[cmi-ssa] Lançamento em Salvador: Coleção Cultura negra e identidades ganha dois novos títulos
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Segunda Setembro 11 12:05:56 PDT 2006
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Autêntica lança em Salvador dois livros da Coleção
Cultura Negra e identidades
LIVROS SERÃO LANÇADOS NO IV CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISADORES
NEGROS, DIA 15 , NA UNEB
Sem perder a raiz: corpo e cabelo como símbolos da identidade negra
Corpo e cabelo podem ser considerados expressões e suportes simbólicos
da identidade negra no Brasil. A partir desse entendimento, a
antropóloga Nilma Lino Gomes apresenta ao leitor uma obra fruto de uma
intensa pesquisa etnográfica em quatro salões étnicos. Muito além do
caráter estético que o cabelo e o corpo podem sugerir, o livro trata do
caráter social, simbólico, político e identitário que esses conceitos
abrigam. Partindo da idéia de que a identidade negra é construída não
só a partir do olhar que o negro tem de si, mas também na relação que
ele tem com o olhar do outro sobre ele, não só o que é refletido no
espelho importa. Há um espelho do lado de fora que joga com as imagens e
com os padrões estéticos. Esse espelho é a sociedade.
É com essa atmosfera conflitiva, vivida numa sociedade marcada na sua
estrutura por um racismo ambíguo e pelo mito da democracia racial, que
os salões étnicos e seus profissionais convivem no dia-a-dia,
tornando-se campo fértil para a reflexão sobre a relação entre cabelo
crespo, corpo e identidade negra. A dualidade aceitação/rejeição e, em
casos extremos, a negação, estão presentes nos ambientes dos salões
étnicos. Mas há também a ressignificação do corpo negro. Nesse processo,
a estética negra pode assumir um lugar de afirmação e de politização.
Nos salões, quando os clientes dizem que corte ou penteado desejam,
expressam mais do que gostos estéticos, sinalizam também o modo como
foram construindo suas identidades, em meio a um processo denso e
complexo no qual estão presentes experiências de racismo e preconceito
e, também, de ancestralidade, inserção política e afirmação identitária.
Os depoimentos atestam a veracidade das dores e sabores de ser negro em
um País onde o ideal de beleza ainda se pauta pela cor branca e pelos
cabelos lisos. Mas também atestam histórias ancestrais, a força da
família, a importância dos espaços de valorização da cultura e da beleza
negra. Nos salões étnicos, pode-se perceber a recriação de penteados
africanos estilizados pelo mundo da moda contemporânea. O livro traz à
luz, vários pensadores e suas reflexões sobre corpo, identidade e
questão racial. Além sinalizar as mudanças e conflitos de um novo tempo:
a indústria de produtos étnicos, voltados para os negros.
De acordo com Kabengele Munanga, o livro nos fará descobrir coisas que
até agora não pudemos enxergar apesar dos resultados das pesquisas
tradicionais e do discurso do militante sobre o assunto.
Bantos,malês e identidade negra
Consciente da influência eurocentrista no pensamento brasileiro, Nei
Lopes debruça-se sobre a formação do Brasil, atento às contribuições dos
Bantos e dos Malês na constituição da cultura e do povo desse País verde
e amarelo e genuinamente negro. O caráter identitário dos brasileiros e
a formatação social do Brasil foram construídos sob a égide da
superioridade branca e da coisificação do negro. Entretanto, Nei Lopes
mostra ao leitor uma face da História desconhecida por grande parte dos
brasileiros.
Ignorados pelos estudos antropológicos sobre o Brasil, os Bantos
encontram nessas páginas um tratamento merecido por terem contribuído
positivamente para a cultura e para a formação identitária e étnica do
Brasil. Este livro figura como uma rica ferramenta para se pensar o País
e seus diversos tons. A publicação permite, também, novos parâmetros de
interpretação histórica das conexões entre islamismo e negritude.
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