[CMI-SSA] RESPOSTA PROF. MOTT INVASAO REITORIA UFBA
Luiz Mott
luizmott em ufba.br
Sexta Agosto 13 07:07:13 PDT 2004
Colegas da Midia Independente
Primeiro, meus cumprimentos pelo excelente trabalho que voces fazem! Sou
vosso leitor assíduo!
Foi divulgada uma carta de resposta do Prof. Delmiro Baqueiro,da UFBa a uma
primeira carta minha assinada por 96 professores da UFBa, sem que este
abaixo assinado e minha resposta ao Prof. Baqueiro fossem primeiramente
publicadas, razão pela qual solicito sejam divulgadas as duas cartas pois
só assim se chega a compreensão integral desta polêmica. Atenciosamente,
Luiz Mott
1. Carta do Prof. Luiz Mott em defesa da Reitoria da UFBa
Salvador, 8/8/2004
Colegas da Ufba e nossos representantes na APUB:
Saudações Acadêmicas!
Solicito a nossos representantes de classe, que têm sido tão solícitos na
defesa dos justos direitos trabalhistas dos APOSENTADOS, solicito vossa
interferência para que NUNCA MAIS a sede do nossa Universidade seja
invadida, por
mais justas que sejam as reivindicações dos protestantes. Este tipo de
violência e desordem pode descambar em inaceitável violência física, como
foi noticiado na FSP, e observada em universidade do interior de SP, onde
mascarados chegaram a destruir o patrimônio universitário e agredir os
opositores. A Reitoria é o coração de todos nós, lá estão documentos e
peças preciosíssimos, que não podem ficar a não ser nas mãos e sob a guarda
de quem nós, professores, estudantes e funcionários, elegemos
democraticamente como zeladores de nosso patrimônio moral, intelectual e
material. Portanto, por mais solidário que sejamos às justas reivindicações
dos estudantes (restaurante já!), que a Apub negocie a imediata recuperação
da Reitoria pelo Magnífico Reitor, a quem a maioria da comunidade
universitária elegeu como nosso representante.
Se desde a Idade Média a Universidade conseguiu manter afastada de nossos
campi a força policial, não vamos permitir que grupo algum traga para nosso
meio qualquer tipo de violência e abuso.
Conto com seu apoio e divulgação desta proposta, cabendo à Apub zelar para
que nunca mais nossa Reitoria seja invadida.
Cordialmente,
LUIZ MOTT
Professor Titular de Antropologia, UFBa, Comendador da Ordem do Rio Branco,
Ex-Membro do Conselho Nacional de Combate a Discriminação da Presidência da
República e da Comissão Nacional de Aids do Ministério da Saúde
2. MENSAGEM DO PROF. DELMIRO BAQUEIRO DEFENDENDO A INVASÃO DA REITORIA
At 14:54 10/8/2004 -0300, you wrote:
Prezado Prof. Luiz Mott,
Recebi a sua correspondência eletrônica indiretamente, já que
o meu nome não consta da lista original. Mas, mesmo assim,
resolvi fazer alguns comentários.
Vivo atualmente o ócio da aposentadoria. E uso este ócio para
fazer muitas coisas, inclusive trabalhar. Quando não tenho o
que fazer (ou não tenho paciência para fazer o que tenho que
fazer), leio ou releio uns poucos livros que juntei durante
muitos anos.
Li recentemente a história do cerco do pentágono, contada por
Norman Mailer. Estava na estante durante anos e eu não via. É
uma história encantadora. Ocorreu em 1967. Era uma
manifestação contra a guerra do Vietnã. Uniu pacifistas,
intelectuais das mais variadas convicções, estudantes de
muitas universidades, hippies, movimento negro, ... Eles
queriam, de fato, ocupar o pentágono. Chegaram somente aos
degraus. De lá viram a janela do Secretário de Defesa aberta.
Quando a janela se fechou o pau começou a comer. Muita gente
foi presa, inclusive Mailer, Chomsky e outros intelectuais
americanos que desconheço. O cerco ao pentágono durou todo um
fim de semana e, entre as atividades que lá se desenrolaram
houve uma cerimônia ecumênica para retirar o mal que lá se
infiltrara. Um grande elenco de deuses (entre eles o nosso
Xangô, deus da justiça) foi chamado para retirar o Pentágono
do chão, elevá-lo a dez metros de altura e fazê-lo vibrar até
que todo o mal fosse dele retirado. Muitos acreditam que esse
objetivo foi conseguido temporariamente e que o fim da guerra
do Vietnã, com a derrota dos falcões americanos, foi
ocasionada por ações internas como o cerco.
