[cmi-ssa] Oaxaca no A TARDE
Henrique Souza
josephk387 em gmail.com
Quinta Novembro 16 08:10:15 PST 2006
Pessoal, depois que vi a mensagem de Aninha fui conferir e não é que saiu
mesmo na A TARDE uma reportagem de duas páginas inteiras sobre Oaxaca? Saiu
no Caderno 10 de 14 de novembro, e está bastante razoável em termos de
informações, e ainda tem várias fotos, mapa de Oaxaca, cronologia dos
acontecimentos, relação com o zapatismo, enfim, pelo visto o esforço valeu a
pena, já é uma pequena vitória contra o bloqueio da mídia, e acho que a
galera que deu o gás pra que isso acontecesse está de parabéns... Não tenho
o jornal, estou enviando o que consegui copiar pelo site.
[]'s
Henrique
na real *CAMILLA COSTA
**ccosta em grupoatarde.com.br* <ccosta em grupoatarde.com.br>
No dia 1º de maio deste ano, os professores da 22ª seção do Sindicato
Nacional dos Trabalhadores da Educação do México entraram em greve por um
aumento salarial de 150 pesos [cerca de R$ 30] e melhores condições de
trabalho. Entre as reivindicações estavam merenda escolar, bolsas, uniformes
e sapatos para os alunos menos favorecidos.
Os professores tomaram o zócalo, praça principal da capital de Oaxaca, e
passariam despercebidos pela mídia internacional se o governo do Estado não
tivesse decidido interferir nas manifestações na noite de 14 de junho. Os
protestos acontecem há 5 meses, com crescente onda de violência. No próximo
dia 20, o México deve parar em apoio a Oaxaca.
Em junho, o governo enviou 3 mil policiais para desocupar a praça e entrou
em confronto com os manifestantes. Quatro pessoas morreram. Revoltada, a
população de Oaxaca aderiu rapidamente à causa dos professores. A cidade
encheu-se de barricadas e foi criada a Assembléia Popular dos Povos de
Oaxaca (Appo), que pede o afastamento do governador Ulises Ruiz.
O governador nega que tenha havido mortos na primeira investida contra os
grevistas, mas vídeos dos ataques policiais proliferam na internet. Desde o
princípio dos enfrentamentos entre a polícia e os civis, são 19 mortos e
mais de 120 desaparecidos. As passeatas em protesto chegaram a reunir mais
de 500 mil pessoas. "Na verdade, o governo de Ruiz já caiu, mas ainda
precisa ser destituído oficialmente", analisa Waldir Rampinelli, professor
de História da América da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e
membro do Centro de Estudos Latino-Americanos.
Parte dos professores voltou a dar aulas nesta segunda-feira.
Estima-se que a greve afetou cerca de 300 mil alunos das mais de 14 mil
escolas que ficaram sem aulas.
Os professores negociaram o fim da greve diretamente com o governo federal,
que interveio apenas no final de outubro. Mas os protestos continuam.
RENÚNCIA – Ulises Ruiz Ortiz, do Partido Revolucionário Institucional (PRI),
é governador de Oaxaca desde 1º de dezembro de 2004 e deveria permanecer no
cargo até 2010. Os cidadãos de Oaxaca, no entanto, pedem sua renúncia,
alegando abuso de poder e descumprimento dos deveres de governador – Ruiz se
recusou a negociar com os grevistas e ordenou a intervenção violenta de
policiais e paramilitares.
O presidente do México,Vicente Fox, está a um mês do fim de seu mandato e
diz que só o Senado tem poderes para destituir uma autoridade eleita pelo
voto.
Fox, eleito pelo Partido da Ação Nacional (PAN), foi festejado por tirar do
poder o partido conservador PRI, depois de 71 anos de governo. Hoje, é
considerado um traidor da democracia. Para manter seu partido no governo,
com o presidente eleito Felipe Calderón, Fox não pode comprar uma briga com
o partido de Ulises Ruiz. Aproveitando-se da polêmica sobre o processo
fraudulento que elegeu Calderón, o PRI ameaçou não reconhecê-lo como
presidente se Ruiz for afastado do governo.
Fox já declarou que o próximo presidente vai receber Oaxaca "do jeito que
está". Antes disso, enviou 3,5 mil policiais federais e 3 mil policiais
militares para retomar o controle da cidade, enquanto 5 mil soldados do
Exército esperavam nos arredores.
O envio da Polícia Federal Preventiva provocou passeatas de repúdio ao
governo que receberam apoio em vários países.
No Brasil, as manifestações ocorreram em Brasília, Fortaleza, Rio e São
Paulo, em frente às embaixadas e consulados do México no País. "O governo
mexicano está sempre disposto a dialogar, esperamos que haja uma solução
pacífica para os conflitos", declarou o embaixador mexicano Agustín
Rodriguez ao Dez!.
