O MTD em conjunto com o Movimento Nacional dos Catadores e também os Comitês de Resistência Popular, estará reunido com o governo no próximo dia 22, data prevista para a assinatura de mais um convênio, que beneficiará 638 famílias.
Grupo RBS apresenta crescimento, mas número de funcionários continua caindo
Fonte: Informativo eletrônico do Sindicato dos Radialistas do RS
Foi divulgado no site da Revista Press on-line, os números revelados pela RBS referentes ao seu Relatório Institucional 2003/2004. Segundo o artigo, a rádio Farroupilha continua sendo a mais ouvida do grupo, com a média de 64.392 ouvintes por minuto, seguida pelos 24.392 da Gaúcha.
Nos segmento de jornais, a liderança fica com a Zero Hora, único com aumento significativo de circulação. Foi dos 169.749 em 2002 para 176.771 em 2003. O Diário Gaúcho diminuiu em seis mil, o Diário Catarinense baixou mil e o Jornal de Santa Catarina, dois mil. Já o Pioneiro, de Caxias, aumentou a circulação em mil exemplares por dia. O Diário de Santa Maria que começou a circular em junho de 2002, teve a média de 9.078 exemplares nesses seis meses e 11.802 em 2003.
Segundo a matéria, os dados não representam um grande crescimento, mas são bons se comparados com a média nacional que, segundo a ANJ - Associação Nacional de Jornais, teve uma queda 7,2% em 2003. A principal fonte de receita, com crescimento real de 7% em 2003, continua sendo a publicidade, perto de 78%, seguida pela circulação, com 16,2%.
O que chama a atençãoé a queda no número de funcionários, que caiu de 4.496 em 2002 para 4.362 em 2003. Distribui, entre os funcionários, R$ 18 milhões em PPR (participação por resultado).
Como a Rede tem por hábito a prática de uma política gananciosa para a obtenção de seus lucros, todos os anos procura diminuir cada vez mais o número daqueles a quem chama de "colaboradores". O próximo Relatório deve apontar novamente queda no número de funcionários, pois na última campanha salarial, com a proximidade do reajuste dos seus salários, estes colaboradores são implacavelmente demitidos.
Ano passado o número de demissões chegou a 218. Como podemos notar, a via de colaboração nesta empresa possui mão única, onde só quem ganha é a classe patronal. E, quando chega a época do acerto do PPR, se vangloriam, como se os méritos não fossem única e exclusivamente oriundos do esforço e da competência de seus assalariados trabalhadores.
Brasil
Coordenação dos Movimentos Sociais: Campanha "O Brasil Quer Trabalhar" movimenta trabalhadores gaúchos
Fonte: CUT-RS
A Coordenação dos Movimentos Sociais do Rio Grande do Sul - CMS detalha a metodologia para o trabalho de base, entre os dias 12 e 16 de julho, durante a campanha "O Brasil Quer Trabalhar". É importante realizar mobilizações fortes, concentradas nas cidades pólos, que são: Canoas, Caxias do Sul, Santa Cruz, Pelotas, Passo Fundo e Santa Maria.
As manifestações poderão ser precedidas de seminários e debates com o objetivo de garantir a formação em torno de temas como macro-economia, desemprego, reforma agrária, educação, moradia, e outros. Uma nova cartilha está sendo preparada para aprofundar os debates.
No mesmo período, deve ser feita uma ampla campanha de coleta de assinaturas no abaixo-assinado em defesa da "redução da jornada de trabalho" e também o "censo nacional dos desempregados".
A metodologia, abaixo, pode contribuir no processo de mobilização:
1º) Organizar plenárias regionais nas seguintes cidades pólos: Canoas/RMPA, Caxias do Sul, Pelotas/Região Sul, Santa Maria, Santa Cruz/Vale do Rio Pardo e Passo Fundo.
2º) Realização do trabalho de base nas vilas e periferias com panfletagens, seminários e debates, envolvendo, numa perspectivade formação/preparação, a população envolvida.
3º) Organizar atos públicos preferencialmente em frente às prefeituras das cidades pólos. Cadastrar os desempregados.
4º) A semana será fechada com uma atividade massiva no dia 16 de julho em Porto Alegre. A proposta é fazer um grande acampamento na capital.
O Censo Social do Desemprego no Brasil é importante para se garantir um cadastro de desempregados para, em caso de abertura de frentes de trabalho, isenção de tarifas de luz, água, etc, se ter um mapeamento de quem são as pessoas que realmente precisam de apoio social.
A orientação é de que os cadastros sejam remetidos para a CUT-RS - Rua Dr. Barros Cassal, 283 - Bairro Floresta - POA/RS - cep: 90035-030. Fone/fax: (51) 3224 2484.
Produção acadêmica combate marginalização de emissoras livres
Fonte: CMI Brasil
Em abril deste ano, Cristiane Andriotti defendeu a tese "O Movimento das Rádios Livres e Comunitárias e a Democratização dos Meios de Comunicação no Brasil", na Unicamp. Antes disso, a única pesquisa de pós-graduação sobre o tema conhecida pelos ativistas era a de Marisa Meliani: "Rádios Livres; o outro lado da voz no Brasil", defendida na USP em 1995.
Esta situação mostra a grande carência de pesquisas neste campo. A nova pesquisa vem com um sabor especial, pois sua autora participa da Rádio Muda desde 1993.