Durante esses últimos meses, movido pela leitura do cerco,
fiquei pensando nas poucas ocupações que eu participei e
sobre aquelas que quis fazer e não pude. Começou em 1968.
Calouro na Universidade, participei da greve com ocupação das
unidades. Havia um “frisson” de que o CCC (comando de caça
aos comunistas) iria invadir as nossas escolas. Além de
provocações esporádicas nada aconteceu. No Instituto de
Física estava a menina dos olhos da UFBa. O novo computador
IBM-1130, com muitos quilobytes de memória. Mesmo no ano de
1968 as greves acabaram um dia. E o maravilhoso computador
ficou são e salvo. E vieram os tempos duros. A revitalização
do movimento estudantil e do movimento operário, as lutas da
sociedade civil que levaram à derrubada da ditadura e à
retomada da democracia, em muitos momentos, foi acompanhada
de greves com ocupação parcial ou total dos ambientes de
trabalho e das escolas. Nas décadas de 70-80 isto ocorreu,
por exemplo, em Contagem, em Osasco, em Volta Redonda, na
UnB, na USP, na UFBa, em sei lá quantas universidades, na
Sudene, no IBGE, em toda a área de saúde. Na década de 90
houve, na UFBa, pelo menos outros três momentos de greve com
ocupação. No movimento contra a posse de Rogério Vargens,
considerado pela comunidade de professores, alunos e
funcionários como um interventor do MEC, a reitoria foi
ocupada pelos três segmentos da universidade. Nos reitorados
dos Profs. Filippe Serpa e Heonir Rocha, a reitoria foi
ocupada por estudantes. Nos tempos atuais, prédios e terras
são ocupados por sem-teto e sem-terra.
Assim, quando recentemente a reitoria foi ocupada novamente
por estudantes, não dei muita importância. Acreditava que com
um pouco de diálogo as dificuldades seriam contornadas. Não
que eu não ache relevante o fato dos estudantes estarem,
novamente, mobilizados. Não que eu ache que as reivindicações
não são relevantes. É que eu acho que os movimentos sociais
vêem e vão como as marés e os ganhos, em cada momento, são
pontuais. Por isso, por saber que até as greves de 1968 um
dia acabam, não dei muita importância. Entretanto, eu acho
que as ações administrativas e algumas opiniões, inclusive as
suas, sobre essa nova ocupação ao invés de ajudar a recompor
a “ordem” acabam por levar a impasses desnecessários.
A leitura livre de seu texto parece indicar que os movimentos
sociais são os causadores das várias mazelas pelas quais
passa e passou a sociedade brasileira. Usa-se a expressão
NUNCA MAIS, “solicito vossa interferência para que NUNCA MAIS
a sede do nossa Universidade seja invadida, por mais justas
que sejam as reivindicações dos protestantes” invertendo o
seu sentido. Pode-se exigir que o estado não torture, NUNCA
MAIS. Mas não se pode exigir que os movimentos sociais tornem-
se representantes do bom-mocismo ou do politicamente correto.
Assim, usar a expressão nunca mais para a ocupação da
reitoria por uma dos segmentos da nossa comunidade é pedir a
paz dos cemitérios. Os movimentos sociais são legítimos para
lutar, com seus métodos próprios, pela revogação de leis e
regulamentos que considerem ruins. “Este tipo de violência e
desordem pode descambar em inaceitável violência física, como
foi noticiado na FSP, e observada em universidade do interior
de SP, onde mascarados chegaram a destruir o patrimônio
universitário e agredir os opositores.”. Houve tempo em que
se jogou bombas nas bancas de revista. E o recado era claro.
Ou vocês deixam de vender jornais alternativos ou sofrerão
outras violências. De novo a paz dos cemitérios. Não vamos
ousar, não vamos cutucar a onça com vara curta, senão... O
Texto continua dizendo que “A Reitoria é o coração de todos
nós, lá estão documentos e peças preciosíssimos, que não
podem ficar a não ser nas mãos e sob a guarda de quem nós,
professores, estudantes e funcionários, elegemos
democraticamente como zeladores de nosso patrimônio moral,
intelectual e material.”. Desculpe, professor, mas o
presidente é presidente, o governador é governador, o
prefeito é prefeito, o reitor é reitor. Não me parece que
nenhum desses cargos tenha como atribuição legal a
de “zeladores de nosso patrimônio moral, intelectual e
material.”. Da minha moralidade cuido eu, da minha
intelectualidade cuido eu. Da sua moralidade cuida o senhor,
da sua intelectualidade cuida o senhor. Moralidade e
intelectualidade são espaços individuais, bem o sabes,
prezado professor.
