[cmi-sp-radio] Re: Quadro pra rádio (encaminhando)
foz
foz em resist.ca
Terça Março 22 12:41:05 PST 2005
Em Ter, 2005-03-22 às 20:31 -0300, Arthur Dantas escreveu:
> Com Raiva e Paciência – um espaço para questionar os grandes meios e o
> consenso estabelecido pelos poderosos. Por Velot Wamba, voluntário do
> CMI-São Paulo
>
>
>
> No dia 22 de Março, Ana Maria Braga, apresentadora do matinal Mais
> Você, da TV Globo – voltado sobretudo para a dona-de-casa e seus
> filhos – dedicou boa parte de seu programa ao tema seqüestro.
>
>
>
> Após falar com a mãe de uma criança de dois anos que havia
> sido solta pelos seqüestradores, perguntou atônita ao seu parceiro
> Lôro José (que, como os ouvintes sabem, trata-se de um papagaio),
> “onde esse mundo vai parar?...”
>
>
>
> No bloco seguinte do programa, entrevistou um delegado
> aposentado que preparava um estudo exaustivo da “indústria do
> seqüestro” no Brasil a partir da década de 1980, para uso da Academia
> de Polícia, um tanto quanto despreparada para tal situação.
>
>
>
> Dentre outros fatos importantíssimos, nos alerta o
> delegado-velho-de-guerra que seqüestros existem desde a Bíblia, como o
> caso do sobrinho seqüestrado de Abraão...
>
>
>
> Ana Maria foi taxativa em uma de suas últimas frases dirigidas ao
> delegado aposentado: espero que esse seu trabalho – o estudo dos
> seqüestros nos ajude.
>
>
>
> Vale lembrar que seqüestros em São Paulo nunca cessaram nos últimos 10
> anos, muito pelo contrário, mas de tempos em tempos ganha-se um
> destaque maior, como agora com 4 seqüestros em 4 meses de familiares
> de jogadores de futebol famosos.
>
>
>
> Corte rápido: no dia 09 de março, foi assassinada no portão de sua
> própria casa, Idacilde do Prado Lameu, conhecida popularmente por Ilda
> Prado. Mas quem foi essa mulher?
>
>
>
> Ilda Prado, moradora desde 1998 do Jardim Capivari, bairro pobre de
> Duque de Caxias, cidade também pobre da Baixada Fluminense, ganhara
> certa notoriedade em sua cidade desde sua chegada, porque após
> estupros de duas meninas – uma de 8 anos e outra de 12 anos – e diante
> do pouco caso das autoridades, fez uma verdadeira milícia feminina,
> que acompanhava as garotas em seus trajetos noturnos e limpava e
> carpia os terrenos baldios – lugares recorrentes de estupros,
> assassinatos e desova de cadáveres.
>
>
>
> Além disso, reza a lenda local, que prendiam estupradores, ladrões e
> os entregavam à Polícia local e avisava: “se soltar a gente mata”.
> Essas e outras histórias estão no documentário As Justiceiras do
> Capivari, de Felipe Nepomuceno, realizado em 2003.
>
>
>
> Ilda tinha opiniões simples e lógicas, primeiro para justificar a Ação
> Direta (“porque neste país não existe autoridade e é preciso gritar
> bem alto para que os governantes não pensem só neles”) e porque seu
> bairro não recebia a devida atenção dos governos municipais e
> estaduais (ela dizia “rico só cuida de rico; dos pobres, só os pobres
> cuidam”).
>
>
>
> Ilda – uma filha adotiva que em toda sua vida se preocupou com os mais
> pobres e desprotegidos – fora assassinada com 5 tiros, segundo a
> Polícia de Duque de Caxias, por homens da traficante Merinália de
> Oliveira, a Índia, chefe do tráfico em três favelas de Duque de
> Caxias, que se incomodava com a resistência organizada por Ilda, que
> procurava proteger as crianças e adolescentes do bairro Capivari. Vale
> ressaltar que um dia antes Ilda havia procurado a Polícia para
> reclamar das ameaças de morte e da escalada da violência em seu
> bairro.
>
>
>
> Samuel Maia, representante da Casa Civil da Presidência diz que “vai
> pedir à Polícia Federal que investigue o assassinato”. Ilda deixou
> marido e dois filhos.
>
>
>
> Mas qual a ligação da perplexidade de Ana Maria Braga diante de
> seqüestros dos ricos – já que os seqüestros com pessoas pobres são
> raros e freqüentemente realizados por “navegantes de primeira viagem”
> – e o caso de Ilda em Duque de Caxias?
>
>
>
> Uma se lamenta sobre o estado do mundo com um papagaio, o que
> significa dizer que é um meio caminho para não obter resposta nenhuma
> ou no máximo uma repetição do que acabara de dizer, enquanto a outra
> pratica Ação Direta para preservar sua dignidade e de sua comunidade,
> assim como o fazem os sem-terras, os sem-tetos, os piketeros da
> Argentina ou os zapatistas do México, porque sabem que das
> autoridades, os pobres não devem esperar nada.
>
>
>
> Ana Maria Braga espera que o estudo voltado para a polícia, realizado
> pelo delegado aposentado “nos ajude”, e nesse “nos ajude” significa
> dizer que ajude os pares de Ana Maria, ou seja, os ricos. De sua parte
> Ilda sabia que os pobres só podiam contar com os pobres.
>
>
>
> O CMI Brasil presta sua homenagem a esta guerreira anônima – retratado
> com profundidade somente pela revista Carta Capital e deixa a pergunta
> aos nossos ouvintes: você irá reclamar as mazelas do mundo com seu
> papagaio ou irá lutar você mesmo para construir um mundo melhor?
>
>
>
>
>
> Diga a verdade e saia correndo! – provérbio turco
>
>
>
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>
> O Bocudo ataca novamente!
>
>
>
> Perguntar nunca ofendeu ninguém: Nilcéia Freire, ministra da Saúde
> divulgou dados da Secretaria Especial de Política para a Mulher que
> falam em 260.000 mil mulheres recorrendo anualmente à rede pública em
> conseqüência de abortos mal realizados.
>
>
>
> Ao invés de boa parte da população apelar para argumentos religiosos
> duvidosos e rogar pragas nas mulheres que abortaram como “quem aborta
> o rabo entorta”, não seria hora de olhar de modo diferenciado para a
> questão. Se o bom senso que diz que as mulheres devem decidir elas
> mesmas o que fazer com seu corpo não capta corações e mentes de todo
> mundo, que tal apoiar a legalização do aborto por economia de
> dinheiro? Imaginem quanto dinheiro público foi gasto para tratar de
> casos que poderiam ser evitados, como os abortos caseiros.
>
>
>
> E não venha falar que era melhor essas mulheres não terem abortado,
> afinal, o mundo já está bem lotadinho e, no mínimo, mais 260.000
> crianças não resolveriam nada, seja o problema religioso, o problema
> da liberdade feminina e nem o de superpopulação do planeta. Por isso
> faço coro a um famoso personagem humorístico interpretado por
> Francisco Milani: “não me venha com churumelas!”
>
> Perguntar não ofende e o bocudo já está indo embora...
>
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