[CMI-SSA] Trabalhadores re-ocupam Flakepete

Manoel manoel em riseup.net
Quarta Setembro 15 07:11:58 PDT 2004


Trabalhadores re-ocupam Flakepete
Por Trabalhadores da Flakepete 14/09/2004 às 17:39 

(retirado de http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2004/09/290371.shtml)


Carta ao público 


Aos Trabalhadores e seus sindicatos, 
Aos parlamentares, dirigentes e partidos políticos, 
Às autoridades, Prefeitura Municipal, Governo do Estado, ao 
presidente Lula 
Ao povo de Itapevi 

DEFENDENDO NOSSO SAGRADO DIREITO AO TRABALHO REOCUPAMOS A 
FLAKEPET 


Somos trabalhadores da Flakepet - Tecnologia em Reciglagem, situada na Estrada Velha Real, na cidade de Itapevi, São Paulo. Nos dirigimos a todos para relatar nossa luta, pedir apoio e, das autoridades, exigir solução. 

§ 20 de outubro de 2003: o patrão, Maurício Nogute, suspendeu os trabalhados da fábrica, prometendo que em 10 dias retomaria a produção e pagaria nossos salários e 
direitos. 

§ 9 de dezembro de 2003: três meses depois, o patrão não deu nenhuma satisfação aos trabalhadores, recusou qualquer negociação e manteve a fábrica parada. Em assembléia nós decidimos ocupar a fábrica e retomar a produção. Desde então estamos em luta por um objetivo: receber nossos direitos, manter nossos postos de trabalho. Nós somos pais de família, somos jovens, que dependem exclusivamente do nosso trabalho para sobreviver. Nós estávamos entre os 53 milhões de brasileiros que em 2002 recorremos ao voto em Lula para presidente para mudar nossas vidas, para que fosse verdadeiramente respeitado nosso sagrado direito ao trabalho. Por isso, em 9 de dezembro de 2003, retomamos a produção e levantamos uma exigência ao presidente Lula: garanta nossos empregos assuma a fábrica abandonada pelo patrão, fábrica construída com financiamento público através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), dinheiro que não foi devolvido aos 
cofres públicos. 

§ 3 de março de 2004: com uma liminar concedida pela Juíza de Itapevi o patrão, com a Tropa de Choque da PM conseguiu reintegrar a posse da fábrica. Nós trabalhadores fomos jogados na rua, enquanto o patrão que nos deve, que deve ao BNDES, ao INSS, à Eletropaulo, a diversos fornecedores, com esta decisão conseguiu o ilegítimo direito de manter a fábrica fechada, as máquinas paradas, às custas de nosso sofrimento. Apesar deste golpe, não desistimos. Em condições difíceis mantivemos uma vigília permanente na porta da fábrica para impedir que ela fosse desmontada pelo patrão. Continuamos nossa luta, fiéis à decisão de 9 de dezembro de 2003: receber nossos direitos, manter nossos postos de trabalho. 

§ 5 de maio de 2004: uma delegação de oito trabalhadores foi recebida em Brasília pelo Ministro do Trabalho Ricardo Berzoin. Dois trabalhadores da Flakepet, com 
representantes das fábricas Cipla e Interfibra (Joinville SC) e Flaskô (SP) dissemos a ele: o governo, eleito para atender os trabalhadores, pode por fim ao nosso sofrimento, tomando medidas que garantam nossos empregos e as condições para produzirmos, o que para nós significa estatizar as fábricas. Um mês e meio depois, sem que nenhuma medida fosse tomada, voltamos a Brasília. 

§ 22 de junho de 2004: um ônibus com trabalhadores da Flakepet juntou-se aos de Joinville(SC), de Curitiba (PR) e Sumaré (SP). Éramos 200 trabalhadores levantando diante das autoridades em Brasília nosso grito "Viemos aqui, fazer o que? O nosso emprego defender!" Neste dia fomos recebidos pelo Ministro Luiz Dulce, Secretário Geral da Presidência da República. A ele repetimos: nós não podemos sofrer as conseqüências da irresponsabilidade de patrões que lesam os cofres públicos, levam as fábricas à falência. O que pedimos é pouco: queremos trabalhar e receber nossos salários. Pedimos ao Presidente Lula que nos receba para discutirmos uma solução. 

§ 27 de agosto de 2004: na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, fomos recebidos pelo seu presidente Carlos Lessa. O BNDES confirmou que o patrão não pagou a dívida, que é mais de 17 milhões. Ali confirmamos também que a operação do empréstimo, feita para construir 5 fábricas, é irregular pois trata-se de uma mesma planta, com as mesmas máquinas. O presidente do BNDES orientou os técnicos ali presentes a tomarem as medidas para execução imediata da dívida, o que significa retirar do patrão o direito aos bens adquiridos com o dinheiro público, ou seja, a fábrica. Carlos Lessa explicitou interesse em medidas que implicassem na retomada 
da produção. 

§ 13 de setembro de 2004: convictos de que temos a legitimidade ao nosso lado, hoje decidimos tomar uma medida para retomar a produção: reocupamos a fábrica. Vamos fazer as máquinas voltarem a funcionar. Com o nosso trabalho vamos produzir e vamos garantir nossos salários. 

Nestes 11 meses de luta, sem receber nenhum tostão do que nos é de direito, recorremos a todos os meios. Fomos à Delegacia Regional do Trabalho, entramos com processo na justiça para receber nossos salários e direitos atrasados. Fizemos denúncia ao Ministério Público através da Procuradoria Geral do Trabalho. Continuamos aguardando que as autoridades tomem providências. 

Mas não podemos suportar mais um dia a situação de chegar em casa, depois de caminhar a pé pois não temos como pagar condução, e ver a dispensa vazia, o botijão de gás vazio, a luz cortada e sofrer ameaça de despejo. Não podemos mais ver nossos filhos doentes e não ter dinheiro para comprar remédio. 

Somos trabalhadores, nossa força de trabalho é que garante nosso ganha pão. Vamos fazer a Flakepet voltar a funcionar. Vamos produzir e garantir vida digna para nós e nossas famílias. Fazemos a nossa parte e pedimos ao governo Lula: faça sua parte, assuma a fábrica que foi construída com dinheiro público do BNDES. Que este dinheiro seja usado para garantir trabalho e vida digna aos trabalhadores contratados pela Flakepet e não para engordar patrões irresponsáveis e caloteiros. 

Nossa luta tem sido dura. Mas estamos em pé. Com o apoio de nossos irmãos de outras fábricas em luta, com o apoio de sindicatos, da CUT, de parlamentares, chegamos até aqui. Mais do que nunca renovamos nosso pedido: apóiem nossa luta que é a luta de todo povo brasileiro por uma vida melhor. 

Itapevi, 13 de setembro de 2004 
Comissão de Fábrica, eleita pelos trabalhadores. 



Ajude, contribuindo com nosso Fundo de Luta 
Banco Bradesco 
Agência: 0277 
Conta Poupança: 1000 905-7 
Em nome de: Osvaldo Costa Neto (membro da Comissão) 


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