O texto segue dizendo que “... não vamos permitir que grupo
algum traga para nosso meio qualquer tipo de violência e
abuso.”. É preciso definir claramente a expressão “para nosso
meio”. Os estudantes que cumpriram uma decisão de Assembléia
do Corpo Discente da UFBa, com mais de 1.300 participantes,
são ou não são parte “do nosso meio”?
O que me entristece nisso tudo é perceber quanto
autoritarismo cabe em pessoas consideradas
progressistas. “Ordem e Progresso”. Está lá na bandeira o
pensar de A. Comte, é símbolo da pátria. Deixa lá onde está.
Cada vez que recorremos a essas palavras da bandeira elas
soam mal. Em certo momento da nossa história recente soaram
como “ame-o ou deixe-o”. Aliás, desde 1892, quando o
congresso brasileiro discutiu a retirada dessa expressão de
nossa bandeira, proposta que foi derrotada pelo voto de
setores conservadores da sociedade brasileira, essa frase soa
mal. Inclusive, convém registrar, o dito de Olavo Bilac
incluía o amor como princípio.
Por tudo isto, prezado Prof. Luiz Mott, no sábado passado,
após ler a sua correspondência eletrônica intitulada “Ordem e
Progresso na Reitoria”, fui convidado por minha filha para
comparecer, no domingo, à reitoria, para uma pequena
atividade do dia dos pais. Aceitei de pronto. E lá vi os
meninos, zelosos na defesa do patrimônio da UFBa. Como,
aliás, já havíamos feito em 1968, guardando o maravilhoso e
precioso computador IBM-1130. Quanto a isto, professor, fique
tranqüilo. Os estudantes, na reitoria, são a melhor guarda do
nosso patrimônio.
Delmiro M. Baqueiro
Prof. Aposentado do IFUFBa
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Resposta do Prof. Mott ao Prof. Baqueiro, 10-8-2004
Prezado Prof. Baqueiro
saudações!
admiráveis vossas críticas a minha carta. são tão
convincentes, alinhavadas com bons exemplos, tudo feito com
tanta clareza e humildade, que vejo o quanto meu texto original é
criticável, sobretudo a questão do "zelo por nosso
patrimônio moral". confesso que imaginei "moral" aqui como conjunto de
regras de conduta - no caso, o respeito
à eleição democrática dos nossos representantes, especificamente o Reitor.
O Prof.Joao Reis também questionou
meu arrufo "invasão da reitoria nunca mais", alegando nao existir "nunca"
na política.
Contudo, nao podemos concordar quando diz que "Os estudantes, na
reitoria, são a melhor guarda do nosso patrimônio." Não foram capacitados
nem foram eleitos para tal função. Os atos de vandalismo observados em
outras universidades comprovam a temeridade destas invasões, por mais
justos que sejam os motivos.
Muito obrigado, colega, que usa o "ocio da aposentadoria" para nos
iluminar em questões existenciais tão importantes.
Cordialmente, Luiz Mott
Professores que já se manifestaram contra a invasão da Reitoria da Ufba
(13/8/2004):
