[cmi-ssa] Enc: A Carta Social

Manolo manoel em riseup.net
Sábado Agosto 26 08:02:41 PDT 2006



----- Mensagem encaminhada de juliherme em riseup.net -----
     Data: Fri, 25 Aug 2006 20:51:42 -0300 (BRT)
     De: Juliherme <juliherme em riseup.net>
Endereço para Resposta (Reply-To): cmi-brasil em lists.indymedia.org
  Assunto: [Cmi-brasil] A Carta Social
       Para: cmi-brasil em lists.indymedia.org, cmi-vitoria em lists.indymedia.org

A Carta Social

Por Juliherme, 25/08/2006, 20:41

Nesta manhã, antes de pegar um ônibus para a Universidade, passei na
agência dos correios do bairro onde moro atualmente, no centro de
Serra-ES, com o intúito de enviar uma carta para São Paulo. Era uma carta
simples, envelope padrão, um papel tamanho A4, etc. Depois da minha
primeira fila do dia, aproximei-me do caixa e falei que queria enviar a
minha carta para São Paulo. Imediatamente, como médico emburrado em dia de
sexta-feira em final de expediente, sem olhar para mim, ele foi logo
dizendo, “três reais e cinqüenta centavos a carta registrada para São
Paulo”. Depois da minha surpresa com a sugestão, eu disse que queria
enviar uma carta normal mesmo, então ele disse com um tom de perda,
“cinqüenta e cinco centavos”, assim sendo aceitei.

O funcionário do caixa começou a mecher em alguns papéis e, enquanto isso,
pensei, “Mas... essa carta está tão simples... ah, Carta Social!”, então
com a balança próxima, pesei a carta, “oito gramas! Abaixo do peso da
Carta Social!”, logo eu disse ao funcionário, “Carta Social. Vou enviar
como Carta Social”. Neste exato momento uma funcionária ao lado resmungou
algumas coisas, o funcionário que estava a me atender fingia que não me
via e que ninguém havia falado aquilo, quero dizer, Carta Social.
Percebendo que não havia saída, o funcionário foi falando “Hm... acho que
não tem selos para Carta Social”, então pensei, “Como assim?”. Enquanto o
meu diálogo com o funcionário desenrolava, a funcionária ao lado denegria
e fazia pouco caso o quanto podia da tal Carta Social.

O funcionário não encontrava pelo menos um selo para a Carta Social, selos
de um centavo, nem mesmo um selo, ele foi dizendo que os correios estavam
acabando com aquele tipo de correspondência aos poucos e que os selos já
estava em falta já algum tempo... ele revirou alguns papéis, adentrou pela
agência e voltou dizendo, “não tenho selos para Carta Social”. Daí então
não contive a minha indignação e disse “Mas isso é um absurdo, vocês estão
contra do povo!” e fui saindo da agência. O funcionário ainda me perguntou
se eu iria enviar como carta normal. Fui saindo e dizendo que não enviaria
a carta por aquele lugar...

Peguei um ônibus e cheguei na Universidade. Fui logo me dirigindo à
agência dos correios da Universidade. Entrei na agência, parecia que havia
ninguém. No fundo vi um funcionário que saia de uma penumbra de forma
intimidadora. Daí pensei, “Esse cara vai barrar a Carta Social na hora”.
Não desanimei, resolvi “arriscar”. “Eu queria enviar uma Carta Social para
São Paulo”, ele abriu um pequeno sorriso e disse, “Opa! Tranqüilo, deixa
eu pesar aí”. Outra surpresa, mal julgamente contrariado. Pelo menos
fiquei feliz. Enquanto a minha surpresa passava, ele ficou verificando a
carta, peso, quesitos necessários, etc... então perguntei quais eram os
quesitos necessários para uma carta ser considerada uma Carta Social, só
para acrescentar alguma coisa. Então ele disse, “Rapaz, é só você olhar
alí no cartaz óh”. Vi o cartaz, do governo federal ainda por cima, não
acreditando e pensando, “Então o governo divulga! É divulgado!”. Logo
pensei, “Isso é coisa de agência mercenária!”. Na verdade, tenho percebido
que todas as agências dos correios brasileiras, funcionando como franquias
e reproduzindo o esquema de empresas norte-americanas, são mercenárias,
visando o lucro acima de tudo.

Após a minha surpresa pelo diferença de reação em relação a minha Carta
Social, comentei com o funcionário que atendera-me bem sobre o ocorrido na
agência do meu bairro. Ele achou estranho e afirmou, “Nossa, mas isso é
lei... e lei federal”. Ao pagar com uma moeda de cinco centavos, ele
perguntou se eu pegaria como troco quatro selos de um centavo, para novas
Cartas Sociais. Concordei de imediato. Da próxima vez, imagino que não
possam afirmar que não podem aceitar o envio da minha Carta Social por não
possuirem selos.

No final de tudo, pude reconcluir mais uma vez que as agências dos
correios brasileiras não são públicas, são franquias, são privadas, são
capitalistas, visam lucro e muito lucro. Para verificar isso, faça um
teste: Vá a uma agência dos Correios. Peça um serviço. A primeira opção
sugerida sempre é a mais cara...


Para ser aceita na categoria Carta Social, uma correspondência precisa
estar nas seguintes condições:

- Limite máximo de peso igual a 10 gramas;
- Remetente e destinatário deverão ser pessoas físicas;
- O endereçamento deve ser escrito à mão;
- Os objetos tem que estar envelopados e não é premitido utilizar nenhum
tipo de serviço adicional ou acessório;
- O limite máximo de postagem é de 5 objetos por pessoa;
- Envio somente para localidades situadas em território nacional;
- Na frente do envelope, acima do CEP, deve estar escrito “Carta Social”;
- A utilização de envelopes com carimbo de pessoa jurídica, com plástico,
dobramento de papel ou com inscrições promocionais não é permitida.

Retirado do cartaz do governo federal sobre a Carta Social.

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----- Final da mensagem encaminhada -----


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