Enquanto o Estado, o empresariado e governantes insistem em manter marginalizadas as emissoras do povo, rádios livres e comunitárias se reuniram em Porto Alegre durante o Fórum Internacional de Software Livre dia 3 de junho. As rádios livres preparam um encontro para julho, durante o our media/nossos meios, que reunirá ativistas e acadêmicos para discutirem sobre comunicação.
O movimento de Rádios Livres tem se fortalecido desde o encontro na Rádio Muda em novembro do ano passado. O (re)surgimento de rádios livres em várias cidades do país e a criação do portal radiolivre.org, no qual se constrói uma rede de rádios livres, tem se tornado uma alternativa autônoma e uma forma ação concreta na luta pela democratização da comunicação.
América Latina
Zapatista brutalmente assassinado
Fonte: www.ainfos.ca
O zapatista Eduardo Vázquez Álvaro foi assassinado em pleno dia no centro da cidade de Chilón. O indígena de 50 anos de idade tinha estado preso durante muitos anos na prisão de Cerro Hueco e foi membro da organização de prisioneiros zapatistas « A voz de Cerro Hueco». Em liberdade desde 2001, ele vivia de novo em Chilon.
Na última segunda feira, dia 14, Eduardo foi atacado por cinco homens que se faziam transportar em dois carros. Eles atingiram-no com três tiros, no crânio, no peito e no abdómen e feriram-no ainda com golpes de machado. Quando ele já se encontrava caído por terra passaram com os carros por cima do seu corpo já sem vida.
Terça feira uma manifestação de centenas de zapatistas e simpatizantes teve lugar em Chilon, acusando os grandes proprietários terra-tenentes locais da morte de Eduardo.Uma caravana de viaturas militares e policiais que procurava patrulhar a vila teve de retirar-se debaixo de uma chuva de pedras lançada pelos manifestantes, segundo noticiou o jornal Expresso de Chiapas.
A morte de Eduardo mostra infelizmente que os grandes proprietários rurais e os seus homens de mão podem continuar a cometer os seus crimes em pleno dia na região de Chiapas.
"Motoboys" autônomos
Fonte: CMI São Paulo
Dentre os inúmeros movimentos autônomos que estão surgindo na Argentina destaca-se a atuação do Sindicato Independiente de Mensajeros e Cadetes (SIMeCa). Na Argentina, mensajero é todo trabalhador que leva mensagens, encomendas e similares; seja a pé, de bicicleta, moto ou mesmo trabalhador de "deliverys".
O SIMeCa tornou-se conhecido depois do levante popular de 19 e 20 de dezembro que tirou De La Rua da presidência da república. Os mensajeros foram essenciais na logística, comunicação e segurança do levante espontâneo que mobilizou a sociedade Argentina. Esse momento foi tão importante na história da categoria que o dia 20 de dezembro foi declarado dia do mensajero, em virtude do assassinato de Gastón Riva - mensajero - pela polícia bonaerense.
O SIMeCa surgiu pouco antes do levante de 2001, como conseqüência da organização autônoma dos mensajeros frente à burocratização do sindicato tradicional que, como muitos sindicatos, aderiu totalmente ao sistema, deixando de lado a luta dos trabalhadores e tornando-se uma verdadeira empresa prestadora de serviços bancada pelo imposto sindical.
Por esse motivo os trabalhadores mensajeros decidiram formar um sindicato de classe independente, diferente dos tradicionais, sem cargos remunerados; totalmente independente do Estado; dos poderes políticos, econômicos ou religiosos.
Desde o início o sindicato contou com a ajuda de organizações e movimentos autônomos como o MTD Aníbal Verón, a organização de direitos humanos H.I.J.O.S. e sindicatos anarquistas da Europa; estes últimos contribuíram com o dinheiro necessário para a compra da sede do SIMeCa. Muitos dos filiados são simultaneamente militantes de MTDs ou da organização H.I.J.O.S.. Ao contrário do sindicato similar institucionalizado o SIMeCa conta com uma estrutura singela, sendo a sua sede uma pequena casa com um bar, uma oficina de motos, um escritório e uma sala de reuniões. Na sede funcionam o sindicato e as cooperativas de mensajeros, que foram criadas para melhorar as condições de trabalho dos filiados.
As mobilizações convocadas pelo SIMeCa são conhecidas pela quantidade impressionante de mensajeros e pela disposição de radicalizar quando necessário, inclusive com táticas de piquete e escraches. Segundo seus membros a força da organização está nos laços comunitários que são cultivados entre seus membros, através de ações de solidariedade, mesas de discussão, festas e através do estudo de códigos tradicionais usado pelos mensajeros no seu dia a dia. Como no Brasil os "motoboys" argentinos são muito solidários com seus companheiros de categoria, mas lá eles têm como princípio bem definido o apoio mútuo. O sindicato não é formalmente revolucionário, pois seus filiados crêem que caso isso fosse formalizado muitos mensajeros deixariam de se identificar com os objetivos do sindicato. Atualmente o SIMeCa tem como prioridade as seguintes reivindicações:
- Aumento da comissão para os mensajeros
- Seguro de vida com o beneficiário indicado pelo mensajero e pago pelo patrão
- Alimentação a cargo do patrão
- Pagamento de quinze em quinze dias
- Roupa, bolsa, capacete e etc pagos pelo patrão
- Não ao pagamento de taxas extras para o Estado para poder trabalhar
- Encargos sociais e previdenciários à cargo do patrão
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2004/06/283206.shtml
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