1. Ailton Melo , Prof. Adjunto e Livre Docente, Depto. de
Neuropsiquiatria
2. Amilcar Baiardi Prof. Titular e membro do CONSPE
3. Ana Cecília de Sousa Bastos, Professor Adjunto, Departamento de
Psicologia
4. Ana Cristina F. Soares, Titular da Escola de Agronomia, Cruz das Almas
5. Ana Marlúcia Oliveira Assis, Professora Titular da Escola de Nutrição
6. Angela Gordilho Souza, FAU
7. Antonio Pinho, Escola Admnistração
8. Antonio Raimundo Pinto de Almeida , Prof Adjunto Dept de Medicina
9. Antonio Virgilio", Prof.Titular, Depto. Psicologia
10. Arivaldo Leão de Amorim, Professor Titular, LCAD/Faculdade de
Arquitetura
11. Aroldo Misi Instituto de Geociências Professor Titular
12. Asher Kiperstok , Professor Adjunto Escola Politécnica
13. Aureo Silva de Oliveira
14. Carlos Brites Prof. Adjunto -FAMED
15. Carlos Caroso, Departamento de Antropologia da FFCH
16. Carlos Menezes - Obstetrícia - FAMEB
17. Cecilia Sardenberg, Dept. Antropologia
18. Charbel El-Hani, Instituto de Biologia
19. Claudete Alves, Coordenadora do POP-BA da RNP - CPD
20. Claudia Miranda, Depto de Educação Física Faculdade de Educação
21. Claudio Cardoso, Facom e NPGA/EAUFBA
22. Clovis Pereira Peixoto, Chefe do Departamento de Fitotecnia da
Fac.Agronomia
23. Cristina Tourinho, Professor Adjunto da Escola de Música.
24. Décio Torres Cruz , Prof. Adjunto - Instituto de Letras
25. Ednildo Andrade Torres, Escola Politécnica
26. Eloísa Petti Pinheiro, Professora Titular da Faculdade de Arquitetura
27. Emilio Silva, Professor Titular de Fisiologia Instituto de Ciências
da Saude
28. Eulina Lordelo, Departamento de Psicologia
29. Francisco Adriano de Carvalho Pereira
30. Gey Espinheira, Departamento de Sociologia
31. Heloisa Helena Fernandes Gonçalves da Costa, Depto de Sociologia, FFCH
32. Hugo Ribeiro Jr. , Prof. Adjunto Doutor do Dept de Pediatria
33. Iara Brandão de Oliveira , Adjunto IV, Departamento de Engenharia
Ambiental
34. Iara Maria de Almeida Souza, Departamento de Sociologia, FFCH
35. Ines Dourado, porfessora adjunta ISC
36. Jeder Janotti Jr., Facom
37. Jeferso Bacelar, Dept. Antropologia
38. João_Reis, Prof. Titular, Depto História
39. Jocélio Teles, Diretor do Ceao
40. Jorge M. David, Instituto de Quimica
41. Jorge Piton
42. José Bernardo Cordeiro Filho, Professor Adjunto IV da Fac.Ciências
Contábeis
43. José Fernandes de Melo Filho, Agrufba
44. Juceni Pereira David , Profa Titular de Farmacognosia
45. Katia de Carvalho, Diretora do ICI
46. Katia Siqueira de Freitas
47. Ligia Maria Vieira da Silva . Diretora do Instituto de Saúde Coletiva
48. Lúcia Noblat. Prof. Adjunto IV, Depart. Medicamento, Faculdade de
Farmácia
49. Luis Edmundo Prado de Campos, Prof. Titular da Escola Politecnica
50. Luiz Alberto Bastos Petitinga, Faculdade de Ciências Econômicas
51. Luiz Mário N. Góis Prof. Adjunto IV , Dpto Engenharia Química , E.
Politécnica
52. Luiz Mott, prof. Titular Ap, Depto. Antropologia
53. Manuel Veiga , Professor (emérito) da EMUS
54. Marcelo Cajueiro.
55. Márcia Marinho, Departamento de Engenharia Ambiental
56. Marcos Palacios Professor Titular FACOM/UFBA
57. Maria Cecilia Esperidião , Profa Adjunto IQ-UFBA
58. Maria Anita Pessoa Martinelli, Escola Politécnica
59. Maria da Glória Teixeira, Adjunto IV do ISC
60. Maria Hilda Paraíso, Departamento Antropologia
61. Maria Spínola , FAculdade de Farmacia
62. Mario Luis Ribeiro
63. Mauricio L. Barreto, Professor Titular de Epidemiologia do ISC
64. Milton J. Porsani , CPGG-IGEO
65. Mirella Márcia Longo Vieira Lima, Instituto de Letras
66. Miriam Elza Gorender, Departamento de Neuropsiquiatria, Medicina
67. Nadja Miranda, Facom
68. Olival Freire Junior, Professor Instituto de Física
69. Olivar Lima, Prof. Titular IG
70. Ordep Serra, Chefe Depto. Antropologia
71. Paula Mathias , Profa. Adjunta Depto. Clínica Odontológica, FO
72. Paulo César Alves, Prof. Titular do Departamento de Sociologia
73. Paulo Gabriel Nacif, Faculdade de Agronomia
74. Paulo Henrique de Almeida ,Faculdade de Ciências Econômicas
75. Pedro Ornelas
76. Raimundo Macêdo, Professor Titular do Inst. de Matemática,
77. Rejâne Lira , Instituto de Biologia
78. Ricardo de Araujo Kalid, Chefe do Departamento de Engenharia Química
79. Roberto Argollo - Instituto de Física Professor titular
80. Roberto Fernandes Silva Andrade do Instituto de Física
81. Ruthy Nadia Laniado, Depto. de Sociologia, FFCH
82. Sandro Lemos Machado, Poli/UFBA
83. Saulo Carneiro Departamento de Física Geral - Instituto de Física
84. Silvia Lúcia ferreira, Escola de Enfermagem
85. Silvia Sardi, Faculdade Fonoaudilogia
86. Stella Barrouin, Escola de Medicina Veterinária
87. Suani T. R. Pinho, Departamento de Física Geral , Intituto de Física
88. Tânia Fischer da Escola de Administração
89. Teresa Bahiense
90. Thereza Cristina Calmon de Bittencourt, Escola de Medicina Veterinária
91. Virgílio Bandeira - DEA - Escola Politécnica
92. Vital Pedro da Silva Paz
93. Viviane A. Sarmento , Faculdade de Odontologia
94. Waldomiro José da Silva Filho , Prof. Adjunto do Dep. de Filosofia
95. Wilma Sousa Santana , Professora Adjunta IV , Instituto de Saúde
Coletiva
96. Joge Guedes, Faculdade Medicina
Aé 6a feira, 13/8, às 10hs.
