[cmi-ssa] nasceu um movimento contra a corrupção em ssa

Marli Noronha marli_noronha em yahoo.com.br
Terça Junho 19 08:31:24 PDT 2007


        Por gentileza divulguem: http://movimentobaianocontracorrupcao.blogspot.com.
   
  Manifesto cidadão
         População se junta em caminhada na Barra para protestar contra a corrupção e a impunidade no país

            Flávio Novaes
    Uma iniciativa de profissionais liberais deu início ontem a uma campanha soteropolitana contra a corrupção no país. Aproximadamente cem pessoas se reuniram pela manhã, no Farol da Barra, e partiram em uma caminhada até à estátua do Cristo, retornando ao local de onde saíram, em um percurso de aproximadamente 1km. Vestidos de preto, os manifestantes portavam cartazes pedindo o fim da “roubalheira” e, principalmente, o da impunidade. 
    A manifestação, prevista para ter início às 10h, começou com atraso em virtude da apresentação de uma quadrilha junina dos funcionários e portadores de necessidades especiais das Obras Assistenciais de Irmã Dulce (Osid). Eles utilizaram o espaço da Rua do Lazer, destinado pela prefeitura para atividades infantis em frente ao Farol. Uma hora depois, a caminhada teve início. “Não punir as pessoas está ficando uma coisa normal e isso está deixando todo mundo triste, abatido, desanimado”, afirmava a médica neonatologista Sueli Ribeiro, uma das organizadoras da ação. “Acredito que hoje estamos plantando a semente de um movimento baiano”, avaliou. Até um blog na internet foi criado para a troca de informações: http://movimentobaianocontracorrupcao.blogspot.com.
    “É vergonhoso”, anunciava a faixa que ia à frente dos mani-festantes. Nas conversas entre eles, citações às operações da Polícia Federal que vêm escancarando os casos de corrupção, além de escândalos como “mensalão”, “mensalinho” e “sanguessugas”, cujos culpados não tiveram punição.
E, mesmo debaixo do sol forte do Outono de Salvador, palavras de ordem eram disparadas pelas pessoas que caminhavam lentamente, provocando um pequeno engarrafamento no local. 
    O preto que simbolizava o luto foi dando lugar a outras cores de pessoas desavisadas, que também aderiram ao movimento. E quem fazia a corrida do domingo, aplaudia. Carros que vinham em sentido contrário, buzinavam também em sinal de apoio. “Isso é muito importante, as pessoas precisam se mobilizar mais”, entusiasmava-se a professora Iara Abreu, que engrossou a passeata. “Lembro dos meus tempos da década de 70, quando pulava o muro do Colégio Alípio Franca e vinha para o centro participar das lutas contra o governo militar”, rememora.
Também indignada, mas feliz com a novidade estava a doméstica Maria das Graça de Deus, trajada com uma camisa preta. 
    Freqüentadora das missas da Igreja Jesus Maria José, no Jardim Brasil, soube da passeata na pregação diária. “O padre Édson, durante toda a semana, falou para a gente vir e participar. Aí eu vim”, conta. Ao lado dela, a viúva aposentada Maria Xavier de Amorim, 73 anos: “Quero ser testemunho de tudo, quero participar”, disse, enquanto segurava um terço na mão esquerda.
    A Frente Nacional das Entidades dos Servidores dos Tribunais de Conta do Brasil foi a única associação de classe que esteve presente. O presidente da instituição, Amílson Araújo, era outro bastante indignado. “Os tribunais são os responsáveis pela fiscalização dos órgãos públicos, mas o modelo atual não tem dado resultado”, analisa.
    A passeata prosseguiu acompanhada por um bumbo e uma caixa de repique, que faziam a marcação musical das palavras de ordem. O cartaz “São João, apague a fogueira da nossa nação” também aparecia entre os manifestantes, brincando com a proximidade da data em que se homenageia o santo. Mas o clima era mesmo de muita revolta. “Será que a gente é tão passivo que não vai fazer nada? Essa manifestação aqui é para mostrar que temos o direito a se indignar”, reclama a obstetra Maria do Socorro Tavares, também idealizadora do movimento.
    A idéia de mobilizar a população aconteceu há aproximadamente 20 dias, quando Sueli Ribeiro aguardava tranqüila no centro obstétrico do Hospital Santo Amaro o início de mais um parto. De repente, a TV começou a narrar mais um escândalo na política brasileira, daquela vez, envolvendo o senador alagoano Renan Calheiros, presidente do Congresso Nacional, maior cargo do Legislativo do país, acusado de pagar a pensão alimentícia de uma filha com recursos de uma grande construtora. “Começamos a conversar ali mesmo, indignados, e decidimos criar esse movimento”, relembra.
    O pequeno número de participantes durante a caminhada não desanimou os organizadores. A idéia é continuar com as manifestações, agora com uma ação maior de divulgação para atrair mais pessoas. “Vamos realizar uma a cada mês”, avisou Sueli.


       
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