[cmi-ssa] Garapa será lançada em salvador nesta Quinta feira! Assitam. Se nao agora, depois

jaqueline de almeida jaque.comunica em gmail.com
Quarta Maio 27 15:54:36 PDT 2009


*26/05/09

José Padilha lança nesta quinta em Salvador "Garapa", com entrada franca*

João Carlos Sampaio, de *A Tarde*

Uma sessão especial, com a presença do diretor José Padilha, marca o
lançamento na Bahia do documentário "Garapa", que tem como tema a
insegurança alimentar, nas palavras do diretor: “A fome sob o ponto de vista
de quem tem fome”. A projeção acontece nesta quinta(28), às 20 horas, no
Espaço Unibanco Glauber Rocha, com entrada franca. Além de Padilha, também
estará presente o diretor do Ibase, Francisco Menezes.

O Ibase – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas - é uma
organização não-governamental criada pelo sociólogo Herbert de Souza, o
Betinho, no ano de 1981.

O cineasta José Padilha contou, inclusive, que foi através do contato com
seu diretor, Francisco Menezes, um amigo pessoal, que foi instado a fazer
este filme. “Ele me deu a ideia de falar da desnutrição a partir do pondo de
vista de quem passa fome”, diz o diretor.

Premiado com o Urso de Ouro no Festival de Berlim pela direção de "Tropa de
Elite", Padilha lembra que já tinha feito um filme sobre um sequestro pelo
ponto de vista do seqüestrador ("Ônibus 174") e que tratar da fome com o
mesmo tipo de observação, de “dentro para fora”, parecia algo natural. Com o
próprio Ibase encontrou sugestões de recortes possíveis para seu filme.

*Trailer de "Garapa"*


TRÊS LOCAÇÕES – “Eu queria mostrar situações diferentes de pessoas
enfrentando insegurança alimentar, uma na grande cidade, outra numa cidade
interiorana de beira de estrada e uma terceira mais isolada, no sertão”, diz
o cineasta.
Ele segue contando que a escolha de três locações no Ceará se deu por
questões de custos e facilidades para as filmagens. “Filmamos no Ceará, mas
poderia ter sido em qualquer lugar do mundo”, completa.

Segundo o diretor, o auxílio do Ibase terminou com a indicação, a negociação
com as famílias aconteceu por trabalho da própria equipe. “Não oferecemos
cachê, fomos verdadeiros, dizendo do que se tratava”, diz, acrescentando: “A
pergunta básica que nos faziam era se ia passar na Globo”.

As três famílias mostradas em Garapa foram as primeiras que o diretor
consultou, todos aceitaram ser filmados sem ressalva, mesmo sabendo que as
imagens não iriam parar na TV aberta de grande audiência.

A equipe de Padilha se revezou então entre o subúrbio de Fortaleza, o
município de Choró, a 141 km da capital, e a comunidade de Olho d’Água, que,
de carro, pela estrada precária, fica a cerca de uma hora de Choró.

O cotidiano das três famílias foi acompanhado durante cerca de 45 dias.
“Nossa equipe trabalhou com cinco pessoas e apenas três nas filmagens, eu, o
diretor de fotografia e o técnico de som”, conta Padilha, que apostou num
número pequeno de profissionais para intervir pouco no comportamento das
famílias. “Com a passagem dos dias as pessoas se acostumam com a câmera e
deixam de representar”.

Direto – José Padilha cita a influência do chamado “cinema direto”,
técnica-conceito na realização de documentários, que admite a subjetividade
e se põe a captar o seu assunto de maneira crua. “Não tenho o pudor de negar
a minha ausência no documentário”, diz o cineasta ao ser indagado sobre uma
situação em que fica evidenciado que ele deu um remédio a uma fonte. “É
impossível não se envolver”, reafirma.

O diretor afirma que a cena em que fica entendido que ele ofereceu
comprimidos aos personagens tem uma razão que não passa pelo gesto de
solidariedade. “Isto está no filme porque eu quis mostrar que a família não
sabia a diferença entre um analgésico e um antibiótico, mas não tenho por
que negar que tentamos ajudar, qualquer um que se ponha a fazer um filme
como este não terá como se manter isento”, diz o cineasta.

AUXÍLIO – Mesmo após as filmagens, por conta das relações que travou com os
personagens mostrados no filme, Padilha tem mantido algum auxílio, mas teme
que isto seja entendido como uma publicidade, jogada de marketing pessoal,
por isso evita divulgar. Ele estuda agora uma maneira de repassar parte dos
lucros de bilheteria, a fração que cabe a sua produtora (a Zazen Produções),
para as famílias que se deixaram filmar.
-------------- Próxima Parte ----------
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