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3. Resposta do Prof. "Jorge Guedes" <jorge.carvalho.guede em terra.com.br>
At 19:13 12/8/2004 -0300, you wrote:
Prezado Professor Baqueiro:
Achei interessante a sua réplica, um tanto quanto "blasée", mas sem dúvida
inteligente. Não obstante, permito-me discordar dela por algumas razões:
- Estabelecer um paralelo entre a atual Reitoria da UFBA e o Pentágono,
e as lutas dos anos 60 e 70 com o movimento atual me parece um mais que
óbvio exagero (viés literário ou político?). Afinal, não se trata da Guerra
do Vietnã (nem do Iraque), nem de um movimento contra uma ditadura militar
que "prendia e arrebentava".
- O atual Reitor foi empossado a partir da luta dos três segmentos da
Comunidade Universitária, e foi democraticamente eleito, como o mais votado
por esses segmentos. Difere, portanto, do Reitor imposto Vargens; e mesmo do
Reitor Heonir Rocha.
- Os estudantes tiveram a possibilidade de manifestar livremente seu
pleito junto a um Conselho Universitário; a proposta defendida (de maioria
dos estudantes?) foi votada e derrotada. A menos que se considere que a
composição desse Conselho injusta e antidemocrática (o que eu não
considero), o "recado" também é claro, só que o vetor de imposição de
silêncio aponta para outra direção.
- Embora a expressão "politicamente correto" esteja desgastada por usos
vários, baseia-se na concepção do ser político, ou seja, na capacidade de
interlocução e no respeito mútuo entre seres políticos, apesar de diferenças
de gênero, opção sexual, étnicas, etc.. Desejo, portanto, e atuo para que os
movimentos sociais sejam politicamente "corretos"; e democráticos (a
democracia é relativa?). Continuo não entendendo a legitimidade da
violência, seja ela de Estado ou não.
- Curiosamente, uma parte dos professores que apoiam os atos dos
estudantes, pelo menos na minha faculdade, nunca se expressou durante a
Ditadura Militar, ou quando a Polìcia Militar invadiu o Hospital das
Clínicas, jogando bombas de gás lacrimogênio nas enfermarias. Naquela época,
os movimentos sociais tinham riscos...Aconteceu, sim, Professor, de
estudantes e professores perderem cargos, serem agredidos, presos,
torturados e mortos naqueles anos. Não foram só provocações.
Por fim, Professor, tenho também um sentimento de Dejá-vu diante do
movimento atual. Sobretudo um sentimento de nostalgia, frente a uma fração
de nossa juventude que se pretende revolucionária, mas acredita que os
partidos políticos estão fora de seus movimentos, e que desconhece a
história da UFBA pela qual lutam.
Manifesto-me contra a ocupação da Reitoria.
Jorge Guedes- Professor- Faculdade de Medicina.
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LUIZ MOTT
Cx.Postal 2552 - 40022.260, Salvador, Bahia
Fone/Fax: (71) 328.3782 - 328.2262 - 9989.4748
www.luizmott.cjb.net www.ggb.org.br
Professor Titular de Antropologia, UFBa
Comendador da Ordem do Rio Branco
Ex-Membro do Conselho Nacional de Combate a Discriminação da Presidência
da República e da Comissão Nacional de Aids do Ministério da Saúde
Per scientiam ad veritatem, justitiam et felicitatem.
-------------- Próxima Parte ----------
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