[cmi-ssa] Fwd: texto aborto

matheus sampaio matheusmsampaio em gmail.com
Terça Maio 12 08:29:00 PDT 2009


---------- Forwarded message ----------
From: matheus sampaio <matheusmsampaio em gmail.com>
Date: 2009/5/12
Subject: texto aborto
To: cmi-ssa-request em lists.indymedia.org


Aí , galera. Não mandei logo depois da reunião, porque ainda não tenho net
em casa,

dependo da net da facul, era pra ter mandado ontem, mas não tive tempo. Taí
pra

fazer as modificações se forem necessárias. descobri agora pq não tava
conseguindo mandar.


Sugestões de títulos: "O aborto dos fatos", "Acriminalização e o aborto dos
fatos", "O aborto dos fatos de fato"

            Enquanto a maioria dos brasileiros se diz contra o aborto e quem
interrompe ou se coloca a favor é condenado ao inferno (em todos os
sentidos), o que se observa na prática é que o discurso dominante, na
verdade, esconde a face hipócrita de quem o utiliza. Sempre são os outros
que são condenados, mas a depender das circunstâncias, a vida gerada passa a
ser um problema e precisa ser eliminada.  E quanto ao aborto em caso de
gravidez por estupro? Já é tão aceito socialmente que as pessoas não têm
medo de se declarar publicamente a favor. Uma criança deve ser assassinada
só porque não foi gerada dentro da normalidade de uma família? Devemos
eliminar uma vida só para manter as conveniências sociais da mulher que
cumpre sua função de moça de família, que mantém sua honra de mulher? Por
que na verdade, se formos analisar, é esse o papel que cumprem esses
valores.

           O que confirma essas contradições são pesquisas realizadas em
universidades brasileiras, nos últimos vinte anos, que têm demonstrado que a
maioria das mulheres que interrompe a gravidez é casada, que já é mãe,
trabalha fora e tem, em média, entre 20 e 29 anos. É católica e tem alguma
escolaridade - completou ao menos os oito anos do ensino fundamental. A
decisão pela interrupção da gravidez é tomada com o parceiro. Como é uma
prática ilegal, ela faz uso de métodos caseiros, como ingestão de chás e
ervas, misturados com Cytotec.

         Estima-se que no Brasil sejam realizados, todo ano, aproximadamente
1 500 000 abortos. Porém, considera-se esse dado como “conservador”, pois o
cálculo é feito baseado nos dados das mulheres que são atendidas no SUS por
terem complicações de um aborto mal feito. Então não se leva em conta os
abortos feitos por mulheres das classes mais altas, que têm condição de
pagar um serviço melhor e manter tudo às escondidas.

        É com base nesses dados que percebemos que são graves os problemas
gerados por uma legislação punitiva. Esse sistema não impede que ocorram
abortos, só contribui para gerar, como se não bastasse, mais opressões sobre
as mulheres de classes populares. Clínicas clandestinas que fazem um aborto
seguro cobram um preço altíssimo pelos serviços, o que obriga as mulheres de
baixa renda a recorrerem aos mais bizarros métodos (até agulha de tricô, há
muitos relatos) e a verdadeiros açougues humanos que são muitas dessas
“clínicas” clandestinas. O aborto mal feito já é a terceira maior causa de
mortalidade feminina, além das seqüelas que essas mulheres sofrem pela
impossibilidade do acesso a um atendimento de qualidade.

        A que ponto de opressão nós chegamos? Não bastam as violências
construídas pela nossa sociedade predominantemente machista? A mulher não
tem poder de decisão sobre o seu próprio corpo, ele é controlado pelos que
se dizem esclarecidos, em nome do progresso e do bem da humanidade.

       Será que não bastam todas as condenações e punições seja pelo
moralismo da nossa sociedade, pela falta de condições de acesso a um
atendimento adequado , ou pelas circunstâncias que a levaram a tomar a
decisão, muitas vezes abandonada pelo parceiro a mulher deve ser condenada a
cumprir pena?

        Dessa forma, a legislação definida por alguns que detêm o poder,
baseada nas problemáticas e abstratas definições de quando começa a vida,
reivindicadas como verdadeiras por diversas religiões, ideologias e
ciências, só está contribuindo para que as vidas reais e concretas sejam
ameaçadas. Manter o quadro atual só é fechar os olhos para essa situação.
-------------- Próxima Parte ----------
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