AUTONOMIA – A Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca é uma associação da
qual participam mais de 350 organizações civis entre sindicatos, movimentos
indígenas e camponeses e grupos de mulheres, além do sindicato dos
professores. A Assembléia não tem o apoio de partidos políticos e já tem
bases em mais de 24 municípios. Agora, querem maior participação popular no
governo de Oaxaca e a criação de comunidades autônomas. "O que estão fazendo
não é uma rebelião.
É uma revolução, porque estão tomando ruas e rádios e instituindo um novo
poder", avalia o professor Rampinelli.
O despertar do México bronco
As comparações entre o movimento de Oaxaca e as ações do Exército Zapatista
de Liberação Nacional (EZLN), de Chiapas, não são por acaso. "Os dois
movimentos nascem como resposta ao avanço agressivo do neoliberalismo no
México. Chiapas e Oaxaca são Estados muito pobres", analisa Rampinelli. "Os
mexicanos têm um ditado que diz: 'Não desperte o México bronco'.
Isso já está acontecendo". O subcomandante Marcos, do Exército Zapatista, já
enviou seu apoio à causa da Appo. No dia 1º de novembro, o EZLN fechou todas
as rodovias próximas aos seus postos no Estado de Chiapas. E no próximo dia
20 está programada uma paralisação nacional, comandada pelos zapatistas.
As duas organizações têm braços armados para a defesa, mas fazem
manifestações pacíficas. "O México tem uma tradição de lutas e de uso da
violência contra a violência institucional", diz.
A Appo mantém os "topiles", voluntários que usam paus e chicotes para fazer
a defesa dos manifestantes. Mas a Assembléia enviou um comunicado aos grupos
guerrilheiros do país pedindo que não cometessem atos de violência contra
civis, o que levantou suspeitas de que os recentes atentados na Cidade do
México fossem uma manobra do governo de Fox para justificar a repressão.
memória Justiça, terra e liberdade ❚ No início do século 20, Emiliano
Zapata, Francisco "Pancho" Villa, Venustiano Carranza e Álvaro Obregón
conduziram ao norte e ao sul do México a Revolução Mexicana de 1910,
marcando o fim do Porfiriato, período de governo de Porfírio Díaz. Díaz se
mantinha no poder desde 1876 e seu governo se caracterizava por políticas
liberalistas, baseadas das primeiras no mundo a reconhecer os direitos de
camponeses sobre a terra. A luta de Zapata inspirou a criação do Exército
Zapatista de Liberação Nacional [EZLN], que desde 1994 atua no Estado de
Chiapas, promovendo a criação de comunidades autônomas. O EZLN também faz
parte do movimento antiglobalização ❚ Fonte: ❚ Waldir Rampinelli, mestre em
História da América Latina pela Universidade Autônoma do México (Unam) em
concentração de riquezas.
Depois da fraude nas eleições de 1910, que asseguravam sua permanência no
poder, camponeses, indígenas, operários e burguesia rural rebelaram-se.
Zapata, assassinado em 1919, foi um dos responsáveis pelo lema da revolução,
"Justiça, Terra e Liberdade", e pelo Plano Ayala, que assegurou a reforma
agrária mexicana. A Constituição de 1934 foi uma
cronologia
Acompanhe os principais eventos do conflito em Oaxaca 1º.maio Os
professores começam a tentar negociar aumento de salário e melhoria nas
condições de trabalho ❚ 22.maio Início da greve e tomada do zócalo [praça
principal] de Oaxaca ❚ 14.junho Governo envia força policial para desocupar
a praça.
Quatro pessoas morrem e a população adere ao protesto ❚ 17.junho Criação da
Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca [Appo] ❚ 9.outubro 4 mil ativistas do
Estado de Oaxaca chegam ao México depois de caminhada de 18 dias para exigir
a renúncia do governador Ruiz ❚ 27.outubro Morre o cinegrafista americano
Brad Will, em conflito com policiais. O protesto ganha a atenção da mídia
internacional ❚ 29.outubro Vicente Fox anuncia o envio da Polícia Federal
Preventiva [PFP] para retomar o controle da cidade ❚ 5.novembro Passeata de
protesto reúne cerca de 500 mil pessoas em Oaxaca ❚ 6.novembro Parte dos
professores de Oaxaca volta a dar aulas.
Três bombas explodem na Cidade do México, sem causar mortes. Grupos
guerrilheiros assumem a autoria do atentado ❚
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"Você não sente, não vê,
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo,
Que uma nova mudança, em breve, vai acontecer.
O que há algum tempo era novo, jovem,
Hoje é antigo,
E precisamos todos rejuvenescer."
Belchior, Velha Roupa Colorida
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